25/03/2019

Não está fácil escrever o penúltimo antes dos 3000

Não está fácil decidir o assunto do 3000.º

Este aqui tem como título Martim Moniz rules

Apetecia-me vir para aqui armada em boa, pois há muito tempo que não o faço, e isto já se sabe: um blog sem litros de baba por autoestima, sem um exagerozinho narcisista, a dar a entender que somos jovens e belos e inteligentes e bem sucedidos, tudo a um tempo, não é um blog a sério. E eu ontem fui correr. Tenho que me preparar para a corrida Sempre Mulher do próximo domingo e tinha, ao todo, o dia de ontem para os treinos, a ver se melhoro o meu último tempo, apesar de já não me lembrar qual foi. Bom, achei que ia desfalecer aos primeiros passos, mas, talvez porque recentemente cafeinada, correu bem, corri bem. Uma volta completa ao Estádio Universitário, que devem ser dois quilómetros e meio, mais cerca de quinhentos metros a andar, mais outros dois de corrida. Pronto, foram quase cinco quilómetros a correr, pelo que acho que estou mais que preparada para a maratona do dia 31.
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Voltei a ter aulas de Jump, quem me apanha com aquelas botas nunca mais me agarra. É.pura.felicidade. O cansaço é tanto, ao fim de dez minutos, que não se pensa em mais nada, nem mesmo naquelas comezinhices de o-que-é-o-jantar-?. Acaba por ser uma actividade intelectual, em suma.
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Levei uma cornada de uma amiga. Ando há dias a matutar sobre isto. Já chorei um bocadinho e tudo. Ou melhor, aproveitei um catalizador qualquer e este assunto da amiga - que, afinal, não devia ser, eu é que confundo tudo e percebi mal -, foi na cheia, literalmente.
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Outro dia dei uma porcaria de umas moedas que tinha no porta delas a uma malabarista, do semáforo da Praça de Espanha. Daquelas que atiram pinos, maços e marretas pelos ares, sei lá se são malabaristas. Fico sempre fascinada, quando me calha o primeiro lugar no semáforo, sem perceber como é que nunca acertam num pára-brisas, no meio de tanto objecto atirado aleatoriamente. Ela era lindíssima, tinha os cabelos encaracolados e os collants rotos. Disse-lhe, "Desculpa, é tão poucochinho", e ela recebeu os cacos com uma espécie de vénia e respondeu, "É de boa vontade, chega perfeitamente". Fui-me embora feliz, tenho sempre medo/esperança de reencontrar o velhinho que vendia nougats naquele mesmo semáforo e que uma vez o taxista que me levava tratou mal. Tratei eu mal a seguir o taxista e comprei nougats ao senhor, mas porra, a ferida já lá estava. É uma vontade de lhe dizer, "Olhe, desculpe aquele dia, o homem era um bruto, mas nunca comi nougats tão bons como os seus". Nunca mais o vi, mas vejo-o de todas as vezes que cruzo aquele semáforo.
Contribuí com uma merreca para a UNICEF Moçambique. Tive vontade de repetir "Desculpa, é tão poucochinho". Na volta não recebi uns olhos belíssimos a garantirem-me "É de boa vontade, chega perfeitamente", e isso anda a fazer-me mal.
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Fui ao Martim Moniz ver das molas de que precisava, por sugestão da Izzie. Uma pessoa entra noutra dimensão desde que sai do metro. E ainda noutra a cada loja onde entra, a pedir indicações específicas de onde encontrar aquilo assim. O que vale é que levava uma, para amostra, porque ali ninguém entende nada do que uma pessoa diz. Finalmente, quando se atinge o armazém de retrosarias, meu santo Deus, Alá, olá, olá!
E sim, é preciso tão pouco para me fazer feliz! Obri-ga-da, babe, you rock!

1 euro cada 20, vieram 200, seriam 200 euros
lá no outro magano, muáháháhá!



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#jasofalta1earesponsabilidadepesa


22/03/2019

A pessoa humana também se engana (e rima, ainda por cima) (again)

Este post é assim uma espécie de errata: onde se lê Singer, leia-se antes Singer.
A realidade é que o ser é livre de se enganar, hom'essa. 
Em relação ao post anterior: o Singer que vi no Car S.O.S. não era nada um Porsche. Era um clássico inglês, o Singer - marca, não modelo. Mas também se mantém quase tudo o que disse em relação ao Porsche, com a excepção de ser norte-americano. Mas até o nome do seu inventor era Singer, portanto encaixa tudo na perfeição e faz de conta que estes dois últimos posts não existiram. Mas contam na mesma. É que, a brincar, a brincar, lá enchi mais um chouriço.



