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19/10/2018

Eu também estou a perder o colégio!

Mas, lá está, não sou a verdadeira, a genuína blogger, e, por isso, não posso opinar quando se trata de cenas que quero vender à viva força por me pagarem para isso. Aliás, não acho justo que não me paguem, porque era menina e moça para corrigir os textos dos meus patrocinadores, sponsores, patrões da banha da cobra, ou simplesmente a quem me pagasse para publicar cenas, de ponta a ponta, com meu implacável lápis azul. Se calhar por isso, ninguém me paga para escrever, ainda menos me dá brindes para publicar. Esta isenção, parecendo que não, está a sair-me do corpo, literalmente: não só não me dão creminhos para manter a cútis como se tivesse menos várias décadas, como também assisto diariamente à perda do meu colégio. (Colégio, não vás!) 
Colagénio? Hah, isso perdem as pessoas. Uma aspirante a influencer que se preze perde colégio, sei lá. Chiu.

10/09/2018

Curtas (ou nem tanto) e grossas

Fui chamada para o "palco" numa aula de dança, para acompanhar a instrutora numa coreografia. Ora, eu sofro de professorite, um síndrome que eu própria inventei, e que se explica pelo exponencial enervamento quando na presença de um mestre. Assim como existe o síndrome da bata branca, deveria existir o síndrome do quadro de giz (ou da caneta de feltro, ou interactivo, o que é que isso interessa?)/ dos óculos na ponta do nariz/ da autoridade não parental/ sei lá do que mais. Deve ser pela dificuldade na sua definição que o síndrome não tem nome. Logo, não existe.
Se eu sou de uma timidez caricata nos momentos em que me sinto avaliada, que são todos os da minha vida, imagine-se o que será (foi!) diante de uma plateia inteira. Não correu mal, mas porra. 
[Perdendo uma seguidora em 4, 3, 2, 1...]

Nem de propósito, deparei-me com este aviso
num determinado Museu desta cidade
(sou tão blogger, vou a museus)
(acho chato contar que a que nos recebeu estava com os copos)

~

À saída de uma aula de Jump, encontrei o enfermeiro que me tira sangue quando o vou dar. Não me lembro do nome dele, mas sei que o sei. Paulo, Pedro, João, um apóstolo. Também pode ser Sanguessuga, hei-de sugerir-lhe. Ele ia fazer Step, e eu devia ter ficado a assistir, porque se é aquela animação a sugar sangue às pessoas, que direi de uma aula de Step com ele ao lado. Mas eu fujo delas como o diabo da cruz, demasiada coordenação para a minha lateralidade excessivamente bem definida.
Depois da primeira surpresa que se sofre quando se encontra alguém fora do seu cenário, Olá!; Olá, enfermeiro!; Eu conheço-a!; Eu também o conheço, do IPS!; Eu sou o enfermeiro!; Eu sou a que dá sangue,
seguiu-se um diálogo muito digno e muito técnico, especialmente tendo em conta a pequena multidão que ali se encontrava a escutá-lo:
- Fez lá aferese?
- Não, porque não posso, tenho quatro filhos. Só sangue. Olhe, vou lá para a semana.
- Boa. Adeus!
- Adeus, bom treino.
(Sou tão simpática.)
(E blogger.)

~

Como passar dados de Ai-fostes para o computa: esquece. Dava pano para um post daqueles que ninguém lê. Noutro dia.

~

Voltei a pintar o cabelo em casa. Cansei-me da seca de ir ao salão do bairro. E a qualquer outro. Levei horas, mas ficou tão bem pintado que ninguém diz que eu não nasci já assim, morena e gira, e não aquela loura de olhos azuis, enorme e tronchuda, que fez o terror no berçário. (Not, calma. Já nasci assim, mesmo, esta delicadeza de dar dores.) Até estou a ponderar abrir o meu próprio estabelecimento, comprar baldes desta tinta e pintar as minhas freguesas todas da mesma cor, vulgarizando (ainda mais) esta que a Natureza naturalmente me forneceu.



(Isto já está demasiado blogger. Acabou.)

