04/07/2017

The girl next door # 9



Acordo pela manhãzinha, ainda alta madrugada, assaltada à mão armada por dúvidas. Descartes era um menino, perto disto. 
Assim como tenho vizinhos que me riscam um carro novo — embora o facto de ser novo seja aqui totalmente irrelevante —, tenho também outros que me dão comida. (Às tantas, tenho um ar enfezadinho e nem me apercebo disso.)
Outro dia veio cá uma vizinha bater à minha porta para me entregar um tabuleiro destes frutos. Estava bastante mais cheio, mas o povo cá do casebre tem comido, de modos que já só apresento uma amostra. 
Encontro-me agora num impasse, chegada que é a hora de devolver o tabuleiro, uma vez que já passaram uns dias sobre a oferta: quero agradecer-lhe, mas não sei construir a frase. Não sei ao certo se isto são ameixas amarelas, abrunhos, rainhas-cláudias ou magnórios. Quero dizer assim: "Ester, venho devolver-te o tabuleiro e quero agradecer-te os [poing], que eram deliciosos". 
Estou a pensar em várias soluções, mas nenhuma me parece perfeita:
1. Digo uma frase em que não se perceba bem a parte do nome do fruto: "Ester, venho devolver-te o tabuleiro e quero agradecer-te os ameibrunhrainhagnórios, que eram deliciosos";
2. Digo uma frase em que não diga o nome do fruto: "Ester, venho devolver-te o tabuleiro e quero agradecer-te aquelas frutas, que eram deliciosas";
3. Digo uma frase em que nem sequer falo do fruto: "Ester, venho devolver-te o tabuleiro";
4. Digo uma frase em que atiro com um daqueles nomes ao calhas e o pior que pode acontecer é ela corrigir. Ou então ignorar;
5. Meto-me no Google;
6. Meto-me nas tamanquinhas e vou à mercearia chamar pelos conhecimentos do senhor Joaquim;
7. Meto-me nas tamanquinhas e vou à mercearia comprar quantidade igual dos mesmos frutos e vou oferecer à vizinha;
8. Não devolvo o tabuleiro;
9. Mando-lhe o tabuleiro pelo correio, uma vez que sei a morada dela;
10. Faço uma compota com os frutos e vou oferecer à vizinha, como prova da minha gratidão, dizendo: "Ester, venho devolver-te a gentileza, por isso fiz compota com os ameibrunhrainhagnórios que me ofereceste, aqui a tens". 

34 comentários:

  1. Anónimo4/7/17

    Solução 10. E já agora que tal levar um pão alentejano para fazer torradas?
    M. Lopes

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    1. Quando for, tenho que ir com tempo. Ela fala bastante. Qualquer coisa que acompanhe a prosa é boa ideia :)

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  2. Anónimo4/7/17

    São apenas ameixas amarelas :-)

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    1. É o que me cheira, daí ter posto em primeiro lugar na lista :)

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  3. Anónimo4/7/17

    11. Ofereço-lhe um presente adequado a ela (planta, doce, livro, etc), juntamente com o tabuleiro. E digo "a família agradece a tua gentileza, foi tudo devorado rapidamente". :)
    AL

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    1. Sim, tenho que levar uma gracinha. Faz parte :)

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  4. Eu acho que são ameixas, é o que lhes chamo aqui em casa. Vou aguardar os comentários dos agricultores :)

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    1. Eu também chamo assim, mas já vi tanta coisa... :)
      ("mal" de ter costelas do Porto e do Alentejo.)

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  5. Eu diria que são ameixas amarelas.

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    1. E devem ser. Não arrisco por muito se lhes chamar assim, o importante é saber agradecer.

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  6. Talvez seja preciosismo, mas creio que também podem ser chamadas ameixas brancas (o amarelo, tirando em submarinos, é uma cor subvalorizada).

    Boa tarde, LB :-)

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    1. E nem se percebe esse estigma, se acreditarmos que o amarelo é a cor dos malucos, e dada a sua proliferação...

      Boa tarde, Xilre :)

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  7. Devolve-o dentro de um saco plástico e deixa a nota para, na próxima, entregar o saco cheio e dispensar o tabuleiro.

    (Qualquer pessoa percebe que isso são dióspiros)

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    1. Achas que dá um daqueles maiozinhos, do hipermercado? E é muito abuso pedir que, para a próxima, venham várias frutas (todas com nomes óbvios)?

      (Eu é que sei ao que aquilo sabe. E ainda estou indecisa.)

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    2. Quanto maior, melhor, acho eu. Até mesmo um daqueles azuis, lá dos suecos dos móveis.
      Sinceramente, não me parece que seja abuso nenhum.

      (Perde masé a vergonha e pergunta-lhe que fruta é. Vai ficar admirada quando te confirmar que são dióspiros).

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    3. Desde que caiba no elevador, não é?
      (Bom, e se não couber, posso sempre solicitar que o traga escadas acima.)

      (Vergonha perdida é um nico o meu middle name. Mas também é fácil fazermos a prova: se se esborracharem, são dióspiros. Se não, devem ser anonas.)

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    4. Que tristeza.
      A mulher a levar-te sacos de fruta e tu a esborrachá-la no chão só porque não sabes o que aquilo é.
      (Dióspiros, bolas!)

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    5. Mau. Quem disse que era no chão que os esborrachava?
      (Não podem ser lichias, queres ver?)

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    6. Pede masé desculpas à mulher por andares a esborrachar os dióspiros que te oferece e deixa de me provocar.

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    7. Aquilo é como o pisar da uva, com todo um ritual (descalço mas não bêbado).

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  8. Simplificas e agradeces a oferta das ameixas (não referir a categoria ou "modelo" do fruto). :)
    A tua vizinha pode perfeitamente ser a minha vizinha. Tenho sempre dióspiros biológicos, na época deles. Ainda existem vizinhas como deve ser, daquelas que oferecem raminhos de salsa, ameixas e dióspiros.

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    1. É a solução 2 :)
      Entre os muitos vizinhos que tenho (se contar com os dois prédios da frente), tenho pelo menos três que me oferecem fruta e hortaliça. Mas eu gosto desta onda :)

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    2. Oh Porca! Põe os olhinhos...
      Mais alguém que sabe que aquilo são dióspiros! E biológicos. Confesso que essa ultima parte me passou despercebida.

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    3. (Pronto, já temos o manicómio à solta.)
      Ah, por isso é que são tão pequeninos e amarelos?

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    4. (Enfim...)
      Naturalmente! Aleluia!

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    5. Aleluia, irmão!

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    6. Oi?
      Não são dióspiros, são nêsperas. Biológicas.

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    7. São ameixas brancas :)

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    8. Anda toda a gente a gozar comigo, é o que é...

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    9. Ou a levar-te demasiado a sério...

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    10. Claro que são ameixas, neste caso brancas.
      Estava a meter-me com o Mg. :)

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    11. Bem me queria parecer, mas, à cautela, achei melhor esclarecer o imbróglio :)

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  9. Huuuummmmm.... Se calhar são abóboras raquíticas!
    Naaaaa! São ameixas brancas! :)

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    1. No fundo, podem ser tudo o que nós quisermos!
      Pois :)

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