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29/08/2018

Ai-fostes também não me tem em grande conta # 5

Ou então, sou eu que vejo poesia em tudo. 
Por coisas que só eu cá sei e a mim dizem respeito, às vezes sou bombardeada vilmente por spam, aquele parasita internético mal educado que, como tal, aparece sem avisar. 
Diz que podemos skip ad.
A mim calham-me coincidências desta natureza:


E associo com as minhas memórias mais remotas, mesmo à velho.



Assim, subreptícia e veladamente, mais um chouriço enchido com nada nem coisa nenhuma, ou Da arte de somar centenas de posts a falar de coise.

15/02/2018

€uros meus, má fortuna, amor desardente

Juro que, às vezes, julgo que fui congelada na época do escudo, e agora descongelaram-me, desactualizada. Um par de collants custar 12,95 erros (não, isto não é um erro) (ou seja, para mais de dois contos e quinhentos!) não é escandaloso? Então e três pares, para aproveitar uma "promoção", e a conta ultrapassar velozmente os seis contos de reis?
(É sinal que estamos vivos? Não, é sinal que continuamos — mesmo aqueles que já não se lembram do escudo — cerebralmente condicionados por preços irrealistas. Doze euros e noventa e cinco cêntimos tem todo o ar da graça de um conto e trezentos. Pois, mas é o dobro.)

Não sei se já ficou aqui suficientemente clara a evidente incompatibilidade que eu tenho com quase todas as vendedoras da loja lá onde compro as meias. Percebo o papel que assinaram e agora cumprem, acredito piamente (e ateiamente também) que terão uma comissão por cada par vendido, mas não consigo perdoar a falta de noção, a insistência, a rudeza com que encaram um simplório não. Antes ter mais cinco filhos e atravessar aquela fase em que o nosso não é nim e se deixa vencer até ao sim por cansaço e o deles é não-não-não.

[Esse grande filme que dá pelo nome de "O Rei Leão" — que, shame on me (qual quê, vergonha é roubar e não poder carregar), foi o filme que mais vezes visionei na vida (acreditem se quiserem, mas passou das quinhentas), e, se aspirar a morrer com níveis minimamente aceitáveis em termos intelectuais, vou ter que pegar num Padrinho qualquer, fechar-me numa sala durante um ano e meio e só assim ultrapassar o Disney, tudo isto para que da minha lápide não conste "Aqui jaz a maluca que viu 'O Rei Leão' foi para mais de quinhentas vezes" —, dizia eu, que começa exactamente por uma cena onde um leão mau (Scar, dos mais deliciosos vilões da Disney) diz a um ratinho: "Oh, a vida não é justa, pois não?". Nada justa — nunca atravessada pela espada da Justiça.]

Assim estou eu com a p. da paciência que já não tenho para o esquema possoajudar?-querounscollants-nãoqueraproveitarapromoção?
Não, não quero aproveitar a promoção. Primeiro, porque não é uma promoção, não é uma vantagem temporária que, com o decurso do tempo, desaparecerá. Está lá sempre, há anos. Segundo, porque fico perdida em raciocínios esdrúxulos. É por isso que travamos diálogos desta riqueza verbal:
- Não, quero mesmo só os collants.
- Assim, levava três pares e tinha 20% de desconto no terceiro par.
- Não percebi o seu raciocínio.
- Em vez dos 12,95 que lhe custa um par, leva três por 31,08.
- Sim, mas isso não são 20% sobre o terceiro par, e sim 20% sobre os três pares, o que é mais vantajoso do que aquilo que me disse.
- ... [olhos para o tecto] Pois, fica um pouquinho menos do que se levasse os três pares sem desconto...
- E um muitinho mais do que se levar só os collants que lhe pedi quando aqui entrei.
Quer dizer, parece que querem fazer da pessoa humana a antipática de serviço, a incapaz de perceber uma conta tão simples, a forreta do collant, a pobre que só pode comprar um par de collants de cada vez. Então, e se fosse? Será que se esquecem que, no limite, um ser continua a deter a grandessíssima liberdade de não comprar nenhum par? Pôxa, pá, eu sou a Charlie do collant!
Fica a questão, premente.

