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08/11/2021

Leave me breathless

Já aqui me insurgi, não contra, mas a propósito do despropósito que constituem as campanhas daquele hipermercado que responde por um nome começado por Conti e terminado por nente, e que nem foi capaz de adaptar o nome ao estaminé quando se instalou nas nossas ilhas.
Cá vai mais uma, que, como sempre, não passa de um exercício de matemática simples, tipo quarta classe, como se dizia no meu tempo.
Agora são facas. Diz que são de cortar a respiração, o que é credível pelo aspecto dos retratos: as naifas são perfeitas para talhar uma jugular, quiçá uma boa carótida.


Uma delas, por ter o mimoso nome de santoku, há-de estar destinada ao golpe na veia femural. (Pareço uma cirurgiã — ou uma talhante — a falar, mas é que fui estudar.)
(Esta m. está a centrar-me o texto, derivados às imagens, mas defequei. Sei muito bem que, se for à html, posso alterar, mas não vou.)


Mas o que me traz aqui, efectivamente, são aqueles cálculos esdrúxulos a que sinto que tudo isto me compele. Então, imaginemos que eu quero uma faca multiusos, como outro dia me apeteceu: junto vinte selos, sendo que cada um corresponde a vinte paus de compras, logo, a minha faca custa-me quatrocentas mocas, em não me falhando a calculadora (nhé, fiz de cabeça, sou um crânio). E depois, vou à caixa trocar os selos pela faca, e passam-me um recibo de quarenta e quatro e noventa e nove dele — que há-de ser o valor de mercado da coisa —, mas a zeros.


Ou seja, o cutelo custou-me quatrocentos, ou quarenta e quatro e noventa e nove, ou zero? 
Agora que pus isto assim, nestes termos, já não consigo dormir sem uma resposta. Às vezes (raramente!), mais valia estar calada.


26/10/2021

And that awkward moment # 66

em que a aula está prestes a começar, a instrutora pergunta ao grupo se é a primeira vez de alguém — por indiscrição ou curiosidade estatística, já que não faz nada com a informação, sequer pergunta se a pessoa sofre de lesões a ter em conta —, há uma que levanta o braço e logo é confrontada com a questão seguinte, que é meramente retórica: “Gostas de dançar?”, ao que ela responde: “Não”.


Ora, este tipo de atitude levanta-me a mim uma série de dúvidas:

1. Existem mais pessoas que, tal como eu, sistemática e matematicamente se enganam na porta?

2. A mulher ouviu mal/ não percebeu a pergunta, tendo pensado que era um daqueles inquéritos chatos a que uma pessoa responde o primeiro desvario que (não) lhe vem à cabeça, ou uma micro-sessão de psicoterapia pré-esforço para descontrair?

3. Terá julgado que estava a responder a um Trivial, e, desconhecendo a resposta para Camembert, pensou que a certa era a mais improvável?

4. Será uma daquelas pessoas que nunca saem/ gabam-se de que nunca saíram da p. da adolescência, e consideram que toda a gente tem que achar piada/ aturar as suas irreverências?

5. Será apenas e tão só genuína e ingenuamente mal educada?

Já nem dancei convenientemente, tal foi o rodopio cerebral que isto me provocou. (Ultimamente, tenho sempre uma boa desculpa para os meus desacertos de passo. Esta foi a deste dia.)

(Uma pessoa desgasta-se.)


11/10/2021

Os animais falam connosco

Molly, registada Pequena Molly num momento de clara incapacidade de antevisão — pois veio a tornar-se um animal enorme —, iniciou um ritual mictório nos lavatórios das casas de banho, dando uso à caixa de areia apenas para a defecação, valha-nos isso. Assim, disse-me ela: “Olha para mim, estou doente.” Pela frequência e quantidades mínimas, rapidamente percebi que se tratava de algo parecido com (ou no mau caminho para) uma infecção urinária. Não precisa de me dizer que é inútil tentar metê-la na gateira para a levar ao vet, a menos que não me importe de ser mordida e arranhada a ponto de ficar sem as veias dos braços e, vá, um olho, com a garantia porém de que, ainda assim, não vou conseguir enfiá-la lá dentro. Compreendo, porque eu própria não o permitiria: aquilo é claustrofóbico e aterrorizador, além do que, o que se segue é uma (curta, é certo) viagem de carro, que ela detesta, e um ambiente estranho com gente igualmente estranha a mexer-lhe no corpo e a fazer-lhe “maldades” — tirar sangue, recolher urina, dar-lhe injecções, quando não — cúmulo dos cúmulos — cortar-lhe as unhas. Da última vez que lá esteve, após épico enclausuramento na caixa de transporte, em que saíram pessoas magoadas (ensanguentadas!) daquela relação, teve que ser metida na jaula das feras (don’t ask). Isto, apenas para ser vacinada.

Posto isto, dirigi-me à clínica, sem gata, expus o problema e trouxe para o lar um anti-inflamatório para senhora dona Molly tomar durante cinco dias, e ainda a marcação de uma consulta para análises e exames para amanhã, terça-feira, às 11:00 horas da madrugada. Já lá vamos.

