19/08/2015

É tão pouco blogger da minha parte # 2

Eu tenho (ou tinha, ainda não sei) um vestido verde, que amo muito, a ponto de sentir o amor carnal por ele, já que, quando o coloco sobre as minhas carnes, ele faz de mim a gaja mais gaja do meu perímetro mínimo de convivência social, e, ali num raio de cerca de cinquenta centímetros, não há outra igual, nem tão bem apanhada como eu.
O meu vestido verde é da Stefanel (e não, ninguém me paga para isto; eventualmente, pagar-me-iam para me calar, mas já não vão a tempo), de seda — por isso, transparente, por isso, todo forrado. Comprei-o para o usar num casamento e depois no dia-a-dia, que é o que fazem as pelintras como eu, que vão com um vestidinho que-até-dá, a um casamento, e depois são capazes de andar vestidas de seda para ir trabalhar e para ir para o supermercado, que foi tudo isso e muito mais que eu já fiz com ele. De qualquer maneira, foi usado num casamento civil, descontraído, sem grandes engalanamentos, pelo que o facto de eu não ter levado um laço gigante de tafetá na cabeça, acabou por ser a decisão mais chique que algum dia tomei na minha vida.

O meu braço esquerdo está intersectado pela mama da minha ex-chefe. Aliás, este casamento foi todo ele pontuado por muitas mamas, uma vez que foi nesta ocasião que a sogra da noiva — vá, pronto, a mãe do noivo — pôs as dela de fora.

A etiqueta do meu vestido verde mandava mais ou menos que o mandasse limpar a seco de cada vez que o usasse, pois quem o fabricou nunca pensou que ele viesse parar às mãos e ao corpo de alguém que não acredita na limpeza a seco num vestido tão justo, designadamente ao nível da axila. Não sei se explique que sou muito limpinha, mas morena, pelo que, ou vai de banho todos os dias mais roupa lavada, ou sou capaz de ter que enfrentar o estigma social. Então, lavei-o na máquina. E o meu vestido verde encolheu. Ou seja, ficou mais curto do que o forro. Mas ficou a parecer feitio e não defeito, e eu não deixei de o usar por isso.
Na segunda-feira fui à massagista, porque faço — fazem-me — drenagem linfática. Eu sei que é pouco blogger da minha parte assumir isto assim, a seco, mas a verdade é que eu incho com o calor, incho com as hormonas, incho com os meus nervos e os vossos, incho porque bebo pouca água, incho quando bebo muita água, incho porque durmo pouco, enfim: incho. A massagista usa um creme oleoso para me besuntar os paios e, assim, escorregar melhor pelas minhas carnes afora. E isso é válido para toda a área que vai desde as pontas dos pés até aos maxilares, pelo que saio de lá capaz de passar pela grade de um esgoto, de tão gordurosa que ela me põe. 
Desta vez, levei o meu vestido verde. E, quando cheguei a casa, nem queria acreditar que tinha o meu vestido verde manchado de alto abaixo. Nódoas de gordura com o tamanho da palma de uma mão, outras pequenas, redondas, quadradas, triangulares, hexagonais, pentagonais, e em estrela, de cinco e de seis pontas. Fiz o que faço a toda a roupa que tem nódoas de gordura: lavei-o com detergente da loiça. Mas as nódoas não saíram. Nenhuma delas. Desesperada, meti-o num alguidar com água, detergente, e óleo. Óleo alimentar, desses dos fritos. Mas ainda foi pior. Ficou ainda mais manchado, e vá que me recusei a cheirá-lo, porque, eventualmente, estaria com o pitol do pipol da fartura e do rissoli. 
Pensei em comprar tinta para o tingir em casa, pensei em vendê-lo no OLX como esfregão para pudendas, pensei em atirar-me a ele qual Jack the Ripper, pensei em cagar no assunto e ir para a rua cravejadinha de nódoas, pensei em atirá-lo pela janela e beber até o esquecer, pensei em ir a Fátima (de carro), pensei que ficava doida e tinham que me internar a babar-me toda, eu sei lá, acho que só não pensei nas piores coisas, de resto tudo me ocorreu. 
Ao assistir ao meu desalento, uma das minhas bonecas foi-se informar para a nettinha e trouxe de lá aquilo que parece ser a solução: farinha de milho. Não vos digo que fixem, que eu não duro sempre porque, embora a segunda parte da frase seja verdade, ainda não sei o que é que vai sair dali.


