I wonder why.
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21/09/2016
27/11/2015
Mas ninguém cala este homem? # 8
26/09/2015
Mas ninguém cala este homem? # 7
Senhor director, desculpe, posso entrar?
Ai, desculpe interromper a sua higiene nasal, mas é que isto é importante.
Não, não me quero sentar. Ainda estou um bocadinho abananada — parece mesmo que levei com um cacho de bananas na testa, sabe? — e prefiro ficar em pé, que é como diz que as árvores morrem. Olhe, eu estou morta de susto.
Ia ali a passar na redacção e esbarrei-me de frente com o draft, sabe? Foi sem querer, mas não pude deixar de ler a sua crónica. E até ia embalada naquela história do rei Salomão, quando fui acometida do tal assombro.
A minha mãe já me tinha contado da lenda, olhe que coisa. Parece mentira, agora admitir rachar uma criança em duas. Só uma maluca é que havia de se lembrar de permitir tal solução. Está bem de ver que não era a mãe a sério, a do parir é dor. O que vale é que uma delas era mesmo a mãe, senão ainda eram capazes de discutir se faziam as metades do miúdo no sentido longitudinal ou latitudinal.
E foi giro, vê-lo tentar um paralelo entre essa lenda e a política de Passos. Eu gosto de metáforas, de alguns eufemismos e de quase todas as alegorias. Nem sempre as entendo, mas isso já são outros quinhentos, e eu ainda nem aos cem cheguei.
Mas não é isso que me traz aqui. Ou melhor, é e não é. Então não é que me deparei com um lapso seu? Uma gralha, certamente. Terá que dar na cabeça do adjunto. Só pode ter sido ele que deixou passar, ou mesmo que fez de propósito para lhe inquinar o texto aos olhos das chatas das gralhas como eu. Ó ié, sei que falo muito.
Se calhar, agora dizia ao que venho e ia-me já embora, antes que o senhor me acuse de perseguição pessoal, tentativa de impedimento da liberdade de expressão de outrem, ignorância quanto ao uso de recursos estilísticos, ou outro palavrão maior, que eu não sou dessas e deslargo já o seu hebdomadário, antes que me venham cá com rótulos.
Ó senhor director, era aquilo de uma mãe dizer ao rei que desse o menino vivo a ela.
Veja lá isso. Não queria antes dizer dai-lhe o menino vivo e não o mateis? Ou dai-lhe a ela o menino vivo e...?
Dar a ela, senhor director?
Puxa...
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| Jornal Sol, 25.09.2015 |
19/09/2015
Mas ninguém cala este homem? # 6
Esta é mais grave do que a anterior, mas não tem a ver apenas com o facto de se relacionar com a imagem da criança curdo-síria afogada numa praia turca, que, já por si, tem o impacto que tem.
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| Revista Tabu, Jornal Sol, 18.09.2015 |
De resto, esta imagem já foi tão tratada, tão copiada, tão desenhada e depois redesenhada, tão reconstruída em areia, que, qualquer dia, aparece para aí uma teoria da conspiração a defender que se trata de uma montagem e ficamos todos mais descansados, porque até preferimos sentir-nos manipulados do que imaginarmos que existem mesmo homens maus. Outro dia vi a imagem da criança photoshopada para dentro de uma arena romana, e porra. Não me ocorre mais nada perante tanta cabotinice junta na mesma intenção gráfica, especialmente pelo mau gosto — desgosto — do resultado.
Aqui, chateia-me a legenda.
montes de cadáveres
Eu quero crer que JAS não quis dizer isto. Não associou o substantivo — porque não é na forma verbal que aqui aparece o montes — a cadáveres. Não quis dizer montanhas de cadáveres. Não quis dizer pilhas de cadáveres. Nem resmas deles. É que não pode. Eu não deixo, porque não se me encaixa.
Mas também não sei muito bem o que é que quis dizer. Faltaram-lhe o artigo definido e a preposição? E seria Esta imagem fez mais pela causa dos refugiados do que as de montes de cadáveres? Também não pode ser. Redunda no mesmo. São montes, senhor.