Diz-me a gata, através de gesto e modo, que não toma medicamento algum, seja em cápsulas (mesmo que abertas e misturadas, nem que seja com filet mignon), em comprimidos desfeitos, ou em líquido. É óbvio que me grita, “Estás louca, queres envenenar-me?”. E então, por pesquisas nos meus já escassos e desgastados neurónios, cheguei à conclusão de que a única “guloseima” à qual ela não resiste de todo, é azeite. Portanto, agora toma todo e qualquer medicamento, desde que desfeito numas gotinhas desse ouro alimentar. Um dos amores da minha vida é, em suma, azeiteira.

A veterinária deu-me uma cápsula de calmante para dar à gata uma hora e meia antes de a levar à consulta. Resta-me apenas a dúvida se efectivamente lha dou, ou se a tomo eu. Melhor, talvez, será abri-la, misturá-la em azeite, e vai metade para cada uma. A minha parte também pode levar vinagre e orégãos, so help me God.


28/09/2021

Relação de causa-efeito?

Creio que vai sair-me um volátil, porém guinchado, desabafo.

A miúda do andar de cima continua a gritar. Está aos berros desde o início da pandemia. Passou do ano e meio de vida para os três anos, sempre aos guinchos. Gostaria de saber se são as crianças-covid, chamemos-lhes assim — então não há as crianças-galinha e as crianças-lobo? —, que são mais irascíveis do que as de gerações anteriores, ou se sou eu que estou mais intolerante. Desde a praia, ao campo, à montanha, à cidade, à aldeia, para onde quer que me volte, há uma criança aos brados, ou aos silvos,  atingindo agudos insuportáveis ao fino tímpano da comum mortal. Já considerei mesmo se não será antes a minha cabeça que fabrica estes ruídos, só para me irritar a mim. 

Mas não era isto que vinha hoje partilhar. Até comecei bem, contudo a pluma leva-me por caminhos. 

A criança do andar de cima. 

Julgo, não percebendo grande coisa de materiais de construção, menos ainda de Física, que, sendo a água boa condutora do som, as casas de banho, sejam na Buraca ou na Lapa, são “excelentes” locais para — em querendo, e daí as aspas, ou mesmo que não —conhecer um pouco da vida íntima dos vizinhos.

A miúda do andar acima do meu. E o pai da miúda.

Há largos meses que começo os meus dias brindada pelo chinfrim que fazem as cordas vocais da filha e o intestino grosso do pai. Pronto, já disse, agora não posso desdizer. 

Resta-me saber, já que os dois ruídos me entram paredes — chão com tecto — adentro enquanto me maquilho, se existe uma relação de causa-efeito entre o silvo da filha e o flato do pai. Qual provoca qual?, é a enorme questão. A filha desvaria quando o pai se deslarga, ou o homem tem um acesso flatulento quando a criança guincha? Eventualmente, nunca saberei. Ou se, simplesmente, se trata de mera coincidência, por simbiose biológica?

Pergunto-me amiúde, mas (ainda) não me respondo, em que estado estarão os nervos daquela mãe. Imagine-se, se eu, que só moro umas quantas vigas + pladures abaixo, sinto que corro o risco de errar o risco e enfiar o lápis de olhos num olho, que direi dela? Será menos arriscado se não se maquilhar, concluo. 



15/08/2021

Está aí alguém?

Era só para fazer uma pergunta.

(Isto carece de contexto.)

Quando me foi retirado o aparelho da dentadura, ao fim de dezasseis meses de me ter sido colocado (dizem as vozes da teoria da conspiração, em uníssono com as minhas vozes interiores — que me gritam —, que eu não precisava dele. Precisava, riposto eu, quanto mais não fosse em termos psíquicos, que, nesta área das faneras, é o que mais tem relevância), foi-me feita moldadura para um outro, chamado De Contenção (do mais chique que há, De Almoronha e Menezes), para usar durante a noite, e não permitir que todo aquele trabalho ortodôntico voltasse atrás. Como se.

Para encurtar conversas, digamos que já parti três aparelhos de contenção, uma vez que hei-de possuir uma mordida de pitbull ou de, sei lá, crocodilo. O terceiro dos ditos até já foi feito com "um material mais resistente", afiançaram-me o dentista dos olhos bonitos e Sónia, a implacável aspiradora de amígdalas. Mais resistente, julgo que se referiam à dentada aqui da bruta, que, durante o sono, deve transformar-se no Raivoso e vai tudo a eito. Folgo em já não chupar no dedo (vá, e poupem-me a pensamentos pecaminosos e castrantes), caso contrário estaria amputada de ambos os polegarzinhos, ou, quiçá, de todos os dez desgraçados. Capaz de, a seguir, ter que ponderar iniciar a carnificina nos pés.

(Mais um parêntesis para revelar ao mundo que, aquando da minha hospitalização, uma bela manhã levaram-me a ortodôncia com o lixo do pequeno-almoço, pelo que me vi obrigada a armar a p. e a declarar que "o aparelho tem que aparecer porque eu paguei [não interessa] euros por ele, olhem, vasculhem no lixo", e não é que foi mesmo no lixo de todas as enfermarias que foram dar com o meu lindinho? Vá que não calhou ter sido no lixo das arrastadeiras. Ou tal não me foi revelado, para me evitarem mais picos de tensão.)

