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24/10/2018

Vá, cosmos, diz lá o que é que queres dizer-me

Era uma vez eu, que, num gesto de profundo narcisismo e amor próprio, adquiri uma pequena medalha alegórica ao meu signo do zodíaco, que é, como não poderia deixar de ser, Escorpião. Lá no meio, muito bem colada, estava uma pedra azul, nem de propósito. Fora amor ao primeiro clique, voara para a loja na ânsia de a possuir, dera o coiro e o cabelo por ela (e mais me pedissem, que também teria dado), pendurei-a da carótida, colada à jugular, há dois meses, e nunca mais a despendurei. Passámos sessenta e tal dias a dormir juntas, a tomar banho juntas, a mergulhar no mar e na piscina juntas, a suar juntas, todo um romance que até enjoava. E, se calhar por isso mesmo, ou apesar disso, a pedra da medalha soltou-se e desapareceu sem deixar rasto.
Entristecida, porém munida do certificado de garantia, fui reclamar ao mercador que ma vendera. Que sim, que me punham pedra nova, porém talvez tivesse que a pagar, e beca-beca. Então está bem, eu ainda vou procurar a pedra, respondi sem convicção, pois que a dita tinha o exacto tamanho da cabeça de um alfinete e já havia desaparecido há quase vinte e quatro horas, tendo eu atravessado montanhas e vales nos entrementes. 
Chego a casa, ponho-me assim nos meus pensamentos, estática, de pé, "por onde é que vou começar?", olho para o chão e 
(oh, pá, ninguém vai acreditar...)
(que se lixe, arrisco.)
lá estava ela.

Pergunto-me-vos, então:
1. Essa cena da agulha num palheiro é para meninos, pois é?
2. Tenho uma vaca do genital? Muuuu.
3. Tenho olhos de lince?
4. A pedra tem o tamanho de uma rocha, eu é que vejo mal e não sei, afinal tropecei nela e estou para aqui com coisas?
5. A probabilidade de isto voltar a acontecer é para aí de uma num milhão, não? E convenhamos que não devo sequer ter um milhão de dias pela frente.
6. Será que isto invalida probabilidades quanto a ganhar o Euromilhões?
7. O ditado "Quem procura acha" não estará desactualizado, em se tratando de pessoas como eu?
8. Devia tornar-me mística? Medium? Cartomante? Investigadora criminal?
9. O facto de ser Escorpião tem alguma coisa a ver com isto?
10. O facto de a pedra ser azul determinou todo este desfecho?

13/07/2018

A ver se eu percebi

Pois, eu, acho mal. Não porque possa interessar-me ver o que quer que seja, num jogo de futebol, a não ser o próprio jogo, e, mesmo esse, depende. Olhem, depende dos fatos dos jogadores, da combinação em matchi-matchi da bermuda com a blusa mais o soquete e o téne, da harmonia entre os uniformes das duas equipas naquele todo com o verde em pano de fundo, enfim, depende de uma série de factores estéticos, e também externos, que em nada se prendem ou sequer agarram com as meninas da plateia. 
O que verdadeiramente acho mal na notícia, são muitas coisas, a saber:
1. Para já, a noção de bonito é olimpicamente subjectiva - uma vez que se prende com o sujeito, e aqui mais do que nunca -, e o que eu posso considerar bonito, para o meu vizinho da frente ou o de cima pode ser o horror, e gostos não se discutem. Por exemplos, eu era capaz de achar que estavam a filmar uma mulher bonita num estádio se me aparecesse no visor a Audrey Hepburn, que essa sim, era uma mulher bonita, tinha uma cara lindíssima. (Mesmo à gaja, dar um exemplo de beleza de alguém que já morreu. E que já não se pode defender.) No entanto, o Zé dos Anzóis, essa mítica figura, era ver a Malhoa no ecrã, e upa-upa. Portanto, enfim.
2. Logo a seguir, não se entende por que é que se evita filmar mulheres bonitas, e não apenas e tão-só mulheres. Qual é a piada de ver mulheres no futebol? É pela novidade? Hum, é que não. Já não estamos nos anos 60 do outro século, pessoas. Uma mulher no futebol, é como uma mulher no ginecologista, e Lili Caneças não diria melhor. 
3. Mas, contraditoriamente, que eu sou este poço, também acho chato que deixem de filmar as petizas futeboleiras, porque é assim: aquele é O momento delas, são os seus quinze minutos décimos de segundo de fama, para os quais se maquilham, vestem (?) a rigor, com vista a darem nas e encherem as vistas, batendo pestanas (postiças, ok, mas...?), batendo palminhas, fazendo momices, oh, pá, são tão fofas, é um bocado coiso tirarem-lhes isso...
4. Na mesma senda, não percebo que se filmem pessoas na bancada, independentemente de serem mulheres, homens, mais ou menos, ou um bocadinho de cada. Essa cena é altamente limitadora e também catalisadora. Já repararam na quantidade de gente que, ao perceber que tem o foco em cima de si, lhe cai logo uma lágrima? Há jogos cujas bancadas parecem autênticos museus com a obra completa do Menino da Lágrima, esse ícone. 


