23/11/2017

And that awkward moment # 41

em que, totalmente à toa, desencadeias uma reacção em cadeia, que se te contagia, e parece que, numa sala cheia de adultos, é possível que a concentração e o saber estar vão com os porcos em menos de um pum?
Aquilo do efeito dominó.
Alguém lê uma frase em Italiano, vengo in treno.
Em vez de treno (comboio), lê trenó
(Até aqui, tudo bem, toda a gente se engana, e ninguém se ri dos erros de ninguém.)
Mas a parva da mulher diz, Pai Natali, Pai Natali! [Bicha do Demónio, aos 03:03']
Depois, foi o fim do mundo (não em cuecas, vá lá). Começou na miúda — é mesmo uma criança, tem vinte anos — que estava ao meu lado esquerdo. Contagiou-se à outra que estava à nossa frente. Depois fui eu. A seguir, a que estava à minha direita. Foram largos segundos em que parámos tudo o que estávamos a fazer, para nos podermos encostar nas cadeiras, agarrar a cabeça, limpar as lágrimas, respirar fundo numa tentativa de acalmia e retomar, e rir até doer. E uma sala cheia de gente, parada, à espera que aquilo nos passasse. 
Eu, que nunca fui corrida de uma sala de aulas, estava a ver que era desta. Nunca é tarde para coisa nenhuma. 


21/11/2017

It's my party and I didn't cry (yet)

Desde os quinze anos que afirmo pia e solenemente que todos os dias acordo ora com quinze ora com oitenta anos. Se os oito já foram há alguns, e para os oitenta ainda faltam bastantes, hoje pude dar-me ao luxo de acordar com os tais quinze, ou, pelo menos, com qualquer coisa de muito aproximado deles. 

20/11/2017

mmmmm, esta sensação de acordar ao domingo # 2

(Por acaso, é segunda-feira, mas já tinha usado este título e não tenho ideias para melhor. Portanto, adapta-se.)

Ou melhor, de acordar à segunda-feira com aquela macaca típica, aproveitar a onda de felzinho da hora e do dia, e livrar-me de uma carraça daquelas que já não há cu que aguente.
Pois, foi hoje.
Diana desentendeu-se comigo por eu me ter desentendido com ela. Trocámos mais mensagens de azedume, no momento em que ela, depois de ter marcado encontro comigo por mais perdi-lhes a conta algumas três vezes, desmarcou, adiou em cima da hora, enfim. 
Poupo-vos a apenas duas partes do diálogo travado via sms, mas que é composto por 22 screenshots de miminhos, que, lamentavelmente, acabam naquele tonzinho de ameaça que me põe toda louca e me leva a praticar estes revezes.


    

Além disso, Diana teve a pouca sorte de me bombardear Ai-fostes com chamadas (de atenção) várias, a última das quais às 01:32 da madrugada. E que só não me acordou, porque eu já cá ando há muito ano e tinha o som do coiso desligado, zzzzz.
Vai daí, e mesmo assim, acordei a horas decentes com uma mula de um tamanho que quase não me deixava espaço na cama, liguei-me à máquina, escrevi um mail para a Avon de coisa de doze linhas, contando com a minha assinatura, arrefinfei-lhes com os 22 screenshots, e dei uma de vítima, gemendo-me que, caso as ameaças continuassem, chamava a polícia.

Olhem, um silêncio que dói (nos ouvidos). (Cheira-me que nunca vou ter o desprazer de conhecer o pai da dita.)
(Mas pronto, e à cautela, se eu aparecer esfaqueada, degolada, estripada e ou esfolada numa qualquer valeta desta cidade, já sabem: foi o pai de Diana, ao tentar obrigar-me a ficar com uma m. de um enrolador de pestanas térmico que eu encomendei a uma empresa que responde pelo nome de Avon e me despachou este emplastro, que eu recambiei para a proveniência. Ó.)


19/11/2017

imperfeita transposição

Enquanto crianças, temos dificuldade em perceber algumas frases que nos dizem os adultos, às vezes a mãe, normalmente a mãe. A minha teve sempre uma linguagem muito metafórica, muito poética, e com ela aprendi quase tudo o que se relaciona com o coração. Até uma certa idade, não entendia capazmente tudo o que me dizia, mas sei que fixava como máxima, retinha como lei, guardava como tesouro, nem imaginando que, mais tarde — tão mais tarde quanto agora, tantos anos volvidos —, iria perceber todo o alcance daquilo que, naquele momento, me parecia quase enigmático. 
Assim foi com o desabafo "Tomara que todas as vossas dores passassem para mim". Era um espanto, era uma magia extraordinária, porém injusta, que imaginava ser possível, e se revelava impossível, aquela que a minha mãe desejava para as dores das filhas. 
Percebi muitos anos mais tarde, quando tive os meus próprios filhos, e os vi magoados, doridos, inferiorizados, perdidos. Percebi, de forma cruel e, nesses momentos sim, liminarmente injusta, a impossibilidade de operar essa transposição, a de tomar para mim tudo o que os amachucava e adoecia. Restou-me, nessas horas, a mera e pequeníssima tarefa de os apaziguar, de os defender, de os tratar — e, às vezes, nem isso, pois não era das minhas mãos sem dom que poderia sair o "milagre". 
Agora queria transpor para mim uma dor dessas grandes, que nos tomam a vida de súbito, de alguém a quem quero tão bem. Porque sei o quanto ela dói, porque sei passar por ela, porque tenho uma cicatriz igual à ferida que se abriu agora naquele coração de quem tanto amo. E, no entanto, o único "milagre" que pode sair das minhas mãos, é, mais uma vez, o de apaziguar.
Tomara que a tua dor passasse para mim, querida gandi