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26/12/2017

Ai, que magia tens, Natal

Acabo um trabalho, com prazo espartano o-mais-depressa-que-conseguir, isto pela manhã do dia 23, antevéspera de Natal — sábado. 
Envio a parte final — pois a maior parte já está do lado de lá —, e recebo imediatamente um aviso automático de Não me encontro no escritório, é favor mandar para a minha colega X, que eu cá só volto para o ano, lá para o dia 3.
[Directamente para a categoria só-a-mim-não-me-saem-empregos-destes.]
Envio então para a colega X.
Hoje, dia 26, que me parecia ser dia de labuta, muito mais do que o dia 23, mando para a colega X a conta. Só naquela, a ver se me pagam.
Recebo então um aviso de não recebimento, erro com um número que não fixei, mas que sei significar caixa cheia.
[Mais uma, directamente para a categoria só-a-mim-não-me-saem-empregos-destes.]
Talvez para o ano.

24/12/2017

Para o dia de hoje, uma música totalmente de Natal


Oh, não é bem, está bem. 
Mas o que interessa é a intenção. 
O Natal é quando um Homem quiser. 
Boas festas, môres. Excelentes Natais, deseja LB. 
Passem-no dancin' across the floor, through the night.
Yeah.
Ié.
(Ficai com este meu presentinho, que eu vou andando, pois tenho uma baba para fazer, e aquilo dá uma trabalheira, só ter que espremer o babete lá do primo do dromedário já me cansa.)

22/12/2017

Não sei quem está pior # 2

Estava aqui a discutir comigo mesma, a própria, esta premente questão, e, não me encontrando capaz de alcançar uma conclusão, resolvi vir para aqui explaná-la, a ver se ao menos através deste meio se me faz a luz.
Ponham-se no meu lugar.
Liguei a uma das minhas tias para desejar Boas Festas [ainda hei-de fazer um post acerca desta coisa de pôr maiúsculas em Boas Festas e em Feliz Natal], e ela atendeu-me. Comecei o telefonema dizendo que era para ter ligado no dia anterior (não coincidentemente, uma data que, para ela, é extremamente infeliz), mas que só tinha podido ligar hoje, e rebeubéu. Ela que tudo bem, que ele está aqui ao lado, estamos na varanda a apanhar solinho, ele adora, e eu a gabar-me que também nós, aqui em Lisboa, estamos com uns dias belíssimos, com algum frio, mas céu azul. Literal, como quase sempre, pois que há momentos na vida em que não é suposto usar metáforas. Perguntou-me então se queria falar com ele, eu que sim, e passa-lhe o telefone tratando-o por não-tu, Olhe, está aqui a sua filha, quer falar-lhe? Vai que a pessoa humana estranhou o tratamento sem tu, mas mais ainda o ter mudado de pai, pelo que corrigiu, Filha não, sobrinha, tia. Falei com o meu tio, tive alguma vontade de lhe perguntar se a tia tinha batido com a cabeça no varandim, ou se eram efeitos do sol portuense de Dezembro, que, pelos vistos, estava um perigo para as sinapses, mas lá me contive, porque acho que essa verborreia há-de vir na próxima década e ainda é cedo. Despedimo-nos, o tio e eu, um Bom Ano [lá está], haja saúde, beijinhos para todos, e volta a tia. Que ele ficou muito contente por eu ter ligado, eu que também gostei muito de o ouvir, e adeus, Boas Festas. 
Disse para com o meu fecho-éclair que a tia devia estar malíssimo da cabeça, e desliguei, um nico deprimida.
Passados três dias, liga-me a tia, alegre e lúcida, para me agradecer eu ter ligado.
...
- Pois, os tios estavam na varanda a apanhar sol...
- Os tios? Não, filha, era o tio e a empregada...
A sério. Não me telefonem. 