12/06/2018

Daquilo de o Google não nos notificar dos comentários

Estava eu entre o desmoralizada e o conformada, justamente por, não sei se com justiça ou não, não receber comentários há bastantes dias, quando resolvi calçar a tairoca, meter a cestinha no braço e ir colher flores lá para as bandas dos comentários a aguardar moderação. E passavam eles dos vinte, môres. Vinte! Vós não me haveis abandonado à minha sorte macaca!
Vou agora publicar tudo, mas não tenho vagar, apesar da disposição e da vontade, para responder a todos neste momento. Mas fá-lo-ei, é irem espiolhando.
Os meus agradecimentos a todos, aos quais se juntam os meus pedidos de desculpas, em nome do coiso, que o problema é ele, não sou eu.
Cá beijinho a uma vossa criada. 

20/05/2018

The girl next door # 16

Íamos pela rua que é nossa, de mãos dadas como amigas que somos tão, amizade esta nascida há pouco, mas já de cimento e pedra e cal. 
Agora ela vai-se embora, num regresso sem vontade mas necessário, ficará um oceano a separar-nos (como se existissem oceanos capazes de um impossível desses). Deve ser por isso que nos abraçamos à chegada e à despedida, mesmo que vamos só ali ao café, para ela chorar das dores que o amor lhe trouxe — e a que eu chamo Teoria do Sapato Apertado, uma das muitas que inventei nesta vida —, mas também, convenhamos, é para isso que as amigas vizinhas servem. Digo eu.
Cruzamo-nos então com outra vizinha, que me olha, me estranha, e, quando a cumprimento de "Olá, estás boa?", confessa que, à distância, não estava a conhecer-me. Expliquei que esta era eu ao natural, sem maquilhagem, uma osga verde de cabelo espetado, por contraponto com aquela Bratz girl a que todos estão mal habituados, porque tinha vindo da praia há pouco e ainda só houvera tempo para o banho e-e. Pergunta-me, a propósito de praia: "Estavas chateada?", e era eu agora a surpreendida, "Não, porquê?". Explicou então que, um dia, lhe dei o melhor conselho que já recebeu na vida: "Estás chateada? Vai para a praia. Chateaste-te com o teu marido? Vai para a praia. Os miúdos estão insuportáveis? Vai para a praia. Tens a cozinha desarrumada? Vai para a praia." 
De facto, devo ser uma pessoa bastante previsível. E translúcida. Mas, convenhamos, sou também um poço de sabedoria da treta, que, no fundo (desse poço), é a que mais falta faz às pessoas humanas. Sou uma opinion maker, uma verdadeira influencer. Estou no trilho certo para me transmutar na genuína blogger. Mas sei que ainda sou apenas uma crisálida.
(Tenho que começar a dar consultas, para começar.) (E a cobrá-las à bruta.)

29/04/2018

LB dá uma de blogger e faz perguntas a si mesma:

E tu, LB, o que fizeste tu hoje, para comemorar o Dia Mundial da Dança?

Oh.
(Mas aviso já que fiquei muito triste e desapontada com Mr. Google, que comemora o aniversário 253 de todos os poetas desconhecidos, os 174 anos sobre a descoberta do pum azul e o dia em que passam 691 anos sobre a invenção da roda, e hoje, logo hoje, não foi capaz sequer de pôr, nem que fosse, um bonequinho piroso a dançar, lá na sua página inicial. Cá se fazem.)

15/04/2018

para Sempre Mulher

Com mais um ano de idade biológica no lombo, lá fui para a Sempre Mulher, (ainda) na modalidade caminhada de lazer, mas, desta feita, fiz o grande feito de ter feito o mesmo percurso em menos 32 (trinta e dois!) minutos do que no ano passado: caminhada avenida da Liberdade acima, corrida na Fontes Pereira de Melo até ao Saldanha, caminhada até à João Crisóstomo, e de regresso ao Saldanha, corrida na Fontes Pereira de Melo, caminhada no Marquês, corrida na avenida da Liberdade até à meta. 
Por este andar, para o ano vou ao lado das atletas de alta competição, e ainda as ultrapasso. Isto, numa linha de raciocínio perfeitamente lógica: se no ano passado fiz o mesmo percurso em 01:19:56, e este ano em 00:47:59 (o raio do cronómetro espeta-se sempre nos cinquenta e tais quando eu vou a passar, só para o galo), isto quer dizer que, para o ano, a minha marca pode ser 00:15:57, mais segundo, menos segundo, certo? Certo. A Matemática tem destas coisas, e nunca falha. 


