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29/09/2018

As máquinas dispensadoras e eu

É sempre o mesmo imbróglio, cada vez que quero tirar um café das máquinas, designadamente por causa da quantidade de açúcar, que pretendo nula: esqueço-me de que devo começar por carregar no botão até desaparecerem as barrinhas todas, isto antes de escolher o que quero, antes de meter a moeda, antes de qualquer coisa. O ideal é já ir com o dedo espetado para o botão do açúcar mal cruzo a porta, senão aquilo entrega-me um xarope de café que, mesmo que não mexa com a palhinha plástica, sabe a rebuçado de açúcar com café e mais nada. Tipo aqueles cubos que se dão aos cavalos.
Mas, desta vez, foi diferente: quis uma barra energética com sabor a chocolate, uma dessas criações demoníacas que nos convencem (tits) que estamos a optar pelo bem, e nos farão magras como cadelas sarnentas e leishmaniosas, que é o que todas — mesmo as mesmo magras — queremos ser. Ninguém se iluda, que eu também já as perdi todas. 
Então, acerquei-me da dispensadora e reparei que a ranhura das moedas estava tapada com fita-cola, embora a das notas não. Ainda assim, escolhi a minha barra, digitei o número que lhe correspondia, e a máquina respondeu-me por escrito que devia inserir € 1,20, em quantia certa. Ora, como não conheço notas de um euro, muito menos de vinte cêntimos, considerei a possibilidade de haver ali qualquer confusão que não seria eu a deslindar, pelo que retirei a fita-cola e inseri uma moeda de um euro por ali adentro. Imediatamente, a máquina engoliu-me a moeda, só faltou ouvi-la mastigá-la e eructar no final. Já nem meti a de vinte cêntimos, não fosse engasgar-se e expectorar todas as que tivesse lá dentro. 
Lá tive que ir ao balcão reclamar do meu desaire, mas, desta vez, ao invés de "Nós não somos responsáveis pela máquina", ela disse-me "Eu sou nova aqui, não percebo nada daquelas máquinas, vou reportar". Portanto, acho que, logo a seguir, mal eu virei costas, inconformada e pobre — e também sem a minha barra —, reportou. 

27/04/2018

É preciso tão pouco para me fazer feliz # 14

Chegou smart cap — doravante denominada chica-smart —, a touca de natação especialmente dedicada a cabelos compridos, aquela que, se não fará com que o ser humano fique mais belo, e não menos hiper-estranho do que fica com qualquer outra quando a envergar, pelo menos será a garantia de que a bicha não ameaçará saltar a cada segundo, durante todo o tempo de permanência no charco. Multiplique-se isto pelos 50 minutos a uma hora que dura a coisa, e veja-se, assim, o número de vezes que é preciso agarrar o crânio com ar de ai-Jesus, enquanto para ali submersa.



Dediquemos agora um pouco do nosso precioso tempo a prognosticar qual será o passo seguinte a percorrer, em toda esta problemática da indumentária piscinal, tendo em conta dois factores: 1. A natural insatisfação do femedo; 2. Aqueles momentos em que, não tendo mais nada para inventar, inventamos mais um pequeno nada. É que me parece que está prestes a nascer o terrível e inultrapassável momento aquático em que a pessoa, aborrecida com os salpicos, ou com outra coisa qualquer, mas porque o rímel à prova de água lhe exponencia as pestanas assazmente, entende serem prementes, inadiáveis e imperiosos uns óculos especiais para pestanas compridas, quiçá com umas caixas mais côncavas, tipo aqueles peixes.


26/04/2018

Barreira linguística # 2

Vamos supor que entras para comprar um rímel à prova de água com a escova curva, e te deparas com uma vendedora que quer que compres uma máscara, que pode não ser à prova de água, com a escova plana.

Entro e peço, por favor,
- Um rímel à prova de água.
Chama a colega, chefe de loja/ mais habilitada/ mais capacitada para me vender o que eu não quero comprar/ tudo junto.
- Máscara de pestanas. — Corrige a altíssima — Queira acompanhar-me ao expositor.
E lá vou, tic-tic-tic, até à grande placa negra, onde se expõem tintas e truques para nos enganar (e podermos iludir-nos de que enganamos o próximo, seja lá ele chegado ou distante) em relação à passagem do tempo, ou àquilo que nunca tivemos (boas cores, pestanas longas, pele de pêssego, olhar profundo, profundamente enigmático). 
- É esta a nossa máscara waterproof. — Anuncia (corrigindo um anglicismo, mas usando um estrangeirismo inútil), enquanto me apresenta a solicitada escova empapada em tinta negra.
- Eu queria com a escova curva. Tem algum assim?
- Não, só este. — E eis que começa a quebrar-se-lhe a curta paciência, o que percebo pelo ligeiro baixar de braços. Ainda assim, insiste:
- Mas esta escova é muito boa, proporciona o alongamento da pestana. 
Quando se trata de estética, tudo passa a ser conjugado no singular: o pêlo, a pestana, o pé, a mão, a raiz, a cutícula. Quanto aos restantes, acho que não, mas, se apenas tivéssemos um pêlo ou uma pestana, imagino que nenhuma de nós se daria a trabalhos de arrancar, ou pintar, alongar, enrolar. 
- Mas eu queria curva, nada como uma curva para me enrolar as pestanas. — Teimo.
- E tem mesmo que ser à prova de água? — Muda ela de estratégia.
- Tem. 
- É que temos aqui uma máscara com a escova curva, mas não é à prova de água.
- Mas eu quero à prova de água.
Não quero explicar-lhe que vivo o drama puramente feminino da touca horrível + fato-de-banho assustador, e preciso imperiosamente de levar pestanas que se vejam para dentro de água.
Negócio não feito, não desfeito.


18/04/2018

Post interdito a machos # 8

(Porque só uma mulher pode entender todo o conteúdo que segue.)

