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19/10/2018

Ela fala tanto # 26

E estava tão feliz com o grande feito de ter perdido (ou ganho?) alguns, vários, demasiados minutos do seu expediente a colar selos numa caderneta, 


que eu calei, se calei, mais uma e outra vez, a vontade de lhe perguntar se considera que não tem, efectivamente, mais nada para fazer (tanto pó acumulado, tanta tralha desarrumada, tanta pomba assassinada), mas o que é certo, indesmentível e real, é que lá fui à gigantesca superfície, também eu toda feliz e contente, trocar a caderneta por um pirex que não me faz falta nenhuma (mas é grátes, canudo!) e que não tenho onde arrumar (ainda acaba em floreira/fruteira/penico chique), e do qual não vou desenvolver o custo efectivo, porque já o fiz aqui, e eu sou pouco dada a repetir assuntos... acho.


14/09/2018

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 59



Isto assim, vindo de um iogurte, não sei se encare como uma promessa ou como uma ameaça (sobretudo derivados ao calor que se faz sentir por estes dias que correm velozmente uns atrás dos outros, em filinha indiana).

12/09/2018

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 58

Atravancado que está o espaço dos supermercados com as vendas para o regresso às aulas, naquela que é a época pré-Natal destas superfícies, deparo-me com coisas assim:


Isto é giro, especialmente tendo em conta que a média nacional, ao nível do Português dos portugueses, ao fim e ao cabo de doze anos de escolaridade (doze dos dezassete que têm de vida, mais de 70% dela!), está em 11 valores na escala de 20. É certo que se uns obtiveram 12 (oh, extravagância!), outros obtiveram 9. É assim que funciona a estatística. Ou seja, para uns terem 18, outros tantos tiveram que ter 3. 
E depois, vem o pessoal da venda de material escolar — onde se incluem livros, manuais, enfim, papéis cheios de letras — incentivar à compra, e, quem sabe se também (na loucura), ao estudo, através desta linguagem periférica, na convicção de que só esta os nossos miúdos são capazes de perceber, e, naquela psicologia de pacotilha lá dos marketings, "só assim conseguimos chegar-lhes".

[Vá lá, eu sei que "bué" já entrou no nosso dicionário há muitos anos, embora devesse considerar-se um estrangeirismo — origem Angola ou São Tomé —, mas e quanto ao resto? Mano, cena, brutal, fixe...?]
[Ó pá, fónix!]

22/04/2018

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 56

Era estar menos atenta, e já não dava por estes diálogos:
- Olha, alguma de vocês percebe alguma coisa de Francês?
- Não, porquê?
- Porque está ali uma senhora que só pede por cus-cus-cus-cus...

Por acaso, depois fiquei a congeminar nisto: quando uma pessoa come couscous, e lhe fica presa uma única bolinha entre os dentes, como é que exprime a sua lamúria? Tenho um couscou [cuscu] preso no dente? Ou Tenho um coucou [cucu] preso no dente

[Hã, e o esforço para escrever posts sem conteúdo a que me tenho votado ultimamente, ninguém louva?]

13/03/2018

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 55

Ou
Há uns que gostam de apanhar, só pode ser isso.