Então, aquilo é ou não é o efeito imediato da pressão mediática? Qual amor ao clube, qual quê, aquilo é a imagem para a posteridade, o momento das redes, apanhado na rede. 
5. Digam-me lá se esta medida da FIFA não pode originar dramas maiores do que o da simples filmagem das elegantes senhoras que se deslocam aos estádios? É que, a partir de agora, cada vez que a câmara apontar para uma mulher, ela vai poder considerar, automatica e justamente, que é consensualmente desonsiderada sensual e gira e bonita e demais predicados estéticos. Quer dizer, isto pode acarretar traumas e até aquelas coisas dos tribunais, como é que se chamam? Aquilo do direito à imagem, e assim. Eu, cá por mim, até acho que as mulheres que sejam filmadas, a partir de agora, não só podem passar a sentir-se feias, gordas, marrecas e desdentadas, como também devem considerar optar entre o que é que é melhor: ser assediada ou bullyingada?

Estão a ver por que é que eu não vou ao futebol? Era a câmara o tempo todo em cima de mim, nada de jogo, como naquelas transmissões que não pagam as licenças, sabem? E eu sem saber se era pela minha boniteza ou pela obediência às regras da FIFA, deixa-me cá ficar no lar, que eu não pago para ter mais traumatismos.

25/06/2018

Dúvidas que me assaltam à mão armada, logo assim pelas 11 da madrugada

(Rimou e é verdade.) (Quem rima sem querer, é amado sem saber.) 

Quando falo e o resultado daquilo que procurei transmitir é igual a zero, tal poderá dever-se a um destes factores:
1. Não me diz entender;
2. O meu interlocutor não me ouviu;
3. Falei demasiado baixo/ educadamente/ numa linguagem excessivamente elaborada, metafórica, indirecta, estrangeira;
4. Tenho problemas de dicção (dos quais nunca me apercebi);
5. Estou rodeada de pessoas com défice auditivo;
6. Quando eu falo, ninguém baixa as orelhas;
7. O meu interlocutor não compreendeu o que eu disse;
8. Não repeti vezes suficientes (naquela de água mole);
9. Talvez tenha que insistir ad nauseum, assim como se faz com as crianças, cujo lema é "Ralha-me, mas não me ignores";
10. Um pouco de todas.

04/06/2018

Nutro uma espécie de miminho e manifesta admiração

pelo povo que - embora não lavando no rio e, consequentemente, não talhando com seu machado as tábuas do meu caixão - obriga a que exista uma fila à direita nas passadeiras e nas escadas rolantes (regra que não está escrita em lado nenhum), e a da esquerda lhes fique liberta, para que possam passar, veloz e atleticamente, “có-licença-có-licença”, nomeadamente quando, logo ao lado, existe uma passagem de escadas não rolantes, ou mesmo uma passadeira parada, por onde poderiam exercitar a musculatura e dar largas e compridas à tal da pressa. Por mim, que só não empato quando não posso, estaciono o carrinho do supermercado exactamente ao meio da passadeira, pois não há nada que me tire aquele bufar de impaciência na minha nuca. Cada um tem seus fetiches, e este é o meu.
(Devem ser os mesmos que atravessam em diagonal nas passadeiras. Ou que se metem pela direita, sem pisca, pisando o traço contínuo. Ou que tentam passar “subrepticiamente” à frente em todas as filas que apanham. Os outros que esperem, o Mundo que pare, porque eles têm pressa.)
(Mas que mal fizeram as mãezinhas destes entes para estarem sempre na forca?)

