22/07/2017

And that awkward moment # 34

em que estás a fazer uma compra na Ticketline, escolhes os lugares na piltra do costume preenches aquela balhanada toda à mão — nome, morada, telefone, medidas de busto, cintura e ancas, alcunha do vizinho — clicas "comprar" e o coiso ainda te quer impingir mais um seguro para os bilhetes, mas estás segura de que vais mesmo ao espectáculo e negas-te a mais uma despesa inútil, para isso não ias para a piltra escolhes o meio de pagamento entre três disponíveis — Paypal, cartão de crédito e MEO Wallet —, e aquilo borrega. Ligas para o apoio ao cliente, para finalizares a tua compra, e atende-te uma gravação, que te manda ligar para o 1820. Lá chegada, a menina que atende também deve estar cheia de calor, que chuta logo para o colega, e surge então ele, francamente contrariado. [E aquela sensação de ter interrompido alguma coisa?] Começas por lhe perguntar se a fila A é mais perto do palco ou da parede, e ele responde assim: "O alfabeto começa por A, portanto A é o princípio." Vá que isto te azeda um nico. No entanto, e apenas porque te encontras num momento zen e não acreditas no quanto a Humanidade consegue ser mal educada, lá lhe contas ao que vais, e ele abre a página da Ticketline. Confirma o que tu já sabes, que os lugares escolhidos estão indisponíveis, embora não pagos, e pede-te os dados todos, para preencher ele aquilo que tu já preencheste. Quando chega ao fim, o sistema encrava, e pede-te que repitas tudo. Repetes, com a paciência a esvair-se-te pelos poros a uma velocidade catastrófica, nomeadamente porque ele não entende a diferença entre um B e um D (e tens que dizer a bela expressão bê-de-bola N vezes). Ei-lo chegado à finalização da compra, quando te pede o mail (user) do Paypal. Perguntas então se, a seguir, te vai pedir a password, e ele diz que sim.
...
...
[Respiras fundo.]
...
...
- Mas é óbvio que eu não lhe vou dar a password da minha conta Paypal.
- Assim, não consigo fazer o pagamento pela senhora.
- Vou tentar explicar-lhe que o Paypal é um meio de pagamento online, e, por isso mesmo, naturalmente que não lhe forneço o acesso a esse meio.
- A senhora é que sabe se confia ou não.
- É claro que não confio. Diga-me só: para que é que serve o serviço?
- O serviço serve para apoiar o cliente, mas, se o cliente não colabora, não é possível dar esse apoio. 


Nem que me faltem as pernas

Ando numa fase em que não me apetece ginásio, treinos, esforços físicos, cansaço, suor e essas cenas. Pode ser do calor, pode ser porque o que havia a fazer já está feito (ou não) — este é o meu corpo de Verão, e será o de Outono e por aí adiante —, ou até pode ser preguiça, velhice, cabeça furada, ou sei lá que mais razões há para a balda ao exercício.
Há dois meses a esta parte que descobri a Zumba. As aulas de dança com a Sofia acabaram por falta de quórum, muitas vezes éramos oito, seis, aconteceu uma em que éramos só duas. Tive pena, mas não morri, tão pouco parei de dançar. Se há actividade física que me preenche é a dança. Nem nadar, nem andar/correr, nem andar de bicicleta, nem as modalidades todas que já experimentei (body pump, bunda, localizada, stretch, step, TRX, Pilates), nada vezes nada suplanta a dança na minha vida. 
A minha prestação, nas primeiras aulas com o André, foi uma piada daquelas tão sem graça que só dão vontade de chorar. Entrei para uma turma que já conhecia as coreografias quase tão bem como ele, mas nunca pensei em desistir. Já sei como é que funcionam estas coisas, que tudo leva o seu tempo, e a memória, a coordenação e o equilíbrio treinam-se, e treinam-se com muita teimosia e com muita alegria. 
Ainda estou péssima, a precisar de repetir vezes sem conta os esquemas todos, mas já não tão péssima como no início, em que até no aquecimento me enganava. 
E tive a grande sorte de me esbarrar de frente com o Grande Mestre da Zumba, que, de alguma maneira, se não lembra, por terem estilos totalmente diferentes, pelo menos compensa bem a falta que as aulas do David me fizeram durante anos.
(Também está a ser divertido passar os dias a cantar mentalmente Me enamoré, Despacito, 24 K Magic... pronto, eu sei. Chiu.)

