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07/11/2021

Ouço coisas

As pessoas não percebem que têm que fechar o tampo da sanita, mas isto é para homens e mulheres. Porque, quando puxam o autoclismo com a tampa aberta, as bactérias vêm todas cá para fora e espalham-se por todo o lado, e vão até às escovas de dentes, se for preciso.

[No cabeleireiro, aquele espaço onde, conforme se sabe, as mulheres vão relaxar e tratar da cabeça, mas eu, em constante contramão, vou apanhar camadorras de nervos e saio sempre mais velha. A sério, fico com mais dez anos em cima, ou seja, com a minha idade biológica, se me esticarem a franja, ou lá o que é isto.]

Se ela for uma abusadora para o bem, tudo bem. Se for para o mal, é que já não.

[Aleatoriamente, de passagem pelos passeios desta cidade. Não, meu jovem. Não existe o conceito de “abusadora para o bem”. Nem mesmo esse da palhaçada em vale de lençóis, que devia ser no que as tuas hormonas estavam a mandar-te pensar. Se é abusadora, é sempre para o mal. Pode é ser uma boa maluca na hora da potrilha, mas não chames abusadora à criança. Isso é crime.]

Adirem… adirem… adirem… Fazem a aderência…

[Numa Loja do Cidadão perto da pessoa humana. Vais para trocar um selo de residente de um carro para outro — a frota sofreu uma pequena alteração, na verdade bastante grande: o camião que transportava sete finou-se por avaria fatal (daquelas de ficarem mais dispendiosas do que o valor de mercado da coisa), de modos que foi substituído por um de cinco almas, visto que está a dar-se a debandada do ninho e já não necessitamos de levar a filharada toda mais a criada, hah, era a gozar, a filharada toda mais as gatas, mas esta última parte também nunca aconteceu —, e ficas diante do senhor que te atende, à espera não só do selo novo, como também que ele decida em que tempo vai conjugar o verbo. Pronto, depois lá opta pela aderência no lugar da adesão, pois cada um sabe com que linhas é que se cola.]


18/09/2020

Milu, a escrava do silêncio

Nunca tinha tido - ou sequer ouvido falar de - uma gata que não mia. Em quatro meses de vida, jamais o fez, donde se conclui que é muda. Comunicada esta espécie de preocupação - que, na verdade, constitui uma doce tranquilidade, uma casa onde o animal de estimação não emite qualquer som - à veterinária, recebi de volta um encolher de ombros, e a resposta "Normalmente, são as mães que ensinam os gatinhos a miar". Ora, esta mãe não ensinou a sua filha a miar, a abandónica. O máximo de sons que lhe ouvimos até hoje foi "iiiii" e "aaaa", muito baixinho. Não imagino como serão os cios desta m(i)udinha.

Por outro lado, aquela mãe desnaturada também não deve ter amamentado como deve ser a sua cria, pois, para além de nos ter chegado muito magrinha, come tudo o que vê à frente (ração da Molly incluída, que é para gato adulto esterilizado): todo e qualquer alimento humano lhe serve de refeição, desde sopa a frango, passando por carne picada, legumes cozidos (beterraba incluída!), massas, todo e qualquer peixe - ou não fosse um gato (?) -, fruta, queijo, fiambre, e o top-mais-que-tudo de todos, o meu iogurte, que é só a coisa mais amarga de sempre (embora eu seja considerada, cá no lar, "a pessoa sem paladar e que não distingue as cores", portanto, eu posso). Quanto a Milu, tem que ser fechada numa divisão da casa (que não seja a cozinha) à hora das nossas refeições, pois, caso contrário, salta para a mesa e agride-nos os pratos, recusando a própria comida - que é própria, passe o pleonasmo -, com aquele ar de Maria de Lurdes, "Estes querem que eu coma comida de gato porquê? Comam-na eles!". Vá que não nos agride a nós (se calhar, por enquanto). 