O tempo apresentou-se de feição, pois choveu todo o percurso, o que, parecendo que não, refresca, à medida que se sua. Por outro lado, este ano foi comigo não uma, mas sim duas filhas, o que foi duplamente divertido. Para a próxima, levo as filhas todas que tenho (ou não me chame Linda Blue e assim elas anuam), e aí, sim, para além de triplamente divertido, seremos tantas, que seremos imbatíveis e inultrapassáveis. 


05/03/2018

Óscaras 2018

Conforme já vem sendo tradição — umas vezes, sim, outras vezes, não — cá no buraco, vimos por este meio anunciar as oscarizadas do ano, ou seja, aquelas que são as mais merecedoras de nota derivados aos seus outfits. 
Na mesma senda, não se distinguem os fatos da passadeira dos outros, usados no after party. Isso calha-vos a vocês, perceberem quais foram usados aonde.
Quanto às mais bem vestidas, elas são exactamente aquelas que não constam na lista abaixo. Para essa tarefa, estão cá as bloggers a sério. Eu sou apenas a genuína blogger.

Miss Lucy in The Sky With Diamonds


Miss Qual é o Mal? Ah, Tudo


Miss Ainda Bem que Tenho Bolsos para Guardar Cenas


Miss Esqueci-me dos Sapatos


Miss Porra Para os Sapatos


Miss Avozinha do Capuchinho


Miss Cardeal Patriarca, Hallelujah


Miss Caderno Para Colorir


Miss Super-Heroína (essa mesmo)


Miss O Tecido Estava Num Saldo Imperdível


Miss A Mim Deram-me Uma Tesourada. Ou duas


Miss Mandei Aplicar Bottox Também no Vestido

Miss Nota de Cor

Miss Esfarraparam-me Toda

22/02/2018

The girl next door # 14

Enquanto, por um lado, tenho vizinhos passados da marmita (não quero sequer imaginar o que acontece dentro do móvel da cozinha onde as guardam), e que desde o dia das bruxas — seja lá o que isso for — até ao dia dos namorados — seja lá o que isso for —, passando em brancas nuvens o Carnaval — idem —, comemoram tudo, em tudo me fazendo lembrar aquele anúncio do aniversário do coelho da Joana,


por outro lado, tenho vizinhos que me odeiam. Mas, quando digo odeiam, é mesmo o verbo levado ao pé da letra, é aquele sentimento tão próximo do amor quanto pode sê-lo, ao ponto de haver a preocupação de manifestá-lo, de fazer tudo para que o outro (eu) dê por isso, de se fazer notar. (Só falta fazer flick-flack encarpado à retaguarda com triplo mortal quando me vê.) Penso mesmo que o homem — trata-se de um homem (do mais feio e desinteressante e mal cheiroso que existe — o que já deu para sentir no confinadinho espaço do elevador, das poucas vezes que lá coincidimos —, mas diz que o coração lá tem razões que a razão desconhece), tudo faz para que eu perceba o quanto me detesta. Mas isto há anos. Há muitos anos. Mais de vinte, são muitíssimos. Não sei lá que soberana ofensa fiz a sua majestade, que desde ter feito marcha-atrás a uma velocidade de corrida mais louca do mundo quando viu que eu ia a atravessar na.passadeira | com.uma.criança | ao.colo, até se dar ao trabalho de mandar os dois elevadores para o mais longe possível do rés-do-chão quando vê que eu vou a entrar no prédio (só possível se passar os dias à janela, a ver se me vê surgir. Cão), até bater com a porta quando coincidimos na entrada do prédio, ele há de tudo um pouco naquela rica panóplia de merdinhas ofensivas. A mim o assunto também já me anda a começar a moer, maneiras que tenho vindo a desistir de todo o refinamento e sofisticação que me são característicos. A última vez que nos encontrámos à saída do edifício, lá ia o sarnento à minha frente, olhou para trás quando ouviu (a senhora d) os meus passos, confirmou que era eu, saiu e largou a porta, porque lá na favela onde foi educado nem portas haveria, quanto mais a cortesia de segurá-las, e há que garantir que os parentes lhe continuem a chafurdar na lama, com consequentes quedas constantes. Dessa vez, fartinha destes números de circo, precipitei-me para a porta, qual super-heroína, e dei-lhe aquele encontrão estrondoso, antes que ela se fechasse delicadamente sozinha. Cansei de ser sexy boa.

