08/11/2021
Leave me breathless
26/10/2021
And that awkward moment # 66
em que a aula está prestes a começar, a instrutora pergunta ao grupo se é a primeira vez de alguém — por indiscrição ou curiosidade estatística, já que não faz nada com a informação, sequer pergunta se a pessoa sofre de lesões a ter em conta —, há uma que levanta o braço e logo é confrontada com a questão seguinte, que é meramente retórica: “Gostas de dançar?”, ao que ela responde: “Não”.
…
Ora, este tipo de atitude levanta-me a mim uma série de dúvidas:
1. Existem mais pessoas que, tal como eu, sistemática e matematicamente se enganam na porta?
2. A mulher ouviu mal/ não percebeu a pergunta, tendo pensado que era um daqueles inquéritos chatos a que uma pessoa responde o primeiro desvario que (não) lhe vem à cabeça, ou uma micro-sessão de psicoterapia pré-esforço para descontrair?
3. Terá julgado que estava a responder a um Trivial, e, desconhecendo a resposta para Camembert, pensou que a certa era a mais improvável?
4. Será uma daquelas pessoas que nunca saem/ gabam-se de que nunca saíram da p. da adolescência, e consideram que toda a gente tem que achar piada/ aturar as suas irreverências?
5. Será apenas e tão só genuína e ingenuamente mal educada?
Já nem dancei convenientemente, tal foi o rodopio cerebral que isto me provocou. (Ultimamente, tenho sempre uma boa desculpa para os meus desacertos de passo. Esta foi a deste dia.)
(Uma pessoa desgasta-se.)
11/10/2021
Os animais falam connosco
Molly, registada Pequena Molly num momento de clara incapacidade de antevisão — pois veio a tornar-se um animal enorme —, iniciou um ritual mictório nos lavatórios das casas de banho, dando uso à caixa de areia apenas para a defecação, valha-nos isso. Assim, disse-me ela: “Olha para mim, estou doente.” Pela frequência e quantidades mínimas, rapidamente percebi que se tratava de algo parecido com (ou no mau caminho para) uma infecção urinária. Não precisa de me dizer que é inútil tentar metê-la na gateira para a levar ao vet, a menos que não me importe de ser mordida e arranhada a ponto de ficar sem as veias dos braços e, vá, um olho, com a garantia porém de que, ainda assim, não vou conseguir enfiá-la lá dentro. Compreendo, porque eu própria não o permitiria: aquilo é claustrofóbico e aterrorizador, além do que, o que se segue é uma (curta, é certo) viagem de carro, que ela detesta, e um ambiente estranho com gente igualmente estranha a mexer-lhe no corpo e a fazer-lhe “maldades” — tirar sangue, recolher urina, dar-lhe injecções, quando não — cúmulo dos cúmulos — cortar-lhe as unhas. Da última vez que lá esteve, após épico enclausuramento na caixa de transporte, em que saíram pessoas magoadas (ensanguentadas!) daquela relação, teve que ser metida na jaula das feras (don’t ask). Isto, apenas para ser vacinada.
Posto isto, dirigi-me à clínica, sem gata, expus o problema e trouxe para o lar um anti-inflamatório para senhora dona Molly tomar durante cinco dias, e ainda a marcação de uma consulta para análises e exames para amanhã, terça-feira, às 11:00 horas da madrugada. Já lá vamos.
Diz-me a gata, através de gesto e modo, que não toma medicamento algum, seja em cápsulas (mesmo que abertas e misturadas, nem que seja com filet mignon), em comprimidos desfeitos, ou em líquido. É óbvio que me grita, “Estás louca, queres envenenar-me?”. E então, por pesquisas nos meus já escassos e desgastados neurónios, cheguei à conclusão de que a única “guloseima” à qual ela não resiste de todo, é azeite. Portanto, agora toma todo e qualquer medicamento, desde que desfeito numas gotinhas desse ouro alimentar. Um dos amores da minha vida é, em suma, azeiteira.