Tem com a Molly a mais surpreendente e quase pacífica relação que algum dia pudéssemos imaginar que teria. Meteu na cabeça que a cauda da outra é um brinquedo/ presa/ companhia, algo que urge conquistar, pelo que dedica horas a segui-la, a espreitar, a escolher o melhor ângulo, a saltar na direcção do seu objectivo, felizmente para as duas até hoje por atingir. Gradualmente, a Molly tem vindo a desistir de lhe rosnar e nunca a perseguiu para a agredir. O máximo que fez foi dar-lhe uma sacudidela com uma pata, mas isso, convenhamos, só lhe faz bem, visto que, efectivamente, a mãe não lhe deu a educação mais básica, como vimos acima.


Ainda acabam ´migas gatas. (Hah, piada alentejana!)


De resto, Miluzinha foi a melhor coisa que nos aconteceu em 2020, logo a seguir ao voo que trouxe uma das minhas crianças de um Erasmus que não chegou a ser - mas que ainda durou quatro meses -, numa altura em que não havia aviões no ar, de todo. (Houve aquele, apanhado a muitos quilómetros do ponto de partida, após escalas de três comboios. Aleluia, irmãos!)

Não tenho muito mais para dizer, a não ser que apareci na televisão outro dia, mas é assunto que guardo para quando for seguro falar nele. Posso apenas adiantar que, como é óbvio, foi um momento de grande intelectualidade e beleza. 

Para qualquer dia, uma lição de Português bonito, que há muito não forneço aqui. Mas andam-se-me a trocar as órbitas com coisas que vejo publicadas un peut partout, designadamente ao nível da pontuação dentro e fora dos parêntesis e das aspas, numa arbitrariedade a raiar o chavascal, que já não se aguenta sem ter uma apoplexia ou, em alternativa mais saudável, partir a loiça toda. 

Pronto, adeus. E miau.


18/03/2019

Enchia os seis chouriços que me faltam para os três mil em menos de um fósforo

(Por falar nisso, ainda agora comprei um chouriço. Vou fazer empadão de batata para o jantar, e não conheço nenhum bom empatata sem uma boa chouriçada. Mas este não conta para o cômputo.)

Tenho variadíssimos temas para posts, todos eles de um interesse olímpico, mas depois, oh.
Senão, vejamos:
1. Descobri hoje que os dois dentes da frente são os dentes 21 e 11, o que configura a minha data de nascimento e são, hossana, os meus dois maiores dentes (no sentido do comprimento, subentenda-se). Cosmos, o que queres dizer-me? Vou um dia perdê-los? Vou, claro, mas isso já sei. Basta-me sobreviver até ao momento em que eles caiam por si, ou então em que dê uma boa carolada com eles na linha da frente (que é onde, aliás, estão colocados) e os fracture;
2. O quão mal se escreve no nosso país. A capa da revista Sábado desta semana é um pequeno exemplo;

A formulação correcta é "Como podemos proteger-nos".
A acção está no verbo proteger, não no verbo poder.
Anos a serrar este presunto. Anos.

3. O quão mal se fala neste país. Dizer a ela é tão popular que quase parece correcto. Ou Vou com vocês. Curiosamente, não oiço ninguém dizer Vens com nós, ou Vou com tu. Mas está bem;
4. Uma das minhas idas à Nespresso**, sempre épicas. Um funcionário que se engana na encomenda e ainda me põe à espera que ele vá anular a minha factura junto do colega (acho que ele não sabia/não tinha competências delegadas para tanto). E ainda me faz assinar a anulação/emissão de outra;
5. A alegria de estrear um vestido de flores num dia de Inverno com cheiro a Primavera. Custou 20 euros em outlet, promoção da promoção, preço de loja 190 pacas. Da Globe*;
6. As minhas dúvidas entre uns Gazelle* cor-de-rosa e uns Stan Smith* com o tornozelo rosinha. Tudo Adidas*, logo eu, que sou team Nike*. Decidi pelos segundos e vou ser feliz com eles.

