15/08/2021

Está aí alguém?

Era só para fazer uma pergunta.

(Isto carece de contexto.)

Quando me foi retirado o aparelho da dentadura, ao fim de dezasseis meses de me ter sido colocado (dizem as vozes da teoria da conspiração, em uníssono com as minhas vozes interiores — que me gritam —, que eu não precisava dele. Precisava, riposto eu, quanto mais não fosse em termos psíquicos, que, nesta área das faneras, é o que mais tem relevância), foi-me feita moldadura para um outro, chamado De Contenção (do mais chique que há, De Almoronha e Menezes), para usar durante a noite, e não permitir que todo aquele trabalho ortodôntico voltasse atrás. Como se.

Para encurtar conversas, digamos que já parti três aparelhos de contenção, uma vez que hei-de possuir uma mordida de pitbull ou de, sei lá, crocodilo. O terceiro dos ditos até já foi feito com "um material mais resistente", afiançaram-me o dentista dos olhos bonitos e Sónia, a implacável aspiradora de amígdalas. Mais resistente, julgo que se referiam à dentada aqui da bruta, que, durante o sono, deve transformar-se no Raivoso e vai tudo a eito. Folgo em já não chupar no dedo (vá, e poupem-me a pensamentos pecaminosos e castrantes), caso contrário estaria amputada de ambos os polegarzinhos, ou, quiçá, de todos os dez desgraçados. Capaz de, a seguir, ter que ponderar iniciar a carnificina nos pés.

(Mais um parêntesis para revelar ao mundo que, aquando da minha hospitalização, uma bela manhã levaram-me a ortodôncia com o lixo do pequeno-almoço, pelo que me vi obrigada a armar a p. e a declarar que "o aparelho tem que aparecer porque eu paguei [não interessa] euros por ele, olhem, vasculhem no lixo", e não é que foi mesmo no lixo de todas as enfermarias que foram dar com o meu lindinho? Vá que não calhou ter sido no lixo das arrastadeiras. Ou tal não me foi revelado, para me evitarem mais picos de tensão.)

Não sei. Não percebo o que se passa entre mim e os De Contenção. Posso afiançar que o material que o dentista usa é de primeira qualidade, por uma questão de lógica. (Sei lá qual.) Reconheço que, pela manhã, me aflige tirar aquilo dos dentes, porque tenho medo de estragar as unhas, e então posso estar a fazer força no lado errado da coisa. Admito que a cena me enoja de tal maneira, que a mergulho em elixir durante horas, após escovagem exaustiva e meticulosa, o que pode ser corrosivo ou desgastante para o acrílico da peça. Ultimamente, acho-o esverdeado, mas acho que é derivados à cor do elixir. Ou será verdete?

A pergunta para Roquefort é: o que é que estou a fazer de tão errado no uso da pulaka?

Linda Blue, a caminho do quarto aparelho De Contenção. And counting byting. 




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