18/12/2017

Um pensamento natalício por dia, drivados da época # 2

Hoje venho com vontade de passar por mentirosa.
Mentira, estou só a preparar terreno, por saber de antemão que será este o meu rótulo quando acabar de contar um eloquente momento da minha ainda tão breve existência.
Ora bem. Nas minhas mãos faleceu a varinha mágica cá do lar. Nem de propósito, já vamos ver porquê. 
Como era máquina para ter menos de um aninho de idade, entendi mandá-la de volta à loja, acompanhada da prova da respectiva compra. Porém, não sabia eu onde se encontrava essa. Foi quando me lembrei da caixa dos talões de multibanco, que religiosa e piamente guardo, sendo relíquia para pesar, assim por alto e a olhómetro, cerca de quatrocentos e oitenta e seis gramas, mais grama, menos grama. São, se não milhares, pelo menos muitas centenas de papelotes daqueles. Perfeita e profundamente ao acaso, meto a mão na caixa (o palheiro) e zás (a agulha). Isso mesmo que estou a dar a entender. Só o (Senhor Doutor) Euromilhões é que não me sai na rifa. 
Foi o milagre de Natal.
Portanto, e em suma, e quanto a mim, está despachado por este ano o tal milagre. Queimei as possibilidades todas, tanto que até nem vou jogar mais, por não ter hipótese de me sair. (Mentira, esta sim.)

[Eu era menina para meter aquele mágico que fez desaparecer um Boeing, o Copperfield, num chinelo. I mean, literally. Metia o gajo numa Havaiana. Debaixo daquela coisa do meio, onde se (quem o tem) raspa o fungo.]


17/12/2017

Um pensamento natalício por dia, drivados da época

Isto já foi anteontem, mas ainda está válido. Ontem tive outro, mas tem que ficar para post posterior, que é como quem diz outras núpcias (ou segundas núpcias?). Se tiver mais algum hoje, venho aqui fazer o reZisto, como diria Amélia, aquela pessoa que nunca resistiu a dizer reZisto, no lugar que competia por direito a registo
Fui-me ao shopping evocativa de uma autêntica Mãe Natal: levava vestida a minha gabardina vermelha. Imbuíra em mim o espírito, logo pelas dez da madrugada.
No regresso, resolvi carregar para casa não só as compras daquele dia, como também as dos anteriores. Começava a ter pesadelos que me assaltavam a mala de Rosinha, e só a chatice de ter que repetir a caça à tralha, ou o deslavamento de meter um postalinho em cada sapatinho, com uns dizeres eloquentes, "Desculpa este ano, mas fui roubada e a tua prenda (caríssima!) foi na leva".
Não contei os sacos, até porque fui metendo uns dentro de outros, mas andavam pela boa dezena. E não era só o volume que me carregava a cruz nas cruzes, era mesmo o peso somado de tanta ceninha.
Então, pensei:
Não passa de hoje que vou dizer às crianças que o Pai Natal não existe. 
...
Estou farta disto, ele com a fama e eu com o desproveito. 
...
Quais crianças?
Bom, enfim, aos miúdos.
...
Aos meus pequenos adultos. 
...
Mas eles já não acreditam. 
...
Não interessa, é hoje.