Estão a ver? Então não são tudo assuntos fracturantes? Pelo menos o primeiro, é, ou tem uma possibilidade, mínima que ela seja, de vir a ser. Mas depois há algo que me trava, e me impede de vir para aqui desenvolvê-los como merecem. Ligo o computa, cheia de sede ao pote e fogo à peça, e há ali um momento em que not. Depois desligo e não penso mais nisso.
Parecendo que não, desta forma talentosa, lá enchi mais um.


*NMPPI
**Ninguém me paga para me calar




LB's challenge rumo aos 3000 chouriços em 6 anos
#jasofaltam5

06/02/2019

Da espiral à escalada, foi um pulinho. Ou um tirinho?

Desta linguagem dos nossos  jornalistas, quando se referem ao tema Violência, tudo muito punhos de renda, muitas pinças, muitos rodriguinhos, para depois pah! descreverem as cenas mais mórbidas e sórdidas, infelizmente reais. 
Durante muitos anos, utilizaram a expressão "espiral de violência", mas, actualmente, o que está na berra [Haaaaa!] nesse campo, é "escalada de violência". Estou cansada de estudar a morfologia da coisa, e... Mentira, não estudei nada (vou chumbar), só pensei nisso um nico. Dizia eu, que constato a curiosa coincidência entre as duas expressões, em dois pontos: 
1. No uso do prefixo es em ambas;
2. Na ideia de subida que as duas sugerem: "espiral", assumindo que num movimento de ascensão (porque, conforme sabeis, a espiral também desce) (mesmo?), e "escalada", se estivermos a referir-nos à fase da subida (porque tudo o que sobe...).
Agora pergunto: qual é o próximo termo jornalístico para substantivar a violência? Algum que obedeça a estas duas características, do prefixo es e da acepção de ascensão, ou pode ser só um dos dois?
Montanhismo, serve? E salto invertido? Bungee Jumping? Jump
Ou só estirada? Espetada? Esperneada? Escavacada? Esbornegada?
Vou apostar em escadaria, ou escadote. Sempre obedecem às duas “regras”.



LB's challenge rumo aos 3000 chouriços em 6 anos
#jasofaltam29


31/01/2019

Chamarde e fazerde, dois novos verbos da língua portuguesa

Depois de ter assistido ao comovente nascimento do verbo deverde, apercebo-me agora de que o colorido trouxe consigo pelo menos mais dois verbinhos novos, a saber: o chamarde e o fazerde.
É que ando cá intrigada com isto, depois de ter lido em locais escritos por gente que até andou à escola, frases do género: "Chamou-me de egoísta", assim só por exemplo. Ou então, "Anda a fazer de tudo para me agradar".
Ora, vamos lá a ver uma coisa: chamarde não existe no Português cá do rectângulo e ilhas. Basta que digamos "Chamou-me egoísta", que já toda a gente percebe que nos chamaram egoístas. E também "anda a fazer tudo para me agradar", assim, tão simples.
Agora vou estudar como é que se conjugam os dois fenómenos verbais que tão avidamente singram por aí, e já cá volto.

Eu chamode
Tu chamasde
Ele chamade
...
Eu façode
Tu fazesde
Ele fazde

Me chama de céu, oh, oh, oh...

 


LB's challenge rumo aos 3000 chouriços em 6 anos
#jasofaltam34

12/12/2018

Daquele programa, que, repito, a-do-ro # 10

Conjugação do verbo ESTAR no presente do indicativo:
Eu tou
Tu tás
Ele tá
Nós tamos
Vós tais
Eles tão


18/11/2018

Daquele programa, que, repito, a-do-ro # 5

Hoje vimos debruçar-nos sobre aquele casal que, nas palavras da consorte, são os cotas [có-utas, como ela diz]. A impressão com que fiquei foi a de que foram escolhidos um para o outro porque coincidiam em dois pontos que os sábios consideraram nevrálgicos: são ambos do Porto e estão na "casa" dos cinquenta. Hahaha, grandes especialistas, técnicos, coachers, psychologists, é assim mesmo. Por esta ordem de razões, quaisquer duas pessoas na mesma faixa etária que morem na mesma cidade, são compatíveis para casar e serem felizes para sempre. Pagassem-me a mim para encontrar matches e eu não faria melhor. Mas só a mim não me saem empregos destes. 
Digamos, resumidamente, que os dois não podiam ser mais antagónicos, designadamente quanto ao que interessa.