Mas também tenho vizinhas assim,

É facto: trata-se de uma embalagem aberta. Não
fui a tempo de fotografá-la fechada antes de ser
acometida pelo irreprimível desejo de a esvaziar

que sabem que eu gosto de amendoins como o macaco gosta de banana, e cujo marido vai ao Brasil e lhe pedem que esconda na mala mais um pacote deles, cá para a primata. E, não contente, envergonhada por dar "só assim um pacote de amendoins", ainda me fazem uma bolsinha, com as próprias mãos, para os "transportar". 


E não sabe ela que eu tenho um blog. 
Em suma: 
1. Para quê parcerias, se tenho brindes desta qualidade emocional, nos quais acredito piamente, e até consumo?
2. A genuína blogger esconde-se onde e quando menos se espera;
3. Com amigas assim, não preciso de inimigos. 

13/02/2018

É preciso tão pouco [e, desta vez, foi tanto] para me fazer feliz # 12

Neste dia, que não é carne nem é peixe (nem sequer um vegetariano decente), em que um ser se iça do leito esmagado (o ser, não o leito) pela culpa de não trabalhar — ah, que não é feriado! —, mas também, se o fizesse, sentiria no couro (cabeludo e demais zonas sem cabelo) o assaz injusto que tal seria, em que o tempo meteorológico nada tem de lógico, quanto mais de meteoro, se deixa invadir sem se deixar conquistar por uma morrinha mental que nem para ir esticar as peles àquele antro de máquinas de torno há animus,
(em compensação, adentrei-me por uma loja da especialidade, que, já para não fazer publicidades daquelas que NMPPI, adianto apenas que responde por um nome que começa por Decat e acaba por hlon — porque a aquisição de outfits para fins de tonificação também devia contar como uma ida ao ginásio, pump it!) 
e eis que recebo esta enorme manifestação de carinho, que me pôs, em plena loja, de lágrimas nos olhos, porque, oh, pá, pode não parecer, mas eu sou uma espécie de humanóide extremamente sensível, e à mulher de César não basta ser céria séria. 
Obrigada, Gaffinha, por teres colorido este meu dia de azul bonito.
(Já agora, escuso de reafirmar o que já sabes, que também tu moras no meu coração — literalmente — esférico, com a única diferença de que eu não sei, ou estou mesmo incapaz, de escrever aquelas coisas todas num Português tão perfeito como tu o fizeste comigo.) (E não, não estou a ser modesta, eu sou mesmo gira.) (Não tão gira como as bonecas do teu talentosíssimo ilustrador — Fernando Vicente —, mas quase.) 

12/02/2018

Segunda de madrugada, e eu a sentir-me já tão blogger

Vá, acalmem-se lá, que eu não venho para aqui dar indirectas a ninguém, nem tentar acertar com alfinetinhos em rabo nenhum. Mas é que me apercebi da celeumática ao nível da blogobola que para aí vai, que é a da meia desemparelhada — assunto só equiparável, em graus de importância, àquele outro de se amamentar em público, sim ou não, talvez, ou não sabe/não responde/isso é com a minha colega —, e lembrei-me que já falei nisso vai para três anos se Deus quiser, assim cheguemos inteiros e vivos ao Verão, o que, se não faz de mim uma pioneira, pelo menos faz uma prisioneira desta maravilha que é estar confinada a um círculo tão estreito, onde aparentemente mal me movo e, quando o faço, ninguém dá por ela (por mim, chiça). 
Serei uma visionária, uma adivinha, uma criatura com poderes sobrenaturais, ou apenas uma dona de casa com o problema da irmanação da porra das meias para resolver?
Enfim, atentem no que eu escrevo hoje, que daqui a três anos tereis várias fashionerer desta bola a mandar chutos sobre os meus temas. 