28/11/2017

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 51

Isto do supermercado, digam-me vocês, é como as obras, não é? 
Não, não é um problema derivado de Santa Engrácia, mas também um nico: aquilo que poderia demorar dez minutos, transforma-se tranquilamente em sessenta, certo?
Mas minha analogia vai mais longe: o verdadeiro e quase único problema das minhas deslocações ao supermercado é o "já agora". Tal como nas obras: vais refazer uma casa-de-banho? Já agora, pinta a casa toda. Vais arrancar a banheira? Já agora, arranca o bidé. (E não, por favor não os troques de lugar, simplesmente desfaz-te do bidé como se jamais tivesse ele existido na tua vida; já agora, põe no lugar dele um bom toalheiro eléctrico.) Vais pintar a casa? Já agora, muda as tomadas, que estão velhas e feias; muda também os interruptores todos, já agora; e, já agora, compra maçanetas novas para as portas, que ideia a do construtor — anos 90 do milénio passado... —, essa das maçanetas de porcelana. 
Vou para comprar pão, ingredientes para legumes à Brás — cenoura, caldo verde, batata palha, ovos — e mais o quê? Nada, a memória fez o favor e a (des)graça de limpar tudo o resto. Improviso uma lista em cima do volante, mal estaciono. Lembro-me de sumo; lembro-me que a fruta acabou outra vez (oito quilos de fruta comprados na sexta-feira passada, mas imagino que tenho coelhos em casa); lembro-me que o puré de castanhas (dois quilos de puré) está a acabar, mas que, à custa e por conta (e risco) dele, estou para ser eleita a Melhor Mãe do Mundo, e não quero perder a habilitação. Já agora, ponho mais dois quilos na lista. E natas de soja, para misturar no puré. Já agora, dois pacotes. Isso premeia-me com duas colheres saladeiras de plástico verde-alface, que também voam para o cesto.
Já agora, compro também ingredientes para o jantar: camarões e delícias do mar, para fazer com massa preta; não me lembro se tenho coentros em casa, mas não vou buscar, porque já estou muito carregada; já agora, levo fruta para mais dois dias, e aí vão seis quilos para o cesto (que lhe/me vale ter rodinhas); já agora, levo couve-flor para gratinar com queijo ralado; já agora, o queijo; ah, é verdade, ainda bem que me lembrei que faltam cereais. Só não sei para quantos, já agora, e à cautela, levo três caixas; recebo um sms a dizer que, já agora, podia levar líquido de limpeza para a casa-de-banho. É melhor levar, não vá acabar o mundo amanhã e aquilo ficar tudo num esterco.
Recuso-me a, já agora, levar iogurtes para mim; fruta da que eu gosto; um verniz(inho) que seja.
E saio, com os habituais oito quilos de compras ao ombro. Já agora.

14/08/2017

The girl next door # 11

Isto também podia chamar-se And that awkward moment, mas foi tão micro que nem merece o título. Ou então, Eu tenho problemas com doidos, por tudo. Ou, em alternativa, As lágrimas amargas de Petra Von Kant, sei lá porquê.

Tenho-lhes aturado tudo, só porque moramos sob o mesmo tecto. Mais valia morarmos sobre.
No meu andar, porém atrás de outra porta, moram mãe (viúva) e duas filhas adultas. Sempre todas vestidas de negro, não falam, não respondem, sequer dialogam umas com as outras na rua, marcham, lentas e pastelonas, em fila indiana, não acendem as luzes do prédio, movem-se pela sombra, que não fazem, pois serão, elas próprias, sombras de si mesmas. Mas eu não desisto de entabular.
Coincidimos no hall dos elevadores, ela tinha a porta aberta e assomava-se de lá um gato. E disse eu assim:
- Ohhh, que bonita. É uma gata?
- Não, é um menino.


