08/04/2016

Três reis magos mágicos deram comigo em velha

Foi ontem. 
Três senhores que eu respeito aqui na bola, ou com quem vou à bola, como preferirdes, puseram ontem a possibilidade de estarem a ficar velhos. E eu, que nunca tinha pensado nisso muito a sério, acabei contaminada por aquela suspeita.
Tenho que começar a dar-me só com a pedoblogobola. Por este andar, morro mais cedo.
Só hoje de manhã me caiu a ficha que ontem não foi sexta-feira. E que a pressa em ir jogar no Euromilhões antes das 7 da tarde não tinha qualquer razão de ser. Só faltou ter um stroke na fila para registar a porcaria do papelote. (Bem feita se não ganhar o jackpot.)
Isto foi só o princípio. Troquei um dia da semana por outro. Vendo a coisa pelo lado positivo, esta semana, vivo duas sextas-feiras, portanto os meus níveis de omega 3 devem estar aos píncaros e aos pinotes. 
Às vezes, odeio-me. Isto só ao estalo.
(Heh, nem original consigo ser.)
(Outro dia, estava a começar um programa na National Geographic, que se chamava Superestruturas Nazis e eu, com as minhas zero dioptrias, e de relance, li Superpregnant mommies, ou uma merda parecida. Então, exclamei Quero ver isso!, porque a trash tv diz-me muito ao adormecer, porque admito a hipótese de a National Geographic passar trash tv e porque as minhas dioptrias já escalaram acima de zero.)
Fui-me camuflar. A vergonha tolda-me.
Pus rímel nas pestanas, que já foram compridas de bater nas sobrancelhas, mas pus tanto rímel que ficaram mesmo a bater nas sobrancelhas. Ou as sobrancelhas já me começaram a descair? 
Pus disfarçador de olheiras, porque já dormi mais horas e agora já estou acordada mais horas.
Pus base em toda a cara, porque já tive cara de boneca de porcelana e agora a loiça está a partir-se toda. 
Lavei o cabelo, porque já foi castanho escuro, deitei-lhe um spray para disfarçar as raízes que o sujou todo, e agora vou ter mesmo que o pintar.

Vou dar sangue, quem sabe ainda está fresco.


07/04/2016

Também não quero ficar de fora...

Marco e Sónia, o BB vive na cena política nacional

Quando eu ganhar o Euromilhões # 10

A outra diz que está cansada da farra de hoje e mandou-me escrever o que me viesse à cabeça. Entretanto, como não sei ser bipolar como deve ser, publiquei esta posta de bacalhau ainda antes de ter começado a escrever. Passe o pleonasmo, isto começou bem.
Hoje deu-me a fé. Nem no santo, nem no clube, nem no faro canino que também possuo: em Sir Euromilhões. A semana passada, não o ganhei por um triz — acertei um número e uma estrela. São 2/7 do total. Já é muito sétimo, embora me dessem jeito os sete sétimos. Por isso, guardei o papelinho com aqueles 7 números, não querendo subestimar o claro indicador de estar quase.
(Entretanto, fizeram-se 8 da noite, já estou rica e ainda não sei. É a melhor parte de ser rica: aquela em que ainda não sabemos quanto nos cai no goto, nem onde o vamos gastar. Eu disse bem: gastar. Chiu, que agora sou uma excêntrica.)
Faltavam dez minutos para as 7 da tarde, quando fui acometida pela fé. Senti-a mesmo, a acometer-me. Icei a nalga da cadeira de pau (em breve poltrona, chaise longue, meipel) e quis voar para a papelaria do registo. Já ia quase na rua quando me lembrei que me tinha esquecido (tal e qual) do dinheiro em casa, pelo que voltei atrás. Entretanto, faltavam oito para as 7 h quando voltei a sair, já meio descompassada das batidas. 
Tive que levar o boi, embora a papelaria seja a duzentos metros. Não havia tempo a perder e os saltos não ajudam. Estacionar, chegar à papelaria, pegar num boletim e preenchê-lo com os números mágicos, já só me posicionei na fila do balcão 3 minutos antes das 7. Talvez já suasse um niquinho. 
À minha frente, uma senhora de muita idade, pedia ao morto-vivo para verificar nada menos do que 15 papelinhos de totobola. 
(Agora a sério, fazem parte de alguma seita, estas personagens que se nos colocam à frente, no multibanco, a pagar todas as contas do bairro e se enganam nos códigos todos? Esta grande querida fazia parte dessa seita.)
A máquina fez plim, porque um dos 15 tinha prémio.
(€ 0,90.)
(Noventa cêntimos.)
E ela ainda registou mais dois totobolas.
(Há-de perceber o mesmo que eu de futebol. Ou então, faz daquilo profissão e é uma angariadora, intermediária. Capaz de estar rica.)
Um minuto para as 7 e eu entreguei o raio do boletim ao homem, a suar as estopinhas e todos os tecidos que me cobriam as peles.
Ele registou-o, e eu saí, deixando atrás de mim uma mulher extremamente nervosa.
(Tivesse chegado mais cedo.)


Diz que agora tenho os três

Este buraco faz três anos. Inaugurei-o, escavei-o, fiz dele o que ele é hoje: nem grande nem pequeno, mas meu. Já foi muito mais alegre, muito mais triste, mas foi sempre, sem excepção, fiel às minhas variações, aos meus humores e às minhas idiossincrasias. Começou por ser escrito por Linda Porca, aquele ícone, depois a caneta passou para a azul pluma de Blue, aquele marco. Assumo, assim, uma saudável esquizofrenia, nunca diagnosticada, mas que me faz falta para respirar — uns dias acordo LP, outros LB, tenho horas de uma e outras da outra, e isso faz com que tenha, há muito tempo, esta vontade indómita de chamar a minha Porca de cada vez que o post é mais de uma do que da outra. Assim, passa a assinar-se quem o escreve, mas sempre, de certeza, eu aqui — pois que a dupla personalidade não vai tão longe, e isto não é um blog escrito a quatro mãos e duas cabeças. Somos apenas duas, só uma, de mãozinha e eisbein dadas, rumo à estratoblogobola, e mais além!