José Luís, o antiquado/ a relíquia/ o tiranossauro/ o Zé
Quem ouve e olha para este homem, julga que ele tem os oitenta anos que tem a mamã dele, aquela megera que desobedece à regra (inventada por mim) de que já não se fazem sogras como antigamente. A mim, cheira-me que esta personagem da mãezinha, que mantém o quartinho do menino com uma caminha single, onde não cabe uma cama de casal, é a principal responsável por que ele vá no quarto casamento, and counting. Já combinei com o meu filho que, se eu estiver assim naquela idade, é favor abaterem-me a tiros e aventarem-me ao lodaçal, que é para ver se me afundo e nem o de Loch Ness me encontre para aperitivo. 
Carácter: De vez em quando, o menino precisa de ir dar uma volta, e então casa. Toma lá o comprimido que lhe permite cumprir por uma noite, mas depois aborrece-se logo e começa a espernear por falta da teta da mãezinha, que lhe passa as camisas a ferro, lhe faz a cama e a comidinha. Distância deste tipo de relíquia, que já nem no Museu de Arte Antiga se encontra.
Físico: O homem é bonito, e isso é inegável. Lá lhe desbastaram aquela parte da barba que levou ao "casamento", e que lhe pronunciava o queixo a níveis inimagináveis, ele depila-se, enfim, está bem tratado. Dá para perceber que, entre as papinhas da mamã e uma vida profissional extremamente inesgotante, o senhor corre, ou se muscula num ginásio, e também se bronzeia não sei aonde. Mas parece que isso não vale grande coisa, pois não dá rendimento no vale de lençóis, o pequenino.

Graça, a modernaça
Eu sinto especial carinho pela forma impoluta com que esta senhora conjuga todos os verbos na quarta pessoa do singular. "Dissestes-me que eu não era uma boa dona de casa", "Quisestes casar para teres uma mulher que te faça as coisas de casa", "Tu és um homem que estagnastes no tempo". Quer dizer, eu concordo com tudo o que a Graça diz, isto quanto ao conteúdo. A forma é que... E não me venham cá com aquela de que no Norte é diferente, pois que a gramática é igual para todos, e ela não está a dizer "Vós haveis-me dito", nem "Vós dissestes-me". É tu. Está mal. Está errado. 
Carácter: Olhem, gosto dela. Tem amigos gay, tem uma amiga transexual, não quer passar as camisas dele a ferro, não topa com a sogra (embora seja educadíssima com ela, o que não é recíproco), não papa números. Eu quero ser assim quando for crescida.
Físico: Alguém tem que lhe dizer que jamais prenda o cabelo, ou, pelo menos, que não o faça daquela maneira. 


Deixa solto, Graça, não mexe mais. No geral, acho que, embora não sendo bonita, não tendo um sorriso ou uns olhos bonitos ou uma voz sensual, não tendo um corpo nada de especial, apesar de ser magra, ganha em simpatia, educação e saber estar aquilo que lhe falta em beleza física.(Pensando bem, não quero ser assim quando for crescida, não vá ter que trocar uma forte personalidade por isto tudo.)