Estávamos numa aula aquática, já havíamos sido sujeitos a todas as sevícias de que os monitores se haviam lembrado, e, nos últimos quinze minutos, ainda tiveram a peregrina de nos mandar sugerir fazer um jogo de futebol (polo, ou lá o que é). 
Já noutro post denunciei que a água da piscina nos dá cabo do verniz, seja ele gelinho ou quentinho manicure normal. Começo a suspeitar que lhe deitam gotas de tira-verniz, assim como desmaquilhantes vários, do dos olhos ao facial. Uma pessoa entra qual bailarina aquática — se descontarmos a touca do Demo e o fato-de-banho abaixo de péssimo —, e sai transfigurada em si mesma, com mais dez anos em cima das peles. É como mergulhar no Grande Tanque de Elixir da Eterna Velhice.
O jogo decorria na sua (a)normalidade, apesar de as duas equipas estarem claramente desequilibradas: uma delas — que, obviamente, não era aquela que me calhou — tinha dois homens, e não eram eles dois elementos quaisquer. Eram dois tubarões lá para os seus trinta e picos, com uns cabedais de meter respeitinho fora de água, quanto mais lá dentro. Acho que ganharam a partida, e só não tenho a certeza porque os instrutores, feitos treinadores-árbitros-fiscais-de-linha, boicotaram grande parte dos golos que a equipa adversária havia de ter marcado, desviando a baliza no último momento. 
Mas não é isso que interessa agora aqui. O que vim contar foi o grande momento que protagonizei, e que só não foi de puro fair play porque se deu com uma das minhas companheiras de equipa: lá no meio da confusão aquática, a bola do nosso lado, perto da baliza adversária, e, portanto, numa fase do jogo que requeria alguma atenção acrescida da minha parte, ouvi a senhora mais idosa que se encontrava em campo (capitã?) a gritar:
- Perdi uma unha!
É claro que nem me passou pela cabeça levar o aviso ao pé da letra (até porque se tratava de uma unha da mão), pois, naquele relance que dirigi à mão da senhora, percebi que se tratava de uma unha postiça. Acerquei-me dela, certifiquei-me da cor das restantes nove (um castanho-bordeaux, fácil de encontrar na transparência-azul da piscina) e, qual baywatch da unha tresmalhada, anunciei:
- Vou procurá-la, já lha entrego.
Ela sem acreditar, assim como eu. 
O que é facto é que a unha passou por mim a nadar, fazendo piruetas em direcção ao fundo da piscina, toda ela num parafuso bonito de se ver. Tentei apanhá-la, mas a libertária continuou no seu passo de natação sincronizada até ao chão. Pus-lhe um pé em cima, agarrei-a com os dedos (nós somos tão primatas...), levantei o pé e eis-la. A senhora quase chorou, interpretem como quiserem.
O jogo não havia parado, e terminou passados minutos, acho que empatado. 

15/04/2018

para Sempre Mulher

Com mais um ano de idade biológica no lombo, lá fui para a Sempre Mulher, (ainda) na modalidade caminhada de lazer, mas, desta feita, fiz o grande feito de ter feito o mesmo percurso em menos 32 (trinta e dois!) minutos do que no ano passado: caminhada avenida da Liberdade acima, corrida na Fontes Pereira de Melo até ao Saldanha, caminhada até à João Crisóstomo, e de regresso ao Saldanha, corrida na Fontes Pereira de Melo, caminhada no Marquês, corrida na avenida da Liberdade até à meta. 
Por este andar, para o ano vou ao lado das atletas de alta competição, e ainda as ultrapasso. Isto, numa linha de raciocínio perfeitamente lógica: se no ano passado fiz o mesmo percurso em 01:19:56, e este ano em 00:47:59 (o raio do cronómetro espeta-se sempre nos cinquenta e tais quando eu vou a passar, só para o galo), isto quer dizer que, para o ano, a minha marca pode ser 00:15:57, mais segundo, menos segundo, certo? Certo. A Matemática tem destas coisas, e nunca falha. 


O tempo apresentou-se de feição, pois choveu todo o percurso, o que, parecendo que não, refresca, à medida que se sua. Por outro lado, este ano foi comigo não uma, mas sim duas filhas, o que foi duplamente divertido. Para a próxima, levo as filhas todas que tenho (ou não me chame Linda Blue e assim elas anuam), e aí, sim, para além de triplamente divertido, seremos tantas, que seremos imbatíveis e inultrapassáveis. 


05/04/2018

Madrinha atípica # 2

Sou dotada de bastante orgulho derivado às prendas que ofereço à minha afilhada. Se já filhas tenho bastantes, afilhada tenho só uma, com a grande vantagem de ser um tanto mais nova do que as da minha criação. Aquela menina matou-me (não a gritos; não a tiros; sim a beijos) muitas das saudades que fui deixando arrastar para trás no tempo, aquele que não volta para lá. Sem ter culpa pelo mau jeito, tem também a grande desvantagem de ter nascido em plena Páscoa, mais coisa, menos coisa, pois que esta é festarola móvel, ao contrário do aniversário da minha petite, que é de comemoração imóvel. Ou seja, ou calha em cheio na Páscoa, ou calha-lhe rés-vés, mas nunca em vazio.
Sinceramente, gostava de ser afilhada de mim mesma. De alguma maneira, até sou, naqueles momentos extra aniversário, Natal ou Páscoa, em que me oferto cenas. Mas não é a mesma coisa que seria alguém me fazer esse miminho, pois sou uma carente no que toca a agrados com valor monetário sentimental. A madrinha que tive não se esticava muito nas datas, a não ser por duas vezes em que me ter brindou com um relógio de pulso, o primeiro que espatifei logo (por ser extremamente pequena, não só em altura como também em idade), se calhar por não saber ler as horas, e um outro, que era um Timex* azul com números brancos, de que só havia à venda ou azuis ou vermelhos, mas a minha madrinha lá deve ter percebido que, para mim, ou era azul ou não servia, e posso mesmo dizer que amei aquele relógio com fervor quase carnal, tanto que ainda o tenho guardado, volvidas que lhe são em cima cerca de várias décadas. 
Bom.
Nestes treze anos de vínculo que nos une, dei à afilhada do meu coração um serviço completo de colheres de café em prata (quando eu ganhar o Euromilhões, faço-te o Topázio* Caninhas de jantar, querida, se me estás a ler), a Pandora* completa, brincos e pulseiras a perder de vista, o relógio mais foleiro do Mundo, mas que ambas delirámos por dar/receber, e eteceteras vários, tudo assim nesta linha de pensamento. 
Porém, mas sem poréns, dá-se que a menina está a fazer-se mulher, e algo me gritava que só eu, que quase nunca a vejo, me apercebi desse facto. Então, fui à loja italiana da lingerie de perdição e adquiri-lhe um conjunto bellissimo. Dei-lho com a recomendação de que não abrisse à frente de toda a gente (referia-me aos pais) (e sim, sou desencaminhadora), ela sumiu-se para o quarto e voltou, minutos mais tarde, com uma piscadela de olho, "Adorei a prenda, madrinha" e um abracinho bom.
Mais tarde, a mãe, minha bicomadre, enviou-me uma mensagem, a dar conta de que ela estava tão feliz que não queria largar a lingerie. E que eu tinha acertado em cheio.
Olha a novidade, são muitos anos a virar frangos.
Portanto, já sabeis: quando tiverdes dúvidas acerca do que ofertar a jovens dos zero aos quarenta e nove, vinde cá perguntar, que LB é este poço de sabedoria da treta e abnegação, capaz de iluminar trevas dessas.