Não sei. Não percebo o que se passa entre mim e os De Contenção. Posso afiançar que o material que o dentista usa é de primeira qualidade, por uma questão de lógica. (Sei lá qual.) Reconheço que, pela manhã, me aflige tirar aquilo dos dentes, porque tenho medo de estragar as unhas, e então posso estar a fazer força no lado errado da coisa. Admito que a cena me enoja de tal maneira, que a mergulho em elixir durante horas, após escovagem exaustiva e meticulosa, o que pode ser corrosivo ou desgastante para o acrílico da peça. Ultimamente, acho-o esverdeado, mas acho que é derivados à cor do elixir. Ou será verdete?

A pergunta para Roquefort é: o que é que estou a fazer de tão errado no uso da pulaka?

Linda Blue, a caminho do quarto aparelho De Contenção. And counting byting. 




12/08/2021

And that awkward moment # 64

em que adquires um vestido numa loja online — silêncio. É lindo. Vai ficar-me épica, estúpida e estonteantemente a matar e vai fazer de mim a mulher mais enigmática do meu bairro da minha rua do meu prédio do mundo em que eu existo —, entras em negociações com quem está do lado de lá do ciberespaço acerca do tamanho, a saia do vestido é acima do joelho, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, também não queres tudo à vela que nem possas sentar-te à frente de pessoas em paz, qualquer centímetro conta em se tratando da altura de uma saia, sempre a dúvida existencial entre o S e o M, então envias as tuas medidas, e de lá profeciam-te o S, mas tu ai que não, veja lá se não fica demasiado curto, eu meço 1,68 metros do cucuruto até às plantas, e diz quem responde às tuas angústias:

Não fica demasiado curto, a modelo tem 1,64 m.

Quatro

centímetros

na altura

de uma saia.

...

Quarenta milímetros. 

...

Mandei vir o M.



17/06/2019

E os boomeranggers? ∞

Uma pessoa instagrama-se e descobre todo um novo mundo de possibilidades de estudos antropológicos associadas. Vocês não sei, mas eu, assim como nos blogs e na vida, tenho os meus guilty pleasures mais ou menos assumidos, pelo menos de mim para comigo: aqueles locais que frequento só para me irritar/ ver até onde é que o patético consegue esticar/ surpreender-me a níveis que desnecessitem de botox, pois o elevar de sobrancelhas e o abrir do olhar que tais publicações provocam, são coisas para perdurar por horas.
Assim, esquecendo agora as inenarráveis - que eu, apesar disso, tentarei descrever em poucas palavras apenas - imagens da tipa que acabou de se maquilhar na casa de banho do shopping e se fotografa ao espelho com as cabines de retrete e as ditas cujas abertas lá atrás, hoje apetece-me vir debruçar sobre a cena do boomerang com que o povo entope as suas stories. 
Eu já fiz boomerang. Fiz, e fiz, e hei-de voltar a fazer, de todas as vezes que o boomerang se justifique, ou seja, em que o micro-filme fique mais engraçado/ ilustrativo/ lógico usando essa "técnica". Se filmar alguém a subir três degraus, se filmar um movimento que se repete num sentido e no contrário (tipo passar a ferro), se filmar um salto de um gato, pode ficar com mais piada se recorrer ao boomerang. 
Mas eu quero, aliás, eu exijo perceber o que é que passa na mona das gajas (são quase sempre, não é? Ou sou só eu que não conheço instragrammers masculinos que se dediquem à tonta do infinito?) que filmam um prédio, aleatoriamente, e depois a gente fica a pensar se elas assistiram a um terramoto ou se é só o boomerang delas do dia? Ou a manita delas com um copo de cerveja, em plenos santos populares, a gente na dúvida se lhes está a dar um espasmo, e por que genitais não se lhes verte a bebida do copo. Ou as gajas a deitarem a língua de fora, aquilo numa cadência ritmada, não sei se sugestiva, mas em que uma pessoa até tem medo de deixar o seu gelado por perto, não vá aquilo chlep e lá se vai o dito coiso.
Olhem, todo um manancial de dúvidas, cuja única resposta há-de ser que já não tenho idade para estas coisas. Estou quase uma senhora.

22/03/2019

Da fonética das coisas

Sempre ouvi chamar às máquinas de costura Singer, Sinjér, e assim sempre me referi a elas, sem nunca me questionar se era assim que se dizia. Até que outro dia estava a assistir a um episódio de Car S.O.S. e calhou-me o Porsche Singer na rifa, isto não literalmente, mas em termos de visualização. Dá-se que o programa é inglês, pelo que, de cada vez que disseram o nome do modelo do carro, pronunciaram sempre Singuer.
Cantor. 
Já estudei na wikiseca [fui linda, não vim para aqui dar bitaites sem antes marrar a liçãozinha] e as duas máquinas (de coser e de conduzir) não têm nada a ver uma com a outra - o que não seria nada de inédito, basta que nos lembremos da Yamaha com os pianos e as motas -, a não ser o facto de o inventor de uma e um dos engenheiros de outro serem ambos norte-americanos e terem, por coincidência, o mesmo apelido - Singer - para além do que o último foi mesmo vocalista de uma banda.
[Vai-se a ver e a tradução mais correcta de Singer é Silva.]
Acrescento eu que, provavelmente, tanto quanto ao nome da marca como ao do modelo, alguém um dia considerou que os seus motores emitiam um ruído semelhante ao de uma melodia. [A minha Singer, neste momento, ruge como um leão, deve estar a precisar de óleo nas juntas. Ou pistons novos.]
Toda a minha vida foi uma mentira.



