07/02/2015

Estive para escrever a alegoria da bolacha Maria

mas não encontrei inspiração e essa, ou se encontra quando a ideia surge, ou zás. E eu fiquei-me pelo zás.
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Sabem aquelas pessoas que chegam de rompante à vossa vida, completamente a pés juntos, se tomam de uma confiança que vocês não lhes deram, querem logo passar para o estádio seguinte, que é o da amizade (?), vão tentando invadir, dominar, às vezes até aniquilar, vos obrigam, literalmente, a meter-lhes um travão, e depois saem para o mundo a berrar que vocês se julgam a última bolacha do pacote?
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Eu tenho esta cena na minha vida, mais ou menos recorrentemente, desde miúda. Começo a equacionar se não terei alguma responsabilidade nisso.
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No liceu, por exemplo. 
Complicado explicar aos rapazes - por serem rapazes, amadurecem mais tarde...? - que, pelo facto de abrir o sorriso a tudo o que mexe, e os braços a tudo o que é desvalido (eu não podia ver ninguém de muletas, era a parva que ia carregar com os livros escada acima), não queria dizer que, logo a seguir, fosse abrir as pernas.
A chantagem emocional do "Julgava que eras uma miúda porreirinha" começava de imediato, e estilhaçava a minha natural bondade com uma resposta mental "E sou, gordo, tu é que confundiste porreirice com fodilhice". Lá, pronto, tínhamos a burra nas couves e um gordo a espalhar aos sete ventos o quão cruel eu era por lhe ter dado esperanças (?) daquela vez que lhe tinha sorrido, quando ele me tinha perguntado "Atão, tás fixe?" (e eu sem poder explicar que, se calhar, até sorri porque o ar ansioso e suado dele era tão cómico, ou tinha pensado logo "e vou para Peniche").
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Isto agora continua. Uma vez por outra, lá tenho uma cena assim.
Pergunto-me se as pessoas fazem auto-análise, verificam a postura ao espelho, quando fazem a primeira abordagem, ou se, mais tarde, quando percebem que tudo correu mal e não foram bem aceites, não terão alguma responsabilidade no assunto.
A mim também já me aconteceu apetecer-me amizade ou algo mais com alguém que não me quis na sua vida. E, na minha infinita modéstia, sempre concluí que o problema não era ele/ela, era eu. Mas não fiquei a achar que a outra pessoa era uma convencida, se achava, se coisava e os genitais. 
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Assim, pessoas que me caiam de pára-quedas na vidinha, aos trambolhões, com uma primeira abordagem lamentável, percebam este recado: a primeira impressão, normalmente, perdura.
Mas, se isso as deixa felizes, também adianto já aqui: sim, lamentavelmente (talvez para mim), sou a última bolacha do pacote, a última coca-cola do deserto, a última cocada da praia. 
Mas também faço o seguinte em relação a complexos de inferioridade: DE-FE-CO.
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Até sou menina para ir de propósito à mata.

20 comentários:

  1. Hoje foste tu a acordar com os pés de fora.
    Nem digo nada, vou 'dar de frosques'.

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    1. Enganas-te.
      Isto estava escrito há uns tempos.
      Tudo azul ☼

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    2. Entendido, LP.
      Já 'dei de frosques' e já vim :-)

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    3. Eu sou da paz :)
      De vez em quando, esperneio, mas não faço mal a uma mosca.
      Tomara eu que não me façam mal a mim.

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    4. Tu és da paz. Peace and love, right?

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  2. Isto mesmo. Infelizmente, também me acontecia muito. Ultimamente já não, porque também o "porreirinha" dá aso a que se veja aqui um saquinho de pancada. Portanto, acabei por mudar as minhas abordagens. Et voilá. Ninguém me acha porreira agora, mwahahahah (joking, é claro que acham, pá!)

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    1. Voltas e tornas :)
      Então, estás na mesma...
      Lá está: cada vez que tenho que fazer uma cara feia (oh, dificuldade que a Natureza, madrasta, não me facilita em nada... :P), dá um achaque a alguém, e lá vem o rótulozinho "Esta acha-se". Se regresso ao meu registo normal, pumba-pumba-pumba, tudo a malhar no colchãozinho fofinho.
      Fonix. Tenho alguma dificuldade em fazer-me entender.
      Mas tu entendeste, Pandy.
      Cá beijinho :*

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    2. É verdade. Eu sou aquela tipa que não quer cá dramas com ninguém, que não chateia ninguém e que, por vezes e porque assim o quero, faz mais pelos outros do que por si. Mas levo belas bofetadas à custa disso. Porque se eu mostrar o meu lado mais sério e menos concordante, aqui-d'El-rei, que está tudo estragado e eu ainda levo com um "eláa, estás de mau humor hoje!". Eu tenho uma enorme dificuldade em fazer ver que também tenho direito a que façam algumas cedências, de vez em vez, e que nem sempre posso levar com tudo o que lhes apetece e ficar bem. Cá beijinho :)

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    3. Ora bem.
      Podias mesmo ser minha filha, amor <3
      Cá mais outro :)

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    4. E hoje fui eu que fiz um comentário daqueles que podem virar post :D Filha? Irmã, diria eu. Já viste aquela imagem tua que está ali, do lado direito? :P Toda jovem e jeitosa, só pode ser irmã.

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    5. Fá-lo :)
      Não, querida. Filha, mesmo :*
      (mas obrigada, vice?)

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    6. Aposto que és uma mãe bem porreira, digo-te já :)

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    7. Ganhas a aposta, baby :)
      E pronta a adoptar. Um caso perdido.

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  3. Se defecas na mata tem cuidado com a planta que usas para substiruir o papel higiénico, pá! Olha que algumas picam cumó raio que as parta! :P :P

    Beijinhos, Porquinha! :)

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    1. Vou munida :)
      Papel higiénico ou toalhitas e saquinhos de plástico daqueles para cão. No worries :P

      Beijinhos, Mariazinha! :)

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  4. olha, malta sem noção e outras coisas mais.

    (A LP é a última bolacha do pacote ;) )

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    1. O que os brasileiros chamam "falta de semancol".

      A mim ainda me sai à rifa aquele género que entra a provocar, insiste na provocação, há um dia em que eu me farto de ser a Madre Teresa, ou de fingir que não percebo (o que é quase a mesma coisa), sai coice e depois ohhh, temos sangue de mártir a espichar em todas as direcções. Caneco, parecem aqueles forcados que não têm jeito nenhum para a pega.

      (eu também sou fã ;) )

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  5. Não podes escrever menos?

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    1. Não.
      Blogues há muitos, tchau aí.

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