* NMPPI

28/03/2018

Post interdito a machos # 7

O soutien, ou sutiã, conforme preferirdes, é aquela peça de vestuário que, salvo as excepções dos de desporto e medicinais, regra geral, vem apetrechado com colchetes, que são o que encerra o dito cujo até à próxima abertura, isto tanto para o bem como para o mal. A mim parece-me, mesmo sem ter feito uma auscultação de mercado exaustiva ou de qualquer espécie, que toda a mulher, mais ou menos a partir dos doze anos de idade (ou desde que as meninas eclodem), consegue fechar os dois colchetes atrás das costas, atrás dos olhos, à frente do peitoà frente das costas, nas costas, sem recurso a ajudas, espelhos ou outras manobras que tais. O tacto também é um sentido, e é em grandes momentos como o da abotoadura do sutiã que dá provas cabais da sua grande oportunidade. Portanto, apertar dois colchetes, minúsculos e quase juntos, em duas ou três fileiras, quantas vezes com unhas compridas, não sendo tarefa que exija grande ciência nem tecnologia, também não é impossível aos olhos (mesmo sem recurso a eles) de qualquer mulher desde o final da infância.
Com o advento dos bralettes, advieram com eles as fileirinhas de colchetes, mais concretamente três fileiras paralelas (vá lá não serem perpendiculares; ou oblíquas. Secantes) de nada menos do que quatro colchetes cada uma. Quatro. Não sei como não se lembraram de pôr um fecho-éclair naquilo.
Ora bem, quatro vezes três, é igual a doze. Doze colchetes são vinte e quatro peças do tamanho de uma mosca recém-nascida, para uma mulher ter que manusear sem olhar, nas suas próprias costas. Esta intrincada matemática, qual autêntica matriz, que envolve análise combinatória (aliada à ginástica contorcionista de todas as articulações do braço), equivale a n possibilidades de combinações entre os doze colchetes, cada qual, como já vimos, com duas peças, e em que há que fechar em recta perfeitamente vertical, nada menos do que quatro deles. Nada confuso, portanto.
Aposto todas as minhas fichas em como quem desenha os sutiãs são homens. Esquecem-se — ou não — do super-multitasking feminino: tal como nos primórdios da eclosão, havemos de abotoar o bom bralette na barriga, rodando-o e depois subindo-o torso acima, até que nos reabituemos à estratégia da cabra cega. Subestimam-nos, os meninos.


08/03/2018

Ser mulher

também é isto: a pessoa é fiel detentora de uma viatura automóvel, que responde pelo nome de Rosinha, minha canoa, que, por sua vez, possui uma coisa debaixo do banco do passageiro da frente, à qual não consegue atribuir um nome. Trata-se de uma espécie de caixa de metal, não sendo, no entanto, uma caixa, uma vez que não tem tampa. Porém, tem uma abertura, numa das faces, por onde tudo entra e fica. E, quando digo, tudo, quero significar, exactamente, tudo. Qualquer miudeza que caia da mão direita do condutor, ou de qualquer mão do passageiro-pendura, enfia-se pela lateral dos bancos, e eclipsa-se para lá. A dita abertura da dita coisa é bastante pequena, pelo que não permite a entrada de uma mão, e, quanto a dedos, estamos conversados, pois só entram ali dois ou três, impossibilitando-os de alcançarem o fundilho, transformando qualquer busca numa sessão de contorcionismo inútil. Já para lá refundi acessórios do cabelo, a chave de abertura do telemóvel, as costas do telemóvel — que recuperei com um palito de sushi, um torcicolo, três cãibras e um esgotamento nervoso —, dinheiro (sim, comprovei-o hoje, mas não sei afiançar a quantia certa), e só o Criador saberá o que mais. 
Então, aqui há dias, enfarpelada com um sobretudo alapado ao torso e todo abotoado à frente, e, num largo gesto, não de abnegação, como é meu apanágio, mas sim de impaciência — porque outra das características peculiares de Rosinha é a de que o cinto do passageiro fica a bater tac-tac-tac quando ele sai de Rosinha —, na tentativa, em pleno andamento, de esticar o referido cinto, hei-de tê-lo feito com tal convicção que, assim me estiquei para a direita em diagonal, assim me saiu a jacto um dos botões do casaco, mas isto com uma violência tal, que dei graças ao cosmos de não me ter acertado numa das vistas. Ao invés, disparou lá para o canto, entre a porta e o banco, e nunca mais o vi. 
Estou, aliás, convicta de que, debaixo daquele banco, está Nárnia. É toda uma outra dimensão, um verdadeiro universo paralelo. As coisas, simplesmente, incorporam de alguma forma alternativa, saem do radar, desintegram-se. 
Mayday.
Estou farta de procurar a m. do botão, e ele não aparece. Já fiz pesquisas dentro e fora do carro, já usei a lanterna, já tirei fotografias ao interior (tenebrosas, irreais e indecifráveis), já subornei o rapaz para que tentasse por sua conta, já só me faltou enfiar-me, eu própria, lá dentro e transformar-me numa ameba proteus. Ainda agora, fiz a enésima tentativa e, após um momento Carochinha, em que encontrei vinte cêntimos (será o botão, transmutado?) e mais três arranhões nos dedos, o coiso não apareceu. Deve estar, feito parvo, a rir-se de mim, lá com o mundo de cenas, de entre objectos e, quem sabe, animais, que já foram ali parar antes dele. 
E não, não adianta equacionar a solução do botão sobresselente, que esse deve existir, mas eu também o extraviei algures, para uma qualquer caixa lá do lar, onde repousam todos os botões extra que a roupa nos fornece, e deve estar cheia deles, pertencentes a peças que eu já nem sei quando e por que é que comprei. Ou então, juntou-se ao outro, e vivem agora, felizes para sempre, em Nárnia, metamorfoseados em unicórnios. 
Chiça.