16/04/2018

Dúvidas que me assaltam à mão armada com alguma frequência # 5

Gostaria atrozmente que alguém me explicasse esta nova moda de andar na rua com o telefoninho deitadinho na palma da mão, e a falar na direcção da ponta de cá, que é aquela que fica mais próxima do pulso. 
Em tudo me lembra aquilo um reclame que dava no televisor quando eu era garotita (já não me lembro a o quê, mas não me chocaria se fosse a conservas enlatadas), que era o do beijo nos quatro dedos, depois estendidos para a frente, e, por fim, soprados nas pontas. Ouvia-se então uma vozinha cantada, que trinava "sex appeal!". 
Depois as coisas evoluíram, todas adquiriram um nome técnico, e a isto passou a chamar-se blowing kiss.


Assim anda actualmente o povo, com seus aparelhos em pose de sex appeal, ou, se preferirdes, blowing kiss. É porquê? Têm medo do cancro no cérebro (?), e acham que assim o evitam, preferindo não encostar o telemóvel à orelha? Falam para a mão, na verdadeira acepção da expressão? E como é que ouvem quem está do lado de lá da "linha"? Com auriculares? E não têm medo que o cancro no (tal) cérebro lhes entre pelo fio? Ou põem o interlocutor em alta voz? E nós, que estamos literalmente de fora, temos que ouvir o que se passa nestas vidas? Porquê? Não é precisa toda uma estratégia, cada vez que vão falar, ou alguém lhes liga, para ligar o fio, colocar o telemóvel naquela posição de equilíbrio precário, a ocupar uma das mãos (elas não são só duas?), e, assim, estabelecer uma conversação? De que é que falam? Quando a chamada termina, sopram o telemóvel? E ele cai? Isto um dia vai chamar-se blowing mobile phone? Qual é a cena?
Não consigo dormir.

14/02/2018

Eu tenho problemas com tudo # 30

Eu, por acaso, vinha aqui a passar, ainda meio azambuada do facto de ser madrugada [sou discípula de Marco Fortes, mas a vida não me permite obedecer àquele único cânone da nossa seita], e lembrei-me que era capaz de ser oportuno vir perguntar às pessoas que ainda devem (não o entendam como uma suposição, mas como o cumprimento de um dever) estar a dormir, quais as suas opiniões acerca de um problema que me assalta, e vamos já ver a seguir o porquê de até ser à mão armada: o gatilho das mangueiras das bombas de gasolina. Hã? Nada mais específico, com tantos pronomes possessivos.
Então, depois de ter tirado — ou, mais concretamente, arrancado — a carta de condução, ensinaram-me a meter combustível na viatura que eu conduzia à época, meu querido boi. Quem o fez, foi uma pessoa conhecida, que encontrei na rua por acaso, à qual me queixei de que estava deveras preocupada, pois que estava com a gasolina à pele e não sabia colocá-la lá no coiso. A pessoa prestou-se, e imagino que se arrependeu no primeiro acto, pois que eu, ao retirar a mangueira da entrada do depósito, dei-lhe umas (o mais discretas possível, é certo) sacudidelas no ar, justificando-me, perante o espanto/horror dela, que não fazia ideia que não era assim, pois que só tinha um rapaz para três meninas, numa desproporção de 1/4, e ainda estava na fase em que ele tinha largado a fralda há pouco tempo.
Bom.
Concretamente, o gatilho das mangueiras das bombas de gasolina causa-me transtornos e angústias várias, tudo por uma razão muito simples para ele, dramática para mim (ou não fora eu um niquinho drama queen): ele dispara. 
Porque isto é assim: meto a mangueira lá na entrada [não, a sério, dêem algum apreço às minhas talvez vãs, porém desesperadas tentativas de não deixar resvalar o assunto], aperto o gatilho, e, em vez de sentir a fluidez com que o combustível jorraria para o interior da viatura, começa ele nos disparos, bang-bang. Ou seja, pára a cada, vá, cinco segundos. Eu aperto, a mangueira esmifra umas gotas, ele dispara, o processo pára. Aperto outra vez, mais umas gotas, pumba, pára de novo. 
Já me informei com quem sabe destas coisas (basicamente, toda a gente), e foi-me dito que meto mal a mangueira, que enterro pouco aquilo lá na entrada (chiu). Munida dessa informação, tentei dar o meu melhor nesse momento, e o resultado foi o mesmo. Até acho que foi pior. 
A solução que tenho arranjado tem sido pagar uma quantia qualquer ao balcão, em pré-pagamento, e depois, uma vez que este processo todo leva alguns minutos mais do que levaria em condições normais, simulo que estou a meter o dobro, com aquele ar de excêntrica enfadada, este-depósito-parece-o-de-um-camião.
Estou (in)conformada.
Queria saber se sou só eu, que é para, caso negativo, poder dormir descansada e andar na rua aos saltinhos descontraídos. Caso positivo, vou ter que tomar providências cautelares, tipo uns calmantes antes de ir à bomba, ou então, arranjar um motorista, a quem possa dizer: "Vá lá você, que é para isso que eu [não] lhe pago, que aborrecimento, quer levar um estalo?".

