07/05/2013

Se eu fosse primeira ministra...

... a primeira medida governativa que tomava era mandar banir as palavras "inclusive" e "exclusive". Para além de latinácios que nunca deixaram de pertencer à língua morta, por mais que se lhes acentue a última vogal, é à morta que pertencem, pelo que mortas devem permanecer. Não deve haver dois termos mais geradores de confusão do que estes dois. Está-se a determinar um período de tempo - de 4 a 10 de Abril, por exemplo - e lá vem a estúpida pergunta, embora sacramental: "Mas 10 é inclusivé?". Palavra de honra, o que é que eu disse? Disse "de 4 a 10". Até 10. O que é que se responde? "Não, é 4 a 10, exclusivé o 11, inclusivé o 10, mas o 4 também é inclusivé, o 3 é que é exclusivé, ou ainda não estás suficientemente baralhado?"

No meu exemplo - 4 a 10. Percebe-se o lapso de tempo? Percebe-se que são sete dias? O inclusive e o exclusive não fazem falta nenhuma, inclusive porque baralham, exclusive porque ainda são responsáveis por um erro muito giro da retórica humana, que é o de aplicar um em vez do outro: "Eu não tenho o direito de pagar [quando se trata de um dever] aquele dinheiro ao condomínio, exclusivamente [lá está] tenho sido uma condónima [oops] exemplar" [só no discurso é que te falha qualquer coisa de somenos importância].

Arrange você uma escola que o aceite


No fundo, é isto. Mandarem-me mails que (ainda) nem para a caixa de spam vão, com erros ortográficos. Da mensagem, consegui apenas reter o que diz a vermelho, sublinhado, à direita.

06/05/2013

Isto é quase ir aos arames, mas literalmente

A saga começou ontem. Preparei uma montanha de roupa para ser lavada na máquina e pu-la* a trabalhar. Realmente, reparei que fazia um barulho tic-tic, mas nem achei nada. Para mim, aquilo era um fecho, um botão metálico, sei lá o quê, acho que nem pensei. Siga, fui à minha vida, andei a arejar a pássara pela rua até que voltei. A bicha parecia tomada pelo diabo, o tic-tic tinha-se transformado em tic-tic-tic-tic porque estava na centrifugação. Eu sei que não é fácil acompanhar a minha linha de pensamento. Então, o que é que eu pensei? Aí sim, pensei "Isto é um arame de sutiã". Abri a máquina, tirei a roupa toda cá para fora, nada do arame. Mas rodava o tambor e tic-tic. Então pensei "Arre égua" e fui abrir a tampa do esgoto da máquina. Ou é do filtro? Não sei, abri a tampa. E pode-se dizer que saquei - é o termo, tive que os arrancar quase a ferros - dois arames de sutiã lá de dentro. Nessa altura, pensei "Hah, para quê um técnico, se existe Linda Porca no mundo?". Foi felicidade que me durou pouco, como todas. Voltei a rodar o tambor e tic-tic.  "Chipça penico, tenho que chamar o técnico". O técnico veio, esteve cerca de 120 segundos, cobrou-me € 20,00 - para cima de 16 cêntimos ao segundo - tirou do tambor da máquina mais um arame de sutiã e foi-se. Feliz, finalmente feliz, porra, eu também tenho direito, vai de encher outra vez a máquina, com mais sutiãs. E dei-me ao desfrute de ver um bocadinho do jogo do meu Benfica, essencialmente para verificar se o bonzão do Artur ainda tinha tudo no lugar. Quando já tudo me dizia que sim, dirijo-me à cozinha para confeccionar uma refeição e eis senão quando me apercebo que tenho água até não aos tornozelos porque uso sempre saltos mas, pelo menos, até aos pés. Foram muitas toalhas, muitos panos, muitos esfregões e uma esfregona, para retirar a maior parte da água, que a restante ainda lá está.

Rescaldo: um sutiã e meio de teta descaída; um chão de cozinha a lembrar a minha boa praia; um chão de corredor e parte de sala com ar de que uma tribo de selvagens lá fez chichi. E cocó; um técnico a ter que voltar e, com sorte, ainda terei eu a culpa da inundação (eu não queria dizer a palavra, mas aquela porra é uma INUNDAÇÃO) e ele cobra mais € 20,00, isto na hipótese de apenas permanecer 120 segundos; hoje o dia foi mesmo uma bosta; vou cortar os pulsos (mas os do técnico, os meus não posso, então como é que depois dava sangue por uma palhinha?); um jogo empatado (é só empatas, meu); Artur em grande estilo (alguém tem que se salvar no meio desta tragédia grega).

* este grunho sublinha-me a vermelho o verbo pôr conjugado no pretérito perfeito do indicativo, não me cansem.

Dúvidas que me assaltam à mão armada logo à segunda-feira pela manhãzinha


Por que será que há gajas que nunca vão desistir de me tratar mal de todas as vezes que eu apareço (mais) gira e (mais) boa no local da labuta?

Será que tenho que lhes explicar muito devagarinho que o facto de estar bronzeada se deve ao facto de ter ido à praia?

Será que tenho que lhes explicar que o facto de ter ido à praia se deve ao facto de ter havido um fim-de-semana?

Será que tenho que lhes explicar que o facto de não ficar enfurnada a trabalhar aos fins-de-semana é a coisa mais normal que posso fazer?

Vou fazer um desenho e enviar-lho por telex, que isto é povo que desconhece o mail, o fax e, em calhando, os direitos mais elementares dos trabalhadores, tipo o dos 3 efes - férias, feriados e faltas. Fonix.