A veterinária deu-me uma cápsula de calmante para dar à gata uma hora e meia antes de a levar à consulta. Resta-me apenas a dúvida se efectivamente lha dou, ou se a tomo eu. Melhor, talvez, será abri-la, misturá-la em azeite, e vai metade para cada uma. A minha parte também pode levar vinagre e orégãos, so help me God.
28/09/2021
Relação de causa-efeito?
Creio que vai sair-me um volátil, porém guinchado, desabafo.
A miúda do andar de cima continua a gritar. Está aos berros desde o início da pandemia. Passou do ano e meio de vida para os três anos, sempre aos guinchos. Gostaria de saber se são as crianças-covid, chamemos-lhes assim — então não há as crianças-galinha e as crianças-lobo? —, que são mais irascíveis do que as de gerações anteriores, ou se sou eu que estou mais intolerante. Desde a praia, ao campo, à montanha, à cidade, à aldeia, para onde quer que me volte, há uma criança aos brados, ou aos silvos, atingindo agudos insuportáveis ao fino tímpano da comum mortal. Já considerei mesmo se não será antes a minha cabeça que fabrica estes ruídos, só para me irritar a mim.
Mas não era isto que vinha hoje partilhar. Até comecei bem, contudo a pluma leva-me por caminhos.
A criança do andar de cima.
Julgo, não percebendo grande coisa de materiais de construção, menos ainda de Física, que, sendo a água boa condutora do som, as casas de banho, sejam na Buraca ou na Lapa, são “excelentes” locais para — em querendo, e daí as aspas, ou mesmo que não —conhecer um pouco da vida íntima dos vizinhos.
A miúda do andar acima do meu. E o pai da miúda.
Há largos meses que começo os meus dias brindada pelo chinfrim que fazem as cordas vocais da filha e o intestino grosso do pai. Pronto, já disse, agora não posso desdizer.
Resta-me saber, já que os dois ruídos me entram paredes — chão com tecto — adentro enquanto me maquilho, se existe uma relação de causa-efeito entre o silvo da filha e o flato do pai. Qual provoca qual?, é a enorme questão. A filha desvaria quando o pai se deslarga, ou o homem tem um acesso flatulento quando a criança guincha? Eventualmente, nunca saberei. Ou se, simplesmente, se trata de mera coincidência, por simbiose biológica?
Pergunto-me amiúde, mas (ainda) não me respondo, em que estado estarão os nervos daquela mãe. Imagine-se, se eu, que só moro umas quantas vigas + pladures abaixo, sinto que corro o risco de errar o risco e enfiar o lápis de olhos num olho, que direi dela? Será menos arriscado se não se maquilhar, concluo.
15/08/2021
Está aí alguém?
Era só para fazer uma pergunta.
(Isto carece de contexto.)
Para encurtar conversas, digamos que já parti três aparelhos de contenção, uma vez que hei-de possuir uma mordida de pitbull ou de, sei lá, crocodilo. O terceiro dos ditos até já foi feito com "um material mais resistente", afiançaram-me o dentista dos olhos bonitos e Sónia, a implacável aspiradora de amígdalas. Mais resistente, julgo que se referiam à dentada aqui da bruta, que, durante o sono, deve transformar-se no Raivoso e vai tudo a eito. Folgo em já não chupar no dedo (vá, e poupem-me a pensamentos pecaminosos e castrantes), caso contrário estaria amputada de ambos os polegarzinhos, ou, quiçá, de todos os dez desgraçados. Capaz de, a seguir, ter que ponderar iniciar a carnificina nos pés.
(Mais um parêntesis para revelar ao mundo que, aquando da minha hospitalização, uma bela manhã levaram-me a ortodôncia com o lixo do pequeno-almoço, pelo que me vi obrigada a armar a p. e a declarar que "o aparelho tem que aparecer porque eu paguei [não interessa] euros por ele, olhem, vasculhem no lixo", e não é que foi mesmo no lixo de todas as enfermarias que foram dar com o meu lindinho? Vá que não calhou ter sido no lixo das arrastadeiras. Ou tal não me foi revelado, para me evitarem mais picos de tensão.)