04/12/2017

Coco

(se acharem que é spoiler, é não lerem # 2)

É porem um filme da Disney (Pixar, neste caso) em cartaz, e lá me têm. Tenho aprendido mais com filmes supostamente infantis do que com aqueles que são destinados a adultos (não esses, canudo!). Nunca mais vou crescer, e nem sei se quero. (Lá está outra dúvida com que me debato estóica e diariamente.)
Captei a mensagem principal — que a verdadeira morte se dá quando nos esquecemos dos nossos mortos, ou quando formos esquecidos pelos nossos vivos —, mas não a secundária (se é que ela existe, mas eu, lá está, ando sempre à procura da segunda e da terceira leitura de todas as coisas). Ia na expectativa de encontrar um filme algo metafísico, que me explicasse o que existe para lá do fim, apesar de não ter grandes crenças pessoais acerca do assunto, e alguma quase certeza de que a morte é isso mesmo: pois, se é para as plantas e para os animais, quem somos nós (?) — outra dúvida das boas — para considerarmos que connosco será diferente?
Afinal, não. Parece que existe uma morte após a morte, para além de nos encontrarmos todos — em esqueleto, com peruca e roupa, pois que há-de ser importante aquecer os ossos (sem corrente sanguínea, atente-se) e esconder as partes pudendas, que, em rigor, já não existem — num lugar entre o sinistro e o festivaleiro, com a idade com que fenecemos, ou seja, onde é possível encontrarem-se um pai jovem e uma filha muito velha. Se já a ideia de ir para o Céu me aterroriza levemente, esta de ir parar a um lugar onde todos somos só ossos, sem chicha nem peles [o mal que hão-de ficar os meus cabelos em cima deste esqueleto lindíssimo] [eh, pá, 'pera lá, pára tudo! Nunca mais terei que me preocupar com o que como? Hummm...], mas também onde desaparecerei (dolorosamente, diga-se) ao fim de algum tempo, assim que cá na Terrinha se esqueçam de mim — o que poderá demorar o tempo de um fósforo —, também não sei se me agrada. O melhor é continuar a ser como sempre fui, pode ser que a sorte me faça a vontade, e o Hades também há-des.

(De qualquer forma, vale muito a pena. Lá quanto a tratar-se de um filme de Natal, maiores dúvidas se me agigantam, mas isso também posso ser eu, cartesiana duvidosa.)

03/11/2017

Nova noção de "treino"

Se a pessoa for ao supermercado de manhã e carregar para o carro oito quilos de compras, e depois carregar o mesmo peso do carro para casa; se for fazer uma prova de esforço à tarde; se for dançar durante uma hora à noite, pode considerar-se que treinou três vezes durante o dia?
Ou nenhuma?


