22/02/2014

To do list

Isto sou eu a organizar a cabeça, dois dias depois de ter recebido um trabalho que é suposto estar pronto no dia 1. Vai levar-me 9 horas de trabalho diário, durante dez dias. Só não deixei de me lavar e de comer, e de cagar, oh yeah, de resto não tenho feito mais nada, nem é previsível que faça, nos próximos oito dias. 

Tenho uma lista de coisas para o dia de hoje, a procrastinar:

* Arranjar as unhas - esquece. Tiro o verniz de uma das vezes que vá fazer chichi, enquanto faço chichi e ficam sem tinta nem arranjo. 

* Ir ao talho comprar a carne para um mês - esquece. Como peixe até ao dia 1.

* Fazer uma máquina de roupa e estendê-la - esquece. Vou amontoar. Pode ser que me entre a Segurança Social em casa com duas ou três voluntárias e me dêem conta desse assunto.

* Ir ao supermercado - esquece. Nem me vou lembrar do que falta, a não ser quando faltar mesmo, no acto de cozinhar e essa é tarefa que nem vou saber do que se trata até ao dia 1.

* Ir ver dois jogos de pessoas queridas minhas - esquece. Já faltei a um, amanhã logo se vê.

* Ir ver o filme "Her", porque eu gosto de amores esquisitos - esquece. Já está no warez, vou sacá-lo, tentar vê-lo e adormecer aos dez minutos.

* Fazer uma sopa - esquece. Por tudo o que isso envolve.

* Telefonar à minha Preta e dar dez dedos de conversa - esquece, a não ser que o faça enquanto cago. Ela não nota ou, se notar, não se importa. Ela também caga.

* Escrever um post no blog - esquece!

21/02/2014

Dois motivos para sorrir

São estas minhas duas.


Os créditos das imagens são de outro ser vivo que também só me dá motivos para sorrir.

E, para os taradinhos do pormenor, como eu, aquilo no parapeito é fungo, sim. Nem com a faca lá vai.

19/02/2014

Migas gatas*

Quase me sinto na obrigação de ensinar ao público em geral a receita das migas alentejanas, tanta é a profusão de receitas alteradas e, por isso, adulteradas, que por aí proliferam na netinha. Começa por que toda a gente chama à boa da miga, açorda. Não. Repitam comigo: não. Açorda é uma sopa muito líquida, com água, água, água, á-g-u-a, ÁGUA! e muitos coentros, onde flutua um ovo escalfado. Leva pão, daí a confusão (?). À minha frente, se faz favor, nunca mais chamem açorda às migas. Senão eu corto os pulsos. E não são os meus, muáháhá.

(imagem furtada, naturalmente)

As migas gatas são as migas de nada, são as que não são de bacalhau, nem de espargos, nem de tomate. São de coentros, se quiserem. Se não quiserem, são na mesma. 

Fazem-se com pão alentejano do dia anterior. Não se fazem com pão saloio, nem com pão rústico, nem com carcaças, nem com nada dessas porras que se vendem nas Padarias Portuguesas do meu horror. Pão alentejano. Pão velho. 

Rasga-se o pão em bocados pequenos e põe-se no tacho com água a cobrir o pão, só ensopado (não precisa de ficar a boiar), com azeite, três ou quatro dentes de alho esmagados (para o sumo se deslargar para o pão), sal e um molho de coentros. Vai ao lume para obrigar os ingredientes a darem sabor ao pão, mexe-se enquanto se cozinha e mais nada. Antes de servir, tiram-se os alhos, a ver se não sai a fava do bolo rei a ninguém. Hah, que linda comparação revivalista a minha.

É só isto. Se quiserem fazer migas de bacalhau, guardem a água que cozeu o bacalhau para ensopar o pão das migas. É nojenta, mas é assim que se faz, e eu não tenho culpa disso.

* Receita ensinada por uma alentejana verdadeira, com as costelas todas do Alentejo, a melhor de todas as cozinheiras que passou pela minha vida e que, com grande desgosto meu, já não está cá para eu lhe poder beijar aquelas mãos abençoadas de fada.

[Não ponho imagem das migas, porque as da net são péssimas e eu hoje não fiz migas. Quando fizer, amostro.]

18/02/2014

Da felicidade de não ter facebook

Não tenho, nem nunca tive. E quase posso assegurar que nunca terei, embora a idade e a experiência me digam "Nunca digas 'Desta água não beberei'" mais vezes do que nunca e sempre. Eu lido menos mal com a exposição pública, mas aquela que eu consinto e (julgo que) consigo controlar. Lido pessimamente com espiolhanços na minha vida. Se já me tinge os cabelos de branco, acelerando as vezes que tenho que os pintar por ano, ter sempre a caixa de email e de sms cheia de Sephoras e Perfumes e Companhia e Loja das Meias (onde nunca me lembro de ter comprado nada!), com promoções absurdas (na compra de um coffret de € 50,00, fazem-me 10 % de desconto no total da minha compra. Ó pá, vão cagar à mata), que direi de ter o vizinho de cima, com o qual pouco mais troco do que bom dia e boa tarde, a saber a que horas é que eu cago? 

[Tem piada, esta cena escatológica que me persegue. Um dia vou levá-la de bandeja (não literalmente) a um psi, e ele que desvende a chave do meu obsessive compulsive drama]. 

Mas medo-medo, faz-me esta coisa de o povo se conectar, amigar, interligar ou que raio, com alguém que não conhece, desatar a interagir, pular para a vida real, depois escarrapachar na página, angariar aplausos e amens, promover um julgamento sumário em praça pública com sentença directa, tudo por... cinco-dez-quinze minutos de fama? Ah, tá. Not.