É possível que, mais logo, tenha que ir de novo à netty. Procurar a receita para tirar nódoas de farinha de milho. De um vestido que um dia foi verde. E foi passado por uma polme de óleo. E depois por banho de farinha. 
Ainda o frito.

26 comentários:

  1. Espero que consigas salvá-lo porque fica-te mesmo muito bem!

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    1. Obrigada, Redondinha. Ele é lindo!

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  2. Ouch, 'tadito, não está com um ar muito saudável, não :(
    Mas tens sempre um último recurso (assim uma espécie de desfibrilhador), que é mandar tingi-lo... ou se salva, ou frita de vez!

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    1. Não, mas olha: melhorou muito.
      Tenho é que escová-lo bem, que tem farinha amarela em todas as costuras. Só depois o posso lavar.
      Mas... acho que saiu tudo! :D

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    2. Yeahhh! Assim, melhor ainda :D
      Tens aí um valente companheiro para as curvas (figurativa e literalmente) ;)

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    3. Ó ié! :D
      Até estou com medo de vê-lo à luz do dia, mas, para já...
      Estou mesmo feliz ;)

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  3. Se tiveres bacalhau em casa podes aproveitar e fazer pataniscas. Assim, não se perde tudo.

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    1. Isso temos sempre.
      Mas não achas que fica melhor com caracóis? (os meus)

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    2. Não desgosto.
      (a acompanhar com uma cerveja, bebida pelo gargalo?)

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    3. (É só como me sabe bem)

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  4. E digo-te mais, esse lindo vestido verde realça-te muito as boobs xD logo é REALMENTE um bom vestido porque qualquer vestido que nos deixe com ares de Pamela Anderson é um bom vestido. Nem que tu vás à costureira da Fátima Lopes pedir truques para tirar as nódoas tu recupera-me esse vestido!

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    1. Ah, aqui estão tão discretas, pareço uma freira :D
      A costureira da Fátima Lopes? Conta-me tudo!

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  5. Verde, passado por farinha? Oh, pá, frita-o! Eheheheheh.

    Nota: Jeitosona, pá!

    Beijocas, Lindinha. :)

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    1. Fazia cá uns peixinhos da horta! :)

      Foi há 3 anos, estou muito mais velha ;)

      Beijocas, Maria :)

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  6. Água, detergente e ÓLEO?!

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    1. Eu sei, eu sei... devia tê-lo metido em óleo puro, para ficar todo igual, mas que queres? Acobardei-me...

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    2. Isto está-me a fazer espécie, pá. Oléo, porquê?? Onde foste buscar essa ideia tão...tão...enfim...diferente?

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    3. Foi assim: o vestido estava cravejado de nódoas de gordura. Pensei eu que o melhor era transformá-lo numa grande nódoa, e pô-lo todo da mesma cor (verde-nódoa). Não estou a brincar quando digo que o mal foi ter metido para lá água (para não gastar tanto óleo, embora soubesse que não se misturavam) e detergente (para atenuar o cheiro do óleo).
      Parece muito alternativo, mas, até ver as nódoas todas de lá para fora, ainda não pus de parte a possibilidade de o mergulhar em óleo puro. Johnson's, pronto.
      (A ver se o mantenho longe das frigideiras.)

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    4. Pá, tu estás na treta, não estás??

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    5. Juro que não. Até filmo, se chegar a ter que o meter em óleo.
      Mas reconheço que isto parece um pouco um desvio comportamental.

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    6. Portanto, não viste em nenhum lado, ninguém te deu a dica. Saiu da tua própria cabeça, é isso?

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    7. Sim, sim. Vais-me dizer que não é genial!?

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    8. Super.




      Agora a sério, havias de ir ver isso...

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    9. Ainda me meto no Shark Tank, mas primeiro tenho que patentear esta ideia.
      (Esta parte é gozo, o resto não é. Mesmo.)



      Até pode ser, mas vou com o vestido vestido, passe a redundância.

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  7. sim... é bonito.

    bj doce

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