Ora, vamos lá a ver: não foi isso que eu perguntei. Não é que eu tenha alguma coisa contra chamar menino ou menina aos animais. Mas, quando perguntei se era uma gata, queria saber se era uma fêmea de gato. Mal comparando, esta numenclatura está para mim como a esposa está para a mulher. Quando ouço alguém falar-me da sua esposa [alerta parolo], também não lhe respondo a sua mulher, sob pena de ofender superiormente os pergaminhos do esposo. No fundo, albardo o burro à vontade do dono. Se eu perguntei É uma gata?, e ela me respondeu Não, é um menino, com a mesma legitimidade e razão de lógica poderia ter respondido Não, é uma vaca. Ou então, Não, é um boi.
Compreendem?
Eu também não. Principalmente porque depois faço associações mais ou menos (in)felizes.

José Eduardo Agualusa
[Eu sei que já postei esta história. Tende lá paciência, que eu também tenho que ter.]

24/07/2017

Ai-fostes também não me tem em grande conta # 1

Sondagem encerrada, vencedora a hipótese "Outro (mas qual?)", decidido democraticamente (por mim) fica que o (ainda tão) bom telemóvel novo se chamará Ai-fostes.

Proporcionou-me hoje, mesmo sem ele querer, esta bela mensagem,



num momento em que eu, digamos, já lá tinha estado. É o lembrete para memória futura daquilo que já ocorreu no passado, pese embora recente. Nada confuso, podemos — o remetente da mensagem e eu — estar a viver em paralelos, ou em realidades, diferentes. Ou então, possibilidade sempre a considerar, fui investida no dom da invisibilidade, do esquecimento e ainda da propriedade de fazer parar o tempo. (O relógio, não o clima, embora também desse jeito abrandar um nico esta ventosa.)

Até me lembrei disto:

(Eu sei que faço associações de ideias um pouco esdrúxulas.)

14/12/2016

Das minhas associações de ideias # 13



Este é o tipo de tema com o qual preciso de ocupar a mente, quando ela já anda muito poluída e pouco polida.
Estava hoje a fazer umas compras cá para o lar, e aconteceu-me ter baptizado inadvertidamente um tipo de tomate. Sei que existe o redondo, sei que existe o chucha, sei que existe o cherry, ou baby. E que nome dar ao chucha pequenino? Chucha-baby, claro. Por associação com


E que toda a vida achei que o nome da pêra rocha se devia ao facto de a tal pêra ter a aparência de uma pedra e a dureza dos cornos de uma rocha? E não é que não? O seu criador de origem é que se chamava Rocha. Vá que não era Pereira. Ou Oliveira.


Acho que por ora é tudo.
Atentamente,


17/10/2016

Das minhas associações de ideias # 12

Às vezes, ando pela blogosfera afora, à procura de mim, e lembro-me de uma doente da minha mãe, que ia todos os dias consultar a necrologia dos jornais, a ver se já tinha morrido.

[Esta não era para ter piada. Chiu.]


17/02/2016

Das minhas associações de ideias # 10


Isto bate-me logo às 10 da manhã. 
Leio clínicas dentárias e branqueamento e interligo.
E depois imagino, sem querer, se nuestros hermanos dentistas son capaces de praticar una fraude en nuestros dientes, ya que los branquean tan limpio.

[Já o aviso amarelo não me deu mais associações com dentes — menos mal.]


02/10/2015

Das minhas associações de ideias # 7

Estou a pensar em entrar em retiro espiritual e — até eu me pasmo! — também físico. Estes dias, até às eleições, andam a dar cabo de mim, raparaparaparaparaparapará.
Só me saem coisas destas:






18/09/2015

Das minhas associações de ideias # 5

Non sense everywhere, ou eu tenho problemas.
Imaginemos uma sala cheia de gente, onde está ligada uma televisão. (Agora chama-se LCD, ou plasma, ou monitor, e fala-se de polegadas). Estão muitas pessoas, algumas delas bastante idosas.
Penso que a escolha dos anúncios e o alinhamento da publicidade devem ser mais ou menos aleatórios, ou poderá mais ter a ver com questões económicas — o horário dos reformados, o horário das mamãs, o horário das crianças, o horário dos adultos (mamãs incluídas, calma) — do que com assuntos propriamente ditos. É de manhã, e é suposto passarem anúncios de cadeiras elevatórias para as escadas, tratamento de plantas, detergentes, colas para as placas dentárias, etecetera.
...
Mas passa o do Gino-Canesten.
Tudo bem.
...
Depois passa o do Super Gang dos Frescos, do LIDL, em que aparece o cogumelo a conversar connosco.


