03/05/2015

Tetra, coração penta

Não sei oferecer mais nada à minha mãe, a não ser flores e chocolates, por apreender que ela já não precisa de outra coisa, e saber que ela sabe que nas minhas flores e nos meus chocolates vai tudo o que lhe quero dizer e preciso de lhe dar.


Levei-lhe um ramo de flores de chocolate, que tinha de permeio cinco rosas pequeninas de pano, e ela gostou tanto e qui-las tanto que tirou uma do ramo de flores falsas, cheio de coisas verdadeiras, a seguir tirou outra, fascinada pelas rosinhas não verdadeiras plenas de autenticidade, mas depressa a desfez - as mãos a cada dia menos hábeis, a converterem-se em asas, deve ser aquilo da motricidade fina. 
Estava eu nestes pensamentos quando achei melhor tirar-lhe as rosas pequeninas de amor-segurança-colo-exemplo-certeza, antes que se desfolhasse ali uma delas, depois duas, e todas, e só me sobrasse um coração esfarrapado amalgamado com as pétalas pequenas das cinco rosinhas pequenas. 
Fiquei com elas para mim, deixei-lhe só os chocolates e vim com aquele diminuto bouquet de pano, com quatro minúsculas rosas, mais uma, desmanchada, e vi-me ali, com as quatro flores que são a minha festa interior, mas que podiam bem ser cinco, não fosse Deus ou alguém por Ele ter cometido a grande crueldade de não ter querido que fosse assim. 


5 comentários:

  1. Um post pesado...

    Feliz dia da senhora-mãe :)

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    1. Mas leste-o :)

      Obrigada, dear Guy.

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  2. LP,
    Boa intenção !
    Mas...anda uma Mãe a criar uma filha ( 84 anos ) para receber um bouquet de rosas artificiais e berlindes de chocolate ?
    Não discute a intenção,mas...qual motricidade fina,foram nervos !
    :)

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    1. Eu ponho a hipótese de ser uma pessoa cheia de azar.
      A falta de pontaria será minha?

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    2. Pontaria ?
      Grande confusão...pontaria tem mais a ver com o post de cima ..."O maravilhoso mundo feminino # 4 ",acho eu .
      ;)

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