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#jasofaltam2

Da fonética das coisas

Sempre ouvi chamar às máquinas de costura Singer, Sinjér, e assim sempre me referi a elas, sem nunca me questionar se era assim que se dizia. Até que outro dia estava a assistir a um episódio de Car S.O.S. e calhou-me o Porsche Singer na rifa, isto não literalmente, mas em termos de visualização. Dá-se que o programa é inglês, pelo que, de cada vez que disseram o nome do modelo do carro, pronunciaram sempre Singuer.
Cantor. 
Já estudei na wikiseca [fui linda, não vim para aqui dar bitaites sem antes marrar a liçãozinha] e as duas máquinas (de coser e de conduzir) não têm nada a ver uma com a outra - o que não seria nada de inédito, basta que nos lembremos da Yamaha com os pianos e as motas -, a não ser o facto de o inventor de uma e um dos engenheiros de outro serem ambos norte-americanos e terem, por coincidência, o mesmo apelido - Singer - para além do que o último foi mesmo vocalista de uma banda.
[Vai-se a ver e a tradução mais correcta de Singer é Silva.]
Acrescento eu que, provavelmente, tanto quanto ao nome da marca como ao do modelo, alguém um dia considerou que os seus motores emitiam um ruído semelhante ao de uma melodia. [A minha Singer, neste momento, ruge como um leão, deve estar a precisar de óleo nas juntas. Ou pistons novos.]
Toda a minha vida foi uma mentira.



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#jasofaltam3

21/03/2019

Negócio da China

Necessito de desabafar.
Sou, a partir de hoje, apologista do Portexit. Vou fundar um movimento para que Portugal abandone a União Europeia. Tudo por causa de umas molas de plástico vindas da China, onde custam quase cinquenta vezes menos do que aqui no Estado Membro. Isto significa uma diferença, com lucro de 5.000 % para quem as vende cá, right?

Ora, então: precisei de umas molas de plástico, com a aparência de botões, que se aplicam através de pressão, com uma espécie de alicate/agrafador. Cada mola destas é composta por quatro peças, duas com o formato de um botão liso, mais um macho e uma fêmea.
(Isto é importante para se perceber a dimensão da minha revolta.)
A retrosaria vende-as a € 0,25 cada uma, mas eu necessitava de centenas. Tipo cem, ou assim. 
Ebay com ela, € 4,00 cada cento e cinquenta. Portanto, o retroseiro tem uma margem de lucro de perto de cinco mil por cento. Está certo. 
Chegaram-me ao lar impecáveis, usei que me fartei, até precisar de novo. 
Precisei de novo, por ter gasto as cores mais usadas - cor-de-rosa, branco, azul-bebé -, voltei a encomendar do Ebay, porém a data de entrega não se compadecia com a minha pressa.
Entro na retrosaria - que a minha modéstia, mas, principalmente, falta de memória, não me permitem revelar o nome, mas é ali para Alvalade, sei apenas que o nome começa por Casa da e acaba em Costura -, peço dez de cada, o homem senta-se à mesa e começa a separar as peças às quatro e quatro, para perfazerem, cada quatro, uma mola, e, quando já havia separado as trinta que eu pretendia, diz-me assim:
- Faço-lhas a sessenta cêntimos, porque costumo cobrar um euro.
Eu logo incrédula, sem perceber que conta era aquela. Sessenta cêntimos cada quê?
- Cada mola, porque costumo cobrar a € 0,25 cada parte da mola - diz-me o deslavado.
Ou seja, eu ia predisposta a gastar € 7,50 euros e a criatura fazia-me o especial favor de me cobrar € 18,00 em vez de € 30,00, ou não me falhará jamais a Matemática.
- Mas eu compro-as aqui por € 0,25 cada uma, aumentaram assim tanto? - Eu ainda a achar que podia haver um engano. Mas não, segundo ele, enganou-se foi quando mas vendeu a esse preço.
- Olhe, então enganou-se duas vezes. É claro que não levo nenhuma, prefiro esperar que cheguem da China. - E mostrei-lhe a página com a minha encomenda.
Só não lhe chamei gatuno porque ainda sou uma senhora.
(Chamo agora, no recesso e na cobardia do meu espacinho.)
Gatuno!
(Vá roubar para a estrada, mazé.)



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#jasofaltam4