Petrifico.
Já não bastava a parva invenção de sacos para compras, drivados da não menos parva medida legislativa do saco de plástico, com dimensões absurdamente absurdas, capazes de aguentar dez quilos de víveres e outros produtos altamente necessários à sobrevivência no planeta (e, cada vez menos, do planeta) —, que uma pessoa carrega ao ombro qual aguadeira chinesa —, para ainda terem inventado esta coisa maravilhosa, que são os sacos sobre o longo, ainda por cima uma poupança relativamente aos outros, já que custam € 0,85, contra os € 1,00 que custam os primeiros.
Eu quero perceber o que é que ocorreu aos senhores legisladores, que nos obrigam, com suas medidas legislativas altamente iluminadas (mas das quais estou perfeitamente crente que não participam activamente, pois a mercearia deve aparecer-lhes na despensa por obra e graça do Millennium BCP, ou outro que não seja espírito santo de orelha), a meter, no mesmo saco, o peixe, o papel higiénico (para depois do peixe), o detergente da roupa (idem), o esparguete, a alface, o pão de forma, as pilhas e a t-shirt.
Também quero perceber o que é que ocorreu aos senhores desenhadores desta bela barca, que nos querem obrigar, com sua peça de design, a meter, no mesmo saco, a criança pequena, o cão e o gato, a bicicleta, o tractor agrícola e a retroescavadora. Nem aqueles senhores do IKEA conseguiram levar a coisa tão longe. E esses, ao menos, têm a desculpa de que os sacos servem para enfiar lá dentro camas, armários roupeiros, cozinhas e casas de banho completas.