08/02/2018

Azul aos meu pés!

Primeiro, foi a Zara* que os teve, que eu namorei sem com eles ter casado (nem ter chegado a perceber muito bem quem é que foi deixado no altar); depois foi a Ros*, pelos quais suspirei, sem ter cedido ao ímpeto, a bem das Finanças do País.
Agora são meus.
É certo que não sei quando, nem como, nem porquê, nem onde os vou usar. E dão todo o ar de que vão fazer-me sofrer um bocadinho das cruzes.
Mas o que é isso interessa, se o mar é azul e se é de azul que eu gosto?


* NMPPI
É verdade. Não sei fotografar cenas. Mas vá, concentrai-vos na beleza do objecto e esquecei lá essas minudências.

06/02/2018

Foi tão blogger da minha parte # 8

Era uma vez eu, que, farta de gastar dinheiro na perfumaria, fui ao supermercado e experimentei não um, não dois, mas cinco rímeis diferentes em cima das minhas pestanas, já de si pintadas. Queria perceber qual era o melhor, e, não podendo pôr um, tirar e pôr outro a seguir, acumulei-os. Se, assim, não consegui fazer essa aferição, pelo menos fiquei com todas as pestanas carregadas de tinta preta, e dei-me então a oportunidade de escolher qual trazer para casa. Como não estava fácil escolher entre tantos, e todos tão bons, trouxe três, para usar alternada ou concomitantemente, consoante a mood do dia.
Isto foi um entróito, para criar algum suspense e salivação. Agora é que é o post a sério.

______________________
Andei eu anos — décadas! — desta minha vida, convencida de que tinha olhos frágeis (designação que eu própria inventei), e que, por conseguinte, tinha que usar apenas rímeis (a tal máscara de pestanas) de qualidade, vulgo caríssimos, e não é que, farta de o enterrar todo naquela escova cheia de carvão em papas, decidi experimentar não um, mas cinco diferentes, e trouxe comigo três deles, marca supermercado, e não aconteceu nada, a não ser ter ficado com umas pestanas panorâmicas, qual traveca de Almada, qual pestana postiça, qual ó-eu? Nada de olhos a picar, nada de pestanas aos molhos como o alecrim, nada de choram os meus olhos. 
Isto, de várias, uma: 
1. Ou os meus olhos perderam a fragilidade e ganharam uma espécie de calo;
2. Ou a indústria da cosmética, ao nível do supermercado, melhorou bastante em termos qualitativos;
3. Ou existe aqui um factor psicológico, e a carteira é que manda, porque não é o corpo, é mesmo ela é que paga, e, por conseguinte, de tão mais barato, já nada me pica;
4. Ou eu andei a mentir a mim mesma estas décadas todas (perdi mesmo a memória — outra vantagem que só a idade dá — em relação à idade com que pintei as pestanas pela primeira vez);
5. Ou eu não tinha mais nada para fazer ao metal, para ir todos os meses (ou todos os quarenta dias, para ser mais rigorosa) à perfumaria empenhar os anéis para trazer a tinta preta;
6. Ou estou naquele período de lua-de-mel com os artigos, e daqui a três, quatro dias, estou a rosnar que me caíram as pestanas todas;
7. Ou comecei, finalmente, a ver mal, e vejo pestanas onde elas não existem;
8. Ou a minha vida é pautada por estas maiorências e ninguém me dá o meu devido valor;
9. Ou o assunto pestanas não é, efectivamente, um assunto que se transporte para aqui, e mais valia estar calada;
10. Ou quem cala consente.
[Pôxa, vi-me aflita para chegar às 10.]