12/11/2018

Eu tenho problemas com doidos # 14

É por isto que este país não vai para a frente, por causa de pessoas como estas, que baixam a cabeça e nunca protestam, vociferava ela, um tom acima da fala, um tom abaixo do grito, brandindo o braço na minha direcção. 
Tínhamos feito uma aula de dança com o ar condicionado ligado em trópicas temperaturas. Vá que já havia experimentado uma hora de pedaleira, em pleno Verão, com o ar condicionado desligado, agora dançar com o ar no quente, é que nunca me ocorrera. Ela foi das primeiras a protestar, sacudindo os caracóis grisalhos, ajeitando os óculos, soprando para a própria blusa. Congestionada, afogueada, transpiradíssima, saiu da sala atrás de mim quando cruzei a porta, com vista a pedir que baixassem a temperatura do ar. Cruzámos caminho com uma funcionária que, aflita, se limitou a dizer a verdade: que não sabia o porquê daquele ocorrido, que já tinha reportado, que o técnico ia verificar, que não podia fazer mais nada senão o que já tinha feito. 
Talvez noutras circunstâncias lhe pedisse explicações para a falta de explicações, mas nem essa oportunidade tive, pois ela, em plena revolta, não o permitiu, cilindrando a rapariga, num Português pouco inteligível, com um questionário que embrulhava exigências e direitos de cliente, consumidor, pagante dos ordenados daquele espaço, toda uma panóplia de argumentação que eu própria usaria, eventualmente num outro tom, mas que me calou a mim a vontade de explanar e ouvir mais do que já ouvira.
Entretanto, a aula decorria, assim como decorreu até ao final, da mesma forma aquecida pela máquina, e já não tanto pelo ânimo desanimado, ou sequer pela animação que é o simples acto de dançar. Assim que terminou, dirigi-me ao balcão da entrada, com vista a fazer uma pergunta que nada tinha a ver com o assunto ar quente. E veio ela novamente atrás de mim, eventualmente convencida que eu iria reclamar por escrito, falando alto em abaixos-assinados, em queixas no livro de reclamações, em manifestações várias de desagrado pelo sucedido, argumentando que, quando vão ao banco cobrar a minha mensalidade, se eu não tiver lá cachet [rolling eyes] para a pagar, cobram-me logo quatro euros de multa! Quando lhe disse que não estava ali para redigir um abaixo-assinado, nem poderia assinar uma queixa conjunta no livro, já que estas são uninominais, ela virou a raiva e a revolta contra mim e acusou-me de ser parte daquela tal raça de gentes que baixa a cabeça e nunca protesta. Logo a mim, que sofro de uma extrema dificuldade em manter-me em silêncio, assim o motivo o justifique, os companheiros de armas estejam à altura e, sobretudo, não me apresentem a guerra perdida antes de ela começar, viciada por uma forma incorrecta, ainda que com um conteúdo justo. 
(E fartinha de começar combates e, de repente, me ver sozinha no ringue, ando eu. Já dei para esses peditórios todos. I'm out.)



07/11/2018

Das frases que vou ouvindo (e lendo) lá naquele programa, que, repito, a-do-ro # 2


Esta fica por conta do legendista. Ia ali lançado no verbo ter, e já não conseguiu sair dele. 
Eu também não consigo sair do bloqueio que estas frases me provocam na boneca.

[boleia publicitária para a Sanyo*, mas não me apeteceu cortar a imagem.]
*NMPPI

Próximos episódios: 
1.Tentativa de explicação quântica do porquê de Eliane e Ana não tirarem os óculos de sol da cabeça em casa, e de Eliane ter mesmo chegado a deitar-se no leito com eles assim colocados;
2. Tentativa de explicação jurídica da impossibilidade efectiva da validade dos tais casamentos;
3. Tentativa de explicação metafísica do cabelo de Graça, aquela senhora, com módulo extra acerca do tema usar ou não usar sutiã.

06/11/2018

Das frases que vou ouvindo lá naquele programa, que, repito, a-do-ro


Já não nos vimos há algum tempo.

That´s what he said, the specialist.
Não sei, nem quero saber, em que é que o senhor estaria a pensar. Mas deixo-vos com as possibilidades várias, e também todas as variações que podem ter os verbos ver e vir

Haverá quem venha aqui reclamar que não consegue visionar o vídeo que tão trabalhosamente elaborei. Vamos vir, talvez se encontre uma solução.  Pronto, já está.

