21/02/2015

Posso não ser ladrona, mas também não sou parva

Pilates não me preenche. Gosto, mas não me enche as medidas. Não sei bem que paralelo fazer com outra actividade física prazerosa, mas é isso, seus devassos. Aquela sensação de ahhh, que pena... falta aqui mais qualquer coisinha...
Respira, espreguiça, estica, ponte de ombros, aperta as pernas, aperta as nalgas, a cena do soalho pélvico, muita calma, muita gente a gemer e a desistir a meio dos movimentos, parece o rescaldo da batalha da Normandia, um ferro dos genitais, como diria, em parte, o Ega. Eu não vou para lá para ouvir as queixas dos outros, que não sou médica, olha agora. Parece que estou numa aula da terceira idade, mas feita por gente nova e sem tomates. 
Vai daí, saí da aula e fui meter-me noutra, intervaladas por dez minutos uma da outra.
Resolvi tomar um café e dirigi-me à máquina, que fica em frente do balcão da entrada, para tirar a bica. Levava uma moeda de 2 euros, que meti na ranhura. Café longo, sem açúcar, que eu tenho a mania das grandezas. "Indisponível". Ok, café normal, sem açúcar. "Indisponível". 
Genitais.
Carrego no botão para reaver a moeda e saem quatro de 50 cêntimos. E, porque nunca posso ficar calada,

- Esta não dá café mas, em compensação, dá moedas.

- Mas eu acabei de tomar um café - diz-me a do balcão.

Bom. Ia começar o diálogo inútil, quando eu até estava a falar sozinha. 
Ela acabara de tomar um café. 
Portanto.
Era impossível a máquina não ter café. A máquina é um alambique inesgotável de café. E eu, uma burra, a quem só falta zurrar - hii-hoon.

- Talvez signifique que você tirou o último café.

Pego nas quatro moedas e afasto-me da máquina. Mas o destino reserva-me coisas.

- Então, meteu uma moeda e saem-lhe quatro, e vai-se embora, assim?

- E vou-me embora, como

- Com as moedas... elas já estavam na máquina...?

Alto. Pára tudo. A mesma pessoa que não alcança a possibilidade de ter tirado o último café da máquina, também acha que:
a) A máquina dá dinheiro;
b) Alguém deixou moedas na ranhura e eu estou a ficar com elas sem lhas ir entregar a ela;
c) Eu tenho o dia todo para lhe explicar lógica matemática;
d) Eu tenho o dia todo para travar diálogos inúteis;
e) Trago estampada cara de parva;
f) Trago estampada cara de quem precisa de conversar;
g) Ela própria é um ser iluminado.

- Se já estivessem, naturalmente que eu não lhas ia entregar a si. Mais: já não arredava pé da máquina, não lhe parece?

Ainda lá está, com toda a certeza, a fazer o pino de costas para a máquina, à espera que a ranhura de devolução de moedas faça dela mealheiro.




4 comentários:

  1. A do balcão teria problemas de insanidade mental?
    Tens a certeza que a máquina não era uma 'slot machine'?
    Olha, vou ver o Benfica ;-)

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    1. Não. É só tola.
      Também não. Tenho que lá voltar com outra moeda de 2 :)
      Que lo diablo nos acompañe! ;)

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  2. Há alguns anos aconteceu-me algo parecido num MB. Começou a dar-me mais dinheiro do que estava a pedir e quando o relatei pelo telefone que lá estava notei uma certa nota de pânico quando ficaram primeiro com a ideia que estava a dar notas sem o registar como estando a sair da minha conta...

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    1. Esta aqui discutia moedas e, já agora, o princípio...

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