É pedirem com jeitinho, e até digo as marcas. Mas posso adiantar que um deles é aquele que é branco de um lado e preto do outro. O branco usa-se primeiro, está bem?

30/01/2018

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar a passear à rua # 60

Então, o CRF.
O Rock in Rio não é o RIR? O Cascais Rock Fest passa a CRF, porque eu assim o entendo.
Tudo se processou no salão preto e prata do Casino do Estoril. E, por isso, primeiro drama existencial clássico numa genuína blogger: o que calçar? É que uma pessoa não vai para o PP calçada de qualquer maneira. 
(O que vestir, estava semi-determinado: não repetir o erro que cometi aquando da primeira vez que atravessei as portas daquele salão, em que ia toda vestida de preto. E prata. Juro. Tenho pics, para jamais esquecer. Ia ficando camuflada naquela ambiência, tipo os soldados no mato, mas em bom.)
Equacionei o téni fashionerer, que iria permitir-me dançar e pular sem desarticular os joelhos nem desancar os dedos dos pés, mas temi-me que me barrassem a entrada [porque o "segurança" médio destes locais não distingue um téni Pepe Jeans* de uma sabrina da Primark* (4 euros), nem de um salto agulha com compensação de 5 centímetros da Seaside*, e é capaz de deixar entrar a Sheila Soraia e barrar a porta à pessoa humana, que fica a discutir direitos, liberdades e garantias do cidadão de um Estado de Direito), resolvi-me pelo botim de salto médio, que foi o que ia sendo a minha desgraça. Posso afirmar com alguma segurança e margem de erro igual a quase nada que antes de a primeira banda actuar, já os meus dois pés, espremidos num torno, gritavam "pára, pára, eu chibo tudo!", o que, desde logo, faz considerar a hipótese de que algo vai correr mal, ou sequer correr, assim haja alguma situação de emergência.
Bom, não interessa. Eu sofro de minudências.
Julgo ainda, ou muito me engano, que sou a única pessoa do Planeta que tem vertigens no chão do Casino do Estoril. Aquele reflexo do tecto no ladrilho brilhante, é coisa para me pôr a gemer "Ai, vou cair. Ai, que caio". O truque é olhar para a frente e defecar para a possibilidade de haver por ali um degrau. Ou uma escadaria. Sem patamar de segurança.


Já lá dentro, apercebi-me de que, afinal, o téni (qualquer téni) tinha entrada livre, assim como o xanato, bem como a soca. Na sexta-feira, a plateia era constituída, maioritariamente, por idosos na minha faixa, dois terços de homens para o restante de mulheres. Até onde a vista alcançava, as cabeças eram brancas (ou cinzentas), ombreando com carecas, num grafismo harmonioso bonito de se ver.
Foi, portanto, um festival para os pais das crianças que frequentam os summer fests desta vida. E foi o primeiro, que há-de ser, se alguma lógica ditarem estas coisas, aquele que aprende com os próprios erros, para não os repetir nos seguintes: faltavam assentos. Havia demasiada gente sentada no chão, o que pode significar que, para o ano, se calhar já punham umas cadeiras lá pelo meio. Poltronas. Chaise longues. (A malta — e falo por eles — já não tem 20 anos.)
Não falei da música, pois não? Também não pode ser agora, que isto já vai longo, e eu, para variar, perdi-me no tema. Até mais, dudes.

* NMPPI nem para me calar

16/01/2018

Agora sim, o Mundo está dividido em duas metades # 2

Os que sentiram o abalo e os que não. 
Desta vez, para variar, e só porque tenho a mania de ser original, sou das que não. Nem estava num ponto muito baixo da cidade, nem estava num ponto muito alto, mas, por qualquer insensibilidade que me assolou no momento, não dei por nada. 
(Por acaso, estou preocupada comigo mesma: eu costumo ser uma pessoa humana assaz sensível.)
(Também estou preocupada com os tapetes de Arraiolos. Já chega de ziguezagues.)
Em consequência, há que mandar imprimir novas t-shirts distintivas, ou, para aqueles que chegaram a tatuar o dorso da outra vez, a correcção da frase alegórica. 