05/03/2018

Óscaras 2018

Conforme já vem sendo tradição — umas vezes, sim, outras vezes, não — cá no buraco, vimos por este meio anunciar as oscarizadas do ano, ou seja, aquelas que são as mais merecedoras de nota derivados aos seus outfits. 
Na mesma senda, não se distinguem os fatos da passadeira dos outros, usados no after party. Isso calha-vos a vocês, perceberem quais foram usados aonde.
Quanto às mais bem vestidas, elas são exactamente aquelas que não constam na lista abaixo. Para essa tarefa, estão cá as bloggers a sério. Eu sou apenas a genuína blogger.

Miss Lucy in The Sky With Diamonds


Miss Qual é o Mal? Ah, Tudo


Miss Ainda Bem que Tenho Bolsos para Guardar Cenas


Miss Esqueci-me dos Sapatos


Miss Porra Para os Sapatos


Miss Avozinha do Capuchinho


Miss Cardeal Patriarca, Hallelujah


Miss Caderno Para Colorir


Miss Super-Heroína (essa mesmo)


Miss O Tecido Estava Num Saldo Imperdível


Miss A Mim Deram-me Uma Tesourada. Ou duas


Miss Mandei Aplicar Bottox Também no Vestido

Miss Nota de Cor

Miss Esfarraparam-me Toda

01/03/2018

Na senda de "Sou só eu?" # 13

que, quando outro condutor me bloqueia o carro com o seu, e olho à volta (sem esperança), depois dou uma apitadela simpática (elas existem, são assim duas seguidinhas, pi-pi), espero mais um tempinho (uns quê?, largos quatro segundos, ou assim), apito já menos simpaticamente (piiii-piiiii), espero mais um bocado (desta vez, dou-lhes bastante, quase três segundos que custam a passar como os dos agachamentos com a barra nos ombros, com pesos desumanos), e é que nada de me aparecer o bloqueador da minha vida, 
[congemino manobras impossíveis, imagino que vou ficar ali para sempre e um dia vão encontrar-me putrefeita ao volante (mesmo que esteja em esqueleto, por favor, alguém me penteie), elaboro mentalmente discursos imaculadamente ofensivos para o momento do aparecimento do meliante, suo um bocadinho das mãos e das pálpebras, pondero chamar o reboque, a polícia de intervenção militar, a brigada dos bons costumes, os bombeiros, os rapazes da obra (há sempre uma obra por perto) que me levantem o prevaricador no ar, a minha família toda, chamo pela minha mãe, brado aos céus por uma ajudinha nesta hora de aflição,]
e isto, ao cabo de menos de nada, tudo me dá para meter as duas mãos na buzina e já de lá não as tirar até ensurdecer a rua, o bairro, a cidade, até alguém chamar a ambulância do asilo de doidos ou até, olha o disparate, aparecer o dono da m. do carro que está a atravancar o meu e a minha vida toda desde que nasci, no século passado?
...
E eis que me surge no horizonte, negro e nervoso, uma de duas possibilidades:
1. É homem: corre para o carro, faz parkour, vem de braços no ar, a pedir desculpas a todos os santinhos e, já agora, a mim. Sorri, desdobra-se em penitências, só lhe falta ir buscar o cilício, cortar os pulsos ou dar o corpo às balas, quer dizer, às rodas, debaixo do meu. Geralmente, mete-se no dele, sai disparado como uma bala e desfaz-se em fumo;
2. É mulher: vem para o carro com a paz e a calma de uma procissão, talvez traga cristais nos bolsos, ou nem quero imaginar aonde. De caminho, só lhe falta fazer um bocadinho de moonwalk, para atrasar mais a coisa e exponenciar a minha irritação. Não pratica o contacto visual comigo, sequer faz um breve gesto com a manita (não, não é esse; esse, deveria eu fazer) como sinal de desculpas. Adivinho-lhe mesmo um semblante contrariado, toda a sua linguagem corporal grita "Mal educada!". Mete o rabo entre as pernas e mete-se toda, rabo incluído, dentro do carro. Faz uma micro-manobra, para não me facilitar a saída e me provar por A + B + C + D até Z que eu sou uma má condutora e uma azelha. Depois de me obrigar a chegar à frente e atrás cerca de dez vezes, ainda me fica com o lugar. E oh, efectivamente, a malcriada sou eu.


