01/07/2015

Se não podes ensiná-los a nadar, ao menos ensina-os a não mergulhar à maluca


Aqui há uns quatro ou cinco anos, vi, numa praia, pela primeira e única vez na minha vida, um sinal de aviso de perigo mergulhar. Não era uma praia com rochas, nem pontões convidativos a mergulhos. Era uma praia comum, com um mar ora mais, ora menos tranquilo, mas nunca bravo o suficiente para que mergulhar nele parecesse constituir perigo para alguém. 
Sabe o diabo porquê, o sinal desapareceu da praia, e nunca mais o vi, nem naquela, nem noutra qualquer do país — e, depois disso, corri Porto Covo, Zambujeira, Almograve, Rocha Baixinha, Falésia, Barril, CDS, S. João da Caparica, Lagoa de Albufeira, Figueira da Foz, Carcavelos, e nada. Zero. Deixou de ser perigoso mergulhar na rebentação.

Penso que qualquer criança ou adolescente sabe que não deve mergulhar em zonas rochosas, como as dos pontões, ou as das praias com rochas até à rebentação (quase todo o litoral alentejano e Figueira, que eu tenha visto), e em piscinas baixas. Mas parece que nenhum sabe — porque nem os pais o ensinam, nem faz parte dos avisos dimanados pelo Instituto de Socorros a Náufragos, nem, ao menos, da sinalética, do imenso cartaz da atribuição de bandeira azul — que é mesmo perigoso mergulhar na rebentação das ondas.


Simplesmente, nós temos N praias com aquilo a que os nadadores-salvadores chamam fundões, ou afundões: bancos de areia, que se formam logo à entrada do mar, onde ainda toda a gente tem pé (mas até pode perdê-lo), e em que é muitíssimo perigoso mergulhar. E são zonas da praia com o ar mais inocente e virginal que se possa imaginar.

Há anos que vivo na paranóia dos mergulhos na rebentação. Cada vez que vejo um miúdo — acho que nunca vi uma rapariga fazer isso — desatar a correr na direcção do mar, com a intenção de mergulhar de cabeça mal lá chegue, só me apetece correr atrás dele e pregar-lhe uma rasteira, ou puxá-lo pelos calções, com subsequente calduço, que é para aprender (quanto mais não seja, a não me assustar). Acredito mesmo que não chegam a ter dor de espinha, à custa da dor que provocam na minha, só de vê-los fazer aquilo.
Tive um colega, na faculdade, que, no dia em que acabou os exames do primeiro ano, numa das mais inocentes praias da Linha, mergulhou de tal modo mal, que um igualmente inocente banco de areia o atirou para uma cadeira de rodas para a vida toda, que foi tão curta. Deu-lhe apenas tempo de acabar o curso. E a mim, de o ver acabá-lo, impossibilitado de escrever uma linha, sequer, em regime especial para deficientes, só com exames orais. E isso determinou que nunca mais tenha olhado para mar nenhum  que pudesse sentenciar como inocente.


9 comentários:

  1. Tu conheces a praia da Rocha Baixinha? A praia mais bonita de Portugal? Epá sim senhores... :D

    Já estive nessas praias todas!

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    1. Conheço, sim senhores :D
      Passo lá uns dias, todos os anos!

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  2. quero saber onde é... a praia da rocha Baixinha sim senhores :)

    bj doce

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    1. Entre a Falésia de Vilamoura e os Tomates de Albufeira :)

      Bj meu

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  3. Concordo contigo LP, há demasiada irresponsabilidade ...
    Beijinhos

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    1. E um aviso tão simples, que podia poupar tantos dramas...
      Olha, já este ano: http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/sociedade/detalhe/milhares_nas_praias_sem_vigilancia.html
      Beijinhos

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  4. Anónimo2/7/15

    Rocha baixinha, Falésia ou a de Benagil para umas fotos catitas.

    O mar de inocente nada tem...

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    1. Isso é bem de quem não as conhece.
      Que dirás do Canhão da Nazaré...?

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    2. Anónimo2/7/15

      De quem não as conhece, não é para mim de certeza. Conheço bem demais, até.

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