(Quanto ao assunto do momento, logo vejo o que é que me apraz. Não gosto lá assim muito de encarneirar aqui na blogobola, mas por acaso até acho que tenho uma opinião.)

21/12/2017

É preciso tão pouco para me fazer feliz # 11

e também

É tão pouco blogger da minha parte # 11

Apresento-vos A paçoca

Quer dizer, se calhar já conhecem. Eu também.
A minha Preta querida foi de viagem à terra que a viu nascer, e perguntou-me o que é que queria de lá. 
Era eu ser uma blogger a sério, e pedia-lhe um Salinas em bom, então não era?
Não, pedi paçoquitas. "Quantas?", inquiriu ela. "As que puder passar na alfândega". E eizeslias, as cinquenta da minha perdição, por "só" poderem ter sido cinquenta, escondidas no fundo da mala do namorado, "Nada a declarar". 
A caixa vinha cheia até lá acima, eu é que já aviei umas quantas. E é um facto quase notório, e agora público, que a tampa se encontra partida, pois foi na febre da gula. 
Faço, assim, jus à minha próxima encarnação, que eu quero que seja em macaca.
Vou tão encher-me de borbulhas.
Vou tão encher-me de alegria.


12/12/2017

Foi tão blogger da minha parte # 7

Fui a um cocktail. Vim de lá agora.
Isto foi a coisa mais blogger que fiz nos últimos tempos. É o meu máximo.
O meu cabeleireiro comemorou 25 anos de actividade, e eu, freguesa para lá de vinte e quatro, compareci, após convite. 
Comi bolo (duas nano-fatias, é como se fosse meia fatia de um bolo normal). Anyway, não vou para nova, também não vou para magra, também não vou para freira.
~
Uma mostrou o rabo à blogobola toda; a outra pôs a filha, que ainda não sabe escrever, a assinar postais de Natal com crianças vestidas de rena, de pila à mostra. (Uh, fancy, uh, moderno, aqui a atrasada é que não tem encaixe.)
~
Nunca serei uma blogger a sério.
Nunca alcançarei atingirei aquele nível.

06/12/2017

Post interdito a machos # 6

É mais porque isto são assuntos que não lhes interessam.

Diz que este ano é tudo veludo. As lojas e a feira online invadidas por vestidos de veludo, casacos de veludo, saias de veludo (A barata diz que tem uma saia de veludo| É mentira da barata| Ela tem é o pé peludo| Ah-ah-ah-oh-oh-oh| Ela tem é o pé peludo), calças de veludo, blusões de veludo, sapatos de veludo (!), cuecas de veludo (!?!). Enfim, já perceberam a ideia. De repente, tudo é feito de veludo no mundo do shopping.

(Na Primark*, onde incursei ontem, a descoberta do veludo resultou num pequeno atentado às íris humanas, pois que ele há veludo ocre, veludo rosa-pink, veludo beringela, veludo roxo, veludo verde-ranho, isto é, todas as cores inomináveis e inimagináveis, todas elas em veludo.)

A pessoa, a querer manter-se sempre na berra (AAAAAAH!), fez-se proprietária de um belo e sumptuoso vestido de veludo preto, decote a traçar à frente, saia evasée, ou aquilo que os ingleses chamam skater skirt (era porem-me a patinar com aquilo e já viam o espectáculo). Quer dizer, veste-o e sente-se de robe, aquele mesmo, tão fofinho e quentinho e azul(íssimo). Igualmente confortável, mas em chique. (Foi na H&M**, custou para aí 30 paca — agora 15, mas, em compensação, está esgotado — e consta(va) da zona daquelas que foram muito recentemente crianças, a Divided.)