Não posso ir ao supermercado, nem que seja virtualmente. Isto é, através de nettinha, pois que aquela coisa do online permite a uma pessoa humana teletransportar-se para o recinto, escolher os itens no sossego do seu computa e tê-los todos no lar em cerca de horas, verdade?
Não. Mentira. Tudo depende de, de quem se trata. E eu trato-me de uma pessoa sem sorte para algumas coisas, por compensação de todo o resto. 
Escolho o horário de entrega para o lapso que dista entre as 10:30 e as 12:30 da madrugada.
Vejo chegar as 12:30 e nada de a encomenda me chegar aos braços. 
Ligo para o apoio ao cliente, sou atendida ao fim de um quarto de hora de música de câmara, e isto a fazer-se uma da noite, rés-vés Campo de Ourique com a hora do almoço. 
Diz que o entregador está ligeiramente atrasado. (Oh, really?)
Protesto e reclamo que alguém me vai devolver a taxa de entrega. A Voz diz-me que sim, dado que já se deve ouvir o meu ranger + espumar + arfar. Vou esperar sentada, a ligar para aquele 707 nos próximos dias, cada vez que abrir a minha conta e verificar que — oh, surpresa! — a taxa não me foi devolvida.
Cerca de quê? Três, cinco minutos depois, recebo uma chamada do apoio, agora já com uma gravação, que me faz um questionário em duas singelas perguntas:
1. De 0 a 9, recomendaria o serviço online a um amigo?
2. De 0 a 9, quão satisfeito ficou com o serviço de atendimento mu-mu-mu, que nem a deixei completar a pergunta, pois já me tinha caído o dedo, outra vez, e com toda as as minhas forças, na tecla do zero. 
Era terem esperado meia-hora, que já me apanhavam macia, como de costume. Assim, olha,  apanharam-me em bruto (ou em bruta, se preferirem), e enfardaram até eu me cansar. 


06/02/2018

Foi tão blogger da minha parte # 8

Era uma vez eu, que, farta de gastar dinheiro na perfumaria, fui ao supermercado e experimentei não um, não dois, mas cinco rímeis diferentes em cima das minhas pestanas, já de si pintadas. Queria perceber qual era o melhor, e, não podendo pôr um, tirar e pôr outro a seguir, acumulei-os. Se, assim, não consegui fazer essa aferição, pelo menos fiquei com todas as pestanas carregadas de tinta preta, e dei-me então a oportunidade de escolher qual trazer para casa. Como não estava fácil escolher entre tantos, e todos tão bons, trouxe três, para usar alternada ou concomitantemente, consoante a mood do dia.
Isto foi um entróito, para criar algum suspense e salivação. Agora é que é o post a sério.

______________________
Andei eu anos — décadas! — desta minha vida, convencida de que tinha olhos frágeis (designação que eu própria inventei), e que, por conseguinte, tinha que usar apenas rímeis (a tal máscara de pestanas) de qualidade, vulgo caríssimos, e não é que, farta de o enterrar todo naquela escova cheia de carvão em papas, decidi experimentar não um, mas cinco diferentes, e trouxe comigo três deles, marca supermercado, e não aconteceu nada, a não ser ter ficado com umas pestanas panorâmicas, qual traveca de Almada, qual pestana postiça, qual ó-eu? Nada de olhos a picar, nada de pestanas aos molhos como o alecrim, nada de choram os meus olhos. 
Isto, de várias, uma: 
1. Ou os meus olhos perderam a fragilidade e ganharam uma espécie de calo;
2. Ou a indústria da cosmética, ao nível do supermercado, melhorou bastante em termos qualitativos;
3. Ou existe aqui um factor psicológico, e a carteira é que manda, porque não é o corpo, é mesmo ela é que paga, e, por conseguinte, de tão mais barato, já nada me pica;
4. Ou eu andei a mentir a mim mesma estas décadas todas (perdi mesmo a memória — outra vantagem que só a idade dá — em relação à idade com que pintei as pestanas pela primeira vez);
5. Ou eu não tinha mais nada para fazer ao metal, para ir todos os meses (ou todos os quarenta dias, para ser mais rigorosa) à perfumaria empenhar os anéis para trazer a tinta preta;
6. Ou estou naquele período de lua-de-mel com os artigos, e daqui a três, quatro dias, estou a rosnar que me caíram as pestanas todas;
7. Ou comecei, finalmente, a ver mal, e vejo pestanas onde elas não existem;
8. Ou a minha vida é pautada por estas maiorências e ninguém me dá o meu devido valor;
9. Ou o assunto pestanas não é, efectivamente, um assunto que se transporte para aqui, e mais valia estar calada;
10. Ou quem cala consente.
[Pôxa, vi-me aflita para chegar às 10.]

É pedirem com jeitinho, e até digo as marcas. Mas posso adiantar que um deles é aquele que é branco de um lado e preto do outro. O branco usa-se primeiro, está bem?