04/07/2017

The girl next door # 9



Acordo pela manhãzinha, ainda alta madrugada, assaltada à mão armada por dúvidas. Descartes era um menino, perto disto. 
Assim como tenho vizinhos que me riscam um carro novo — embora o facto de ser novo seja aqui totalmente irrelevante —, tenho também outros que me dão comida. (Às tantas, tenho um ar enfezadinho e nem me apercebo disso.)
Outro dia veio cá uma vizinha bater à minha porta para me entregar um tabuleiro destes frutos. Estava bastante mais cheio, mas o povo cá do casebre tem comido, de modos que já só apresento uma amostra. 
Encontro-me agora num impasse, chegada que é a hora de devolver o tabuleiro, uma vez que já passaram uns dias sobre a oferta: quero agradecer-lhe, mas não sei construir a frase. Não sei ao certo se isto são ameixas amarelas, abrunhos, rainhas-cláudias ou magnórios. Quero dizer assim: "Ester, venho devolver-te o tabuleiro e quero agradecer-te os [poing], que eram deliciosos". 
Estou a pensar em várias soluções, mas nenhuma me parece perfeita:
1. Digo uma frase em que não se perceba bem a parte do nome do fruto: "Ester, venho devolver-te o tabuleiro e quero agradecer-te os ameibrunhrainhagnórios, que eram deliciosos";
2. Digo uma frase em que não diga o nome do fruto: "Ester, venho devolver-te o tabuleiro e quero agradecer-te aquelas frutas, que eram deliciosas";
3. Digo uma frase em que nem sequer falo do fruto: "Ester, venho devolver-te o tabuleiro";
4. Digo uma frase em que atiro com um daqueles nomes ao calhas e o pior que pode acontecer é ela corrigir. Ou então ignorar;
5. Meto-me no Google;
6. Meto-me nas tamanquinhas e vou à mercearia chamar pelos conhecimentos do senhor Joaquim;
7. Meto-me nas tamanquinhas e vou à mercearia comprar quantidade igual dos mesmos frutos e vou oferecer à vizinha;
8. Não devolvo o tabuleiro;
9. Mando-lhe o tabuleiro pelo correio, uma vez que sei a morada dela;
10. Faço uma compota com os frutos e vou oferecer à vizinha, como prova da minha gratidão, dizendo: "Ester, venho devolver-te a gentileza, por isso fiz compota com os ameibrunhrainhagnórios que me ofereceste, aqui a tens". 

15/03/2017

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 48

O que quer dizer-me o Continente* online, o cosmos ou a vida, quando, pelo segundo mês consecutivo, se recusa a entregar-me os detergentes das máquinas da roupa e da louça? 
1. Que devo abster-me de lavar roupa e louça? 
2. Que, caso assim opte por, e ao fazê-lo, me aguarda uma época de grande contenção de despesas, ao nível não só saponário, como também aquático e eléctrico? 
3. Que o bedum e o resto de comida agarrada ao prato se suportam tão bem, que devia deixar-me de minudências domésticas? 
4. Que eu sou uma maluca manienta das limpezas e devia era preparar-me para uma situação de estado de emergência/ilha deserta/casa dos segredos?
5. Que há coisas mais importantes na vida do que a higiene?
6. Que toda a roupa e toda a loiça são recicláveis, no sentido que são reutilizáveis infinitamente, sem que, entre usos, seja necessária a passagem por — sequer — água? 
7. Que devo encontrar uma eco-alternativa e passar a usar roupa descartável e talheres idem?
8. Que está inventada a nova dieta Objectivo Biquíni 2017, que passa por ter nojo do próprio prato? 
9. Que está inventado o novo Movimento Naturista 2017, que passa por ter nojo da própria roupa?
10. Que não querem vender, logo ganhar dinheiro, logo prosseguir o fim para o qual a porra da sociedade que constituíram se obrigou?

(Já agora, também estou para aqui a fritar em óleo de coco [ai, o circunflexo que caiu, ai o cheiro do óleo...] esta dúvida: o que quer dizer-me o Continente online quando, pela segunda vez consecutiva em que posso descontar um talão de 15 % sobre o valor das minhas compras, o sistema lá deles breca no último momento, à última da hora, no último dia em que posso descontar a porra do talão, e ele expira!?)

* Ninguém me paga para me calar

10/01/2017

Dúvidas que me assaltam à mão armada logo assim pela fresca

Verbo polir, conjuntivo, presente.
Por mais que se pula?
Por mais que se pola?
Por mais que se pule?
Por mais que se pole?

Depois passa-me. Vou ver à nettinha e ela explica: http://www.conjuga-me.net/verbo-polir.
Que giro, polir e pular são homófonos e homógrafos, gémeos num determinado tempo das suas vidas.
E até conjugáveis na mesma frase: Por mais que ele se pula, nunca será um cavalheiro. O melhor é pulares fora. 


14/12/2016

Das minhas associações de ideias # 13



Este é o tipo de tema com o qual preciso de ocupar a mente, quando ela já anda muito poluída e pouco polida.
Estava hoje a fazer umas compras cá para o lar, e aconteceu-me ter baptizado inadvertidamente um tipo de tomate. Sei que existe o redondo, sei que existe o chucha, sei que existe o cherry, ou baby. E que nome dar ao chucha pequenino? Chucha-baby, claro. Por associação com


E que toda a vida achei que o nome da pêra rocha se devia ao facto de a tal pêra ter a aparência de uma pedra e a dureza dos cornos de uma rocha? E não é que não? O seu criador de origem é que se chamava Rocha. Vá que não era Pereira. Ou Oliveira.