02/11/2018

Desta minha atracção pelo trash TV

O meu TLC, aquele canal onde desopilo a cabeça, era - e continua a ser, benza-o Deus - já suficientemente "mau" - e, por sê-lo, já era só excelente. Por essa razão, servia-me à medida para o efeito pretendido: espremer a borbulha, o quisto sebáceo do dia-a-dia, esquecer a parte chata de viver, consciencializar que há vidas (muito!) piores do que as nossas, os espectadores daquela coisa. Ora são os gordos que passam de gordíssimos a quase atletas, mas depois têm que recortar as peles que ficam penduradas e passam o cabo das tormentas sem boa esperança para recuperar daquilo tudo, ora são aqueles casais que se meteram num laboratório para se reproduzirem e algo correu mal (ou extremamente bem), e, como coelhos, deram à luz cinco ou seis pessoas, ora são aqueles desgraçados que sofrem de afectações malucas, e depois vem a descobrir-se que o cirurgião se lhes esqueceu de um objecto dentro da barriga, ou foram mordidos por um bicho que só existe nos Samouco, mas que, lá está, ninguém os mandou lá ir, e não ter as vacinas em dia. 
Porém, a SIC estreou algo de verdadeiramente extraordinário, que não me permite a mim parar de ver, assim como acontece quando vemos um furúnculo nojento, que sabemos que nos vai provocar a náusea de cada vez que o olharmos, mas não conseguimos parar de o mirar: o 'Casados à primeira vista'. 
Alguém me explica aqueles casais, um a um? 
Ainda não percebi umas quantas coisas, de entre as quais o que é que aconteceu ao cabelo do Dave; Porquê o match entre um surfista de Cascais, todo spé-thio, e uma Eliane desta vida; As pessoas casam mesmo umas com as outras, ou é tudo a brincar?; Caso negativo, quão desesperado para arranjar quem lhe esfregue os pés, ou lhe aqueça não sei o quê tem que estar um primata para embarcar numa barca daquelas?; Por que é que até os “especialistas” falam Português como se tivessem tirado a 4.ª classe na escola rural à noite? (“Teve dúvidas da pessoa que tem à frente?”. Isto estava escrito num dos cartões distribuídos a um dos casais em “lua-de-mel”); Por que é que todos, sem excepção, proferem frases como “Eles não nos conseguem convencer”, se a acção não está no verbo ‘conseguir’?; Aquilo é tudo a fingir, não é? Depois vão todos para as suas casinhas estar com as suas familinhas, pois é?; Por que é que eu tenho uma estranha sensação de déjà vu, cada vez que olho para todas aquelas caras? Já entraram nalguma novela?; Quem é que está mais maluca, no meio disto tudo? (Eu, queres ver?)

19/10/2018

Eu também estou a perder o colégio!

Mas, lá está, não sou a verdadeira, a genuína blogger, e, por isso, não posso opinar quando se trata de cenas que quero vender à viva força por me pagarem para isso. Aliás, não acho justo que não me paguem, porque era menina e moça para corrigir os textos dos meus patrocinadores, sponsores, patrões da banha da cobra, ou simplesmente a quem me pagasse para publicar cenas, de ponta a ponta, com meu implacável lápis azul. Se calhar por isso, ninguém me paga para escrever, ainda menos me dá brindes para publicar. Esta isenção, parecendo que não, está a sair-me do corpo, literalmente: não só não me dão creminhos para manter a cútis como se tivesse menos várias décadas, como também assisto diariamente à perda do meu colégio. (Colégio, não vás!) 
Colagénio? Hah, isso perdem as pessoas. Uma aspirante a influencer que se preze perde colégio, sei lá. Chiu.