26/01/2018

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 52

Ou talvez devas.

Só não acerto no Euromilhões. 
A troca de mensagens que segue foi antecedida pelo seguinte diálogo:
- Estou sem xeta no porta-moedas, não me apetece ir levantar nem pagar com multibanco duas merdinhas que são precisas lá em casa. Dá-me aí.
(Pareço uma assaltante, eu.) (Às vezes, literalmente.)

Era para correr duas ou três capelinhas, alface aqui, ervilhas congeladas ali, e, diante dessa perspectiva, resolvi meter-me no supermercado, onde se concentra tudo e mais um par de botas. (Também literalmente.)
Levei 10 euros no bolso, pus no cesto o que havia a pôr, mais uma coisinha aqui, outra ali, faltam legumes para a sopa, couve-flor, abóbora, cenouras, olha courgete desidratada, xacá experimentar, quase tudo muito saudável, caixa com ela. 
Conta final: € 9,99.


28/11/2017

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 51

Isto do supermercado, digam-me vocês, é como as obras, não é? 
Não, não é um problema derivado de Santa Engrácia, mas também um nico: aquilo que poderia demorar dez minutos, transforma-se tranquilamente em sessenta, certo?
Mas minha analogia vai mais longe: o verdadeiro e quase único problema das minhas deslocações ao supermercado é o "já agora". Tal como nas obras: vais refazer uma casa-de-banho? Já agora, pinta a casa toda. Vais arrancar a banheira? Já agora, arranca o bidé. (E não, por favor não os troques de lugar, simplesmente desfaz-te do bidé como se jamais tivesse ele existido na tua vida; já agora, põe no lugar dele um bom toalheiro eléctrico.) Vais pintar a casa? Já agora, muda as tomadas, que estão velhas e feias; muda também os interruptores todos, já agora; e, já agora, compra maçanetas novas para as portas, que ideia a do construtor — anos 90 do milénio passado... —, essa das maçanetas de porcelana. 
Vou para comprar pão, ingredientes para legumes à Brás — cenoura, caldo verde, batata palha, ovos — e mais o quê? Nada, a memória fez o favor e a (des)graça de limpar tudo o resto. Improviso uma lista em cima do volante, mal estaciono. Lembro-me de sumo; lembro-me que a fruta acabou outra vez (oito quilos de fruta comprados na sexta-feira passada, mas imagino que tenho coelhos em casa); lembro-me que o puré de castanhas (dois quilos de puré) está a acabar, mas que, à custa e por conta (e risco) dele, estou para ser eleita a Melhor Mãe do Mundo, e não quero perder a habilitação. Já agora, ponho mais dois quilos na lista. E natas de soja, para misturar no puré. Já agora, dois pacotes. Isso premeia-me com duas colheres saladeiras de plástico verde-alface, que também voam para o cesto.
Já agora, compro também ingredientes para o jantar: camarões e delícias do mar, para fazer com massa preta; não me lembro se tenho coentros em casa, mas não vou buscar, porque já estou muito carregada; já agora, levo fruta para mais dois dias, e aí vão seis quilos para o cesto (que lhe/me vale ter rodinhas); já agora, levo couve-flor para gratinar com queijo ralado; já agora, o queijo; ah, é verdade, ainda bem que me lembrei que faltam cereais. Só não sei para quantos, já agora, e à cautela, levo três caixas; recebo um sms a dizer que, já agora, podia levar líquido de limpeza para a casa-de-banho. É melhor levar, não vá acabar o mundo amanhã e aquilo ficar tudo num esterco.
Recuso-me a, já agora, levar iogurtes para mim; fruta da que eu gosto; um verniz(inho) que seja.
E saio, com os habituais oito quilos de compras ao ombro. Já agora.