Não sei. Não percebo o que se passa entre mim e os De Contenção. Posso afiançar que o material que o dentista usa é de primeira qualidade, por uma questão de lógica. (Sei lá qual.) Reconheço que, pela manhã, me aflige tirar aquilo dos dentes, porque tenho medo de estragar as unhas, e então posso estar a fazer força no lado errado da coisa. Admito que a cena me enoja de tal maneira, que a mergulho em elixir durante horas, após escovagem exaustiva e meticulosa, o que pode ser corrosivo ou desgastante para o acrílico da peça. Ultimamente, acho-o esverdeado, mas acho que é derivados à cor do elixir. Ou será verdete?
A pergunta para Roquefort é: o que é que estou a fazer de tão errado no uso da pulaka?
Linda Blue, a caminho do quarto aparelho De Contenção. And counting byting.
12/08/2021
And that awkward moment # 64
em que adquires um vestido numa loja online — silêncio. É lindo. Vai ficar-me épica, estúpida e estonteantemente a matar e vai fazer de mim a mulher mais enigmática do meu bairro da minha rua do meu prédio do mundo em que eu existo —, entras em negociações com quem está do lado de lá do ciberespaço acerca do tamanho, a saia do vestido é acima do joelho, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, também não queres tudo à vela que nem possas sentar-te à frente de pessoas em paz, qualquer centímetro conta em se tratando da altura de uma saia, sempre a dúvida existencial entre o S e o M, então envias as tuas medidas, e de lá profeciam-te o S, mas tu ai que não, veja lá se não fica demasiado curto, eu meço 1,68 metros do cucuruto até às plantas, e diz quem responde às tuas angústias:
Não fica demasiado curto, a modelo tem 1,64 m.
Quatro
centímetros
na altura
de uma saia.
...
Quarenta milímetros.
...
Mandei vir o M.
17/06/2019
E os boomeranggers? ∞
22/03/2019
Da fonética das coisas
12/03/2019
Dúvidas que me assaltam à mão armada logo assim pelas 9 da madrugada
02/03/2019
Hoje venho interagir
06/02/2019
Da espiral à escalada, foi um pulinho. Ou um tirinho?
Vou apostar em escadaria, ou escadote. Sempre obedecem às duas “regras”.
16/01/2019
Na senda de "Sou só eu?" # 19
A mim, sim, acontece. Admito que sou uma bruta, e reconheço que até sou bastante directa (quando não me dá para ser a ameba proteus que tudo aguenta, sem sinais à vista de um dia explodir), digo o que sinto (que é muito pior do que dizer o que penso, mas joga a meu favor que sinto muito mais do que penso), não costumo socorrer-me de mimimis. A questão, porém, é a de que o povo que me desaparece das vistas e corta relações comigo é, regra geral, povo sem razões de queixa da minha pessoa humana. Ou então, eu sou a cínica distraída, que piso com meu salto agulha Prada em todas as sensibilidades, sem me aperceber, e as pessoas ofendem/ enxofram/ magoam.
Agora há pouco foi a que até me tem uma afinidade, que começou por se esquecer do meu aniversário. (Sim, crianças, fiz anos em Novembro e não vos disse nada. Em compensação, vós haveis-me dado tratamento recíproco). Em, vá, uns trinta e picos anos de convívio (mais ou menos forçado, é certo), nunca tal havia ocorrido, pelo que lhe telefonei a perguntar se estava chateada/ havia algum problema/ o que é que se passava. Mais franca e directa do que isto, só se lhe fosse bater à porta com um maço de kleenexes e uma chibata para me autoflagelar, caso se justificasse. Que não, que não havia nada, que estava tudo bem, que beca-beca. Toda a rir, muito parva, quando lhe perguntei por que é que não me deu os parabéns, ai, que me esqueci, ai, que mudei de telemóvel e perdi as datas todas, ai, que cabeça a minha.