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#jasofaltam3

12/03/2019

Dúvidas que me assaltam à mão armada logo assim pelas 9 da madrugada

Ainda não percebi tanto fuzuê com aquele "programa" novo da televisão, aquele do quem quer casar com a carochinha sob a forma de incapazes amachados com a mãezinha de permeio - do qual ainda não vi um único episódio (sequer sei se deu mais do que um, tamanho o impacto), mea culpa - tanto nervo óptico, tanto nervo central, tanto ai-Jesus, quando...
...
...
oh, pá...
...
...
... quando, na semana anterior...
...
até me custa continuar...
... tivemos o Roast do Toy, coisa mais ordinarinha, mais sem piada, mais destituída de conteúdo, mais sequer incapaz de provocar tanto nervo ciático. 
Será que a explicação está num esquema mental altamente intrincado do género: ataca o gordo, antes que notem que tu és marreco?

[Só cá para nós, o tal "programa", para além de todas as coisas visíveis e invisíveis, teve um péssimo sentido de oportunidade (ou não...): na semana do Dia Internacional da Mulher, really? Pronto, conclui-se que há gente que gosta de tourada.]



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#jasofaltam8

02/03/2019

Hoje venho interagir

Davam-me uma ajudinha, por favor? 
Ponham-se no meu lugar.
Imaginem que têm a colaborar convosco, sob a vossa supervisão e dependente de pagamento que parte de vós, uma pessoa que trabalha depressa, que não olha a sábados, domingos, feriados, férias da canalha lá de casa, se calhar horas de sono, porque quando há prazos não há cá palhaços. Mas que trabalha mal. Sempre foi assim, mas tem vindo a piorar, até que, desta vez, me enviou um trabalho de tal modo mal enjorcado, que eu me enfiei no escritório, me agarrei às teclas e foram-se assim três horas no sábado passado (porque, não sabendo o que me esperava, só comecei depois de almoço, pois fui dançar de manhã, olha a maluca!), mais sete no domingo, o que, em não me falhando a matemática, foram dez horas em cima daquilo. Dez. Um fim de semana todo fornicado. Uma segunda-feira em jet lag, a ter que fazer a minha parte, pois lá está: o prazo não pára. Fora o facto de que dez horas correspondem exactamente ao tempo que eu despenderia a fazer aquele mesmo trabalho de raiz.
Falei com ela, acertámos agulhas, e os trabalhos seguintes que me enviou já vieram menos maus. 
Não estou contente e, provavelmente, terá sido a última vez que lhe pedi colaboração. Mesmo os menos maus, são trabalhos que me fazem perder um tempo precioso para o meu, ou para o meu descanso. 
Em suma, sinto que não é justo que lhe pague ao preço combinado, pelo menos quanto àquele que me pinou o fim de semana passado. Independentemente de serem dois dias de pausa, ter-me-ia custado o mesmo se tivesse acontecido em dois dias de semana, estou apenas a tentar situar-me.
A pergunta que urge é: como, ou por que parâmetros, lhe pago? Metade do que receberia por fazer aquele trabalho que me deu trabalhos (apesar de eu o ter feito, rigorosamente, todo de novo)? 
Não quero ser injusta com ela. Mas também não comigo.




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#jasofaltam16

06/02/2019

Da espiral à escalada, foi um pulinho. Ou um tirinho?

Desta linguagem dos nossos  jornalistas, quando se referem ao tema Violência, tudo muito punhos de renda, muitas pinças, muitos rodriguinhos, para depois pah! descreverem as cenas mais mórbidas e sórdidas, infelizmente reais. 
Durante muitos anos, utilizaram a expressão "espiral de violência", mas, actualmente, o que está na berra [Haaaaa!] nesse campo, é "escalada de violência". Estou cansada de estudar a morfologia da coisa, e... Mentira, não estudei nada (vou chumbar), só pensei nisso um nico. Dizia eu, que constato a curiosa coincidência entre as duas expressões, em dois pontos: 
1. No uso do prefixo es em ambas;
2. Na ideia de subida que as duas sugerem: "espiral", assumindo que num movimento de ascensão (porque, conforme sabeis, a espiral também desce) (mesmo?), e "escalada", se estivermos a referir-nos à fase da subida (porque tudo o que sobe...).
Agora pergunto: qual é o próximo termo jornalístico para substantivar a violência? Algum que obedeça a estas duas características, do prefixo es e da acepção de ascensão, ou pode ser só um dos dois?
Montanhismo, serve? E salto invertido? Bungee Jumping? Jump
Ou só estirada? Espetada? Esperneada? Escavacada? Esbornegada?
Vou apostar em escadaria, ou escadote. Sempre obedecem às duas “regras”.