16/02/2018

Por uma vez na vida, sei que não sou só eu

que sofro de tiques, picadas e comichos vários aquando da pintura das unhas das mãos. (Há que especificar, pois que o mesmo fenómeno não ocorre quando se passa verniz nas unhas dos pés.)
Vão por mim que, apesar de não ter experimentado, garanto esta veracidade: até podemos fornecer  previamente uma boa dose de coça-coça ao nariz, até podemos esfregar o couro cabeludo com o esfregão de palha de aço, até podemos esgatanhar os globos oculares até sangrar, que, se tiver que ser, vai acontecer:
1. Uma narina que pica. As mais arrojadas, chegam mesmo a espirrar, retorcem a cabeça na direcção contrária à das mãos e, gloriosas, assim evitam despejar o jacto nas unhas, mas também conseguem bater com elas num lugar qualquer que garanta igualmente a esmerdança do momento artístico;
2. Uma leve comichão na cabeça. Que depois passa a picadela. Logo a seguir, parece um insecto. Depois, um enxame deles. Finalmente, levamos as pontas de dois dedos à cabeça, coçamos ao de leve, a comichão agrava-se gravemente, raspamos com os nós dos dedos, e, nesse cuidado todo, esmerdamos três unhas contra a palma da mão;
3. Um cabelo que se atravessa num olho. Aliás, os olhos são férteis em desculpas para estragar a manicure. Também existem as modalidades caiu-me-uma-pestana/sobrancelha-no-olho, tenho-um-cisco-no-olho, comovi-me. Seja o que for que seja, um olho agredido por objecto invisível, ao ponto de ameaçar saltar da órbita, é urgência que nos leva a manita de unha fresca até lá. O normal e natural, por ser tão frequente como cem por cento das vezes, é a mão voltar de lá com um cabelo atravessado na unha. Ou dois. Ou em duas unhas. E a consequente defecança do processo todo;
4. Um dia de bad nails, que os há, assim como os há de bad hair. Porque está húmido lá fora, e as unhas não secam, nem que as metas no micro-ondas; porque o verniz está velho, e até podes esperar uma semana com as mãos no ar, que a primeira vez que as usares, nem que seja para fazer um gesto largo sem tocar em lado nenhum, vão-te aparecer vestígios de um fantasma, que é o Fantasma das Unhas; porque sim, porque não era para ser e tu teimaste em pintar as unhas logo hoje, que os chakras não estão alinhados; 
5. Um telemóvel que toca. Tal não devia sequer ser um factor ponderável diante da importância que é deixar secar o verniz até não haver risco de ficar riscado. Porém, nestas alturas, o telemóvel de uma dama é uma sucursal do 112: liga o filho que está doente, liga o cliente mais importante (que ainda não pagou o último trabalho), liga a sogra, liga o bombeiro, liga o gato que ainda está preso no telhado. É atender, minha gente. Já sabemos que vamos ficar com o verniz colado ao aparelho, teremos que recomeçar tudo desde o início dos primórdios da pré-História, rangeremos os dentes mais um bocadinho, e, afinal, a p. da chamada era só para te dizer que "está tudo bem". Está tudo bem??? 
OK, respira, hiperventila para o saco de papel, corta as unhas curtas, ou melhor, rói-as até ao sabugo, deita fora a caixinha da manicure e torna-te hippie. Caga nisso. E também naquilo. Caga na mata. A vida é curta como as tuas unhas deviam ser, e há coisas verdadeiramente mais importantes. Tipo as flores e a Natureza. E cenas.

15/02/2018

€uros meus, má fortuna, amor desardente

Juro que, às vezes, julgo que fui congelada na época do escudo, e agora descongelaram-me, desactualizada. Um par de collants custar 12,95 erros (não, isto não é um erro) (ou seja, para mais de dois contos e quinhentos!) não é escandaloso? Então e três pares, para aproveitar uma "promoção", e a conta ultrapassar velozmente os seis contos de reis?
(É sinal que estamos vivos? Não, é sinal que continuamos — mesmo aqueles que já não se lembram do escudo — cerebralmente condicionados por preços irrealistas. Doze euros e noventa e cinco cêntimos tem todo o ar da graça de um conto e trezentos. Pois, mas é o dobro.)

Não sei se já ficou aqui suficientemente clara a evidente incompatibilidade que eu tenho com quase todas as vendedoras da loja lá onde compro as meias. Percebo o papel que assinaram e agora cumprem, acredito piamente (e ateiamente também) que terão uma comissão por cada par vendido, mas não consigo perdoar a falta de noção, a insistência, a rudeza com que encaram um simplório não. Antes ter mais cinco filhos e atravessar aquela fase em que o nosso não é nim e se deixa vencer até ao sim por cansaço e o deles é não-não-não.

[Esse grande filme que dá pelo nome de "O Rei Leão" — que, shame on me (qual quê, vergonha é roubar e não poder carregar), foi o filme que mais vezes visionei na vida (acreditem se quiserem, mas passou das quinhentas), e, se aspirar a morrer com níveis minimamente aceitáveis em termos intelectuais, vou ter que pegar num Padrinho qualquer, fechar-me numa sala durante um ano e meio e só assim ultrapassar o Disney, tudo isto para que da minha lápide não conste "Aqui jaz a maluca que viu 'O Rei Leão' foi para mais de quinhentas vezes" —, dizia eu, que começa exactamente por uma cena onde um leão mau (Scar, dos mais deliciosos vilões da Disney) diz a um ratinho: "Oh, a vida não é justa, pois não?". Nada justa — nunca atravessada pela espada da Justiça.]

Assim estou eu com a p. da paciência que já não tenho para o esquema possoajudar?-querounscollants-nãoqueraproveitarapromoção?
Não, não quero aproveitar a promoção. Primeiro, porque não é uma promoção, não é uma vantagem temporária que, com o decurso do tempo, desaparecerá. Está lá sempre, há anos. Segundo, porque fico perdida em raciocínios esdrúxulos. É por isso que travamos diálogos desta riqueza verbal:
- Não, quero mesmo só os collants.
- Assim, levava três pares e tinha 20% de desconto no terceiro par.
- Não percebi o seu raciocínio.
- Em vez dos 12,95 que lhe custa um par, leva três por 31,08.
- Sim, mas isso não são 20% sobre o terceiro par, e sim 20% sobre os três pares, o que é mais vantajoso do que aquilo que me disse.
- ... [olhos para o tecto] Pois, fica um pouquinho menos do que se levasse os três pares sem desconto...
- E um muitinho mais do que se levar só os collants que lhe pedi quando aqui entrei.
Quer dizer, parece que querem fazer da pessoa humana a antipática de serviço, a incapaz de perceber uma conta tão simples, a forreta do collant, a pobre que só pode comprar um par de collants de cada vez. Então, e se fosse? Será que se esquecem que, no limite, um ser continua a deter a grandessíssima liberdade de não comprar nenhum par? Pôxa, pá, eu sou a Charlie do collant!
Fica a questão, premente.