No entanto, chorava-me a alma por um vestido azul, não sei porquê. Até ouvia, mesmo sem o querer, aquela melodia que colo lá em baixo para que tendes uma ideia das tormentas por que passei.) Queria-o sem decote e sem folhos e sem cinto, mas com mangas. Estupefacta-me a cena de se venderem vestidos sem mangas todo o ano, especialmente agora, com esta agradável temperatura para pinguins. O mais semelhante com o que queria, estava no Ebay, em dólares, e eu já dei para o peditório de ir bater com as costas na alfândega por um rímel (true story), lado-a-lado com intelectuais do livro importado. Até que, vítima de uma daquelas casualidades que só a mim, fui esbarrar-me com o meu lindinho, ao preço da que não cai, na Pimkie**.

Esta não sou eu.
(Pretendo usá-lo com sapatos fechados, collants — azuis? — casaco comprido, cachecol e luvas, que só mesmo piriguete não tem frio.)
Sendo que ambos são modelo skater, o que é que fica a faltar-me para completar as toilettes? Hum?



* Ninguém me paga para me calar.
** NMPPI

14/11/2017

Era só um enrolador de pestanas térmico

Se a minha vida não podia ser tão mais simples, um mar de rosas ou um campo de papoUlas ao vento, verdejandes e carmesantes, esvoaçando pólen alergeno em toda a sua dimensão e capacidade? Podia, mas já não era eu.
Num exercício conjunto, vamos todos supor que eu quis, um destes dias, vir a ser possuidora de uma coisa estética, agora não interessa para aqui o quê. Ora, o normal, seria adquiri-la, experimentá-la na minha cobaia preferida — OK, eu — e, eventualmente, vir aqui para o buraco rasgar-lhe elogios vários, ou, quem sabe, descoser-lhe críticas ferozes. Na loucura, dava uma de blogger a sério, fazia um tutorial e explicava os meus porquês para tão arrojado passo.
Ao invés, deu-se início a mais uma novela por episódios em que consiste esta minha existência.

Ep 1 - 27 de Outubro: Farta de procurar pelo produto em dois ou três mil sites, cliquei na Avon*. Inscrevi-me no coiso, dei a minha ficha toda, para lhes dar oportunidade de encherem a minha caixa de mail com spam, e pensei que tinha feito a encomenda. Recebi então um mail lá da firma, afirmando-me que a minha encomenda tinha sido direccionada para a revendedora mais próxima da minha região. (Que é Lisboa, a pequena Lisboa, tipo a capital do país.) Isto, após ter sido informada de que a minha zona não tem revendedora disponível. (Eu percebo. Portanto, moro nos arrabaldes do epicentro.)
Ep 2 - 2 de Novembro: Apresenta-se-me, através de sms, Diana, a revendedora — que, afinal, existe, ou foi entretanto nomeada —, a querer saber se eu sempre quero a encomenda. Respondo que não, uma vez que não pretendo intermediários naquela compra (só para não lhe dizer que não estou disposta a levar mais uma seca nesta vida e ver-me obrigada a comprar mil produtos que não vou usar, só para que uma carraça me deslargue o pé), que passe bem. Resposta de Diana: Onde é que me encontro consigo para a entrega? É claro que trocámos miminhos a partir daqui, andámos à briga via sms, fizemos as pazes e acordámos a entrega para quando ela tivesse o produto consigo. Nos entrementes, diz que tem "passe da Carris", sugiro-lhe uma estação de metro junto a mim, responde que isso já é "muito longe". (E sou eu quem mora nas cucuias.)
Ep 3 - 12 de Novembro: Diana informa-me que já tem o artigo. Pergunto se quer combinar a entrega. Diana não responde.
Ep 4 - 13 de Novembro: Diana quer encontrar-se comigo. Combinamos local, depois de nos desentendermos mais uma vez — porque Diana desconhece em absoluto onde fica a cidade de Lisboa —, mas não hora. Insisto. Diana não responde.

Pergunta para queijinho: este negócio não vai acontecer, pois não?
Pronto, era só para saber se vou continuar a enrolar as pestanas com aquela bodega que parece uma tesoura que me vai cortar os olhos ao meio, e ainda me deixa as pálpebras de cima cheias de feridas da alergia ao níquel.
Beijinho bom, obrigada.

* Ninguém me paga para me calar