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29/06/2018

Uma esfregona e um balde, debalde

Efectuando demarches com vista à contratação (também há quem diga 'contratualização'. Apetece-me atirar-me de caras a esse assunto, mas hoje não é o dia) de uma empresa de limpezas que me vá ao lar fazer uma, digamos, limpeza, e uma vez posta de parte a ideia de insistir naquela outra que revelou não querer nada comigo, encetei telefonemas.
Então, atendeu-me uma voz ensonada e roufenha, isto eram o quê? Umas onze e muitos da madrugada, que a mim nem me passa pela cabeça ligar para empresas antes dessas horas (pois, como se sabe, o pessoal entra às 10, isto, segundo o horário, mais coisa, menos coisa, liga o computa, vai tomar a bica à copa, troca dez dois dedos de conversa com a colega das fotocópias, abre o mail,  ri um bocado, chama o colega da frente para ver as anedotas que recebeu no mail, responde às anedotas com mais anedotas, e só depois pondera começar uma tarefa. Em não sendo sexta-feira, claro). E disse a voz o seguinte, ao atender:
- Hum.
- Bom dia. É da [empresa de limpezas]?
- Hum, hum.
- Fala [Linda Blue]. Preciso de uma limpeza de final de obra à minha casa e queria saber se os senhores estão disponíveis.
- Hum.
(A esta altura, já imaginava que havia ligado para alguém a quem fora interrompida uma necessidade fisiológica qualquer, ou para um sequestrado amordaçado, socorro!)
- Então... quer a minha morada?
- [aqueles 3 segundos de hesitação, que nunca se sabe...] Pode dizer.
E eu disse.
- E agendar dia e hora para ir alguém visitar o local e fazer um orçamento, quer?
[aqueles 3 segundos de hesitação, que nunca se sabe...]... Sim.
Agora estou sem saber que tipo de pessoa esperar. Ninguém? Um Yeti?

27/06/2018

Eu tenho problemas com tudo # 32

Isto, quem se mete em obras, já sabe que enverga, consciente e simultaneamente, uma camisa de sete varas. No caso da minha, não sei por que obra e graça, a tal camisa não passou de cerca de uma vara - e provavelmente nem teria nenhuma, não fora a cena do nicho -, o que, nos dias que correm, bem posso levantar as mãos aos céus, limpá-las à parede, ou tudo menos deitá-las à cabeça.
Porém, uma obra, para ser tida e reconhecida como tal, tem que ter subjacentes as chamadas "derrapagens", que é quando o prazo de uma das empreitadas desliza, patina, e se estende ao comprido, exactamente como na patinagem artística. Também sei e reconheço que há incumprimentos de prazos por conta e risco do dono da obra, que muda de ideias a meio, que não cumpre, ele próprio, com a sua quota-parte (designadamente a dos pagamentos), que entra no delírio do mármore de Carrara, quando devia era meter vinílico, ou então entra no "já agora" (já agora, pintamos a casa; já agora, mudamos os interruptores; já agora, mudamos os puxadores), etecetera.
E depois, há as contingências, os imprevistos: o cano que estava podre, o rodapé que não se aproveita, o estore que mais vale deitar fora.
Mas explicai-me o pessoal que, não tendo nada a ver com obras, mas até tendo, poderia ganhar alguma coisa com elas, porém não quer. O que dizer de uma empresa de limpezas à qual me dirigi pessoalmente, disse ao que ia, pedi visita ao local para orçamento, ficaram com o meu contacto e, passados quatro dias, uma vez sem resposta, lá voltei, lá repeti o recado, lá me disseram que sim, que haviam de ligar-me a marcar a tal visita, só que, entretanto, passaram mais quatro dias e nem ó burro queres água? É este povo que atrasa não só as obras, como também o trabalho e a vida de toda a gente. (Parecem aqueles condutores que conseguem a grande habilidade de percorrer dezenas de metros a 20 km/h, pastando - melhor dizendo, apascentando - calmamente a sua vaca.) Vivem de quê, afinal? Mais uns que atiro directamente para a categoria só-a-mim-não-me-saem-empregos-destes.