15/12/2017

Encerrada que está a época da caça

à prenda de Natal ideal, chego a conclusões dispersas:
1. Este ano, num largo gesto de extrema abnegação, não comprei nada para meter no meu próprio sapato. [Nem mesmo um par de sapatos que vi na Pimkie* e pelos quais fiquei a chorar lágrimas de sangre, porém não me serviam. Eram dois números e meio acima do meu, e digo-vos que raramente senti tão premente desejo de que me crescessem os pés até ao 39, mas mamã, por que não me haveis feito patuda, contudo?] Aquilo que comprei, estreei logo. A vida é demasiado curta e sabe-se lá.
2. Consegui, das vinte e três prendas que comprei, não alcançar a perfeição em nenhuma delas; não espero por oooohs, nem por aaaaahs. Se os houver, o problema sou eu, não são eles. 
3. Dei por encerrada a caça há coisa, mais coisa, menos coisa, de meia-hora, e ainda estou em modo de esgotamento nervoso e também físico; os meus braços não me obedecem, apesar de me encontrar aqui a teclar, embora isto seja o meu piloto automático por mim, eu sou apenas um co-piloto exaurido e demente, em mayday.
4. As lojas dos chineses são caríssimas, fujam de lá, nem que seja a sete pés pequenininhos.
5. O povo ensandeceu antes de mim, o que não me traz alegria, porém, enfim, algum alento. Ontem assisti ao seguinte diálogo entre uma senhora-com-imperiosa-e-irreprimível-vontade-de-se-exaltar e um funcionário-daquele-armazém-de-tudo-criado-pelo-Demo: "Olhe, onde é que eu posso fazer uma reclamação?"; "Muito bom dia, minha senhora. Do que é que se trata?"; "É que isto está marcado a um preço e ela  [desgraçada-funcionária-de-uma-de-cinquenta-caixas-que-aquilo-tem] cobrou-me outro”. [Aposto o meu braço direito em como o preço cobrado foi superior, caso contrário a revolta + reclamação desvanecer-se-iam num pum]; "Quando é que a senhora fez a compra?"; "Agora mesmo". [Don't wish you a merry Christmas, you musty.]

* NMPPI


12/12/2017

Eu também tenho uma árvore de Natal, ou pensam?

Era para ter sido montada a 8, que é uma espécie de tradição não vinculativa na minha casa, dia de dois dos quatro baptizados, dia de Nossa Senhora da Conceição (concepção, a quem justiça fiz), antigo Dia da Mãe, mas, essencialmente, porque marca o início dos trinta dias em que se aguenta a árvore em casa. Mais do que um mês do repolho — que, apesar de artificial, larga coisas verdes, enche de pó tudo à sua volta (há quem não aspire; não há quem aspire), e, a partir do dia, vá, 4 de Janeiro, já é lignum non grata —, parece-me demais.
Foi montada a 10, no limite do agora-já-não-aguento-é-não-ter-árvore-de-Natal. Algo que, não há muitos anos, era uma quase cerimónia, com direito a músicas natalícias de fundo (que me irritam, mas aguento e não choro), quatro crianças de barretes de Pai Natal (meus queridos duendes) a colaborar na decoração — brigando porque "tu já puseste mais bolas do que eu", "eu é que quero pôr a estrela", "estás a pôr os enfeites todos no mesmo sítio, este lado está careca", "eu não chego lá acima!" —, passou a ser uma tarefa que resolvemos os dois, em talvez quinze minutos, por uma estar fora, outra estar dentro mas sem vontade, outra ter ido ali "já volto, é o tempo de lavar os dentes" e o outro ter procrastinado com um "já vou". (Meus queridos duendes, onde vos haveis escondido, seus patifórios?) (Estão todos convocados para a desmontagem.)
Ficou azul, a minha árvore. Um pouco escura, porque é verde (não percebo porquê). Mas cheia de luzes, que este ano todas têm forma de amor.