13/06/2017

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 50

Ponham-se no meu lugar.
Faz de conta que foram ao supermercado e compraram um queijo manchego. Chegaram a casa e o queijo não estava no saco das compras. Assumiram imediatamente que: 
1. O queijo caiu ao chão, ainda no supermercado, uma vez que vós não usastes carrinho nem cesto, e levastes as compras nas mãos, qual polvo;
2. O queijo ficou esquecido na plataforma, depois de pago.
Sabeis que não vos apetece voltar lá só por causa de um bocado de queijo.
(Tenho a protestar junto da administração do LIDL, aquela coisa de ter que se pagar parque para compras de valor inferior a vinte euros. Já uma vez tive que comprar uma saca plástica porque a minha conta era uma piada de € 19,94, e vá que os dez cêntimos da saca me pagavam largamente o parqueamento.)  
A cena do parque de estacionamento, do elevador, das filas intermináveis no LIDL, etecetera, é o bastante, assim a priori, para vos demover de lá ir reclamar um queijo esquecido, e, ainda assim, com uma alta probabilidade de ninguém se lembrar e vos mandarem chatear o Camões, ao invés de estarem ali a empatar quem trabalha. 
Olhem, não fui. 
Passou-se um dia. Cheios de coragem, fostes verificar a conta e, realmente, havíeis pago a coisa.
Passaram-se dois dias. Foram dois dias de calor, em que o interior do carro atingiu temperaturas de, vá, quarenta e alguns Celcius. (Então em Fahrenheit, upa, upa.)
O queijo apareceu no chão do carro, quarenta e oito horas volvidas sobre o seu desaparecimento. Um pouco derretido, molinho, mas impecável dentro da embalagem. 
Diz na etiqueta que é curado. E velho. 


Assumindo que está ainda mais curado e obviamente mais velho, a grande questão que se agiganta de per si no momento, é: se fossem vocês, comiam o queijo? E se não fossem?

06/06/2017

Eu tenho problemas com tudo # 24

Não sei se sou só eu, e se calhar até sou, porém acontece que com a minha peculiaridade já eu me habituei a lidar, mas custa-me muito sentir-me realmente lavada com essas espumas de banho em gel que agora aí se vendem com cheiro a comida. A de chocolate é coisa para só ter cheirado uma vez na vida, por curiosidade daquelas que matam os gatos, mas depois ele há uma panóplia extremamente variada de aromas que, oh tormenta!, se hão-de transformar em sabores, ou não fôramos nós um pouco gatos, lá está, e não tivéssemos uma irreprimível vontade de nos lambermos após uma banhoca que nos põe a pele a cheirar a tais odores. Vai do jasmim e manga ao leite e amêndoas, passando pelo leite e mel, coco [vá, sem circunflexo], laranja, pistachio e magnólia, frutos vermelhos, oliva [azeitona? Really?], iogurte e mel, framboesa, baunilha, romã, papaia, kiwi e uva, e já me cansei. Mas também não posso deixar de referir o já velho aveia, mas que raios, aveia? Uma pessoa lava-se com aquilo e, na verdade, não se sente lavada. Mas quem é que quer ficar a cheirar a um cereal que regula o intestino, pejadinho de glúten? Hum? 


Para quando o aroma brócolo e couve roxa? Ou o pepino e [era engraçado, mas não é esse que vou sugerir a combinar] beringela? Ou couve-flor e beterraba? Será o passo seguinte, o gel de banho aroma a pezinhos de coentrada? A favas com chouriço? A salmão à lagareiro?
Oh, senhores das marcas, se sois tão amantes da Natureza, ficai-vos pelo pinho, eucalipto, rosas, jasmim e outras florzinhas igualmente cheirosas. Se quereis ser originais, ide até ao jacarandá — que tem feito as alegrias visuais nesta cidade de tapetes lilases pintada e carros barrados a cola de contacto com aquela frágil flor lilás —, ou até às ervas aromáticas, que tão bem cheiram. Mas, por favor, desisti de nos tentar fazer cheirar a mosto, a moagem, e, em geral, a tudo o que engorda e ou nos põe a cheirar a comida. 
Mais vale uma pessoa não se lavar, se é para isto. 