08/02/2018

Azul aos meu pés!

Primeiro, foi a Zara* que os teve, que eu namorei sem com eles ter casado (nem ter chegado a perceber muito bem quem é que foi deixado no altar); depois foi a Ros*, pelos quais suspirei, sem ter cedido ao ímpeto, a bem das Finanças do País.
Agora são meus.
É certo que não sei quando, nem como, nem porquê, nem onde os vou usar. E dão todo o ar de que vão fazer-me sofrer um bocadinho das cruzes.
Mas o que é isso interessa, se o mar é azul e se é de azul que eu gosto?


* NMPPI
É verdade. Não sei fotografar cenas. Mas vá, concentrai-vos na beleza do objecto e esquecei lá essas minudências.

06/02/2018

Foi tão blogger da minha parte # 8

Era uma vez eu, que, farta de gastar dinheiro na perfumaria, fui ao supermercado e experimentei não um, não dois, mas cinco rímeis diferentes em cima das minhas pestanas, já de si pintadas. Queria perceber qual era o melhor, e, não podendo pôr um, tirar e pôr outro a seguir, acumulei-os. Se, assim, não consegui fazer essa aferição, pelo menos fiquei com todas as pestanas carregadas de tinta preta, e dei-me então a oportunidade de escolher qual trazer para casa. Como não estava fácil escolher entre tantos, e todos tão bons, trouxe três, para usar alternada ou concomitantemente, consoante a mood do dia.
Isto foi um entróito, para criar algum suspense e salivação. Agora é que é o post a sério.

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Andei eu anos — décadas! — desta minha vida, convencida de que tinha olhos frágeis (designação que eu própria inventei), e que, por conseguinte, tinha que usar apenas rímeis (a tal máscara de pestanas) de qualidade, vulgo caríssimos, e não é que, farta de o enterrar todo naquela escova cheia de carvão em papas, decidi experimentar não um, mas cinco diferentes, e trouxe comigo três deles, marca supermercado, e não aconteceu nada, a não ser ter ficado com umas pestanas panorâmicas, qual traveca de Almada, qual pestana postiça, qual ó-eu? Nada de olhos a picar, nada de pestanas aos molhos como o alecrim, nada de choram os meus olhos. 
Isto, de várias, uma: 
1. Ou os meus olhos perderam a fragilidade e ganharam uma espécie de calo;
2. Ou a indústria da cosmética, ao nível do supermercado, melhorou bastante em termos qualitativos;
3. Ou existe aqui um factor psicológico, e a carteira é que manda, porque não é o corpo, é mesmo ela é que paga, e, por conseguinte, de tão mais barato, já nada me pica;
4. Ou eu andei a mentir a mim mesma estas décadas todas (perdi mesmo a memória — outra vantagem que só a idade dá — em relação à idade com que pintei as pestanas pela primeira vez);
5. Ou eu não tinha mais nada para fazer ao metal, para ir todos os meses (ou todos os quarenta dias, para ser mais rigorosa) à perfumaria empenhar os anéis para trazer a tinta preta;
6. Ou estou naquele período de lua-de-mel com os artigos, e daqui a três, quatro dias, estou a rosnar que me caíram as pestanas todas;
7. Ou comecei, finalmente, a ver mal, e vejo pestanas onde elas não existem;
8. Ou a minha vida é pautada por estas maiorências e ninguém me dá o meu devido valor;
9. Ou o assunto pestanas não é, efectivamente, um assunto que se transporte para aqui, e mais valia estar calada;
10. Ou quem cala consente.
[Pôxa, vi-me aflita para chegar às 10.]

É pedirem com jeitinho, e até digo as marcas. Mas posso adiantar que um deles é aquele que é branco de um lado e preto do outro. O branco usa-se primeiro, está bem?

20/01/2018

A minha vocação (perdida) para porteira

Numa ombreira de grande afluência de mulheres como é a de um balneário, cruzam-se pessoas de todas as espécies e, quem sabe, com várias moods, que serão as do momento/dia/fase da vida/m. de feitio. Pessoalmente, prefiro balneários sem porta, como era o do outro ginásio que frequentava antes deste. Se algum arquitecto me estiver a ler, por favor, atente nisto: esqueça a porta do balneário. Ela é o pomo da discórdia para pessoas como eu. Quanto aos balneários masculinos, desconheço como se processa o encruzilhamento das personagens, mas imagino que é bastante mais eclético, até mesmo porque eles se mandam lá para as respectivas genitálias com uma frequência avassaladora, quando não verbalmente, com o gesto do olhar.
Vou, então, tentar elencar exaustivamente as diversas categorias, e logo me darão razão:
1. A que abre a porta para entrar, puxa-a o estrito necessário para passar o próprio corpo, entra e larga-a logo, porque a p. da porta lhe queima as mãos;
2. A que abre a porta para entrar, verifica pela visão periférica que tem alguém atrás (chatas como eu), mas, como alguém um dia lhe disse "Não és criada de ninguém", larga a porta mesmo a tempo de quem vem atrás levar com ela em cheio;
3. A que está atrás de ti, espera que tu abras a porta para entrares, tu segura-la para que ela entre, e nem a ponta do dedo usa para a segurar quando passa, fazendo com que fiques tu a segurá-la enquanto a princesa passa. E não agradece;
4. A que, quando abres a porta para entrar, vem a sair e tem o requinte de malvadez não só de não segurar a porta, como também de passar antes de ti. E não agradece;
5. A que, quando abres a porta para sair, entra de rompante, e, de repente, já vem em grupeta de duas ou três, e passam todas, aflitinhas e com pressa de chegar a horas à aula/ficar rapidamente fits e tonificadas/cagar;
6. A que, quando lhe seguras a porta, espera a sua vez, mas esquece-se de agradecer. Esta é menos grave, mas é parva na mesma;
7. A que, quando lhe seguras a porta, espera a sua vez, agradece, mas larga a porta em cima da desgraçada que vem logo a seguir, denunciando uma fraca capacidade de aprendizagem;
8. A que abre a porta, vê uma senhora de cabelos brancos a pretender sair/entrar e não lhe dá passagem (true-true);
9. A que espera que tu abras a porta, passa à tua frente e diz "Ai, desculpe". Terapia, já;
10. Tu, que abres a porta. E um dia a arrancas com os dentes, só da p. da enervadeira que a p. da porta te provoca.