É o montes que está a mais. É o montes que me incomoda.
Talvez JAS tenha querido dizer, simplesmente, muitos: Esta imagem fez mais pela causa dos refugiados do que as de muitos cadáveres.
Embora menos, continua a soar-me mal, mesmo sem o montes. Ou os montes.
A substituição de muitos por montes costuma utilizar-se num contexto totalmente diferente deste, numa linguagem verbal que nada tem a ver com a jornalística, ainda mais em se tratando de um artigo tão sério: montes de bem, montes de chique, montes de completamente, montes de realmente, montes de tio. Um substantivo a fazer as vezes de advérbio, por graça, por snobeira, por cagança. Não numa descrição que se quer isenta e objectiva.
Montes de estupefacta.
Mas ninguém cala este homem? # 5
Obriga-me a associações de ideias desengraçadas, porém persistentes.
(E não, não sou eu que embirro com ele. Ele é que embirra comigo.)
(E não, não sou eu que embirro com ele. Ele é que embirra comigo.)
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| Jornal Sol, 18.09.2015 (imagem gentilmente cedida) |
Doidas andam as galinhas para pôr o ovo lá no buraquinho, Avô Cantigas
Ou será o eleitorado um ovo de Colombo, mistério resolúvel através de um raciocínio básico, mas cuja solução, milagrosa e mirabolante, apenas JAS descobriu?
05/09/2015
Mas ninguém cala este homem? # 4
22/08/2015
Mas ninguém cala este homem? # 3
Por acaso, vem mesmo a propósito. Tinha aqui alinhavado um post há umas semanas, sobre esta questão do sms. Ora, aqui está a prova em como isto é verdade.
Para os outros, não sei, mas, para mim, sms é masculino. Todos os nomes de letras são masculinos. Nós dizemos O ÉSSE. O ÉME. Uma sigla composta por três letras, faz todo o sentido que seja considerada no masculino. Mas não é isso que lhe determina o género, na minha cabeça obstinada, que é para não lhe chamar teimosa, casmurra, ou outra coisa qualquer terminada em urra. Também não dizemos o RTP, nem a PSD. O que, verdadeiramente, determina o género à sigla sms, é o substantivo que a compõe: tanto em short message service, como em short message system (parece que a doutrina se divide neste S), o substantivo (serviço ou sistema) é masculino na língua portuguesa. Assim como na RTP ([emissora — substantivo feminino — de] rádio — substantivo de dois géneros; televisão — substantivo feminino) e no PSD (partido — substantivo masculino), a masculinidade é inerente à sigla sms, precisamente pela mesma ordem de raciocínio.
Portanto, ao contrário do que defende JAS, que ninguém cala, semana após semana, eu não tenho dúvidas (e raramente me engano) de que sms se diz O sms. No entanto, reconheço que, num único ponto, num micro-pontinho, me assemelho a ele: a mim também ninguém me cala. Só que eu tenho razão.
Revista Tabu, Jornal Sol, esta semana, pp. 72
20/08/2015
Mas ninguém cala este homem? # 2 - Parte II
Blue sempre à frente da imprensa de renome internacional...
Não, não era bem isto, mas também não anda lá longe.