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#jasofaltam29


16/01/2019

Na senda de "Sou só eu?" # 19

a quem acontece haver pessoas que simplesmente desaparecem do radar da vida, sem deixar rasto, a não ser o da surpresa, do silêncio e da ausência? No bom sentido, quer dizer, é pessoal que não deixa saudades, mas, enfim, eclipsa-se sem uma explicação, sem que haja um motivo, nem que seja vago, sem uma briga prévia, uma pequena luta física, nada!?
A mim, sim, acontece. Admito que sou uma bruta, e reconheço que até sou bastante directa (quando não me dá para ser a ameba proteus que tudo aguenta, sem sinais à vista de um dia explodir), digo o que sinto (que é muito pior do que dizer o que penso, mas joga a meu favor que sinto muito mais do que penso), não costumo socorrer-me de mimimis. A questão, porém, é a de que o povo que me desaparece das vistas e corta relações comigo é, regra geral, povo sem razões de queixa da minha pessoa humana. Ou então, eu sou a cínica distraída, que piso com meu salto agulha Prada em todas as sensibilidades, sem me aperceber, e as pessoas ofendem/ enxofram/ magoam.
Agora há pouco foi a que até me tem uma afinidade, que começou por se esquecer do meu aniversário. (Sim, crianças, fiz anos em Novembro e não vos disse nada. Em compensação, vós haveis-me dado tratamento recíproco). Em, vá, uns trinta e picos anos de convívio (mais ou menos forçado, é certo), nunca tal havia ocorrido, pelo que lhe telefonei a perguntar se estava chateada/ havia algum problema/ o que é que se passava. Mais franca e directa do que isto, só se lhe fosse bater à porta com um maço de kleenexes e uma chibata para me autoflagelar, caso se justificasse. Que não, que não havia nada, que estava tudo bem, que beca-beca. Toda a rir, muito parva, quando lhe perguntei por que é que não me deu os parabéns, ai, que me esqueci, ai, que mudei de telemóvel e perdi as datas todas, ai, que cabeça a minha. 
Só eu para levar com estas drogadas da insinceridade.
Depois fiquei à espera que me desejasse as Boas Festas, mas acho que também perdeu essas datas com a mudança de telemóvel, pois nem um sms para amostra. É certo que também eu poderia ter-lhas desejado, mas dá-se que estava expectante e eu, quando estou expectante, sou assim: muda, só à espera que o inimigo se mova.
Pronto, mais uma.
Bom, de qualquer modo, sei-a tranquila, pois disseram-me, que eu nunca vi, que bate no peito ao domingo, naquele transe lá dela, a proferir as palavras mágicas que tudo limpam, "Por mea culpa, por mea tão grande culpa". Quanto a mim, também estou em paz, mesmo não cumprindo o tal ritual.
Este post foi escrito:
1. Sem patrocínios;
2. Porque tenho uns quarenta chouriços para encher até ao dia 5 de Abril;
3. Porque não tenho assuntos que interessem aos marcianos;
4. Sem mágoa, sem dor, como aqueles partos Lamaze;
5. Por mera curiosidade, pois gostava mesmo de saber o que é que passa na cabeça dos que me despedem sem justa causa. (Olhem, ide.)


13/12/2018

Daquele programa, que, repito, a-do-ro # 11

Foi no episódio de ontem que se me alevantaram inúmeras dúvidas. Tudo por causa da melena da Isabel. 
Então, foi assim, por ordem cronológica, que é a que melhor entendo para contar uma história:

Isabel dá-nos conta de que vai praticar jiu-jitsu.
Seu cabelo está mais curto do que quando iniciou o espectáculo.

Isabel pratica jiu-jitsu, com seu cabelo curto.

Isabel vai ao lar com seu par, para ele lhe mostrar uns álbuns
da sua infância. Claramente, o cabelo cresceu-lhe pelo caminho.

Isabel vê os álbuns com Cláudio, e seu cabelo mantém-se longo.


Logo de seguida, Isabel vai lanchar ao lar dos cotas.
Já leva seu cabelito cortadito.

Cá está ela, a lanchar.

Pronto, e aqui de novo, com a mesma farpela de antes do jiu-jitsu,
falando sobre o lanche, e confirmando seu cabelo mais curto.

Ora, a mim, a quem não escapa um, tipo Dum-Dum, estas coisas intrigam-me. Não encontro explicação para o fenómeno capilar da Isabel, a não ser uma destas cinco possibilidades: 
1. A par com uma péssima legendagem, o programa sofre de um mau alinhamento;
2. Isabel coloca e retira extensões/perucas conforme a ocasião;
3. Isabel é dotada de um super-poder que se lhe revela através do crescimento capilar, consoante a circunstância/humor/clima;
4. Isabel levou tanto tempo a chegar a casa para ver os álbuns de Cláudio, que o cabelo teve tempo para crescer até àquele ponto;
5. Isabel, afinal, são duas, e entra em cena ora uma, ora outra.

Concluo, embora reticente, que talvez este tipo de programas não seja feito para pessoas minimamente atentas, que é o que eu devo ser. Mas, por outro lado, sou crente: pretendo contactar Isabel e questioná-la acerca do truque. A mim, dava-me um jeito jeitoso poder encolher e esticar a cabeleira conforme os dias. Não só tenho alturas em que mo apetecia mais curto, como, logo no dia seguinte, ou no próprio à tarde, dava um dente da frente para o ter mais comprido um centímetro. Até para lavar, secar e pintar, o óptimo era tê-lo à escovinha, e logo depois ele aparecer qual Rapunzel. Quando deslindar este mistério, venho aqui denunciar tudo.

