25/07/2015

Fui à Bunda

Isto vai soar mal, mas é a pura e dura realidade: meti os cornos a André Pilateiro e fui à Bunda do Wellington. Até aqui, tudo well. Mas dava-me mais jeito que o homem se chamasse Washington. Preciso de me lavar. Já tomei banho e escorro de todos os poros. Não fosse isso, e agora chorava um bocadinho. Mas temo desidratar e saltarem-me os olhos das órbitas. 
Isto vai continuar a soar mal, mas Pilates não me preenche. É tudo muito sacro, e nada santo. É tudo muito pélvico, para o meu soalho pélvico, assente em soalho duro como os cornos que meti hoje a Pilateiro. Já disse, não já?
Acontece que andava há semanas a ser aliciada por Well para me meter na Bunda dele. E eu sou uma influenciável se me acenam com a promessa de ficar mais gira. Como se isso fosse possível. 

O homem deve ser garoto para a minha idade, mas treina todos os dias muitas horas, não tem mamas e não carrega o peso do globo, dos outros planetas todos e da blogobola sobre os ombros. Por isso, salta como uma pulga, exactamente porque as pulgas também não nada daquilo que eu disse para trás.
Eu morri. Foi a meia-hora mais dramática da minha vida, se não contarmos com as aulas de body pump que já me empandeiraram naquele local. A sala é a mesma e tudo. Deve ser a sala da tortura para os mais resistentes. Ao fim de dez minutos, o meu cabelo estava num charco lamacento, e eu não sei onde estava. Acho que num planeta anão qualquer desses, que agora para aí há. Eu própria encolhi a níveis exponenciais, designadamente ao nível do amor próprio e da dignidade.
O objectivo da aula é, conforme o nome indica, ficar com um rabo jeitoso.
Eu não quero ter um rabo jeitoso. Se algum dia quis, deixei de querer. Hoje.
De resto, eu gosto do meu rabo. Só tenho pena de não o conseguir beijar, de tanto que o amo. Mas posso começar a treinar um contorcionismo que me permita realizar esta vontade. Agora, melhorar-lhe o aspecto, esqueçam. Eu hoje ia-me matando, se é que não morri mesmo. E, em morrendo, morria de rabo giro, só que ficava morta. Que ironia tão estúpida. 

Saí de lá corada como uma virgem. E, na verdade, tratou-se da minha primeira vez. Primeira, e última. Vou-me meter no convento da Bunda. Prefiro que me metam de joelhos todos os dias — a rezar, não é? —, a ter que repetir aquela violência. Não sinto os quartos traseiros, isso esclarece alguma coisa?
Como tenho uma inabalável mania que sou boa, no final fui-me meter na sala de treino, para alongar esta merda toda. Well tinha gritado que amanhã teríamos que berrar um palavrão ao acordar, tamanhas seriam as dores que teríamos. E eu, com tantos condicionais, resolvi ir esticar até ao nalguedo, porque preciso dele, quanto mais não seja para ir à sanita como um ser humano e não como uma elefanta parideira. Mas a Bunda desflexibilizou-me: mal consegui chegar com as mãos aos pés, quanto mais fazer a espargata.

Só queria perceber, contas feitas a final, quem é que foi à Bunda de quem. A minha, dói, escruciantemente. E ainda pago para isso.

2 comentários:

  1. Lembrei-me de um grande momento poético:
    'Estavas tu tétrica e meditabunda e eu medi-te a bunda com uma fita métrica'
    Diz lá que não é bonito? :)))))

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    1. É lindo :)
      Mas eu já conhecia.
      Hoje ninguém ma mediu. Era o que faltava, para completar a tortura. De qualquer maneira, ela também diminuiu, coitadinha.

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