12/09/2018

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 58

Atravancado que está o espaço dos supermercados com as vendas para o regresso às aulas, naquela que é a época pré-Natal destas superfícies, deparo-me com coisas assim:


Isto é giro, especialmente tendo em conta que a média nacional, ao nível do Português dos portugueses, ao fim e ao cabo de doze anos de escolaridade (doze dos dezassete que têm de vida, mais de 70% dela!), está em 11 valores na escala de 20. É certo que se uns obtiveram 12 (oh, extravagância!), outros obtiveram 9. É assim que funciona a estatística. Ou seja, para uns terem 18, outros tantos tiveram que ter 3. 
E depois, vem o pessoal da venda de material escolar — onde se incluem livros, manuais, enfim, papéis cheios de letras — incentivar à compra, e, quem sabe se também (na loucura), ao estudo, através desta linguagem periférica, na convicção de que só esta os nossos miúdos são capazes de perceber, e, naquela psicologia de pacotilha lá dos marketings, "só assim conseguimos chegar-lhes".

[Vá lá, eu sei que "bué" já entrou no nosso dicionário há muitos anos, embora devesse considerar-se um estrangeirismo — origem Angola ou São Tomé —, mas e quanto ao resto? Mano, cena, brutal, fixe...?]
[Ó pá, fónix!]

01/09/2018

Barreira linguística # 3

Estou na loja dos cafés que se autodenomina boutique, numa daquelas esperas que hão-de contar como tempos mortos (oh, ironia) para me darem créditos de santidade aquando do juízo final, quando entra a família típica e claramente portuguesa, falando uns tons acima do necessário para se ouvirem uns aos outros — a menos que todos sofressem de surdez —, em Francês,
(há um denominador comum, ou não há? Pai, mãe, três filhos, todos hipernutridos, cabelos escuros, chinelos, calções, varizes, queijo de Nisa nos calcanhares, óculos de sol na cabeça, t-shirts do Ronaldo 100% fibra, e por aí afora)
obrigando o funcionário — que claramente não pescava uma palavra de Francês — a falar com eles em Inglês, um Inglês de escola, minimamente capaz de vender cafés.
E eram uns a falar um Inglês de improviso, contra outro a responder no tal Inglês — que há-de ter sido condição aquando da admissão ao balcão —, todos construindo a custo uma pequena e ainda mais inútil Torre de Babel, qual muro, quando podiam permanecer pacificamente na base, falando a língua comum (em) que todos (se) entenderiam. 
(São estes os mesmos que carregam a mala de bacalhau e vertem uma gota de cada vez que lhes soa o faduncho ao tímpano, pois são?)


26/04/2018

Barreira linguística # 2

Vamos supor que entras para comprar um rímel à prova de água com a escova curva, e te deparas com uma vendedora que quer que compres uma máscara, que pode não ser à prova de água, com a escova plana.

Entro e peço, por favor,
- Um rímel à prova de água.
Chama a colega, chefe de loja/ mais habilitada/ mais capacitada para me vender o que eu não quero comprar/ tudo junto.
- Máscara de pestanas. — Corrige a altíssima — Queira acompanhar-me ao expositor.
E lá vou, tic-tic-tic, até à grande placa negra, onde se expõem tintas e truques para nos enganar (e podermos iludir-nos de que enganamos o próximo, seja lá ele chegado ou distante) em relação à passagem do tempo, ou àquilo que nunca tivemos (boas cores, pestanas longas, pele de pêssego, olhar profundo, profundamente enigmático). 
- É esta a nossa máscara waterproof. — Anuncia (corrigindo um anglicismo, mas usando um estrangeirismo inútil), enquanto me apresenta a solicitada escova empapada em tinta negra.
- Eu queria com a escova curva. Tem algum assim?
- Não, só este. — E eis que começa a quebrar-se-lhe a curta paciência, o que percebo pelo ligeiro baixar de braços. Ainda assim, insiste:
- Mas esta escova é muito boa, proporciona o alongamento da pestana. 
Quando se trata de estética, tudo passa a ser conjugado no singular: o pêlo, a pestana, o pé, a mão, a raiz, a cutícula. Quanto aos restantes, acho que não, mas, se apenas tivéssemos um pêlo ou uma pestana, imagino que nenhuma de nós se daria a trabalhos de arrancar, ou pintar, alongar, enrolar. 
- Mas eu queria curva, nada como uma curva para me enrolar as pestanas. — Teimo.
- E tem mesmo que ser à prova de água? — Muda ela de estratégia.
- Tem. 
- É que temos aqui uma máscara com a escova curva, mas não é à prova de água.
- Mas eu quero à prova de água.
Não quero explicar-lhe que vivo o drama puramente feminino da touca horrível + fato-de-banho assustador, e preciso imperiosamente de levar pestanas que se vejam para dentro de água.
Negócio não feito, não desfeito.


