22/06/2019

Quão intencional/desastrada/aleatória

consegue ser a oferta de uma revista relativamente ao seu título de capa?


E um picador de gelo, não?

19/06/2019

Aprendam comigo, que eu não duro sempre. Só mole.

Pois, fui à Feira do Livro, e acabou por acontecer duas vezes: a primeira já estava assim mentalmente programada desde que o evento abrira as portas que não tem: à noite, rápido, rápido, direitinha à Dom Quixote para adquirir todos os meus Antónios* que pudesse carregar sem sobrecarregar a conta bancária, essa grande meretriz que emagrece sem grande esforço de forma absolutamente invejável. Trouxe apenas dois, não porque me faltassem as forças para mais, mas porque já expliquei. Ainda por cima, a casa onde habito habitualmente, ao contrário da alma que me habita a mim, não é grande, e qualquer dia estou deitada sobre livros, qual místico da cama de pregos, só que sem dor. A segunda vez que lá fui, fi-lo com tempo, apesar de o da Feira se estar a esgotar, pois fui no último dia. Percorri aquilo tudo de lés a lés, que é como quem diz, de cima a baixo e depois de baixo a cima. (Hã? Muita bom, não ter dado aquele enganozinho do "acima" e "abaixo". São muitos anos, isto.) Ora, conforme é sabido, a Feira admite apenas dois climas: ou chuva, ou um sol a pino que não dá para perceber. Deve ser da inclinação, ou então sou só eu que sofro. Como naquele dia estava calor e eu hei-de ter achado uma ideia brilhante ir de t-shirt preta e calças de ganga escuras, levei com a chapa grelhadeira todo o caminho, principalmente nas duas vezes que subi, tipo em escala ascendente, aquele passeio dos alegres intelectuais assim como eu. Portanto, enchi-me da canícula. 
Isto tudo para explicar um fenómeno da Química, que é praticamente uma metáfora da minha vida toda.
Acerquei-me ali de uma roulote que vendia beberagens, apercebi-me, enquanto esperava a minha vez, que havia umas palhinhas feitas de massa crua, e vai de pedir uma para enfiar na lata do Seven Up, isto tudo armada em ecológica da pegada verde. Vi a senhora tirar a dita lata do frigorífico, pelo que não foi agitada, sequer estava deitada (a lata, não a senhora), entregou-ma, e eu zás na argola daquilo. Abri a lata, tudo igual ao litro, e então meti a palhinha pelo buraco da coisa. E fssssssh, um vulcão de espuma sobre mim, que me atingiu a mala, os sapatos (o cinto não, porque não levava), o chão e um nico o orgulho. Era eu na Feira, onde todos se vão cultivar e pavonear, a segurar uma lata que cuspia espuma. Parecia do circo Chen, eu.
Portanto, recapitulando: massa fresca mais bebida com gás, é igual a festa da espuma.
Há uns anos, alguém descobriu um fenómeno semelhante com a Coca-Cola e os Mentos. Agora descobri eu este. Quase de certeza que o resultado é igual com qualquer bebida gaseificada e qualquer tipo de massa. Quando estiver aborrecida e sem nada para fazer, hei-de experimentar com massa de letrinhas e champanhe. Depois ponho-me no Youtube e fico rica, para poder ir à Feira para o ano, comprar todos os Antónios que ainda me faltam. 

* Lobo Antunes (claro).