E eu faço uma associação de ideias.
...
Eu sei que é triste, mas fi-la.
E depois... depois, eu já tinha sossegado os diabinhos que me povoavam a mente, e veio outro anúncio.
Durex.
...
Durex Connect.
...

24/08/2015

Das minhas associações de ideias # 2

Tenho sono.
Os vizinhos de cima discutem até altas horas da madrugada. Ouço estrondos lá no inferno, enquanto ele grita desalmadamente, o que me leva a crer que está para breve o dia em que me têm à porta e à perna, ou que meto pés ao caminho e a Porca torce o rabo (a um deles, ou, se estiver bem disposta, aos dois). Capaz até de chamar as autoridades, que é sempre de bom tom invadir o cortiço dos outros escoltada, não venham de lá com aquela treta da colher e de que entre marido e mulher e eu ai, desculpe, não sabia que eram marido e mulher, pensei que fossem cão e gato, Bobi e Tareco, esta minha cabeça já não é o que era.
Por isso, acho que hoje, ao contrário do que é costume, não me vai sair nada de superiormente inteligente, porque só me passam almofadas e melodiazinhas de caixa de música pelo neurónio sobrevivo.
Então, acordei e pensei no meu spray desodorizante para a casa-de-banho.
Eu costumo comprar um que diz que cheira a brisa marítima. Não é bem ao que fica a cheirar, mas vá que é aproximado, se imaginarmos que é possível existir um qualquer mar que se espraie numa ETAR. 
Acontece que a chafarica do tio Mimiro, ao cabo de largos anos de receber o equivalente a um salário na minha compra mensal online, e cansados que hão-de estar por eu nunca escolher aquilo que eles chamam preferências de substituição (estava bem arranjada, em 50 ou 60 artigos, decidir quais haviam de me trazer, caso não tivessem os meus no armazém. Oh, pá, não têm, vão à pesca, que a minha vida não é só isto, e a seguir pediam-me as preferências de substituição das substituições), este mês, por sua excelsa auto-recriação, substituíram o aroma de meu spray do cagadócio por um que responde pelo nome de pomegranate. Um susto. Eu, muito mais gálica do que anglo-saxónica, faço uma tradução livre, leve e loira, e leio batata-granada. Mas acalmei-me e usei-o, tendo ficado com a casa-de-banho a cheirar não a romãs (agora a sério, fabricantes de aromas pós-defecação, o que vos ocorreu quando criaram o de romã? Romã? Eu pergunto mais devagarinho: romã? Pois. E depois a maluca sou eu), mas a sumos de morango em pó, ou uma porra muito corantes-e-conservantes, muito anos 70's. 
E não consigo deixar de fazer a feliz associação bomba com bomba, de cada vez que largo a granate do sprayzinho a soprar o ar...

04/08/2015

Das minhas associações de ideias

cada vez mais absurdas.
O tempo passa por mim, a correr. E diz-me, irónico, hás-de chegar aos cem.
Parvo. Quer dizer sem.

Cascais

António Costa quer ser presidente. E repete ao povo, sedento, emprego, emprego, emprego (ópio, ópio, ópio). Isso fica na memória, dizem-lhe os assessores de imagem, que também vendem detergentes. Uma mentira mil vezes repetida, dizia Goebbels).
Depois rasga-se o pano de papel e fica prego, emprego, emprego.
Uma vaga, um emprego, prego-te.
Um prego.
Prego no deserto.
Povo que lavas no rio
E talhas com teu machado
Prego.


22/05/2014