21/07/2017

É preciso tão pouco para me fazer feliz # 8

Descobri um programa online, daqueles de artes gráficas e bonecada, que me tem feito as delícias, e é bem capaz de ser o que me vai proporcionar o próximo header, que será de todos os que já tive (exceptuando o primeiro) o mais porreta. 
Como sou assim e não guardo nada só para mim, hoje decidi divulgá-lo: Lunapic.
Este grande querido tem uma função que substitui em tudo o chato do Photoshop, com aquela cena das camadas sobre (e, por conseguinte, sob) camadas, que, quando uma pessoa humana está prestes a fazer um brilharete, é o momento em que ele resolve encravar e esmerdar o trabalho todo até ali executado: o fundo transparente. 
Imaginem: têm uma fotografia — idealmente de um ser vivo ou mesmo de um objecto — da qual não gostam do fundo, ou que querem ver recortada, para colocar noutro fundo. (Sim, é possível colarem-se a abraçar a Sofia Vergara.) O ideal é o fundo ser liso, para melhores resultados. Mas também é possível recortar uma foto com fundo em imagens, o que eu até explico como fazer, se me pedirem com jeitinho. 


Pega-se na pic da Sofia e mete-se lá no separador "transparent background", tantas quantas as vezes que for necessário para que ela apareça rodeada de quadradinhos.


Depois o bom e facílimo de utilizar Photoscape faz o resto.
Vamos supor que queremos pô-la dentro de um barquinho de papel azul, já que a imagem está cortada um pouco abaixo da cintura. É colá-la lá.



As possibilidades são inúmeras. E tem também aquela vertente de se fazer o que se quiser com uma fotografia, sem aquela cena do BeFunky, que às tantas nos tenta obrigar a pagar para aceder aos modelos mais giros.

Eu em Lego

Eu em Frida Kahlo

Eu em chita
Fico sempre beneficiada nestas nuances.
Até pareço uma blogger.



20/07/2017

And that awkward moment # 33

em que te liga um Marco, identificando-se como pertencendo à tua operadora de internet, te chama dona Maria — e não te dá tempo para lhe explicares (porque, apesar de não seres mãe dele, ele vai sempre a tempo de aprender, e tu não duras sempre) que não se chama dona Maria a ninguém, nem tão pouco senhora Maria, quanto muito senhora dona Maria, e isto abstraindo dos títulos académicos, que ele não sabe nem sonha, mas até podia perguntar, se não estivesse tão preocupado em chamar-te dona Maria, e seguir o guião lá dele, que há-de conter esses erros todos (porque quem o escreveu há-de ser outro Fábio semelhante), e, já agora que aqui estamos, só lhe é "permitido", segundo as "regras", chamar-te senhora dona Maria e não te apelidar convenientemente, porque tu és fêmea, caso contrário teria que lhe acrescentar o sobrenome, senhor Mário [Apelido], e nunca, por nunca, senhor dom (true-true, já ouviste assim pronunciado) [e vamos lá acabar esta frase intercalar, que já vai maior do que o texto] —, te pergunta se estás satisfeita com o serviço, respondes um pouco convicto, e, por isso, pouco convincente, "Estou...", logo de seguida questiona-te se tens alguma coisa a acrescentar quanto à qualidade do serviço, tu respondes "Tenho: as gravações da televisão desaparecem sem chegarem a ser visionadas, não é possível gravar programas que já foram exibidos, a internet vai abaixo uma vez por outra, e...", e, antes que continues a desfiar o teu rosário de amarguras, o tal Marco pergunta: "A senhora [dona Maria?] reportou essa situação aos meus colegas?" [pois que nunca poderia ter sido a um Marco destes que o tal reporte teria sido feito, porque obviamente a tal situação já estaria resolvida], e, perante a tua afirmativa, vai o Marco e responde-te assim: Pois, mas essa situação das gravações e de a internet ir abaixo não era suposto acontecer. Mais alguma coisa em que lhe possa ser útil, dona Maria?

[Foste-me inútil, senhor dom Marco-não-sei-das-quantas.]
[Não, espera: foste-me útil para me fazer perder dois minutos da minha vida.]
[Espero que estes dois minutos sejam contabilizados no Juízo Final, juntamente com o tempo de permanência em bichas, salas de espera e a aturar chatos.]