26/12/2017

Ai, que magia tens, Natal

Acabo um trabalho, com prazo espartano o-mais-depressa-que-conseguir, isto pela manhã do dia 23, antevéspera de Natal — sábado. 
Envio a parte final — pois a maior parte já está do lado de lá —, e recebo imediatamente um aviso automático de Não me encontro no escritório, é favor mandar para a minha colega X, que eu cá só volto para o ano, lá para o dia 3.
[Directamente para a categoria só-a-mim-não-me-saem-empregos-destes.]
Envio então para a colega X.
Hoje, dia 26, que me parecia ser dia de labuta, muito mais do que o dia 23, mando para a colega X a conta. Só naquela, a ver se me pagam.
Recebo então um aviso de não recebimento, erro com um número que não fixei, mas que sei significar caixa cheia.
[Mais uma, directamente para a categoria só-a-mim-não-me-saem-empregos-destes.]
Talvez para o ano.

19/09/2017

Momentinho louro # 4

Telefona-me o responsável por uma das empresas que contactei, com vista à remodelação de uma casa-de-banho e do soalho todo cá do lar. 
(Por acaso, está a ser uma experiência irrepetível: das quatro que abordei, só para começar, duas já me mandaram mail a declinar, que é aquela manifestação de vontade operada pelas pessoas singulares e colectivas quando não lhes apetece. Uma, porque a minha obra não se enquadra nos parâmetros de grandes remodelações gerais lá deles — tipo Querido, encolhi o orçamento familiar? —, a outra foi um simplesmente não, não aceitamos a tua obra.) (Directamente para a categoria só-a-mim-não-me-saem-empregos-destes.)
Digo-lhe o que pretendo, em traços muito gerais, que os concretos pretendo traçar ao vivo, assim que ele me visite. Falamos mais especificamente da casa-de-banho, e, lá para o final da conversa, ele pergunta-me: Onde é que ela fica?
[Vamos fazer uma pausa.]
Preciso de explicar que não percebo nada de obras. 
...
Sei lá, podia ser importante a localização da casa-de-banho, imaginem que era ao lado da cozinha e isso interferia positivamente com o trânsito dos baldes de cimento.
...
E cenas de obras. Pás, e assim. 
...
E que, entre uma pergunta e uma resposta, via telemóvel, entre dois estranhos, decorre o quê? Um nico de segundo. 
Também não percebo nada de cérebro humano.
...
Não sei em quanto tempo se processa um raciocínio qualquer, quanto mais um raciocínio lógico. Sei que respondi assim
...
Olhe, o senhor entra, segue em frente, percorre um pequeno corredor com cerca de três metros, e encontra uma porta à sua direita, perpendicular a outras duas portas, onde ficam os quartos. É essa porta à direita...
[suspiro.]
Chiu.
Posso ter tido medo que o homem se perdesse e não conseguisse atinar com a porta da casa-de-banho a intervencionar, como eles dizem


30/09/2015

Directo para a categoria só-a-mim-não-me-saem-empregos-destes

Metereologista do site otempo.pt.
Zandinga, o grande, devia ter muito mais trabalho a prever aqueles desastres e mortes todos que previu (excepção feita à sua própria), do que estes senhores. 
A malta só quer saber se é dia de calças ou de saias. E andor.


04/01/2015

Expliquem-me estes dois

A sério.

A franja dela. Os vestidos dela. Por que raio uma coisa é tão geométrica e a outra é tão disforme. Quem é que lhe faz as escolhas?
Os blasers dele. O facto de juntar sempre calças de ganga com blaser (alguém o avisou que os anos 80 foram há 30?). E de os blasers não serem sempre blasers (há uns quantos que são, evidentemente, casaco de fato).

Na TVI não há personal advisers? Cada um veste o que lhe dá no ginete, ainda que se camufle com o cenário?

E, quando eu penso que estes dois não querem estragar duas casas, eis que me surgem juntos no ecrã para confirmar a contrária: quando é ela que está bem, é ele que está mal. E vice-versa. Ah. Mas também conseguem estar os dois mal. Os dois bem é que...

Acabo por não prestar atenção nenhuma ao programa que apresentam, Cinebox. Fico distraída com tanta informação que os dois me injectam nas retinas. 

17/11/2014

Da série "Só a mim não me saem empregos destes"

José Gabriel Quaresma, TVI 24

"Morreu a bebé, que lutava contra a vida no Dubai"

"A Geni e o Gui, que são os pais..."

(Notícias, 09:00 h, 16.11.2014)

Tudo na mesma notícia, com segundos de intervalo uma da outra.

Vou-me abster de comentar a notícia propriamente dita. Mas o esclarecimento de um pormenor é importante: o peso médio do bebé, às 25 semanas de gestação, são 650 a 870 gramas. A Gui nasceu com 380. Muito lutou ela. Grande Guerreira.