05/01/2018

Há determinadas lojas [físicas] que não percebo como é que têm arcaboiço para se manterem de pé

Se não, vejamos: a pessoa humana corre três ou quatro clássicas na busca de mais um par de botins, para aqueles dias em que não lhe apetecem saltos tão altos, nem tão baixos, nem os botins bordeaux, nem as botas de cano alto — as pretas ou as castanhas —, nem nada, e sim para poder calçá-los com saias e vestidos sem parecer uma gaja de Chelas, que o melhor mesmo era podermos andar descalcinhas e como eu compreendo a gaja do téne, a gaja da sabrina, a gaja do sapato Dr. Scholl*. Numa delas, que não vou dizer qual é, mas posso adiantar que é aquela do nome com um urso a quem tooooda a gente chama cerveja, encontra dois pares razoavelmente catitas, mas ambos sem par, ou seja, poderia trazer uma de cada, não fora correr o risco de parecer mais maluca do que já não é. Noutra delas, encontra online um par mesmo-mesmo-aquilo, que está descontinuado. Arre égua para este adjectivo, em se referindo a trapos e seus complementos. 
Ao cabo de mais umas quantas pesquisas — o meu disco rígido deve estar hirto de tanta loja e muito mais cheio do que o meu roupeiro — e buscas, eis que lhe surge o par ideal, não para a vida, não para a dança, não para a borga, mas para o exigente pezinho (ou para a exigente cabecinha, cada um interpretará). 
Ah, saldos, ah, que só há 35 e do 39 para cima, ah, que só há o que está exposto. 
Ah. Que só há para a dama pé de cabra e para a patuda em geral. Caneco, não se pode ser vulgar em lado nenhum, nem no tamanho do pé?
Já no lar, nem ao trabalho tive que me dar, de ligar a computa: foi mesmo através de Ai-fostes. 
1. Ir ao site;
2. Procurar pelo número da referência;
3. Escolher tamanho;
4. Adicionar ao cesto;
5. Confirmar compra;
6. Escolher método de pagamento;
7. Guardar referência, entidade e quantia.
Sete cliques. Só precisava de ter polegar para lá chegar.
(Claro que depois, como a minha vida tem que ser este filme exótico, ainda tive que ligar para o banco que me assiste o netbanking, e falar com uma operadora que, para além de não me ter resolvido o assunto, ainda fez a fineza de me arranhar os ouvidos quando eu protestei com a dificuldade que estava a ser proceder a um simples pagamento por MB, com "o banco não implanta essas medidas", e depois referindo-se à "empresa para a qual pretendo efectuar o meu pagamento" — palavras minhas —, chamando-lhe "Bresca".) (Ai, desculpem, não queria dizer o nome da loja. Bershka*, aquela a quem também há quem chame Bérssssca.)

*NMPPI

Só as démarches que uma senhora passa para chegar a isto

12/12/2017

Foi tão blogger da minha parte # 7

Fui a um cocktail. Vim de lá agora.
Isto foi a coisa mais blogger que fiz nos últimos tempos. É o meu máximo.
O meu cabeleireiro comemorou 25 anos de actividade, e eu, freguesa para lá de vinte e quatro, compareci, após convite. 
Comi bolo (duas nano-fatias, é como se fosse meia fatia de um bolo normal). Anyway, não vou para nova, também não vou para magra, também não vou para freira.
~
Uma mostrou o rabo à blogobola toda; a outra pôs a filha, que ainda não sabe escrever, a assinar postais de Natal com crianças vestidas de rena, de pila à mostra. (Uh, fancy, uh, moderno, aqui a atrasada é que não tem encaixe.)
~
Nunca serei uma blogger a sério.
Nunca alcançarei atingirei aquele nível.

09/12/2017

Dica # 11

Assumamos que estou para a sabrina tal como estou para o dentista e o oftalmologista: toda a gente vai, eu também quero. E, por esse motivo, vou.
Por mero acidente de percurso, este ano adquiri um par de sabrinas, lindíssimas, caríssimas, porém desconfortáveis, ou, em resumo, um mau passo — literalmente — que dei na vida. Aquela costura ao redor de todo o peito do pé é coisa para me esfrangalhar os nervos do delicado, e me demover de as calçar, preferindo uns bons compensados, ainda que com doze centímetros de salto. (Até porque fico mais alta, e ser poeta...)
No entanto, há coisa de escassos dias, dei de caras com sabrinas com um ar indubitavel e excepcionalmente confortável, cujo preço era tão uma piada, que desatei a rir, de fácil que sou, e trouxe-as.


É isso: Primark, e atentem que ninguém me paga para isto. Ainda que pagassem, dizia bem na mesma. Quatro euros, não sei se dá para perceber a dimensão da coisa. Quatro. Qua-tro. Até podem desmanchar-se daqui a quatro dias, até podem começar a cheirar a estrume (oh, LP...) daqui a oito, mas terá valido a pena na mesma. Amo-as.
De seguida, alevantou-se-me a questão de o que calçar quando (nas raríssimas vezes em que) me visto de azul durante o Inverno, e (nas raríssimas vezes em que) quisesse calçar sabrinas.
Olhem, trouxe as azuis.


