09/06/2015

Ouvi eu, com estes que o forno há-de cremar # 18

Não sei quem é que trabalha na Cidade FM, nem quem faz a locução daquilo às 9:30 da manhã. Nem me venham cá com a treta que são jornalistas, que isso, então, é matéria suficiente para me pôr a arfar como os cães quando querem brincar ao atirei-o-pau-ao-gato. 
Hoje, estava eu a ouvir a radiofonia a essas lindas horas da madrugada, e diz ela — é uma ela — de uma assentada só, qual lambada no meu pobre rosto desacordado pela míngua de cafeína na veia:

Se está a pensar em colocar férias, esta deve de ser a altura ideal para...

Flop. Morri.

Já tinha ouvido fazer férias (com as mãos, com os pés, com o poder da mente, com a imaginação, como castelos na areia), ir de férias (e de mochila ao ombro, de máquina a tiracolo e de sogra, cão, gato, passarinhos, e restante família atrás), meter férias (metê-las, presume-se que é metê-las no calendário laboral, sempre tão embutidas, tão encastradas, tão esmifradas, aos olhos das entidades patronais e chefiais, mas metê-las bem metidas, cada um por si, salve-se quem puder, cada um sabe de si e mete onde melhor lhe dá jeito), ou tirar férias (tirar, pôr para o lado, amealhar, ou, se nos pusermos na pele do lobo mau, roubar, apoderar-se, usurpar, furtar, que roubalheira, vinte e dois dias úteis, em trezentos e sessenta e cinco).

Colocar férias?

Colocar a mesa.
Colocar o Rossio na Rua da Betesga.
Entre marido e mulher, não coloques a colher.
Colocar a bola dentro da baliza.
Colocar a mão na massa.
Colocar a foice em seara alheia.
Colocar a cabeça na areia.

Abaixo com o medo do verbo meter. Meta-se o meter nas frases, à bruta, à meiga, à brava, à fartazana, à doida, mas meta-se de uma vez por todas. E sem medos, que ele existe, é para ser usado. Mas usado correctamente, não é como também já ouvi:

Eu meto a mesa; eu não meto isso em causa; eu meto isso aos ombros. (Metes mas é o genital, ignorante. Mete mais tabaco nisso, se te custa engolir pessoas como eu: chatas de meter dó.)

Quanto ao deve de ser, pois. 
Prefiro não me pronunciar. Trata-se de um verbo que não aprendi na escola (dever de ser), pelo que mais vale ficar calada, a dizer alguma artoada que seja o meu fim enquanto autora de alto calibre e calibragem, que sou. Ora, com licença, que aquela radiação que sofri de manhã, via frequência modulada, já me agastou o dia.

25 comentários:

  1. Eu só "coloco" uma pergunta: Mas tu ouves a Cidade???!

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    1. Long story, mas cá vai: o rádio do carro tem 6 estações configuradas. Calhou-me essa, completamente ao calhas, quando andei, pela enésima vez, a programá-lo. Cada vez que vai ao mecânico — e, nos últimos 6 meses, foi, talvez, seis vezes —, vem de lá desconfigurado, porque ele me desliga a bateria (para eu não perceber quantos quilómetros me pôs em cima do carro, enquanto lá esteve "a arranjar". Como se eu não assentasse os quilómetros).

      Em resumo: tenho a Cidade FM colocada nos canais fixos :)

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    2. Se é de histórias que falamos, cá vai uma, é uma dica também. Sempre que ando num carro que não o meu, sintonizo todos as estações fixas para rádios de música pimba. Daquelas onde ainda há discos pedidos e camionistas a falar ás tantas da manhã. E depois é só rir!
      ;)

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    3. Olha que patifa!
      Mas sabes, eu só conduzo dois carros, sendo que o rádio do meu é o único que tem essa possibilidade de fixação das estações. Acho eu. Ou não? Olha agora...
      Tenho que averiguar isso ;)

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  2. "faz a locução daquilo às 9:30 da manhã." - opá, sou tão tia... :P

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    1. Olhe, que contratempo, não pssbi.
      :P

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  3. Assim só e que tal porque estamos numa de tuguês, é "atoarda" e não "artoada" :P

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    1. Achas que devia mudar?

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    2. Porque perde o teu comentário a razão de ser e o meu post continua com aquele tirinho no pé? :P

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    3. Os meus comentários nunca perdem a razão de ser. São comentários Jedianos. Eles têm a Força :P

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    4. Assim como os meus tirinhos no pé. São tirinhos porcinos. Eles têm a Sensualidade. Uhhh :P

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  4. Eu digo sempre "pôr férias". Mas, aqui há uns tempos atrás, ouvi dizer que "pôr" já não se diz. Agora imagina as galinhas... Enriqueceram e já não põem ovos. Colocam-nos. Mesmo à finas.

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    1. Nesse caso, há que mudar a cançoneta infantil:
      Doidas, doidas, doidas, andam as galinhas,
      Para colocar o ovo lá no buraquinho

      Chiques galinhas :D

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  5. E mete-se o dedo no nariz ou coloca-se? E na música do coelhinho, tira-se a mão da boca e coloca-se à mão onde? E os papões, colocam medo?

    Podia continuar aqui a tarde toda, mas vou colocar o saco ao ombro e meter-me a caminho do ginásio. Fui.

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    1. A música do coelhinho é, talvez, a que me preocupa mais. Nunca mais a minha Pascoela será a mesma. Isso coloca-me respeito e coloca-me nervos, simultaneamente.

      Coloca-te a caminho, que esse é o caminho do bem.

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    2. Sodona Ana: essa é fácil. Mete-se a mão no cu.

      Adiante, e agora para a dona deste pardieiro: como é que se deve de dizer, afinal?

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    3. Tal e qual. Como tu sabes...

      Deve-se dizer "buraco", não pardieiro.

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    4. Tirava a mão da boca e colocava a mão no buraco? É isso? xD

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    5. Isso. E passamos uma Pascoela feliz e erudita.
      Coelhinho, se eu fosse como tu
      Tirava a mão da boca e colocava a mão no buraco do
      Coelhinho, se eu fosse como tu
      ...
      Etc.

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  6. Os meninos 'engraçados' serão, se não estou enganado, a Andreia Rocha e o Gonçalo Moreira.
    O supra sumo da palermice em antena.

    PS 1 - 'colocar férias' é uma imitação rasca do que dizem os brasileiros.
    PS 2 - A verdadeira e muito boa 'Rádio Cidade', ouvia-se em 107.2 FM no tempo das rádios locais.

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    1. Liga e se liga na Cidade!
      Cento e sete vírgula dois megahertz!


      :) Lembro-me bem.

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