16/11/2018

Na senda de "Sou só eu?" # 17

que sou uma autêntica visionária em termos de fashion? Que procuro, numa estação do ano, uma determinada peça de roupa, que não está em lado nenhum, a não ser na minha cabeça, e, no ano seguinte, ela aparece multiplicada por milhares, elevada ao cubo, clonada até à náusea?
É que isto é assim: no momento presente, procuro uma saia de polipele, ou imitação de pele (e não verdadeira, porque gosto dos bichos - vacas incluídas -, porque é mais caro, porque é mais pesado, e, convenhamos, uma saia pesada é um peso de pesadelo, não podemos sequer aproximar-nos de uma balança com aquilo posto), em amarelo. Haveis lido bem, eu quero uma saia amarela em imitação de pele. Sou assim desde petiza, gosto do amarelo como os malucos, e adoro a mistura de preto com amarelo. (Já posso ter sido abelha noutra encarnação.)
Vai daí, meti-me nos armazéns todos. Todos! Corri Zara, Bershka, Stradivarius, Pimkie, Forever 21, Sfera, Mango, H&M, Lefties, C&A. Só me falta ver na Casa das Peles do Cartaxo - mas, lá está - e na loja do chinês - que nunca tem o meu número. (Parece que os chineses só mandam vir roupas xxl, por acharem que as europeias são extremamente grandes.) Tudo o que vi foram lojas forradas a pele, sim, mas de leopardo, jaguar, tigre, zebra e cobra: saias, vestidos, casacos, lenços, calçado, tudo em animal print, mas nada da boa da imitação da vaca curtida e pintada de amarelo. A maior aproximação do que queria, que consegui encontrar, foi um tom a que chamam mostarda. E eu não quero ser spicy, eu o que quero é uma saia amarela. Amarela, amarelo Ferrari
Já sei que, para o ano, vou encontrar saias de polipele de todos os tamanhos e feitios, numa altura em que eu 1. já não a quero; 2. acabei optando por uma bordeaux/verde-garrafa/verde-ranho (que já vi)/roxa/cor da minha pele/camel.
O modelo é este (evasé), e não pode ser outro:

Calma, que eu tenho menos 15 cm que a menina,
nunca me ficará tão curta
Se a virem passar por aí, por favor, digam-lhe que eu a quero de forma quase carnal e comuniquem-me, pode ser? Estou a ponto de oferecer um rim pela bichinha.

15/11/2018

Daquele programa, que, repito, a-do-ro # 4

Pronto, é o que há. Todo o génio tem suas fases de brancura mental, portanto eu também posso ter.
Hoje vamos abordar o tema a que se subordina aquele "casal" que respondia - uma vez que já abandonou o programa - por Sónia e João. 
Não sei como, escapou-se-me a cerimónia do "casamento" deles, que já só vi em flashbacks nos episódios seguintes da novela. Parece que a Sónia olhou para o João pela primeira vez e pensou "Não!". Assim pensou, assim não fez, pois deixou a coisa avançar até ao momento da aliança no dedo. Depois foi em lua-de-mel com ele. Papou a festa, papou a viagem, ainda papou uma semana num daqueles pombais sob a forma de airbnb preparados para receber os pombos, com a desculpa que ele é que não quis sair, contra a vontade dela, que "Ih, odeio-te tanto, João", mas a verdade é que, nessa semana, já saía outro parzinho, e o programa tem aquele formato de um por semana, qual BB, e quem fica que se ature por mais sete dias.

Então,
João, o serial killer
A sério, foi pena não terem dado oportunidade a que este casaleco se mantivesse mais uns dias enclausurado no ninho de desamor, pois a esta hora já nem saberíamos onde e em quantas postas andaria o enorme corpo de Sónia. Assim, poupou-se um Crime Investigation, que mais tarde ou mais cedo também cá vem bater com os costados à porta, o que foi pena, já que não se perderia grande coisa, se não atendermos ao enorme tamanho da putativa vítima.
Carácter: Se não for um assassino perverso e com requintes de malvadez, o João é parvo. Aturar por duas semanas de vida seguidas semelhante carga pública de bullying (violência doméstica, crime público, pessoas, somos todos cúmplices!), sempre com a mesma expressão inexpressiva, sem um ataque de raiva, sem uma lágrima, sem uma gargalhada de nervos, é de gente com sangue de barata. Mesmo contra um cachet chorudo, caneco, um homem tem os seus limites. Digo eu, que nunca fui homem, só Homem. 
Físico: Por mais que mirasse e remirasse o João por todas as perspectivas possíveis que permitem as 2D e em todos os seus quadrantes, não cheguei a perceber qual era o problema dele, que inspirava tanto asco à Sónia. É certo que não é nenhum Ryan Gosling, mas isso também poucos são. É certo que é mais baixo do que ela, mas convenhamos. É certo que tem um cabelo normal, ao contrário daquele ex-marido dela, que tem na cabeça qualquer coisa de semelhante a uma anedota daquelas sem piada nenhuma, de que ninguém se ri. Mas também não é feio. Será que cheira mal da boca? Dos pés? Dos sovacos? De todo o lado? Ficam as dúvidas.

Sónia, a besta (literalmente) quadrada
Ou esta mulher se apercebeu que corria sérios riscos de vida e ou integridade física, ou é a ideal candidata à camisa de forças, Pentothal nas veias e caldinhos por uma palhinha para o resto da vida. Desejo-lhe que volte a casar-se com aquele ex-marido e que tenham um rancho de filhos que já nasça todo com o penteado dele e o nariz dela. 
Carácter: É má. Má. (Mas é claro que vai viver até aos 101 anos, os melhores vão todos à frente.)
Físico: Tem uns belos olhos (a cor, de gelo) e mais nada. Desconheço a razão para se considerar tanto e ser capaz de desprezar alguém de forma tão absoluta e absurda. E também é má, já disse?