19/05/2017

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 49


Logo eu, que costumo entreter-me a tirar o perfil de cada um, em função das compras que leva no carrinho.
Que tipo de pessoa se dirige expressamente — com pressa e com intenção — a uma grande superfície comercial para comprar isto?



1. Alguém guloso e também limpinho;
2. Alguém com desejos e também com cheiros na privada;
3. Alguém com um TOC relacionado com os sentidos do paladar e do olfacto;
4. Alguém com um TOC azul, que tudo o que compra tem embalagem azul;
5. Alguém que faz estranhas misturas;
6. Alguém sem nada para fazer;
7. Alguém que trabalha muito e precisa de desopilar em minudências;
8. Alguém que vai receber uma pessoa importante em casa e também se esqueceu de encomendar, na última compra, os benditos desodorizantes;
9. Alguém sem assunto sobre o que escrever, a quem lhe morre o blog sob os dedos todos os dias mais um niquinho/sobre assuntos-assuntos, não apetece de todo?
10. ~~~~~~~~~~

Tudo eu.

03/04/2017

And that awkward moment # 23

em que entras no supermercado, é-te distribuído um saco para ajuda à Cruz Vermelha, perguntas à senhora, de uma simpatia que só dá vontade de lhe dar logo beijinhos, o que é que está a fazer mais falta, ela te responde "Coisas para bebés", e parece que te ligaram um chip bebés-bebés-bebés, lá marchas para o corredor dos bebés, enches o saco — fragilíssimo e pequeníssimo, por sinal — até romper (true, true), [tanta coisa para se armar em boazinha e vir para aqui dizer que dá aos pobres e aos desvalidos], fazes as tuas compras, para teu lar, nas quais se inclui uma palete de doze rolos de papel higiénico, passas tudo na caixa expresso-rápida-saiam-me-da-frente, sais feliz, porém carregada como uma mula, numa mão a malita, a palete de papel higiénico e o saco para a Cruz Vermelha, na outra o sacão com as tuas compras, diriges-te hesitante, derivados aos pesos e volumes, à senhora, e ela estende-te os braços para te ajudar, dizes que É o que está no braço esquerdo [Reconhece que foste tu quem a induziu em erro!], ela recolhe o saco da dádiva, coloca-o no carrinho onde estão alguns mais, e depois pousa as mãos na tua palete?
Este é, precisamente, o momento em que tens que dizer:
- O papel higiénico é lá para casa, que estamos a precisar muito.
E fazes uma cara a condizer.
...
...
Tipo essa.


28/03/2017

Vencê-los pelo cansaço

Ligo para o apoio ao cliente, onde já me conhecem de ginjeira, mesmo não sendo eu de Óbidos. Tenho uma reclamação a fazer, como aliás acontece amiúde.
- Continente online, muito bom dia, fala o [Tiago, Ricardo, Daniel] [Silva, Sousa, Botas], em que posso ser útil?
- Bom dia, fala [Linda Blue]. É o seguinte: eu fiz uma encomenda online no dia 12, tinha um vale de 15% de desconto em cartão, com prazo para ser debitado entre o dia 13 e o dia 19, inseri o cupão no final da encomenda, fiz tudo bem, fechei a encomenda depois de escolher o horário de entrega e agora a encomenda não me chega a casa.

[clic.]

