02/06/2017

Selinho Blog em Bom — as escolhas de Blue, Linda Blue

se é "selinho", é selinho até ao fim

Tenho muita pena de não poder pregar com aquele autêntico alfinete-de-peito — da criação altamente rephynada de inigualável Palmier — na lateral da minha alegre casinha, tão modesta quanto eu. Fá-lo-ia do lado esquerdo, pelas óbvias razões de ser aí que pulsa o que de melhor há em mim, apesar de os médicos não concordarem. (E também algumas pessoas não médicas.) No entanto, soube, após informação dada pela Mirone a dúvida alevantada pela NM, que apenas os eleitos pelo mentor deste mega movimento, Pipoco Mais Salgado, o podem fazer. 
Entrementes, há que escolher qual seria o meu blog, se o desgraçado fosse um Blog em Bom. Ora bem.
...
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Se o meu buraco fosse um Blog em Bom, perguntam-me vocês e questiono-me eu sem cessar, desde que ontem a Nê me pôs nesta alheira.
Então,


seria este.
Ai, não posso? Mas quer dizer, este é à minha medida, é o único que eu consigo escrever, umas vezes com sangue, outras (quase todas) com suor, muitas com lágrimas (de riso e tudo).
OK, escolho outro. 
Também podia ser o da minha irmã. (Queríeis link? Olha...) Mas fazia-me sentido, para já porque não a homenageei no Dia dos Irmãos (sorry, sis, acho que tive um dia daqueles, mas gostei muito da tua singela homenagem às irmãs). E depois, porque ela tem um blog mesmo em bom: leve, alegre, sem os meus dramas de merda de vez em quando.
Acho, sem certezas, que também não se pode nomear quem nos nomeou, à laia de Casa do Big Brother, porque aqui não sai ninguém desta Casa, a menos que pelo próprio blogopé. Estás safa, Nê.
Vá, como não me apetece dar mais de mim do que já dei até agora, vou falar a sério: eu só queria escrever como a minha flor, eterna madrinha deste nick Linda Blue desde que ele existe. A forma como entrelaça as palavras rasga-nos o coração em mil bocadinhos bons, e depois, artisticamente, volta a pô-los todos no lugar, sem deixar marcas das que doem quando o coração se escaqueira. 
Quanto aos cinco, vou ali ao meu reader e já volto. Estou a tentar não repetir nomeados, o que não é fácil. Parece que nos movemos num blogoberlinde, e quase todos os que lá tenho já foram escolhidos por alguém. É no que dá chegar sempre tarde às festas. Já só posso rir-me do final da anedota, não porque lhe ache piada, mas porque as gargalhadas dos outros me contagiam como a praga. 

[Passado um bocado]

Só devia escolher homens, para ser original. 
[Ai eu já pensei mandar pintar o céu 
Em tons de azul, pra ser original 
Só depois notei que azul já ele é 
Houve alguém que teve ideia igual]
Mas isso já eu sou, mesmo não fazendo nada por isso.
Então, vá:
https://desabafosemrodape.wordpress.com/
http://www.diariodopurgatorio.com/
http://porquehojemeapetece.blogspot.pt/
https://naomudesnunca.wordpress.com/
http://carenciasefectivas.blogspot.pt/
(Safaste-te de boa, Piston.)
(E tu também, Caladinho.)
(E também tu, Mr. Peixinhos.)


Ainda antes do post do selo

Apercebi-me agora que ontem publiquei o meu dois milésimo quingentésimo post. Dois mil e quinhentos. Só para que conste. 

01/06/2017

Respeita a criança

Fui à Feira do Livro no Dia Mundial da Criança.
Ela levou-me, como se fosse minha mãe. Como não tem idade para ser, é minha filha. 
Cheguei ao recinto cheiinha de vontade de fazer chichi. Disse uma, disse duas, disse três, até que ela protestou, e com muita propriedade: "Que horror, mulher, pareces uma criança. E eu ainda nem comecei as colónias". (Porque ela é monitora de colónias de férias, de entre outras valências que tem, minha rica menina, e atura os filhos dos outros como ocupação sazonal remunerada.) 
Comprei três livros, como uma pessoa extremamente erudita, que vieram juntar-se a mais uns quantos da colecção Baby Blues. 
Consegui fazer chichi num contentor muito limpinho, e depois deu-me a fome. Havia muitas coisas para comer, que me lembraram a Feira Popular, que era a coisa que eu mais adorava [era o vinho, meu Deus, era o vinho], só que, em vez de cheirar a sardinhas, cheirava a hambúrgueres de vaca, iguais aos que a minha mãe fazia. (Isso e leite creme, eram as únicas coisas que a minha mãe sabia cozinhar, minha querida mamã.) Apeteceu-me um pacote de pipocas e escolhi um que tinha umas quantas coradas de cor-de-rosa, porque os olhos também comem. (E não engordam, ao que parece.) Entornei uma parte do pacote para o chão e para dentro da mala e fiquei tão desconsolada que a senhora me deu outro. Nunca vou saber usar carteira de senhora sem que me aconteçam mil desastres e esquecimentos com ela. Não sei como, nunca fui roubada.
Sentei-me muito direitinha numa cadeira, a ouvir umas senhoras a falar, enquanto me dava o vento pela venta sem pêlo e via as pessoas crescidas a passar, todas com um ar muito sério ou então curioso. 
Voou ao meu lado um balão azul, mas não o fui apanhar, porque me lembro muito bem do barulho que os balões fazem a rebentar e tenho medo. 
Que saudades da minha chupeta. Usei-a até entrar no liceu.

Viciada em bebés # 3

Eram um macho e uma fêmea, tidos como irmãos de adopção por terem nascido em datas próximas. Eu, que sou toda Eça, antevi-lhes uma relação feliz e eterna, e em nada fraterna, mas isso sou eu, que ainda acredito. Ele corria, desenfreado, pela sala, escondendo-se nos cantos, de toda a gente — nomeadamente de mim, que o perseguia para o agarrar e mimar —, de si mesmo, da sua sombra e da própria cauda, numa atitude tão típica dos gatinhos. Ela, bastante mais pequena, apesar de ter nascido apenas três dias depois, dormia, desenfreada também, enrolada numa rodela, numa atitude tão típica dos gatos. Mesmo assim, quieta, a contrastar obviamente com o irmão/futuro namorado, era uma lufadinha de ar fresco em todo o enorme espaço, tão pequenina. Exigiu-me o meu egoísmo que a pegasse com as mãos, nos braços, para sentir o corpinho junto da minha cara, nem que, para isso, tivesse que a acordar. Raptei-a um pouco do ninho que formara entre as ancas de uma senhora e de outra, aconchegada de almofadas, calor e afecto, e senti-lhe o tamanho, o peso sem peso, um montinho de pequenos ossos, pêlo, garras e bandulho de bebé. Inspirei-a e devolvi-a ao sono e ao berço, consolada.