08/12/2017

Ela fala tanto # 20

À procura de camisolas quentes — conceito que, depois de revirado o gavetão da cómoda, concluo que desconheço —, dado o degelo dos últimos dias, apercebo-me que tenho cerca de (não contados, este é um número aproximado, pelo que tanto podem ser mais como menos) dez casacos de malha pretos, ora de decote em V, ora de decote redondo, ora com um folho na ponta da gola, ora com uma transparência de lado, ora com um laço a fechar o cimo da abotoadura. Dez, para aí. Quanto a camisolas quentes — lã, gola alta, enfim, que não deixem passar o frio pelos recantos —, umas três. 
Dá-se que também sou um nico faladeira, mais porque penso alto do que porque precise de comunicar ao Mundo estas coisas, e aconteceu ter comentado com ela — que ciranda constantemente ao meu redor — a seguinte realidade: "Não sei para que preciso de dez casacos de malha pretos. Se o Mundo acabar amanhã a casacos pretos, tenho a minha sobrevivência garantida".
No dia seguinte, mostra-me ela uns botins vermelhos que as irmãs lhe ofereceram pelos anos. "Muito giras", limitei-me e contive-me. 
- Por falar nisso [só eu sei o quanto temo as frases dela começadas por "por falar nisso"], outro dia [fora no dia anterior] estava-me a dizer que tem dez casacos de malha pretos, já viu como está este meu casaco de malha vermelho? Tão velho que estou capaz de o deitar para o lixo. Estou mesmo a precisar de um novo. 
...
...
...
Isto assassina-me o espírito natalício. 
Uma m. de um casaco de malha, de qualquer cor, custa uma m. de seis euros. (Na Primark*, pelo menos.)
É não me pedirem, e têm de mim um rim, um olho, um pulmão, a minha medula, o meu sangue para lá do impossível. 
É pedirem-me desta maneira deslavada, e têm de mim um coice, porque isto é para lá do indecente. 
Vou comprar-lhe um casaco de malha verde, que é para aprender a não ser pedinchas. 

* NMPPI

17/11/2017

dignidade

Fui encontrá-lo muito velhinho, tolhido pela doença que o definha há mais de vinte anos, cruel e sarcástica, de roer músculos e ossos, de deixar a cabeça intacta. Contra todas as expectativas, continua bonito, a mesma proporção perfeita em todos os quadrantes do rosto, o mesmo sorriso impossível, que a doença proíbe, o mesmo sentido de humor dos Natais da minha infância no Porto, a mesmíssima alegria por me ver chegar. Acho que nunca o tinha abraçado tão longamente, nunca lhe tinha dado tantos beijos, mesmo somados todos aqueles que lhe dei ao longo da minha vida inteira. 
Meu tio, meu querido tio. 
A afinidade é aquela espécie de parentesco que acontece por adopção, e essa pode acontecer por via do coração. Marido da irmã do meu pai, meu tio, meu querido tio do coração. 
Não me viu crescer, sequer envelhecer, perguntou se eu tenho vinte anos, numa quase gargalhada sem vestígio de confusão — elogioso, amoroso, íntimo. 
Depois, aquela sopa que teimava entornar para fora da tigela, derramando-se pelo prato afora, aquela colher que não chegava cheia à boca, e a minha hesitação — num daqueles momentos em que qualquer decisão que tomemos será forçosamente a decisão errada —, logo seguida da pergunta sussurrada,
Tio, quer que eu faça isso?
Quis evitar a todo o custo o verbo "ajudar", que tanto me consome. 
Num silêncio sem olhar, sem qualquer movimento de cabeça, ouvi dele, no mesmo tom quase mudo,
Não, filha. 

24/12/2016

Movimento "Vamos ajudar Palmier a encontrar o espírito"

Conforme sabeis, eu própria ando em busca do espírito. Mas este meu espírito — passe o pleonasmo — de abnegação, leva-me a fazer uma pausa na minha procura e a dar uma mão (olha aí a cacofonia...), um pezinho (de dança), uma ajudinha para encontrar aquele que era suposto já nos ter encarnado a todos, fosse lá de encarnado, de dourado, ou — por que não? — de azul.  

Foi hoje de manhã. Caminhando motorizada rumo aos braços da minha mãe, pela estrada fora, bem sozinha, foi via rádio que me chegou o espírito, adentrando-se por meu boi adentro, invadindo todo o habitáculo, e também os meus tímpanos. E eu, olhem, deixei. Trinei. Repuxei das pontas das minhas cordas, e deu-se a simbiálise Espírito-Nataleiro-Linda-Blue.
Espero que gostem. Fomos acompanhados em contrabaixo pelo motor, que também esteve muito bem.