17/06/2019

E os boomeranggers? ∞

Uma pessoa instagrama-se e descobre todo um novo mundo de possibilidades de estudos antropológicos associadas. Vocês não sei, mas eu, assim como nos blogs e na vida, tenho os meus guilty pleasures mais ou menos assumidos, pelo menos de mim para comigo: aqueles locais que frequento só para me irritar/ ver até onde é que o patético consegue esticar/ surpreender-me a níveis que desnecessitem de botox, pois o elevar de sobrancelhas e o abrir do olhar que tais publicações provocam, são coisas para perdurar por horas.
Assim, esquecendo agora as inenarráveis - que eu, apesar disso, tentarei descrever em poucas palavras apenas - imagens da tipa que acabou de se maquilhar na casa de banho do shopping e se fotografa ao espelho com as cabines de retrete e as ditas cujas abertas lá atrás, hoje apetece-me vir debruçar sobre a cena do boomerang com que o povo entope as suas stories. 
Eu já fiz boomerang. Fiz, e fiz, e hei-de voltar a fazer, de todas as vezes que o boomerang se justifique, ou seja, em que o micro-filme fique mais engraçado/ ilustrativo/ lógico usando essa "técnica". Se filmar alguém a subir três degraus, se filmar um movimento que se repete num sentido e no contrário (tipo passar a ferro), se filmar um salto de um gato, pode ficar com mais piada se recorrer ao boomerang. 
Mas eu quero, aliás, eu exijo perceber o que é que passa na mona das gajas (são quase sempre, não é? Ou sou só eu que não conheço instragrammers masculinos que se dediquem à tonta do infinito?) que filmam um prédio, aleatoriamente, e depois a gente fica a pensar se elas assistiram a um terramoto ou se é só o boomerang delas do dia? Ou a manita delas com um copo de cerveja, em plenos santos populares, a gente na dúvida se lhes está a dar um espasmo, e por que genitais não se lhes verte a bebida do copo. Ou as gajas a deitarem a língua de fora, aquilo numa cadência ritmada, não sei se sugestiva, mas em que uma pessoa até tem medo de deixar o seu gelado por perto, não vá aquilo chlep e lá se vai o dito coiso.
Olhem, todo um manancial de dúvidas, cuja única resposta há-de ser que já não tenho idade para estas coisas. Estou quase uma senhora.

16/06/2019

Foi tão blogger da minha parte, nem posso dizer que corri, só que curry

Tendo-me baldado ao ginásio, e como auto-penitência, fui correr. Sábado de manhã, cafeína na veia, nada de pesos extra, excepção feita a Ai-fostes e um leve mp 3 (sim, sou desse tempo, com a agravante de ter a playlist toda desactualizada), lá fui para o Estádio dar à perna, considerando a possibilidade de dar uma volta, caso conseguisse, e depois logo se veria se não daria a segunda já a andar. E deu-se o milagre: uma volta percorrida, confirmado que, efectivamente, o que custa são os primeiros quinhentos metros, iniciei a segunda, pensando que ó pá, mal sinta dor de burro/ cansaço extremo/ palpitações, páro mas é, que ainda me sinto demasiado jovem para faleceri e seria uma ironia sem ponta de pinta fazê-lo nesta circunstância em específico. Prescindi da música, para não me enervar, tendo preferido o som dos passarinhos e também dos carros da Segunda Circular, tive uma sorte imensa porque não havia mil mamãs empenhadas em ensinar os seus pequenos piratas a andar de bicicleta com rodinhas, nem outros entraves do género ao meu endurance, a não ser uma ou outra poia de cavalo deixada aleatoriamente pela G.N.R. Ainda assim, e apesar disso, fui-me dando alento, “Vai, gorda, tu consegues”, estou a gozar, dizia-me, “Não te esqueças que estás a menos de uma semana do Verão. Gorda”, sempre achando que a meio da segunda volta ia parar, mas é que as forças não me falharam e pronto, era preciso chegar a esta provecta idade para cumprir 5 quilómetros e 300 metros sem pausa em pouco mais de meia hora. 



Pode ser que nunca mais repita esta façanha, daí a necessidade e alguma urgência de a registar.
Para comemorar a minha micro-maratona, na qual fui a única participante, hoje abracei e beijei estes amores, com os quais pretendo, se não palmilhar milhas, pelo menos dançar muito e fazê-los fazerem-me muito feliz. 


(Na verdade, o meu amor ia para estes, mas o meu pé chato e parvo decidiu pelos outros.)