03/02/2014

Eu tenho problemas com doidos # 10

Acabei de a conhecer. Sentámo-nos à mesa com mais 58 pessoas. Ela calhou ao meu lado. Fica calada um jantar inteiro, enquanto eu converso com quem está nas minhas duas diagonais, à minha esquerda e à minha frente. Acabamos o café, estamos nas contas e ela conta-me uma inconfidência. Nada de extraordinário, não fora o facto de não nos conhecermos, de todo em todo, e termos 0,1 % de possibilidades de nos voltarmos a encontrar, a não ser por via do bom dia - boa tarde. E depois, discursa, sozinha, durante o tempo que leva a dizer isto:

- Isto que acabei de lhe dizer fica aqui entre nós. Foi uma confidência que eu lhe fiz. Eu não a conheço de lado nenhum, você não me conhece, mas pareceu-me ser pessoa em que uma pessoa pode confiar [WTF-F-F???]. Eu não costumo confiar assim nas pessoas, mas consigo não tem nada a ver. Posso estar enganada, e até lhe digo mais: já me enganei algumas vezes, confiei nas pessoas e as pessoas vieram a revelar que não eram de confiança. Vim a saber, por portas e travessas, que tinham ido contar o que eu lhes tinha contado e, às tantas, já toda a gente sabia. Eu sou uma pessoa muito reservada, e faz-me muita confusão que me façam isso. O que eu lhe estou a dar é um voto de confiança, a partir do princípio que não vai contar nada disto a ninguém. Espero não estar enganada consigo, mas nunca se sabe. Acho que não, mas sabe-se lá...

Chata da porra. Paguei a minha despesa e saí, sem me despedir nem boa noite, não fosse a praga vir atrás de mim com a melgueira da conversa e ainda tivesse um ataque histérico a espernear-se que eu não era digna do voto de confiança dela por me ter contado um segredo sem pés nem cabeça, ao menos uma boa cavalgada sexual, não, uma coisinha pequenina de uma vidinha sem sal. Esquizofrénica.

Nem os malucos que me cruzam o caminho dizem alguma coisa de jeito.

02/02/2014

"Crido" criador:

Quando tiveres ataques de falta de inspiração e originalidade, não dês tanta bandeira.

                                                                Dylan McDermott, n. 26.10.1961                                                                            Clive Owen, n. 03.10.1964

Ehhh... pensando bem, repete lá a receita, se for para isto...

Olá, bom dia...

Pá, já me anda a dar cá nos nervicos de titi a cena do "Olá!", como se fossemos todos da mesma escola. Que merda é esta de eu não conhecer alguém de lado nenhum - a não ser, talvez, porque o infortúnio ou o acaso, o mero, aquele que é primo da coincidência, nos fez cruzar o mesmo caminho laboral, ou porque até moramos na mesma área e nos cruzamos todos os dias, ou eu até sou freguesa habitual do estabelecimento onde levo com o "Olá" - e, ao meu cortez e educadinho "Bom dia", recebo um "Olá" na volta? E quando eu ainda nem abri o bico e já estou a levar com um "Olá"? Ainda mais me irrita o "Olá, bom dia" que a pessoa que me arruma os tachos me fornece diariamente, em resposta ao meu "Bom dia, [nome da figura]". Lá porque ela também trabalha num escritório, em acumulação de funções, em que imagino que desde o administrador até ao sector das limpezas tudo se cumprimenta com uma palmada no rabo, a mim não me convence ela de que "Olá" não é mais do que uma marca de gelados e, dizendo eu um "Bom dia", se não fosse pedir muito, gostaria de receber como resposta, por que não?, outro "Bom dia". É que já nem peço que pronuncie o meu nome ou, sacrifício dos sacrifícios, um título académico, que fica tão bem nestas horas. Eu vou ao médico e não entro no gabinete a dizer "Olá", pois não? Mesmo que o médico me tenha visto nascer ou me conheça as partes pudendas melhor que eu própria. Portanto, é "Bom dia", e sem variações (a menos que tenha passado o meio-dia ou as sete da tarde), como o meu vizinho lá de cima, que pergunta sempre, sem excepção "Olá, está boa?", deixando-me a pensar "Mas porra, não é uma evidência?", mas a proferir "Bem muito obrigada. Como está?".

Estou a ficar velha, farta de excesso de confianças, tudo junto ou só uma das duas.

01/02/2014

Não há flores no meu caminho [mas há corações]



Não sei por que é que, de cada vez que encontro um coração, a primeira coisa que me vem à cabeça é "não há flores no meu caminho" - que eu sempre assumi como sendo um fado, mas que, por mais pesquisas que faça agora, não me aparece. Se calhar, não existe.