24/10/2018

Vá, cosmos, diz lá o que é que queres dizer-me

Era uma vez eu, que, num gesto de profundo narcisismo e amor próprio, adquiri uma pequena medalha alegórica ao meu signo do zodíaco, que é, como não poderia deixar de ser, Escorpião. Lá no meio, muito bem colada, estava uma pedra azul, nem de propósito. Fora amor ao primeiro clique, voara para a loja na ânsia de a possuir, dera o coiro e o cabelo por ela (e mais me pedissem, que também teria dado), pendurei-a da carótida, colada à jugular, há dois meses, e nunca mais a despendurei. Passámos sessenta e tal dias a dormir juntas, a tomar banho juntas, a mergulhar no mar e na piscina juntas, a suar juntas, todo um romance que até enjoava. E, se calhar por isso mesmo, ou apesar disso, a pedra da medalha soltou-se e desapareceu sem deixar rasto.
Entristecida, porém munida do certificado de garantia, fui reclamar ao mercador que ma vendera. Que sim, que me punham pedra nova, porém talvez tivesse que a pagar, e beca-beca. Então está bem, eu ainda vou procurar a pedra, respondi sem convicção, pois que a dita tinha o exacto tamanho da cabeça de um alfinete e já havia desaparecido há quase vinte e quatro horas, tendo eu atravessado montanhas e vales nos entrementes. 
Chego a casa, ponho-me assim nos meus pensamentos, estática, de pé, "por onde é que vou começar?", olho para o chão e 
(oh, pá, ninguém vai acreditar...)
(que se lixe, arrisco.)
lá estava ela.

Pergunto-me-vos, então:
1. Essa cena da agulha num palheiro é para meninos, pois é?
2. Tenho uma vaca do genital? Muuuu.
3. Tenho olhos de lince?
4. A pedra tem o tamanho de uma rocha, eu é que vejo mal e não sei, afinal tropecei nela e estou para aqui com coisas?
5. A probabilidade de isto voltar a acontecer é para aí de uma num milhão, não? E convenhamos que não devo sequer ter um milhão de dias pela frente.
6. Será que isto invalida probabilidades quanto a ganhar o Euromilhões?
7. O ditado "Quem procura acha" não estará desactualizado, em se tratando de pessoas como eu?
8. Devia tornar-me mística? Medium? Cartomante? Investigadora criminal?
9. O facto de ser Escorpião tem alguma coisa a ver com isto?
10. O facto de a pedra ser azul determinou todo este desfecho?

13/07/2018

A ver se eu percebi

Pois, eu, acho mal. Não porque possa interessar-me ver o que quer que seja, num jogo de futebol, a não ser o próprio jogo, e, mesmo esse, depende. Olhem, depende dos fatos dos jogadores, da combinação em matchi-matchi da bermuda com a blusa mais o soquete e o téne, da harmonia entre os uniformes das duas equipas naquele todo com o verde em pano de fundo, enfim, depende de uma série de factores estéticos, e também externos, que em nada se prendem ou sequer agarram com as meninas da plateia. 
O que verdadeiramente acho mal na notícia, são muitas coisas, a saber:
1. Para já, a noção de bonito é olimpicamente subjectiva - uma vez que se prende com o sujeito, e aqui mais do que nunca -, e o que eu posso considerar bonito, para o meu vizinho da frente ou o de cima pode ser o horror, e gostos não se discutem. Por exemplos, eu era capaz de achar que estavam a filmar uma mulher bonita num estádio se me aparecesse no visor a Audrey Hepburn, que essa sim, era uma mulher bonita, tinha uma cara lindíssima. (Mesmo à gaja, dar um exemplo de beleza de alguém que já morreu. E que já não se pode defender.) No entanto, o Zé dos Anzóis, essa mítica figura, era ver a Malhoa no ecrã, e upa-upa. Portanto, enfim.
2. Logo a seguir, não se entende por que é que se evita filmar mulheres bonitas, e não apenas e tão-só mulheres. Qual é a piada de ver mulheres no futebol? É pela novidade? Hum, é que não. Já não estamos nos anos 60 do outro século, pessoas. Uma mulher no futebol, é como uma mulher no ginecologista, e Lili Caneças não diria melhor. 
3. Mas, contraditoriamente, que eu sou este poço, também acho chato que deixem de filmar as petizas futeboleiras, porque é assim: aquele é O momento delas, são os seus quinze minutos décimos de segundo de fama, para os quais se maquilham, vestem (?) a rigor, com vista a darem nas e encherem as vistas, batendo pestanas (postiças, ok, mas...?), batendo palminhas, fazendo momices, oh, pá, são tão fofas, é um bocado coiso tirarem-lhes isso...
4. Na mesma senda, não percebo que se filmem pessoas na bancada, independentemente de serem mulheres, homens, mais ou menos, ou um bocadinho de cada. Essa cena é altamente limitadora e também catalisadora. Já repararam na quantidade de gente que, ao perceber que tem o foco em cima de si, lhe cai logo uma lágrima? Há jogos cujas bancadas parecem autênticos museus com a obra completa do Menino da Lágrima, esse ícone. 


