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13/04/2015

Kosmokarmen, o que me queres tu dizer? Hã?

Enganou-se, o carteiro. Muita mania tem ele de vir tocar à minha porta. E não toca sempre duas vezes - é uma, à bruta, e assim pretende invadir o recesso de meu lar. 
Eu também tenho problemas com carteiros e entregadores em geral. Felizmente, hoje não tinha o meu robe de proxeneta vestido quando o homem aqui me apareceu. 
Tenho a meu favor a desculpa de que estava à espera de um livro. Sai-me um pacote molinho, mas a pessoa nem pensa. Está na gula, aquele pecado capital que pratica todos os dias, com todas as coisas visíveis e nem as invisíveis se safam. De resto, nenhum dos outros seis pratico com afinco, uns porque não posso (dizei-me como é que uma pessoa que aufere um niquelinho sem jeito nenhum pode ser avara), outros porque não quero (olha eu de invejosa, que bonito. Ou irada), outros ainda porque desconsidero (soberba e luxúria? Só se for soberba luxúria, que menos do que isso são piners e a pessoa não se desmerece assim).
Perdi-me de gula, eu, hoje. O pacote, vindo da China (o livro que espero vem de Portugal, mas posso ter tido uma momentânea confusão geográfica, drivados à idade), trazia lá dentro esta grande querida, que caiu directamente dentro do meu coração. 

E, embora o saco tenha lá escrito o verdadeiro destinatário, a mim está-me a custar a ideia de ter que devolvê-lo ao carteiro, ou ter que ir entregar a minha Gira Pomba (já lhe dei nome e tudo, mê môri) à porta de quem pagou para a possuir. 

Pronto, escusam de dizer. Já sei que:
1 - Tenho que ir, e vou. Tudo menos a avareza. E a luxúria;
2 - Podia ter centrado melhor o focinho da Gira na foto 2, mas who cares? (que eu também falo estrangeiro do Brasil);
3 - O verniz é L'Oréal (ninguém me paga para isto), n.º 304;
4 - As minhas paredes são azuis.

17/02/2015

O momento merdoso do dia

Deu-se agora. 
Está a pessoa a gozar de ronha, ainda toda completamente por arranjar. Na minha idade, isto vai por fases.
Tocam à campainha lá em baixo, gritam-me aos ouvidos "Correio!", tento fazer um raciocínio lógico, mas-mas-Carnaval-mas, e concluo que não tenho tempo para mais nada senão para vestir o robe mais sensual que tenho - que é, aliás, o único - por cima do pijama mais absurdo que tenho - que é, aliás, o que tenho vestido. E então, visto-o. Choro mágoas interiores e recalcadas porque tenho uma imagem a defender, não quero que ninguém me veja assim, imagino Marlene Dietrich a fazer o pino na tumba, se calhar vou buscar uma boquilha de cigarrilha, ai ca porra, não uso disso, olho-me rapidamente ao espelho, tiro umas ramelitas, penso que a única safa que tenho é a cara de anjo devasso que o de lá de cima me distribuiu, olho a correr - literalmente, porque já vou para a porta - para o robe, que raio, pareço um proxeneta com ele posto - hehehe, que capacidade tão boa de me rir de mim mesma, um anjo devasso com robe de proxeneta em cima de um pijama parvo, e abro a porta.
Era da Chronopost. 
A sorte dele?
A sorte dele era não ser giro.
Porque, se fosse, era hoje que eu deslargava brados de genitália por este prédio afora, acima, abaixo e adentro, e ficavam estes desgraçados todos a saber com que linhas eu me coso, com quantos paus se faz uma canoa, mas era também a queda em cristo de uma grande dama.
Está tudo bem.
Quando acaba bem.