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05/04/2016

Deslarguei esta frase # 35

Contextualizando: eu sempre fui do neologismo. Da metáfora, do eufemismo, é certo, mas o neologismo sempre me acendeu néons cá no cerebelo. Gosto de criá-los, depois libertá-los, aventá-los ao vento, fazendo deles linguagem corrente, ao sabor e cheiro da corrente. A língua portuguesa, já de si tão rica e cheia de pedras preciosas (já para não falar das pérolas que se ouvem d'adonde em d'adonde), é também tão elástica, que é passível e possível de esticar, fazendo nascer, por partenogénese, novas palavrinhas — às vezes, coitadinhas, muito próximas de palavrões, embora, vá, sem a carga inerente. 
Também gostei sempre muito de ditados e expressões populares, mas oh, eruditos da nossa praça pública e da privada, antes que me aventem com o peixe à cabeça, deixai-me explicar: os ditados e as expressões povinas são isso mesmo — um reflexo, um refluxo, uma amostra, uma denúncia da génese e do âmago. E contêm, em si mesmos, grandes verdades, daquelas insofismáveis. 
Tudo isto para explicar — mais a mim mesma, a quem devo os mais meticulosos esclarecimentos — que, assim como com as palavras, eu sou aquela pessoa que consegue juntar duas expressões populares, e fazer delas uma só. E com lógica.

Já não me chegava a do bom bico.
Ontem quis dizer que, apesar de ser teimosa como a mula da cooperativa (ou não fosse insuportavelmente fêmea), também consigo (reparem na utilização do verbo. É um esforço que a pessoa faz) dar o braço a torcer
E a simples utilização do verbo torcer deve-me ter torcido o neurónio sobrevivo.
Com aquilo da porca, que torce o rabo.
Ou terei tido um súbito ataque de saudades da minha Porca?
Não sei o que foi, mas vou mandar para análise. O que é certo, é que disse, com o ar mais sério que consigo forjar no dia a dia das pessoas crescidas em que me insiro:

Eu também consigo dar o rabo a torcer.

[óié]

24/03/2016

Deslarguei esta frase # 34

Precisei de uma caneta e não encontrava nenhuma das 389 que trago na mala. Ela emprestou-me uma BIC, assinei o que tinha a assinar, e já me ia embora, de BIC na mão, quando ela me chamou a atenção, dizendo que a caneta lhe pertencia. E com a observação, Ainda se fosse uma Parker...

Por acaso, não. Mais depressa roubava uma BIC. É que sou alérgica aos metais, portanto, Montblanc, Sheaffer, Cross, Parker, Parkinson ou... Alzheimer, todas me deixam cheia de comichões. 

E parti, doce parola — tinha começado tão bem a frase, tinha que descambar para a bandalheira.


11/02/2016

Deslarguei esta frase # 33

Só eu sei por que é que me meti numa consulta de nutrição. Don't ask.
As outras pessoas também vão ao oftalmologista, não vão?
E ao dentista, não é?
Então, fui.
E sei que, a páginas e penas tantas, disse assim:

A mim, a tristeza faz-me perder o apetite, felizmente.

20/06/2015

Deslarguei esta frase # 32

Posso ser a nova [novidade, não juventude — que isto fique claro, de uma vez por todas] Lili Caneças, e não sei...

(Ou foi o little pink moment of the day...)

Diz-me ela assim para mim:

- Estava um mosquito a afogar-se na água do lava-louças e eu salvei-o de morrer afogado.

Orgulhosa, quase comovida, dir-se-ia mesmo feliz, por verificar que o respeito pelo valor vida está a ser tão bem ensinado, respondo:

- Eu também faço isso. Não suporto vê-los a afogarem-se, debatendo-se pela vida.

- Depois fui pô-lo à janela, para ele poder voar, mas acho que tinha uma asa partida, e não voou.

Absolutamente esmagada de júbilo educacional, profiro, gloriosa:

- Olha, mas mais vale viver com uma asa partida do que morto.

[I rock]


26/05/2015

13/05/2015

14/04/2015

Deslarguei esta frase # 28

A maior parte das pessoas adopta um determinado comportamento social e legalmente aceite, não porque o considerem correcto, mas sim porque receiam, caso não o cumpram, a respectiva sanção da lei... e da lila...

04/04/2015

Deslarguei esta frase # 28

Por associação de ideias entre as palavras sorte e vaca (pelo uso popular da expressão Tu tens cá uma vaca), proferi esta pérola, dirigida a uma pessoa amiga, do sexo masculino (pormenor que não se deve subestimar, para que se perceba a dimensão da gaffe) cuja vida profissional tem vindo a conhecer algumas melhorias nos últimos tempos:

Sou eu que te dou vaca.


(Tenho que parar de usar termos alternativos)

03/04/2015

Deslarguei esta frase # 27

Aquelas pessoas que não conseguem dizer salsicha sem dizerem xalxixa, como é que dizem salsicha de soja? Xalxixa de xoja?