Acho que por ora é tudo.
Atentamente,


09/08/2016

Dúvidas que me assaltam à mão armada com alguma frequência # 4

Por acaso, acordei a pensar nisto: por que é que a voz dos grilos não é gri-gri-gri, quando a designação do bicho é, evidentemente, onomatopaica? Ou então, por que é que eles não se chamam antes crilos, já que é comummente aceite que a voz deles é cri-cri-cri?

Assim como os nomes de tantos animais são retirados do som que emitem — veja-se cão, veja-se os verbos miar e piar —, seria justo, senão lógico, que os grilos se chamassem crilos, ou então que se aceitasse pacificamente que, quando cantam, se ouve gri-gri-gri.

Eu sei que sou esquisita.

Este post
uma 
Mas não é. 
Não tenho imaginação para iniciar uma.
Gri-gri-gri.

16/07/2016

Um post sobre mamas

(Ao sábado, a freguesia desce para menos de metade, há que atrair as massas. Falando de mamas. Massas mamárias.)

———

Descobriu-se intolerante à lactose. 
Explicava-me ela, que tudo sabe (mesmo, sem ironias) que a lactose está presente em maior proporção no leite de vaca, e menor no leite de cabra.
Ela mamou até aos oito meses.
É normal que me tenha surgido a dúvida e, pior, a tenha verbalizado?
- E o leite de mãe?

~

Provava uma nova especialidade vegetariana. 
- Ui, que delícia!
Fiquei curiosa e quis provar, mas só havia um garfo, que ela usava no momento, mas me estendeu de imediato.
- Isso não é muito higiénico...
- Prova, mulher, qual higiénico? Foi de ti que eu mamei.
(É esta a educação que eu lhes estou a dar. E adoro. Adoro-as.)
Provei. Mas ela, ainda encantada com o sabor, disse:
- É a caldo verde que sabe...
É normal que me tenha surgido a dúvida e, pior, a tenha verbalizado?
- O meu leite?

23/05/2016

Construir uma casa

Tenho a gaiola dos passarinhos em cima de um móvel vassoureiro, junto à janela da cozinha. Têm que estar assim altos, porque as gatas podem achar que eles são dois ratinhos, eventualmente por se chamarem Bernardo e Bianca. 
O raio do móvel estava todo a querer desmontar-se, e então fui comprar outro, bastante maior. Antes disso, tive o cuidado de verificar se cabia lá no mesmo canto, e vai de o montar, qual cavalo de Tróia, que aquilo é um monstro. Dava para me meter lá dentro e brincar às Brancas de Neve, naquela fase pós-maçã.


(Palminhas e kudos para o IKEA, que me forneceu uns pés para o móvel, que trazem uns parafusos muito mais estreitos do que os buracos da madeira, mas que, no entanto, proporcionou grandes momentos de interacção mãe-filho com o meu rapaz, que davam posts e posts, nomeadamente o momento em que, exaustos e todos suados, lhe lembrei que ele precisava de rapar o bigode, e ele me lembrou a mim que eu precisava de pintar o cabelo. Antes assim do que ao contrário.)
(Mais palminhas e mais kudos pelo fornecimento de um manual de instruções para montagem das dobradiças da porta — que pesa para aí 20 quilogramas, 20.000 gramas! —, que mais parece uma cábula de matemática, e cuja leitura e compreensão requerem, no mínimo, um doutoramento em física quântica. O bicho está montado há uma semana, e sem porta, porque a pessoa não é capaz de fazer força física e mental, tudo a um tempo.)