Também há bege e outra cor que não fixei, é irem verificar (acho que bordeaux). 
Ando com elas por casa, feliz de ter sabrinas como as outras pessoas. 

E é isto, assim por hoje.
Quatro euros.
Hahahaha. Ha-ha.

06/12/2017

Post interdito a machos # 6

É mais porque isto são assuntos que não lhes interessam.

Diz que este ano é tudo veludo. As lojas e a feira online invadidas por vestidos de veludo, casacos de veludo, saias de veludo (A barata diz que tem uma saia de veludo| É mentira da barata| Ela tem é o pé peludo| Ah-ah-ah-oh-oh-oh| Ela tem é o pé peludo), calças de veludo, blusões de veludo, sapatos de veludo (!), cuecas de veludo (!?!). Enfim, já perceberam a ideia. De repente, tudo é feito de veludo no mundo do shopping.

(Na Primark*, onde incursei ontem, a descoberta do veludo resultou num pequeno atentado às íris humanas, pois que ele há veludo ocre, veludo rosa-pink, veludo beringela, veludo roxo, veludo verde-ranho, isto é, todas as cores inomináveis e inimagináveis, todas elas em veludo.)

A pessoa, a querer manter-se sempre na berra (AAAAAAH!), fez-se proprietária de um belo e sumptuoso vestido de veludo preto, decote a traçar à frente, saia evasée, ou aquilo que os ingleses chamam skater skirt (era porem-me a patinar com aquilo e já viam o espectáculo). Quer dizer, veste-o e sente-se de robe, aquele mesmo, tão fofinho e quentinho e azul(íssimo). Igualmente confortável, mas em chique. (Foi na H&M**, custou para aí 30 paca — agora 15, mas, em compensação, está esgotado — e consta(va) da zona daquelas que foram muito recentemente crianças, a Divided.)


No entanto, chorava-me a alma por um vestido azul, não sei porquê. Até ouvia, mesmo sem o querer, aquela melodia que colo lá em baixo para que tendes uma ideia das tormentas por que passei.) Queria-o sem decote e sem folhos e sem cinto, mas com mangas. Estupefacta-me a cena de se venderem vestidos sem mangas todo o ano, especialmente agora, com esta agradável temperatura para pinguins. O mais semelhante com o que queria, estava no Ebay, em dólares, e eu já dei para o peditório de ir bater com as costas na alfândega por um rímel (true story), lado-a-lado com intelectuais do livro importado. Até que, vítima de uma daquelas casualidades que só a mim, fui esbarrar-me com o meu lindinho, ao preço da que não cai, na Pimkie**.

Esta não sou eu.
(Pretendo usá-lo com sapatos fechados, collants — azuis? — casaco comprido, cachecol e luvas, que só mesmo piriguete não tem frio.)
Sendo que ambos são modelo skater, o que é que fica a faltar-me para completar as toilettes? Hum?



* Ninguém me paga para me calar.
** NMPPI

14/11/2017

Era só um enrolador de pestanas térmico

Se a minha vida não podia ser tão mais simples, um mar de rosas ou um campo de papoUlas ao vento, verdejandes e carmesantes, esvoaçando pólen alergeno em toda a sua dimensão e capacidade? Podia, mas já não era eu.
Num exercício conjunto, vamos todos supor que eu quis, um destes dias, vir a ser possuidora de uma coisa estética, agora não interessa para aqui o quê. Ora, o normal, seria adquiri-la, experimentá-la na minha cobaia preferida — OK, eu — e, eventualmente, vir aqui para o buraco rasgar-lhe elogios vários, ou, quem sabe, descoser-lhe críticas ferozes. Na loucura, dava uma de blogger a sério, fazia um tutorial e explicava os meus porquês para tão arrojado passo.
Ao invés, deu-se início a mais uma novela por episódios em que consiste esta minha existência.

Ep 1 - 27 de Outubro: Farta de procurar pelo produto em dois ou três mil sites, cliquei na Avon*. Inscrevi-me no coiso, dei a minha ficha toda, para lhes dar oportunidade de encherem a minha caixa de mail com spam, e pensei que tinha feito a encomenda. Recebi então um mail lá da firma, afirmando-me que a minha encomenda tinha sido direccionada para a revendedora mais próxima da minha região. (Que é Lisboa, a pequena Lisboa, tipo a capital do país.) Isto, após ter sido informada de que a minha zona não tem revendedora disponível. (Eu percebo. Portanto, moro nos arrabaldes do epicentro.)
Ep 2 - 2 de Novembro: Apresenta-se-me, através de sms, Diana, a revendedora — que, afinal, existe, ou foi entretanto nomeada —, a querer saber se eu sempre quero a encomenda. Respondo que não, uma vez que não pretendo intermediários naquela compra (só para não lhe dizer que não estou disposta a levar mais uma seca nesta vida e ver-me obrigada a comprar mil produtos que não vou usar, só para que uma carraça me deslargue o pé), que passe bem. Resposta de Diana: Onde é que me encontro consigo para a entrega? É claro que trocámos miminhos a partir daqui, andámos à briga via sms, fizemos as pazes e acordámos a entrega para quando ela tivesse o produto consigo. Nos entrementes, diz que tem "passe da Carris", sugiro-lhe uma estação de metro junto a mim, responde que isso já é "muito longe". (E sou eu quem mora nas cucuias.)
Ep 3 - 12 de Novembro: Diana informa-me que já tem o artigo. Pergunto se quer combinar a entrega. Diana não responde.
Ep 4 - 13 de Novembro: Diana quer encontrar-se comigo. Combinamos local, depois de nos desentendermos mais uma vez — porque Diana desconhece em absoluto onde fica a cidade de Lisboa —, mas não hora. Insisto. Diana não responde.

Pergunta para queijinho: este negócio não vai acontecer, pois não?
Pronto, era só para saber se vou continuar a enrolar as pestanas com aquela bodega que parece uma tesoura que me vai cortar os olhos ao meio, e ainda me deixa as pálpebras de cima cheias de feridas da alergia ao níquel.
Beijinho bom, obrigada.

* Ninguém me paga para me calar