Já somos estes todos: um, dois, três, quatro, cinco. E seis, claro.

Vem, e traz um amigo também.

Eu queria imbuir-me do espírito

Mas não está fácil. De entre mil afazeres que quase não me deixaram tempo para respirar, este ano logrei empurrar as prendas — não literalmente — até quase à antevéspera do exacto momento em que é suposto entregá-las. Em plena gripe e pico de trabalho, enfiei-me no shopping num daqueles dias e horas proibitivos, em que todos os factores not se conjugavam: Dezembro, depois de almoço, dia de jogo daquele que só me dá alegrias. Consegui sair viva, e, embora mais rica em termos antropológicos, em termos financeiros um tudo nada menos. 
Está aberta — e espero que em breve fechada — a época do ano em que me assalta um fervoroso desejo de beijar os pés dos lojistas que me embrulhem as m. que eu compro. Não sei se ando a comprar o papel errado, a fita-cola errada, ou se o erro está em mim, mas fazer embrulhos está a tornar-se um programa épico ao nível da motricidade fina, que só não tento remediar com treinos intensivos e ou terapia porque, conforme já devo ter dito lá para trás, isto é só uma fase, e ai de quem me venha com a léria de que o Natal é quando o Homem quiser, que eu mordo. Se assim fosse, ainda era menina para me meter numa acção de formação e dar cabo do handicap, quem sabe acrescentando uma alínea ao meu curriculum vitae com mais essa valência. Não sendo, deixo-me estar como estou, hei-de comer doze passas daqui a dias a pedir que me saia o Euromilhões, e nessa altura arranjo quem me embrulhe (não literalmente, também). 
O meu corta-fitas não corta a fita-cola. Tem uma lâmina poderosíssima, capaz de decepar dois dedos, ou degolar um cavalo, mas lá a fita é que não. O problema pode ser ela, e não ele, uma vez que aquela fita-cola em particular estica como um elástico, mas cortá-la em pequenos pedaços é que já não é possível. E depois, não cola, fazendo claras injustiças ao próprio nome. Por outro lado, o papel que tenho em casa, não sei se é encerado (?), oleado, ou simplesmente de má qualidade, pois desliza e faz desvios drásticos quando o manuseio, pelo que tudo redunda num enorme desastre de embrulhos sem nexo. Para finalizar (embrulhos nunca finalizados), não tenho fita de laços, o que leva a que todos os meus embrulhos pareçam encomendas de correio com uma decoração pseudo-natalícia. Também não me lembrei de adquirir etiquetas, para distinguir os meus pacotes (chiu), o que terá como consequência a cegada do costume, que sou eu, em plena consoada, a puxar pela que me atraiçoa todos os dias, incapaz de me lembrar do que é para quem.
Também me irrita um bocado não ser capaz de presentear todos os filhos com prendas de valor igual. Longe vão os tempos das três Bratz + avião da Playmobil, e ficávamos todos felizes a cantar jinguélbel. Ninguém reclama, na verdade, mas eu é que fico mal comigo mesma. 
Em compensação, e talvez por isso, para as amigas vai a eito: compro meia-dúzia (ou menos, que acho que tenho menos do que seis amigas, mas ficava aqui melhor esta expressão — numérica) de qualquer coisa, todas iguais, e já não tenho complexos de desequilíbrio (mental). O mesmo faço com os sobrinhos. Estou mesmo a caminhar a passos largos na conquista oficial da categoria de Tia das Cuecas: desde luvas a cachecóis, passando por cintos, já corri todas as possibilidades, pelo que me falta apenas o patamar Cuecas, que penso atingir para o ano que vem. 