Agora, o monstro, mesmo assim sem os pés, ou com pés de barro, assim que o ponho de pé, mostra-me por A + B que vai rasar ali rés-vés o tecto falso da cozinha, donde já não permite que a gaiola fique em cima dele.
Ora, isto causa-me dramas: tenho uma péssima experiência com mudanças de lugar da gaiola. Por coincidência ou não, uma vez mudei uma do sítio onde estava, e um passarinho morreu passados poucos dias. Não sei, até hoje, se teve alguma coisa a ver.
Bom, a verdade, é que preciso de mudar a gaiola para outro sítio, da cozinha na mesma, perto da janela na mesma, mas que fica na parede oposta. Desconheço se o feng shui dos meus pipis suporta tamanha alteração e se os chakrazinhos deles ficam alinhados na mesma, ou se os vou assassinar com isto — e não quero.
Já agora, mudava-os para uma gaiola maior. Anda-me a dar nos nervos que eles vivam uma vida inteira enjaulados. Cai-me a ficha e o coração aos pés de cada vez que os solto para darem uma voadinha e eles já não passam do nível da bancada. Se soubesse o que sei hoje, não os teria querido como quis. Mas também não os posso soltar agora, senão é que os condeno mesmo à morte, e eu não sou juiz, ainda menos de passarinhos. E sou, isso sim, altamente abolicionista.
Só que também já me disseram que mudar de gaiola é tão arriscado quanto mudá-la de lugar.
Alguém percebe alguma coisa de passarinhos, que me possa dar uma luz?
Mr. Google só tem duas respostas, para qualquer dúvida existencial que se lhe ponha, conforme sabeis:
1 - Tens um calo no cu, de estares tanto tempo sentada;
2 - Tens cancro.
E acho que nenhuma das duas se aplica, neste caso.
(Por acaso, acho que me perdi um bocado no assunto. Resolvi, por isso, pôr a bold as minhas dúvidas, para que possais ler em ziguezague.)
Grata.


16/03/2016

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 37

Enfrento dúvidas: dúvidas, se a minha vista continua com 0,25 dioptrias; dúvidas, se o que estou a ver é mesmo o que parece; dúvidas, se o acordo ortográfico está a ser aplicado ou não; dúvidas, se o circunflexo não estava lá tão bem instalado em cima do O.
Vejo uma coisa castanha, para botar na terra, chamada substrato de coco, e o que é que se me afigura, assim de relance? Cocó. 
Tiraram-me o circunflexo ao primeiro O do côco, e eu nunca mais fui capaz de comer nada com côco, não vá dar-se o caso. 
E o que eu adoro coco.

Num ALDI, não muito perto, nem muito longe de mim

24/01/2016

A propósito das presidenciais

[bem, pus este título para atrair freguesia. E sempre dou a entender, a quem se limitar a lê-lo, que sou uma pessoa extremamente actual. 
Afinal, sou uma blogger, ou sou um rato? (Poupai-me à piada fácil, que eu também já a fiz.)
Onde é que está o gato?]

Hoje acordei com esta dúvida a assaltar-me, à mão armada, como todas as que me assolam o espírito, o corpo e sei lá se não também os fantasmas que tenho trancados no sótão — ou isso são os macaquinhos? Pois, os fantasmas é no armário, não, espera, isso é com os esqueletos, ou então aquela da libertação sexual —, tudo isto por causa dos retratos que se tiram por aí a torto e a direito, mais torto que outra coisa, que de Direito não têm nada, nem obra de engenharia, é tudo a disparar em todas as direcções, atiradores furtivos, que até mete medo ao susto, ou a darem o corpo às balas, que é como quem diz às selfies.

Dantes, a minha bisavó, por exemplo, sentava-se numa poltrona de veludo e o fotógrafo tirava-lhe o retrato a castanho e branco. Ela não sorria, e se era linda, a minha bisavó. Atrás, em pé, o meu bisavô. A minha avó também não sorria, e se era linda a minha avó. Foi fotografada em estúdio, ao lado do meu avô, numa montagem feita pelo artista, que já dominava o photoshop muito antes de ele ter sido inventado, e até foi capaz de colocar os meus avós lado a lado, no retrato como na vida, com a mesma idade e tudo, distanciados que eram em catorze anos um do outro. O meu pai e a minha mãe foram fotografados juntos e um ao outro, um pelo outro, nas fotografias como na vida, e sorriam ambos, e se eram lindos, a minha mãe e o meu pai, e o sorriso era ao outro, era para o outro que sorriam quando apareciam nas fotografias lá deles, tanto naquelas em que apareciam os dois, como nas outras, em que apareciam sozinhos. Nesse tempo, as pessoas sorriam para o fotógrafo, mesmo que ele não fosse um profissional. Não era preciso dizer "Olha o passarinho", era só preciso gostar da pessoa que nos tirava a fotografia, ou daquela a quem íamos oferecê-la. Eu própria tenho muitas fotografias a sorrir, porque o meu pai mas tirava, só que vá-se lá perceber porquê, a fotografia mais bonita de toda a minha vida é uma em que eu ainda nem devia ter feito cinco anos, estou junto ao mar, de cócoras, e tenho o queixo pousado num joelho, mas não estou a sorrir.
Quando apareceram os telemóveis com câmara, as pessoas perderam a cabeça (quase literalmente), viraram aquilo na direcção das suas caras e pum-pum-pum, o horror. Sorriam muito, porque sorriam para si mesmas, o que as devia desinibir, libertar de medos de entrega, ou sei lá que outras psicologias várias, que envolvam fantasmas, macaquinhos ou esqueletos. Teremos, eventualmente, uma geração inteira de caras sorridentes, cujo antebraço será uma das principais figuras de todos os seus álbuns, se algum dia chegarem a fazê-los. Eu própria cheguei a tirar algumas, mea culpa, espalhando o meu sorriso ao longo do meu braço, mea tão grande culpa. 
Não teremos, não. Inventado o selfie stick, aumentada a distância de disparo para além do tamanho de um braço, surge agora uma outra geração, cujos registos apresentam, de canto, indisfarçável porque nem essa preocupação existe, o vestígio do stick. E, invariavelmente, um sorriso — completo, sincero, artístico — para o pau.