Então, aquilo é ou não é o efeito imediato da pressão mediática? Qual amor ao clube, qual quê, aquilo é a imagem para a posteridade, o momento das redes, apanhado na rede. 
5. Digam-me lá se esta medida da FIFA não pode originar dramas maiores do que o da simples filmagem das elegantes senhoras que se deslocam aos estádios? É que, a partir de agora, cada vez que a câmara apontar para uma mulher, ela vai poder considerar, automatica e justamente, que é consensualmente desonsiderada sensual e gira e bonita e demais predicados estéticos. Quer dizer, isto pode acarretar traumas e até aquelas coisas dos tribunais, como é que se chamam? Aquilo do direito à imagem, e assim. Eu, cá por mim, até acho que as mulheres que sejam filmadas, a partir de agora, não só podem passar a sentir-se feias, gordas, marrecas e desdentadas, como também devem considerar optar entre o que é que é melhor: ser assediada ou bullyingada?

Estão a ver por que é que eu não vou ao futebol? Era a câmara o tempo todo em cima de mim, nada de jogo, como naquelas transmissões que não pagam as licenças, sabem? E eu sem saber se era pela minha boniteza ou pela obediência às regras da FIFA, deixa-me cá ficar no lar, que eu não pago para ter mais traumatismos.

25/06/2018

Dúvidas que me assaltam à mão armada, logo assim pelas 11 da madrugada

(Rimou e é verdade.) (Quem rima sem querer, é amado sem saber.) 

Quando falo e o resultado daquilo que procurei transmitir é igual a zero, tal poderá dever-se a um destes factores:
1. Não me diz entender;
2. O meu interlocutor não me ouviu;
3. Falei demasiado baixo/ educadamente/ numa linguagem excessivamente elaborada, metafórica, indirecta, estrangeira;
4. Tenho problemas de dicção (dos quais nunca me apercebi);
5. Estou rodeada de pessoas com défice auditivo;
6. Quando eu falo, ninguém baixa as orelhas;
7. O meu interlocutor não compreendeu o que eu disse;
8. Não repeti vezes suficientes (naquela de água mole);
9. Talvez tenha que insistir ad nauseum, assim como se faz com as crianças, cujo lema é "Ralha-me, mas não me ignores";
10. Um pouco de todas.

04/06/2018

Nutro uma espécie de miminho e manifesta admiração

pelo povo que - embora não lavando no rio e, consequentemente, não talhando com seu machado as tábuas do meu caixão - obriga a que exista uma fila à direita nas passadeiras e nas escadas rolantes (regra que não está escrita em lado nenhum), e a da esquerda lhes fique liberta, para que possam passar, veloz e atleticamente, “có-licença-có-licença”, nomeadamente quando, logo ao lado, existe uma passagem de escadas não rolantes, ou mesmo uma passadeira parada, por onde poderiam exercitar a musculatura e dar largas e compridas à tal da pressa. Por mim, que só não empato quando não posso, estaciono o carrinho do supermercado exactamente ao meio da passadeira, pois não há nada que me tire aquele bufar de impaciência na minha nuca. Cada um tem seus fetiches, e este é o meu.
(Devem ser os mesmos que atravessam em diagonal nas passadeiras. Ou que se metem pela direita, sem pisca, pisando o traço contínuo. Ou que tentam passar “subrepticiamente” à frente em todas as filas que apanham. Os outros que esperem, o Mundo que pare, porque eles têm pressa.)
(Mas que mal fizeram as mãezinhas destes entes para estarem sempre na forca?)

16/04/2018

Dúvidas que me assaltam à mão armada com alguma frequência # 5

Gostaria atrozmente que alguém me explicasse esta nova moda de andar na rua com o telefoninho deitadinho na palma da mão, e a falar na direcção da ponta de cá, que é aquela que fica mais próxima do pulso. 
Em tudo me lembra aquilo um reclame que dava no televisor quando eu era garotita (já não me lembro a o quê, mas não me chocaria se fosse a conservas enlatadas), que era o do beijo nos quatro dedos, depois estendidos para a frente, e, por fim, soprados nas pontas. Ouvia-se então uma vozinha cantada, que trinava "sex appeal!". 
Depois as coisas evoluíram, todas adquiriram um nome técnico, e a isto passou a chamar-se blowing kiss.


Assim anda actualmente o povo, com seus aparelhos em pose de sex appeal, ou, se preferirdes, blowing kiss. É porquê? Têm medo do cancro no cérebro (?), e acham que assim o evitam, preferindo não encostar o telemóvel à orelha? Falam para a mão, na verdadeira acepção da expressão? E como é que ouvem quem está do lado de lá da "linha"? Com auriculares? E não têm medo que o cancro no (tal) cérebro lhes entre pelo fio? Ou põem o interlocutor em alta voz? E nós, que estamos literalmente de fora, temos que ouvir o que se passa nestas vidas? Porquê? Não é precisa toda uma estratégia, cada vez que vão falar, ou alguém lhes liga, para ligar o fio, colocar o telemóvel naquela posição de equilíbrio precário, a ocupar uma das mãos (elas não são só duas?), e, assim, estabelecer uma conversação? De que é que falam? Quando a chamada termina, sopram o telemóvel? E ele cai? Isto um dia vai chamar-se blowing mobile phone? Qual é a cena?
Não consigo dormir.