Volto a ligar, atende-me outro [Paulo, Miguel, Vítor] [Ferreira, Oliveira, Celeste].
- Bom dia, fala [Linda Blue]. Já disse ao seu colega ao que venho, mas acho que vou ter que repetir tudo.
- ...
- É o seguinte: eu fiz uma encomenda online no dia 12, tinha um vale de 15% de desconto em cartão, com prazo para ser debitado entre o dia 13 e o dia 19, inseri o cupão no final da encomenda, fiz tudo bem, fechei a encomenda depois de escolher o horário de entrega e agora a encomenda não me chega a casa. Ainda por cima, uma encomenda a ser feita a 12, com entrega a 13, e se o crédito só pode ser debitado a partir de 13, logo aí encontro-me numa desvantagem, tendo em conta que, se me fazem a entrega a 13, não posso ir a correr ao supermercado gastar o crédito logo a 13, ou seja, fico com menos um dia para gastar o meu crédito. De toda a maneira, vou gastá-lo até ao dia 19, assim ele me caia na conta, nem que seja em panos do pó, só que a questão agora nem é bem essa, é mesmo o facto de não só não ter a encomenda em casa como também, e aparentemente, os 15% ainda não constarem do meu cartão. Não me diga que me fizeram o que fizeram no Verão passado, que também tinha 15% em cartão, e depois o vosso sistema brecou à última da hora e eu vi-me e desejei-me para reaver o meu crédito, e digo reaver porque ele é meu. Foram telefonemas e mais telefonemas, acho que falei com os seus colegas todos, e consigo também, de certeza, que o seu nome não me é estranho, mas primeiro que mo creditassem foi um caso sério, até nem sei se chegaram a creditar, porque nem dei por ele nas minhas contas. É que eu gasto tanto, mas tanto, que já nem sei a quantas anda o meu saldo, até posso nem ter sido eu a gastá-lo, porque toda a minha família tem cartão, e anda sempre tudo a rapar de lá o saldo, antes que ele desapareça. Quer ver o que é que se passa, por favor? 
[Paulo, Miguel, Vítor] [Ferreira, Oliveira, Celeste] deve ter ido cortar os pulsos antes de me responder.
(Já me inseriram o saldo; já o gastei.) 

20/03/2017

Com os copos

Este post também se podia denominar 
ou então,
Pois, mas não chama. Chama-se como me apeteceu no momento em que digitei o título, com vista a atrair freguesia, que o movimento anda fraco, ninguém me liga, sou tão pequenina e já me dói a barriga. 
Até podia chamar-se
Era só ter-me lembrado.
(Eia, agora, tudo a vir cá ler, a achar que LB, aquele ícone, se emborrachou e veio cá contar...)

Não sei se alguém se lembra da celeuma aqui alavancada com aquilo dos copos do Continente*. Até veio cá uma azeda destilar, o que me deu para mais de demasiadas visualizações, e a porcaria do post que daí resultou é dos mais vistos de sempre. (Imagino que a própria se finou de alguma maneira, inquinada e seca, com o dedito ET cravado na tecla F5.)
Eu, por acaso, e como gasto lá na mercearia do Titio Mimi, acabei — tudo sem querer! — preenchendo o equivalente a seis cadernetas, que me valeram doze copos, para os quais tive que despender mil, novecentos e vinte euros, apesar de, na conta final, me terem surgido uns apenas modestos cento e vinte euros e não tenha pago rigorosamente euro nenhum. (Não sei se estais a acompanhar.)
A minha escolha voltou-se para os copos de água, pois que sou assim destas modéstias e não me pareceu, à cabeça, que os de vinho ou os de gin me fizessem assim uma falta inadiável no enxoval.
Apesar de ter passado a gozar de uma angústia nova, derivadas da perspectiva de se me partir um, aqueles doze copos fazem-me muito feliz: são de uma beleza redonda e oval, ficam sempre transparentes, independentemente do número de vezes que se lavem na máquina, e, sobretudo, são musicais. As minhas refeições passaram a ser acompanhadas ao xilofone, que é aquele som que sai da minha unhaca quando lhes bato com ela no vidro que diz que é cristal. (A ver se não musico com muita força e não me vai parar um deles ao chão, lagarto, lagarto.) Enquanto eles durarem, dura também a alegria de os ter. (Redundante? E redondo oval, também.)