Não sei se leram isto tudo. Eu confesso que não. 
Na verdade, vinha aqui para desejar-vos a todos (deixem-me chamar-vos leitores só por uma vez, isso faz-me içar numa outra escala só por um bocadinho, vá lá...), 

UM NATAL MUITO AZUL

20/12/2016

Espera

A rampa das chegadas do aeroporto é um cais de desembarque onde, especialmente nesta altura do ano, muitas emoções se encontram — e se reencontram — à flor da pele. Quem espera, faz-se pontual na aterragem, apresenta-se no cais à hora a que as rodas do avião tocam o solo, como se fosse possível que quem chega pudesse saltar directamente da pista para os braços ainda vazios de quem está. Só isso explica que a extensa multidão se mantenha firme, a mesma, expectante, durante largos minutos, meia-hora, uma hora. Entretanto, saem aviões inteiros de gente, e ficam outras gentes, como eu, a distrair a impaciência e a saudade, tentando adivinhar de onde vêm (Olha, este é fácil, vem do Japão), quem os espera, o que os traz aqui no Natal (É fácil, são japoneses).  
Dezenas de pessoas, algumas terminando a rampa num abraço adiado e demorado, uma mulher que sai da multidão e abraça um rapaz, escondendo as lágrimas no peito dele, uma menina que corre ao encontro de um pai, e pula, e trepa-o com risos e beijinhos. Tão diferente, a manifestação das saudades, em função da idade de quem vêm.
Vejo-a ao fundo e toda eu sou lágrimas e gargalhadas engasgadas, que não consigo libertar. Esperei-a nove meses, e agora estes três. Espero-a ao fundo da rampa, mas ela é interceptada a meio, pelo pai e pelos irmãos, fazem-se todos num corpo só e ela, tal como a mulher que reencontrou o filho, esconde e dissolve as lágrimas por todo o grupo. Vem mais pequenina, mais magra, mais pálida, mas isso são os meus olhos, que nada vêem, que vêem. Também a vejo maior. Cabe inteirinha na palma da minha mão, penso assim, enquanto me aproximo, me agiganto, me faço tão grande que sinto os meus braços, o meu corpo todo a redimensionar-se para a acolher — reengravidando dela —, na amálgama de família em que se encontra. Apanho o enorme corpo de gente nos braços, depois isolo-a só para mim, meto-a dentro de um abraço e percebo, finalmente, que nunca daqui saiu. 

16/12/2016

E o que responder ao cosmos

quando ele nos agracia com uma bela gripe no primeiro de três dias de férias que acabámos de nos dar, após três semanas de intenso trabalho, que até a porcaria dos feriados e dos fins-de-semana nos levaram, como o vento da outra? Hã?
Eu sei a resposta certa: as melhoras, pá!
Adorei acordar com tudo a doer. Completamente tudo. Dói pestanejar; dói virar a cabeça para um lado; também dói virar a cabeça para o outro lado; dói o cabelo, quando o ajeito (cerca de 7892 vezes por dia — nunca está alinhado); dói existir.
Porém, havia que rechear a árvore, tal e qual um peru de Natal, pois, com isto tudo, vai-se a ver e não tinha adquirido uma única prenda (excepção feita a uma para mim, que, tal como o ano passado, foi a primeira e, durante muitos dias, a única que comprei, e também, tal como nesse outrora, trata-se de um livro do meu querido Mário Zambujal, que eu amo forever end ever).
Isto como uma desgraça nunca vem só, nove graus centígrados em Lisboa, uma chuva de água fria que não se percebe, mas vai de enfrentar o shopping, logo assim pela fresca. 
Eu sou uma pessoa muito corajosa e ninguém me dá o meu devido valor. Devia enfiar-me na cama, a gemer e a solicitar que me levassem caldinhos à cabeceira, à gajo. Ao invés, fui fazer as vezes de Mãe Natal, toda a ranger e a latejar, mas quem me viu não diria que me dói tanto tudo que nem me sinto. 
Nem sei por que é que iniciei este post. Já devo ter fritado o neurónio sobrevivo. Acho que vinha cá só contar que entrei na FNAC e cheirava intensamente a comida. Então, para meu pequeno espanto, verifiquei que, a meio da sala, se encontrava uma senhora a cozinhar qualquer coisa cheia de alho. Eu já sabia que a FNAC é aquela livraria com secção de papelaria que, ah, afinal também vende gadgets, ah, espera, também lá há computadores, e televisões, e cabos e fios, e jogos electrónicos e jogos de tabuleiro, e puzzles e gomas e bonecas e t-shirts e canecas. Hoje fiquei a saber que a livraria FNAC também vende robots de cozinha. O meu reino por ver a livraria FNAC começar a vender máquinas de café. Oh, wait, fiquei sem reino. Quero o meu cavalo.

