13/10/2015

Uns fazem uma viagem ao Tibete. Eu fui à Índia

Fui ao hospital dos malucos dos telemóveis.
Chico encontrava-se bloqueado à rede MEO e teve que ser desbloqueado para receber o cartão NOS. 
Na MEO pediram 116 paus para fazerem o desbloqueio. Julgo que esse tratamento ultrapassava o quanto gastei para ter meu chico (cujo valor estimativo não é para aqui chamado), pelo que fui à candonga indiana para que mo fizessem por preços comportáveis e confortáveis.

Nem de propósito. Foi pena não se chamar antes Céu Blue, mas as coisas são como são

Quando entrei, Dr. Deli, de touca preta de bola na testa (parecidíssimo comigo, quando lavo o cabelo e enrolo a cabeça numa t-shirt preta), e sweat  com uma inscrição nas costas DON'T TREAD ON ME e, nas mangas, REBELIOUS STATE OF MIND, disse-me que "o meu caso" era para demorar 15 minutos. Mal ainda sabendo que os 15 se iam transformar em perto de 150, resolvi ir laurear-me para as boutiques limítrofes, designadamente o stand de café, para beber a bica, e uma loja tão indiana quanto a de Mr. Deli, mas que vendia fancaria. Mal avistei um galo de Barcelos com uma etiqueta a dizer Le coq du bonheur, pus-me nas tamanquinhas dali para fora, não fosse a minha avó paterna soprar-me ao ouvido vade retro!, que eu já tinha ido até ali de metro. Antes de ter saído da loja do arranjo, o doutor perguntou-me o número de contacto, e vá que tive o discernimento de lhe responder que escusava de me telefonar, uma vez que tinha meu chico nas mãos e, ainda por cima esventrado. Porém, perante a insistência dele, e para que não me raptasse lá para a casota dos fundilhos, dei-lhe um número ao calhas que, com sorte, há-de ser o da mãe dele. Quando voltei, meu chico continuava de barriga aberta e sem sinais de vida autónoma. Para passar o tempo e sublimar a angústia, disse-lhe que me procurasse uma capa bonita para o meu bebé, e o homem meteu os olhos dele dentro dos meus, a uma distância de dez centímetros, e perguntou:
- De que cor gostas?
Armada em Betty Boop indiana, respondi:
- Eu só gosto de azul, mas gostava de ter uma capa com tatuagem de henna. 
E o parvo caiu, andou para lá de rabo para o ar à procura da capa que não existe. 
Ao cabo de uma hora e meia de espera, de uma hora e meia de música indiana, de uma hora e meia a só ouvir falar sei lá se urdu ou panjabi (e até já a perceber alguns termos — que incrível capacidade de adaptação esta minha), cerca das 4 da tarde, e porque ele me fez sinal que ia sair da loja, perguntei-lhe: "Vai almoçar?". Só o desespero me levaria a fazer uma pergunta destas — porque me pareceu perfeitamente normal que toda a gente seguisse com a sua vida, uma vez que a minha havia parado ali, ou terei começado a sofrer de síndrome de Estocolmo, e ponderei a possibilidade de a loja Sky Azul ter passado a ser a minha nova casa. Pelo sim, pelo não, agarrei num outro aparelho e liguei para aquela que ainda podia ser a minha casa, dizendo: "Não fui raptada, estou viva, embora não pareça", apesar de ninguém me ter perguntado ou sequer procurado saber de mim. 
Quando o meu cárcere acabou, despedi-me do Doc, que me ofereceu uma capa foleiríssima para o meu chico (mais uma trabalheira para o OLX) e ainda me abateu no preço final do desbloqueio. 
Abatida e bloqueada, saí da masmorra. 


6 comentários:

  1. Essa viagem também dava um bom filme, de Bollywood. Ainda te convidam para participar.

    Beijos

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  2. Ai sua malandra! Andas na candonga :P

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  3. Vá lá, não te entrou uma troupe de dançarinos na loja para fazer uma cena Bollywood! A mim já aconteceu e foi desagradável, visto que tenho 2 pés esquerdos e são ambos de chumbo!

    Enfim...

    :)

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    1. Queriam a tua participação? Olha, eu, flash mobs, só se forem de kuduro. De resto, embora não tenha pés de chumbo, sou capaz de esmerdar qualquer coreografia!

      :)

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