09/10/2015

Querido, encolhi a casa (e, principalmente, as p. das gavetas)

Sinceramente, eu acho que é só a mim.
[Prontos, agora danou-se. Comecei um post por sinceramente. E escrevi prontos.]
Abro uma gaveta, tiro uma coisa qualquer lá de dentro, arrependo-me, pretendo devolvê-la, mas ela já não cabe. Posso não ter mexido uma palha, nem encontrado a agulha que não procurei, mas certo, certinho, é que aquilo que tirei e quis voltar a pôr no lugar, agigantou-se, como a malta, engordou, como tudo o que eu gosto — principalmente, eu —, cresceu, como um bolo fermentado, inchou, como uma porca (por falar nisso, kudos para a minha Porquinha, que às vezes me troncha de saudades), mas deixa de caber, lá onde pertence, em cerca de segundos. Ou será que são as outras coisas que, libertas daquela — que até pode ser um lencinho de seda, que não tenho, mas um daqueles de uma pessoa assoar o ranho das mágoas infindas da dor de alma — outra coisinha, se libertam também (passe o pleonasmo), todas desinibidas, e desaninham-se umas das outras, desfazendo o espaço que, segundos antes, pertencia à que foi retirada, gritando-lhe, assim, que escusa de voltar, pois deixou de ter lugar, que isto é como quem vai ao ar, e ao vento, que perde o assento?
Acontece-me amiúde, tanto na gaveta das meias — que é gaja para deixar de fechar, se eu tentar devolver um par de micro-meias de micro-fibra à gaveta que não é micro — como na do congelador, que tem a carne: a pessoa tira um saco de bifes. Tudo (não é todos) lhe grita que é melhor não ir por ali, pelo que resolve arrumá-lo no mesmíssimo buraco de onde o tirou. E, se nenhuma das peças mortas e congeladas se moveu dali, à Galileu, expliquem-me o que é que explica que a m. do saco dos bifes não possa voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído, qual demónio? Existe alguma lei da física que me esteja a escapar, logo a mim, que sou pouco mais que analfabeta, e, portanto, deveria perceber destas coisas?

24/07/2015

Dúvidas que me assaltam à mão armada com alguma frequência # 3

O facto de ter sido citada em três blogues diferentes hoje, faz de mim o quê, amanhã? Uma excitada?

(Ó pá, pelo-me por piadas fáceis, sou uma fácil. Olha outra.)

Conta três — Na Uva e no Desblogue, o texto é o mesmo, mas conta na mesma. Chiu. E a dona de meu rato querido também me citou.

Três, tá?


06/05/2015

Dúvidas que me assaltam à mão armada com alguma frequência # 2

Quem será a alma escalada para escolher as fotografias que acompanham as notícias no Jornal Metro?
Ou não há nenhuma e aquilo é à balda?
Ou são todos uns granda bem dispostões, que aquilo é só rir?
Ou as memórias de Aníbal António prendem-se, de forma indelével, com o bacalhau?
Ou é uma feliz associação de ideias e a mais alta figura da nação deve passar-nos a mensagem, tão luso-popular, o fado é qu'induca, o vinho é qu'instrói, o bacalhau é qu'alimenta
Ou será uma homenagem à esponja, que os responsáveis pelo jornal quiseram prestar? 

Jornal Metro, hoje
(Eu sei que a imagem está má, mas, no original, é uma notícia pequena. I wonder why...)