Tive acesso a uma Caras, aquela revista. Assentei o codril numa esplanada e ela veio ter comigo, enquanto bebericava meu café, na santa paz dos senhores que fingiam ler jornais daqueles dos quais fujo a sete ou oito pés, e como o diabo da cruz, pois, que diabo!, tenho medo, e quem tem medo é porque tem o tal codril. Vêm eles pejados de notícias de morte, ontem três jovens, diz que foi lá para o sotavento, na 125 azul, toda negra, ainda antes outros três, três passarinhos a voar nas bicicletas, veio o homem mau e caçou-lhes as asas, barlavento a cores escuras. Não quero saber de mais nada que me aniquile a trégua e me corrompa a paz. Folheio-a com o redobrado interesse de quem não lê nada para além dos bonecos e, à falta deles, se detém uma média de cerca de dois ou três milionésimos de segundo por página, abstendo-se do exercício de se perguntar, a cada imagem, quem é este?, ou, em alternativa, quem é esta?, por já conhecer a sua auto-resposta — são toda a gente, tu é que és ninguém, Frei Luís —, diz um que deixou de beber pela oitava vez, diz a outra que quer ter um filho para o ano, dizem os outros que estão mega-felizes e vão mega-casar não tarda nada, e, não sabem se ainda antes ou já depois, ter um mega-filho para celebrar tanto mega, pois eu fico contente, aliás, mega-contente por eles, sejam lá quem forem, pois têm tantos dentes e aquilo deve ter saído uma carestia, tão alinhavados, retintos a branco, a fazer um contraste bonito com a 125 negra da vida dos outros (deve ser por isso que há quem diga que a vida é a preto e branco), a brilhar de mega-felicidade, eu cá gosto, pelo menos não faço armistício e posso continuar a olhar para a vida e a vê-la a azul e azul.
Não era nada disto que eu vinha cá dizer hoje. Perco-me nos meus atalhos esponjiformes.
A Caras anda a ler-me.
Ou não — claro — e, ao contrário do que diz a outra, há coincidências.
Era mesmo só isto. Mas marcar tudo e carregar na tecla delete custa-me mais ainda do que carregar em 'publicar'.
07/08/2015
Mas ninguém cala este homem? # 2
Esta semana, brinda-nos com uma crónica inteira com apreciações acerca do casamento de Jorge Mendes, empresário de futebol (para quem, como eu, não sabia de quem se tratava).
Jornal Sol, revista Tabu, hoje (pp. 72 e 73)
José António Saraiva
Eu percebo que isto é uma foto e, portanto, o texto pode estar ilegível. Mas traduzo:
A noiva, apesar de já não ser imaculada, apareceu vestida de branco — num vestido desenhado por si, que desiludiu a crítica especializada. E já não sendo uma jovenzinha, mostrou apreciáveis atributos físicos, o que não espanta: tudo naquele casamento tinha que ser 'em grande'.
Isto é tão insultuoso. É tão desastrosamente ofensivo. É tão maldoso. É tão intencionalmente agressivo.
O senhor deixa-me sem adjectivos. E aquilo que transcrevi é um mero parágrafo de um lamentável texto de duas páginas.
02/08/2015
Mas ninguém cala este homem?
Semana após semana, aturo-lhe os dislates.
Não sou eu quem compra o jornal Sol, porque, se fosse, já não era há muito tempo. Não me apetece continuar a dar dinheiro para um jornal dirigido por esta pessoa.
Revista Tabu, p. 73 (jornal Sol, esta semana)
Depois das tristes (para ele) opiniões que emitiu acerca da vida privada da jornalista Marta Leite de Castro (verborreia que o jornal já retirou da sua página, quanto mais não seja pela celeuma que levantou), e, posteriormente, da actriz Alexandra Lencastre (em que só faltou incitá-la ao suicídio — alô, Zé, isso é crime, previsto e punido pelo Código Penal português!), continua a escrever alarvidades como estas que aqui vos deixo, numa lamentável e indesculpável confusão entre direitos dos cidadãos (constitucionalmente consagrados) — caso do casamento, que pode ser celebrado com quem se quiser, desde que não haja qualquer impedimento de um dos cônjuges, sendo que um deles já não é a igualdade do sexo com que nasceram —, com a prática de alguns crimes — como o são os insultos ao Presidente da República. Tudo no mesmo saco, tudo pecaminoso, tudo fazendo a democracia (pergunto-me se JAS conhece o significado do termo) morrer, por corrosivo e desagregador.
Isto parte de um homem que se diz de esquerda.
De que lado estarei eu, então?
E, já agora, qual é o problema deste senhor com as mulheres? O fogo do inferno?
Este, assim mesmo:
Frollo dos genitais.
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