02/04/2015

Deslarguei esta frase # 26

Entre parêntesis rectos, a frase que me foi dita por uma pessoa que eu tenho o privilégio de guardar dentro do coração, atravessada ao comprido, e que é, para além disso, uma grande sábia. Depois, a minha, que só faz sentido no seguimento da dela.


[No final, temos que nos despojar do que sabemos, para nos tranquilizarmos, de novo]

Só isso explica a demência, suprema sabedoria. Ou Princípio de Peter, que equivale quase ao mesmo.

31/03/2015

Deslarguei esta frase # 25

O enxofre é um poderoso adubo para o desejo de vingança. Experimenta enxofrares uma pessoa e depois conta-me em que estado é que ela regressou à tua vida.

30/03/2015

Deslarguei esta frase # 24

Quando bates no fundo do poço, és invadido pela ilusão de que, por esse facto, vais começar a subir, pelo impulso dos pés, e, a pouco e pouco, emergir. Mas isso nem sempre acontece. Há situações que parecem obrigar-te a que, não bastante teres batido no fundo, ainda fiques a esgatanhar por ali, a ver se consegues descer mais baixo. Por isso, quando me dizem: "Deixa lá, já bateste no fundo, agora é sempre a melhorar", fico sempre a pensar: "Olha que não, ainda me falta esgatanhar no fundo".

23/03/2015

Deslarguei esta frase # 23

A ironia fina, às vezes até um pouco intimista e a tocar as raias da ternura, é uma arte que só a inteligência permite praticar. Quando esta última falha, qualquer tentativa da outra se transforma num discurso de fel, sem objectivo nem objecto, que tem como consequência última o próprio envenenamento de quem o profere.

21/03/2015

Deslarguei esta frase # 22

Mas por que é que eu não hei-de atirar pessoas e coisas para os rascunhos, se, às vezes, também vou dar comigo toda amachucada no cesto dos papeis? 

15/01/2015

Deslarguei esta frase # 21

No seguimento do post anterior - esta é uma forma mais que subreptícia de vos obrigar a ler outro post, ai que má -, estava eu a relatar o que tinha ouvido acerca de ter Júpiter em mim, ainda mais este ano, e diz-me ela, querida conhecedora máxima de todos os assuntos, do auge dos seus vinte anos:

- Ela o que quis dizer é que tu tens Júpiter em ti, algures no momento do teu nascimento. Nem que seja no cu de Judas.

- O mais certo é ser no meu cu. 

Fizemos ambas pausa para respirar a carga informativa desta afirmação. Mas eu ainda não estava satisfeita.

- Pessoal, tenho Júpiter no cu!

13/01/2015

Deslarguei esta frase # 20

Lavar sanitas é uma arte!

Eu proferi isto. Mas é que é.
Algumas profissões, como a de empregada doméstica, ou de limpezas, vão ser sempre classificadas como mão de obra não qualificada, não só porque não requerem especialização nenhuma, como também, quem as exerce, não apura técnicas, não estuda métodos, não busca melhorar resultados.
E não é qualquer uma que lava uma sanita a preceito, até ela ficar, passo a expressão (e a imagem mental) "de se lamber".
Ele é desconhecerem que existe a zona de louça que fica atrás do tampo, ele é esquecerem-se de esfregar o interior do rebordo a toda a volta, ele é fazerem tábua rasa da existência do pé da sanita. 
Sabem vocês qual é a zona mais suja das sanitas (especialmente nas casas onde há homens)? É o lado de dentro do tampo. Esse mesmo, o que eles levantam e depois regam com o carinho com que um jardineiro... ou é quando acabam... naquele momento... que salpicam...

Por falar nisso, um dia conto-vos como foi a minha primeira vez, quando fui meter gasolina. Há coisas que já se passaram comigo, na minha vida, que eu prefiro não ir procurar ao youtube, porque existe uma possibilidade de...

Post formativo, em parceria comigo mesma e com os meus botões


06/12/2014

Deslarguei esta frase # 19

Meti o carro num parque de estacionamento aberto ao público que, enquanto eu ia e vinha, fechou. 

À entrada, dizia que funciona das 8:00 às 20:00, sem distinguir dias úteis de fins-de-semana e feriados. Entrei e tirei o papelote. Quando voltei, 14:50, parque fechado. Portão de grades fechado. Portas de acesso a peões fechadas. Ninguém lá dentro. E eu sem ter almoçado ainda. Telemóvel desligado por falta de bateria. Telemóvel de emergência com uma tiquinha de cêntimos no saldo. Ligo para um S.O.S. dos meus, que me consola com um "Tu tens cá um karma...".

- Não, eu tenho é karmalho.

02/12/2014

Deslarguei esta frase # 18

- Ela tem uma maneira esquisita de dizer "caixa". Diz "caxa".

- Como é que achas que ela diz a palavra "pachaicha"?