21/04/2018

💗 Bumba


Se quereis perceber um pouco mais do meu ponto de vista, eu estou TODA! um pouco ao minuto 01:00, até ao minuto 01:50.
Execrável, tits.

20/04/2018

Na blogosfera como na vida # 3

A estupefacção. 
Ou então, apenas, 
Quando não tens nada para dizer ao mundo, encriptas e eis um post.


07/03/2018

Poetry in motion

Sabes, ou suspeitas, que o fim do mundo poderá estar levemente próximo, quando, em pleno metropolitano de Lisboa, aquela voz off da senhora, que outrora proclamava
Esteja especialmento atento à entrada e à saída do comboio
e, anos volvidos desta saga intraduzível, o corrigiu para especialmente atento,
mas que, actualmente, avisa, no seu melhor Inglês,
Pay special attention when entering or exiting the twain [Mark or Shania, that don´t impress me much?]
no actual momento (que eu tenha dado por isso desde a passada segunda-feira), declama.
Ora, e declama o quê?
O que mais, senão poesia, pois que a declamação só a ela lhe é intrínseca?
Temos o metro da cidade a jorrar Camões e Pessoa aos altifalantes. Aquele susto, quando imaginamos que nos vão anunciar mais uma avaria/ incidente com passageiro/ perturbações na linha (amarela, azul, às riscas).
Quando não ela, um ele.
Ainda hoje, nem de propósito, já dentro do tal comboio, veio A Voz dizer que tínhamos todos que sair uma estação antes, devido a avaria beca-beca-beca. Vá que não estava a chover, e deu para chegar mais ou menos inteira e totalmente seca ao meu destino.
Senhores passageiros, e lá veio o resto do recado. Ora, eu, que sou fóbica dos aviões, procurei logo o raio da máscara de oxigénio, o colete salva-vidas e o para-quedas. Nem sei como é que não me lembrei de me pôr em posição fetal. Afinal, era só para me dizer que tinha que dar à sola mais um quilómetro nesta vida, mal sabe ele que de salto alto. A ver se me bufou aos ouvidos Alma minha gentil, naquele momento. É o bufas.


01/02/2018

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 53

No altifalante:
Estimado cliente, aproveite hoje a embalagem de quinhentas e cinquenta gramas, a [#&%*¨<,  blaaaagh, esqueci-me do preço anunciado; deu-se-me aquele bloqueio das sinapses, a partir do qual já não tomo conta de recado nenhum].
O que é que o altifalante disse, mesmo?
Tanta grama, pá.
O que me encanita é que esta cena das gramas é tão vulgar, tanta gente erudita e elevada culturalmente e diferenciada intelectualmente e o catano diz, que usar a porra do masculino na porra dos gramas é que parece anormal. Chego a ser olhada de lado (e de frente, de trás não sei por razões óbvias) a propósito deste assunto, quando utilizo o masculino. 
Também dizem as quilas? Pus duas quilas? 
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Também estou triste, se calhar por isso é que estou intolerante para com o próximo, mesmo que sob a forma de altifalante: voltámos a ser 99. E a passagem de dois para três dígitos não é nada pacífica, quanto mais de três para dois.
Adeus. Tenho ali um cantinho mesmo bom para a baba e a posição fetal. Pode ser que perca duas gramas e já ganho o dia. Desde que não ponha nenhuma quila...