Só eu para levar com estas drogadas da insinceridade.
Depois fiquei à espera que me desejasse as Boas Festas, mas acho que também perdeu essas datas com a mudança de telemóvel, pois nem um sms para amostra. É certo que também eu poderia ter-lhas desejado, mas dá-se que estava expectante e eu, quando estou expectante, sou assim: muda, só à espera que o inimigo se mova.
Pronto, mais uma.
Bom, de qualquer modo, sei-a tranquila, pois disseram-me, que eu nunca vi, que bate no peito ao domingo, naquele transe lá dela, a proferir as palavras mágicas que tudo limpam, "Por mea culpa, por mea tão grande culpa". Quanto a mim, também estou em paz, mesmo não cumprindo o tal ritual.
Este post foi escrito:
1. Sem patrocínios;
2. Porque tenho uns quarenta chouriços para encher até ao dia 5 de Abril;
3. Porque não tenho assuntos que interessem aos marcianos;
4. Sem mágoa, sem dor, como aqueles partos Lamaze;
5. Por mera curiosidade, pois gostava mesmo de saber o que é que passa na cabeça dos que me despedem sem justa causa. (Olhem, ide.)
13/12/2018
Daquele programa, que, repito, a-do-ro # 11
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| Isabel dá-nos conta de que vai praticar jiu-jitsu. Seu cabelo está mais curto do que quando iniciou o espectáculo. |
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| Isabel pratica jiu-jitsu, com seu cabelo curto. |
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| Isabel vai ao lar com seu par, para ele lhe mostrar uns álbuns da sua infância. Claramente, o cabelo cresceu-lhe pelo caminho. |
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| Isabel vê os álbuns com Cláudio, e seu cabelo mantém-se longo. |
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| Logo de seguida, Isabel vai lanchar ao lar dos cotas. Já leva seu cabelito cortadito. |
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| Cá está ela, a lanchar. |
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| Pronto, e aqui de novo, com a mesma farpela de antes do jiu-jitsu, falando sobre o lanche, e confirmando seu cabelo mais curto. |
24/10/2018
Vá, cosmos, diz lá o que é que queres dizer-me
13/07/2018
A ver se eu percebi
25/06/2018
Dúvidas que me assaltam à mão armada, logo assim pelas 11 da madrugada
04/06/2018
Nutro uma espécie de miminho e manifesta admiração
16/04/2018
Dúvidas que me assaltam à mão armada com alguma frequência # 5
14/02/2018
Eu tenho problemas com tudo # 30
04/12/2017
Coco (se acharem que é spoiler, é não lerem # 2)
Afinal, não. Parece que existe uma morte após a morte, para além de nos encontrarmos todos — em esqueleto, com peruca e roupa, pois que há-de ser importante aquecer os ossos (sem corrente sanguínea, atente-se) e esconder as partes pudendas, que, em rigor, já não existem — num lugar entre o sinistro e o festivaleiro, com a idade com que fenecemos, ou seja, onde é possível encontrarem-se um pai jovem e uma filha muito velha. Se já a ideia de ir para o Céu me aterroriza levemente, esta de ir parar a um lugar onde todos somos só ossos, sem chicha nem peles [o mal que hão-de ficar os meus cabelos em cima deste esqueleto lindíssimo] [eh, pá, 'pera lá, pára tudo! Nunca mais terei que me preocupar com o que como? Hummm...], mas também onde desaparecerei (dolorosamente, diga-se) ao fim de algum tempo, assim que cá na Terrinha se esqueçam de mim — o que poderá demorar o tempo de um fósforo —, também não sei se me agrada. O melhor é continuar a ser como sempre fui, pode ser que a sorte me faça a vontade, e o Hades também há-des.
(De qualquer forma, vale muito a pena. Lá quanto a tratar-se de um filme de Natal, maiores dúvidas se me agigantam, mas isso também posso ser eu, cartesiana duvidosa.)

