14/02/2018

Eu tenho problemas com tudo # 30

Eu, por acaso, vinha aqui a passar, ainda meio azambuada do facto de ser madrugada [sou discípula de Marco Fortes, mas a vida não me permite obedecer àquele único cânone da nossa seita], e lembrei-me que era capaz de ser oportuno vir perguntar às pessoas que ainda devem (não o entendam como uma suposição, mas como o cumprimento de um dever) estar a dormir, quais as suas opiniões acerca de um problema que me assalta, e vamos já ver a seguir o porquê de até ser à mão armada: o gatilho das mangueiras das bombas de gasolina. Hã? Nada mais específico, com tantos pronomes possessivos.
Então, depois de ter tirado — ou, mais concretamente, arrancado — a carta de condução, ensinaram-me a meter combustível na viatura que eu conduzia à época, meu querido boi. Quem o fez, foi uma pessoa conhecida, que encontrei na rua por acaso, à qual me queixei de que estava deveras preocupada, pois que estava com a gasolina à pele e não sabia colocá-la lá no coiso. A pessoa prestou-se, e imagino que se arrependeu no primeiro acto, pois que eu, ao retirar a mangueira da entrada do depósito, dei-lhe umas (o mais discretas possível, é certo) sacudidelas no ar, justificando-me, perante o espanto/horror dela, que não fazia ideia que não era assim, pois que só tinha um rapaz para três meninas, numa desproporção de 1/4, e ainda estava na fase em que ele tinha largado a fralda há pouco tempo.
Bom.
Concretamente, o gatilho das mangueiras das bombas de gasolina causa-me transtornos e angústias várias, tudo por uma razão muito simples para ele, dramática para mim (ou não fora eu um niquinho drama queen): ele dispara. 
Porque isto é assim: meto a mangueira lá na entrada [não, a sério, dêem algum apreço às minhas talvez vãs, porém desesperadas tentativas de não deixar resvalar o assunto], aperto o gatilho, e, em vez de sentir a fluidez com que o combustível jorraria para o interior da viatura, começa ele nos disparos, bang-bang. Ou seja, pára a cada, vá, cinco segundos. Eu aperto, a mangueira esmifra umas gotas, ele dispara, o processo pára. Aperto outra vez, mais umas gotas, pumba, pára de novo. 
Já me informei com quem sabe destas coisas (basicamente, toda a gente), e foi-me dito que meto mal a mangueira, que enterro pouco aquilo lá na entrada (chiu). Munida dessa informação, tentei dar o meu melhor nesse momento, e o resultado foi o mesmo. Até acho que foi pior. 
A solução que tenho arranjado tem sido pagar uma quantia qualquer ao balcão, em pré-pagamento, e depois, uma vez que este processo todo leva alguns minutos mais do que levaria em condições normais, simulo que estou a meter o dobro, com aquele ar de excêntrica enfadada, este-depósito-parece-o-de-um-camião.
Estou (in)conformada.
Queria saber se sou só eu, que é para, caso negativo, poder dormir descansada e andar na rua aos saltinhos descontraídos. Caso positivo, vou ter que tomar providências cautelares, tipo uns calmantes antes de ir à bomba, ou então, arranjar um motorista, a quem possa dizer: "Vá lá você, que é para isso que eu [não] lhe pago, que aborrecimento, quer levar um estalo?".

04/12/2017

Coco

(se acharem que é spoiler, é não lerem # 2)

É porem um filme da Disney (Pixar, neste caso) em cartaz, e lá me têm. Tenho aprendido mais com filmes supostamente infantis do que com aqueles que são destinados a adultos (não esses, canudo!). Nunca mais vou crescer, e nem sei se quero. (Lá está outra dúvida com que me debato estóica e diariamente.)
Captei a mensagem principal — que a verdadeira morte se dá quando nos esquecemos dos nossos mortos, ou quando formos esquecidos pelos nossos vivos —, mas não a secundária (se é que ela existe, mas eu, lá está, ando sempre à procura da segunda e da terceira leitura de todas as coisas). Ia na expectativa de encontrar um filme algo metafísico, que me explicasse o que existe para lá do fim, apesar de não ter grandes crenças pessoais acerca do assunto, e alguma quase certeza de que a morte é isso mesmo: pois, se é para as plantas e para os animais, quem somos nós (?) — outra dúvida das boas — para considerarmos que connosco será diferente?
Afinal, não. Parece que existe uma morte após a morte, para além de nos encontrarmos todos — em esqueleto, com peruca e roupa, pois que há-de ser importante aquecer os ossos (sem corrente sanguínea, atente-se) e esconder as partes pudendas, que, em rigor, já não existem — num lugar entre o sinistro e o festivaleiro, com a idade com que fenecemos, ou seja, onde é possível encontrarem-se um pai jovem e uma filha muito velha. Se já a ideia de ir para o Céu me aterroriza levemente, esta de ir parar a um lugar onde todos somos só ossos, sem chicha nem peles [o mal que hão-de ficar os meus cabelos em cima deste esqueleto lindíssimo] [eh, pá, 'pera lá, pára tudo! Nunca mais terei que me preocupar com o que como? Hummm...], mas também onde desaparecerei (dolorosamente, diga-se) ao fim de algum tempo, assim que cá na Terrinha se esqueçam de mim — o que poderá demorar o tempo de um fósforo —, também não sei se me agrada. O melhor é continuar a ser como sempre fui, pode ser que a sorte me faça a vontade, e o Hades também há-des.

(De qualquer forma, vale muito a pena. Lá quanto a tratar-se de um filme de Natal, maiores dúvidas se me agigantam, mas isso também posso ser eu, cartesiana duvidosa.)