14/11/2018

Daquele programa, que, repito, a-do-ro # 3

Em me apetecendo muito, vou fazer aqui a análise, um a um, dos casais concorrentes. Começo pelos homónimos, não sei porquê. Se calhar porque são os únicos que parecem um casal.

Daniel, o sibiloso
Não consigo prestar atenção a nada do que profere verbalmente este rapaz, derivados dos apitos que emite a cada S. Lembra-me Herbert the Pervert. Apesar de falar poucas vezes, parece que escolhe as palavras do dicionário que contêm mais ss, e, quando não, utiliza muitos plurais, o que não lhe facilita a vida, nem a mim. 
Carácter: Heh. Parece que só está bem onde não está, age sempre by the book, é completamente previsível, não admira que as anteriores relações tenham fugido a sete pés. Aborrecido (ele: está sempre aborrecido). E acha-se.
Físico: Um corpo bonito a tentar compensar aquela calva impensável. (Homem, rapa tudo ou põe um rabicho de cavalo!) E os lábios, não consigo parar de olhar para aqueles lábios, à espera do próximo apito. Normalmente desconfio de pessoas com bocas assim. 

Daniela, a amorosa
A Daniela é tão querida, está sempre tão contente, tão radiante, a dar tantos beijinhos, que merecia mais e melhor do que o que lhe calhou na rifa. Obviamente que o pau de sebo cicioso não vai derreter, é bem capaz de consumar o casamento e depois ter uma crise existencial e saltar fora, ou fazer com que ela salte, para mais tarde se lamentar à lareira (ou à beira de um penhasco) que as relações que teve na vida foram todas um fiasssssco. Foge, Dani, enquanto ele não te ssssaltar para cccccima. 
Carácter: É amorosa, empenhada, crédula, sincera. Não merece o que a espera.
Físico: Instrutora de ioga? Vá, pronto, tinha que escrever alguma coisa no campo profissão. A menos que considere ioga levantar-se da cama a espreguiçar-se e instrução fazê-lo ao espelho, é óbvio que não é instrutora de actividade física nenhuma. Tem zero preparação física, o que ficou claro naquele treino que o sibiloso lhe deu. Tem um cabelo belíssimo, mas toda a sua linguagem facial e até corporal gritam "Tragam-me a porra dos óculos, que eu não vejo um genital!". Mas é amorosa. 

12/11/2018

Eu tenho problemas com doidos # 14

É por isto que este país não vai para a frente, por causa de pessoas como estas, que baixam a cabeça e nunca protestam, vociferava ela, um tom acima da fala, um tom abaixo do grito, brandindo o braço na minha direcção. 
Tínhamos feito uma aula de dança com o ar condicionado ligado em trópicas temperaturas. Vá que já havia experimentado uma hora de pedaleira, em pleno Verão, com o ar condicionado desligado, agora dançar com o ar no quente, é que nunca me ocorrera. Ela foi das primeiras a protestar, sacudindo os caracóis grisalhos, ajeitando os óculos, soprando para a própria blusa. Congestionada, afogueada, transpiradíssima, saiu da sala atrás de mim quando cruzei a porta, com vista a pedir que baixassem a temperatura do ar. Cruzámos caminho com uma funcionária que, aflita, se limitou a dizer a verdade: que não sabia o porquê daquele ocorrido, que já tinha reportado, que o técnico ia verificar, que não podia fazer mais nada senão o que já tinha feito. 
Talvez noutras circunstâncias lhe pedisse explicações para a falta de explicações, mas nem essa oportunidade tive, pois ela, em plena revolta, não o permitiu, cilindrando a rapariga, num Português pouco inteligível, com um questionário que embrulhava exigências e direitos de cliente, consumidor, pagante dos ordenados daquele espaço, toda uma panóplia de argumentação que eu própria usaria, eventualmente num outro tom, mas que me calou a mim a vontade de explanar e ouvir mais do que já ouvira.
Entretanto, a aula decorria, assim como decorreu até ao final, da mesma forma aquecida pela máquina, e já não tanto pelo ânimo desanimado, ou sequer pela animação que é o simples acto de dançar. Assim que terminou, dirigi-me ao balcão da entrada, com vista a fazer uma pergunta que nada tinha a ver com o assunto ar quente. E veio ela novamente atrás de mim, eventualmente convencida que eu iria reclamar por escrito, falando alto em abaixos-assinados, em queixas no livro de reclamações, em manifestações várias de desagrado pelo sucedido, argumentando que, quando vão ao banco cobrar a minha mensalidade, se eu não tiver lá cachet [rolling eyes] para a pagar, cobram-me logo quatro euros de multa! Quando lhe disse que não estava ali para redigir um abaixo-assinado, nem poderia assinar uma queixa conjunta no livro, já que estas são uninominais, ela virou a raiva e a revolta contra mim e acusou-me de ser parte daquela tal raça de gentes que baixa a cabeça e nunca protesta. Logo a mim, que sofro de uma extrema dificuldade em manter-me em silêncio, assim o motivo o justifique, os companheiros de armas estejam à altura e, sobretudo, não me apresentem a guerra perdida antes de ela começar, viciada por uma forma incorrecta, ainda que com um conteúdo justo. 
(E fartinha de começar combates e, de repente, me ver sozinha no ringue, ando eu. Já dei para esses peditórios todos. I'm out.)