07/10/2014

Quando vejo as gatas a atirarem-se à parede

já sei que vai chover. Ontem andavam as duas aos saltos verticais. Acho que já fui gato noutra encarnação. Só me apetece lançar-me à parede, também. E, às vezes, dormir como elas.

É sinal, também, que vou deixar completamente de ter mão no meu cabelo. E que vou deixar de saber o que calçar. Ontem calcei meias pela primeira vez e morri de calor. Isto que vos escreve é um fantasma. Hoje já espartilhei o delicado pezinho nuns sapatos fechados, mas meias, nem vê-las.

É possível que nada deste assunto interesse. Não sei onde estava com a cabeça quando comecei a escrever este post (há cerca de uma hora e meia. Interrompi, fui à rua, vi um rapaz de calções e chinelos de praia, e percebi que há pessoas mais graves do que eu. Este deve ter sido lavadeira de Caneças noutra encarnação. Ou varina da Madragoa), mas precisava de desabafar, e, portanto, eis-me. Também posso falar de cuecas, só para experimentar o impacto do tema.

Cuecas, cuecas, cuecas.

06/10/2014

O meu computador foi com os porcos

ia ali a passar uma vara e lá foi ele.

Um dia, está quase a fazer duas semanas, o meu computador morreu. Não posso dizer que tenha ficado muito alarmada, porque tenho backups da maior parte daquilo que eu considero importante (o que só constatei mais tarde mas, ainda assim, não me alarmei), ou enviei para mim mesma, e tenho em anexo de carinhosos automails, a chamar-me querida e mulher da minha vida. Por acaso, não, mas é boa ideia, para aqueles dias em que uma pessoa está virada de pernas para o ar. A muito custo, ao fim de milhares de tentativas, consegui que ele se ligasse, o que ainda deu para fazer mais backups (durante os quais morreu mais não sei quantas vezes), que me foram extremamente úteis. Já vamos ver porquê, se vocês aguentarem e eu não me esquecer de contar. 

Fui levá-lo ao estaleiro e ele voltou arranjado, de disquinho novo, portanto a Judiciária pode cá vir a casa espreitar o meu disco que este está virgem até às orelhas, dado que ainda não teve tempo de chafurdar na lama internética, ou não fosse ele o disco rígido de uma Porca. 

Só que eu preciso de um programa para trabalhar que me enche a máquina de pop ups. Mesmo agora, estou a escrever esta bela peça da literatura infanto-juvenil que são os meus posts e aparecem-me etiquetas por todos os lados, vindas de baixo, da esquerda e da direita, anunciando-me prémios vários e dando-me os parabéns por ter ganho um aifôni. Em compensação, tenho vindo a instalar todos os programas que tinha antes e que me uderam o outro disco. 

Portanto, estou nessa, Vanessa. Até mesmo escrever um post se tornou uma pequena aventura, um jogo de escondidas, entre as minhas boas frases e as mil janelinhas de oportunidade que se apresentam à minha frente. Só isso explica que tenha estado uns dias sem dar o ar da minha graça, atolada que estou nesta desgraça. 

(a sério que até estou com pena do Picasa. Acabei de o instalar e o pobre está a sugar as minhas fotos, uma a uma)


02/10/2014

A mim também me custa

lidar com pessoas.

Não é com todas, mas, neste momento, com algumas, que me surpreendem, quase me matam (não sei se de riso, gozo, ou pura seca) e me prendem com conversas que eu não posso, não quero, nem tenho tempo para ter.

- Sabe lá o que foi este ano. Primeiro, no Algarve, uma água gelada. Depois, na Isla (sei lá se disse Canela, ou Gaviota, sei que era uma da Andaluzia), logo ali ao lado, uma água quente, parecia mesmo que estávamos noutro país.

Depois a outra, que já se está a tornar uma ideia fixa. Qualquer coisa que eu diga ou faça, resulta na resposta "A minha Tatiana e o meu Daniel também". Por exemplo, eu espirro. Basta que diga (oh, boca rota!) "Estou mesmo constipada". Recebo a tal resposta.

Estou tentada a dizer, só para experimentar: "Estou mesmo aflitinha para cagar".

01/10/2014

Eu vou comprar a casa da vizinha, mas ela ainda não sabe

Este é um plano que eu quero concretizar a breve trecho. Faltam-me só acertar alguns pormenores de somenos importância, nomeadamente ter a verba suficiente para a aquisição e depois para as obras de siamesação (inventei, porquê?) e, mais tarde, convencê-la a abandonar a casa onde vive, a bem ou a mal. Eu preferia a primeira, porque eu sou pelo bem. Mas já tenho tudo pensado, caso ela insista em manter-se na casa que é dela por enquanto. Na verdade, tenho a vida facilitada, já que ela tem uma filha que grita desalmadamente sempre que está acordada, o que acontece para aí dezoito horas por dia. Passo a chamar a autoridade. Ela (mãe) há-de-se cansar. Também posso fazer ruídos a desoras. Posso dar festas de arromba, com o argumento que depois de velha é que me deu para parva. E paro à meia-noite, só para não dar aso a falatórios. 

Hoje não aguentei mais de expectativa e bati-lhe à porta.

- Quem é?

- A vizinha!

Ela abriu em fato de treino. Ai que giro, às vezes parece-me que moro num daqueles bairros tipo Massamá (isso é cidade, vila, aldeia...? Who cares?). Perguntou-me se queria entrar, mas só depois de passar a primeira barreira, que era um tapete de plástico que tem à entrada, a partir do qual todas as pessoas que entram em casa têm que se descalçar. Ela estava calçada, fora do tapetinho, a batoteira. Como temi que houvesse um tapete mais adiante que me obrigasse a tirar mais alguma peça de roupa, estaquei ali, com a desculpa que não me ia demorar. E dei comigo a perguntar-lhe, de chofre, se quer vender a casa dela. Tenho que tratar este pequeno Tourette. Ela disse que não. 

Ainda assim, espreitei de cima do tapetinho de plástico e a casa é roxa. Não, não é lilás, é roxa. E ela, contente, apontou para a única obra que fizeram lá dentro, que foi "o escritório" - uma estante a meio do corredor, naturalmente sem luz natural, onde está um computador, é "o escritório".

Vim de lá com uma vontade acrescida de alugar a Marlene Dietrich e partir aquilo tudo, salta "o escritório", saltam as paredes roxas, só parava mesmo na casa da velha do saco do El Corte Inglès, que com essa não me meto eu. Ela tem poderes.