*NMPPI

15/03/2017

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 48

O que quer dizer-me o Continente* online, o cosmos ou a vida, quando, pelo segundo mês consecutivo, se recusa a entregar-me os detergentes das máquinas da roupa e da louça? 
1. Que devo abster-me de lavar roupa e louça? 
2. Que, caso assim opte por, e ao fazê-lo, me aguarda uma época de grande contenção de despesas, ao nível não só saponário, como também aquático e eléctrico? 
3. Que o bedum e o resto de comida agarrada ao prato se suportam tão bem, que devia deixar-me de minudências domésticas? 
4. Que eu sou uma maluca manienta das limpezas e devia era preparar-me para uma situação de estado de emergência/ilha deserta/casa dos segredos?
5. Que há coisas mais importantes na vida do que a higiene?
6. Que toda a roupa e toda a loiça são recicláveis, no sentido que são reutilizáveis infinitamente, sem que, entre usos, seja necessária a passagem por — sequer — água? 
7. Que devo encontrar uma eco-alternativa e passar a usar roupa descartável e talheres idem?
8. Que está inventada a nova dieta Objectivo Biquíni 2017, que passa por ter nojo do próprio prato? 
9. Que está inventado o novo Movimento Naturista 2017, que passa por ter nojo da própria roupa?
10. Que não querem vender, logo ganhar dinheiro, logo prosseguir o fim para o qual a porra da sociedade que constituíram se obrigou?

(Já agora, também estou para aqui a fritar em óleo de coco [ai, o circunflexo que caiu, ai o cheiro do óleo...] esta dúvida: o que quer dizer-me o Continente online quando, pela segunda vez consecutiva em que posso descontar um talão de 15 % sobre o valor das minhas compras, o sistema lá deles breca no último momento, à última da hora, no último dia em que posso descontar a porra do talão, e ele expira!?)

* Ninguém me paga para me calar

14/12/2016

Das minhas associações de ideias # 13



Este é o tipo de tema com o qual preciso de ocupar a mente, quando ela já anda muito poluída e pouco polida.
Estava hoje a fazer umas compras cá para o lar, e aconteceu-me ter baptizado inadvertidamente um tipo de tomate. Sei que existe o redondo, sei que existe o chucha, sei que existe o cherry, ou baby. E que nome dar ao chucha pequenino? Chucha-baby, claro. Por associação com


E que toda a vida achei que o nome da pêra rocha se devia ao facto de a tal pêra ter a aparência de uma pedra e a dureza dos cornos de uma rocha? E não é que não? O seu criador de origem é que se chamava Rocha. Vá que não era Pereira. Ou Oliveira.


Acho que por ora é tudo.
Atentamente,


08/12/2016

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 47

Há cenas que são expressamente concebidas com vista a que eu tenha oportunidade de me indignar.
Os tachos, as facas, os Pyrexes, os Angry Birds, e agora isto.
Estou ali, que não faço mal a uma mosca, no meu modo mosca-morta-ó-morri (hah, era o eras!), não parto um prato, quanto mais um copo, e vem-me ela com a tanga da caderneta para ganhar copos. Diz que é juntar 16 (dezasseis!) selos, um por cada vinte (vinte!) euros de compras, e terei direito aos copos deles. (Ela disse "os nossos copos".)


Vai a tonta da aldeia que me habita a espaços, e questiona, oportuna:
- Os copos todos?
(Tipo tudo desirmanado, mas sempre eram a dúzia para o enxoval.)
Vislumbro o choque no semblante da petiza, após o que responde:
- Não... de apenas dois dos copos. 
- Dois? Só dois?
- Só dois.
- Mas que brincadeira é esta? Acham que as pessoas não sabem fazer contas? Então, se tenho que juntar dezasseis selos, cada um a representar uma despesa de 20 euros, significa que tenho que gastar 320 euros para ter... dois copos? Dois copos? Cada copo custa-me 160 euros? E eu até podia ser russa (disse eu, sem vestígio de fio de cabelo loiro, sem sinais de sutak bolshoi), e servir-me de um copo de vodka, e depois atirá-lo para trás das costas quando o esvaziar... 
De novo em choque, assentindo discretamente com a cabeça, que sim, que sim, quem sabe considerando que exerce uma profissão de alto risco, lá me deu dois selos — dois, pois, porque eu sou aquela pessoa que deixa lá 59 euros e traz para casa dois selos. Com vista à obtenção gratuita de dois copos. 
(E nem há os de vodka, pelo que Я определенно один человек, который никогда, ни при каких обстоятельствах, вы должны принять супермаркет)