04/12/2016

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 46

Ponham-se no meu lugar.
Estava eu na fila para pagar, num desses supermercados da vida. Era uma caixa de pagamento rápido, e a vez seguinte era a minha. Imediatamente antes, encontrava-se um senhor a proceder ao pagamento de inúmeros géneros, tantos que encheu um daqueles sacos que se inventaram para levar tudo junto — desde o bacalhau ao champô, passando pelo enlatado e o atoalhado —, e ainda lhe sobraram coisas (ou faltou espaço no saco). Era, manifestamente, alguém que não percebeu parte da expressão pagamento rápido.
Exasperada, lembro-me vagamente de lhe ter desejado um pequeno mal, qualquer coisa que o fizesse mancar-se do transtorno que estava a provocar a tanta gente por se ter metido na caixa errada. E eis senão quando, qual cereja no topo não sei de quê, lhe cai das mãos uma caixa de tomate cherry. Foi vê-los rebolarem pelo chão de toda a área das caixas de pagamento rápido, pareciam mesmo azevinho, e pode ter sido por isso que até se me deu um interior momento musical, já que a minha jukebox mental tauteou Ai, que magia tens Natal | Que minha aldeia vens lembrar | Um pinheiro a jorrar de neve | A brilhar, Natal | Branco e sempre igual. Devo ter, por esse motivo, ficado imbuída do espírito, pois que equacionei a possibilidade de me meter na apanha do tomate para ajudar o senhor, mas vá que me lembrei a tempo de que estava de saias e então não me pareceu lá grande ideia. Mas, para me provar exactamente que eu não sou única no mundo, ao contrário do que às vezes penso, surgiram do nada duas voluntárias — ambas de calças —, que começaram a apanhar tomatinhos cherry, tão chéries, e a entregar a seu dono. No final da jorna, há uma que, com dois tomatinhos na mão, no momento em que os foi entregar ao senhor, senhores, lhe disse assim: 
- Depois tem que os lavar.
...

O que é que vocês fariam no meu lugar?
Fica o desafio.

26/12/2015

Vamos lá, que já é dia 26, e a sorna acabou

Vocês, não sei, mas eu, por mim (e um nico por vós), vou para o ginásio. Começa hoje, oficialmente, a Operação de Combate ao Biquíni Flácido.
Preciso de queimar a rabanada.
E os muitos sonhos.


25/12/2015

A desilusão retumbante, ribombante e ressonante deste Natal

Ao contrário dos trinta anteriores, este ano não se ouviu, por todos os lados e mais algum, o mega hit Last Christmas, nem na voz do George, nem em nenhuma outra. E, parecendo que não, fez falta. Eu senti.
Estou aqui para colmatar essa falha, a todos os níveis. Para tanto, deixo a minha versão favorita, à laia de prenda no stiletto. Cá beijinho e votos de um dia feliz.

24/12/2015

Só me resta desejar-vos

uma consoada consolada.
Sem espinhas.
(Tits.)
Eu, por mim, estou presa num elevador, ao nível de um quinto andar. Podia ser pior (podia ser um décimo).