Hum, não sei o que diga. Moí os ossos ao meu povo para que algum deles me acompanhasse a ver esta fita. Quase tive que ameaçar deslargar o lar para todo o sempre, cortar os pulsos (de um deles, não os meus) ou fazer greve de fome até ficar igual à Claudia Schiffer, mas em morena e bela. Está bem que podia bem ter ido sozinha, porém deu-me a birra e queria levar pessoas. Consegui convencer, através de suborno, uma única que se prestou e lá foi comigo. E, no final das contas feitas, apanhámos uma pastilha de duas horas e meia sem intervalo [carinho e amor para o legislador que permitiu o regresso do balde de pipoca à sala, pelo que pude permanecer desmascarada durante todo o filme, a chafurdar-me naquilo], a ponto de praticamente ter-me visto na contingência de ter que lhe pedir desculpas e de a indemnizar, para confirmar a óbvia conclusão de que, para se ter algum sucesso — e (consequente?) queda retumbante ao fim de meia dúzia de anos — no showbiz, há que abraçar as drogas ou ser-se naturalmente um bom borracholas. Parece que o plateau não é para sóbrios.
20/09/2021
26/07/2021
Bem Bom
Se acharem que é spoiler, é não lerem # 14
Estranha forma de vida, esta agora.
Fui ao cinema na véspera do início da quarentena, e fui também no primeiro dia após confinamentos vários. Calhou ir às mesmas salas — Cinema City — e, de ambas as vezes, estar só minha companheirinha e eu. Honestamente? Prefiro assim. Nada de cabeçudos à frente, irrequietos do coice nas minhas costas atrás, faladores, gente que não se lava, hiper-perfumados, roedores do milho estalado, namorados excitados e idosos ressonantes. (Acho que não me esqueci de ninguém.) Eu também como pipocas, está bem? Mas tenho o cuidado de morfar aquilo tudo (chamar "pequeno" ao pacote menor é meramente metafórico, não é?) antes de o filme começar (pub indesejada e trailers à martelada em barda!) ou durante as cenas mais ruidosas (entendam o que e como quiserem) do filme.
Dessas duas vezes que refiro, pudemos escolher se queríamos publicidade ou não (adivinhem), trailers ou não (foi sim. Eu queria comer o bidon de pipocas, apesar de estarmos só as duas), e ambas queríamos relaxar as quatro pernas nas costas das cadeiras defronte.
Desta vez, sala só não cheia derivados das contingências: fila sim, fila não, interditadas com fita fluorescente, não fosse a malta não a ver no escuro; nas filas sim, espaço de uma cadeira entre ocupadas e não ocupadas, a menos que se tratasse de pessoas do mesmo agregado/ grupo. Eu acho uma cadeira pouco, devia ser a fila toda para uma ou duas pessoas, no máximo. Não que sofra de receios covid, porque isso já era, mas porque, no fundo, sinto que agora é que a cena social está correcta: antes do vírus, andávamos cá todos a roçarmo-nos uns nos outros, e aos dois beijinhos uns aos outros, um exagero de contactos físicos que (espero que) acabou. Éramos apresentados a alguém que nunca mais íamos ver e logo dois beijos? Não admira que o vírus tenha singrado até sangrar.
Quanto ao filme propriamente dito, que é o que nos traz aqui hoje: Bem Bom. Mais nada. Pode não ser aquelas coisas em termos de luz, imagem, som — cinema português, é um estilo como outro qualquer —, mas consegue o que parece impossível, que é devolver-nos os e aos anos 80's — excelente reconstituição histórica — e, de uma vez por todas, desfazer o boato com a Laura Diogo. Já veio tarde, é certo, mas mais vale do que nunca. Coisa para ter detonado uma banda icónica, quatro carreiras e quase uma vida.
Se eu não adorava as Doce — era muito miúda, queria ser assim, mas não bem assim quando crescesse —, pelo menos sabia (e sei) as letras das músicas quase todas. E lembro-me bem da prequela das Doce, que foram os Gemini, com duas delas (Fátima e Teresa) e dois dos produtores (Tozé Martinho e Mike Sergeant). Nessa altura, a pessoa humana era uma criança em idade escolar, mas cantava com alguma solenidade aquilo do prazer que uma criança nos deu. E não percebia, como ainda não percebo, a estrofe o acordar de tristeza ao ver as horas passar e o jantar frio na mesa. Alguém explica isto? Não é preciso, falecerei com a dúvida, mas muito obrigada na mesma.
26/10/2019
A herdade (Se acharem que é spoiler, é não lerem # 13)
12/08/2019
Algumas informações acerca da pessoa humana, que, embora possam ser inúteis, terão certamente algum interesse ao nível de stalking, esse desporto paraolímpico
29/04/2019
Dumbo(Se acharem que é spoiler, é não lerem # 12)
23/02/2019
Assim nasce uma estrela(Se acharem que é spoiler, é não lerem # 11)
(Não percebo que esta Gaga tenha recebido minino Bradley de cuecas.)
30/12/2018
Girl(Se acharem que é spoiler, é não lerem # 10)
Oscar para melhor filme estrangeiro, já! E, de caminho, melhor actor estrangeiro. Já agora, pena que não exista a categoria de melhor actor secundário estrangeiro. É criarem-na, especialmente para este.
11/11/2018
Separadas à nascença? # 2
02/11/2018
Bohemian Rhapsody(se acharem que é spoiler, é não lerem # 9)
04/03/2018
Lady Bird (se acharem que é spoiler, é não lerem # 8)
25/02/2018
I, Tonya(se acharem que é spoiler, é não lerem # 7)
21/02/2018
A temática da pipocaou
De como ser civilizadamente incivilizado
5. Assumir o intervalo como o momento áureo para tirar a barriga de misérias.
Mais um pormenor, de somais importância: os pacotes (é a última, juro) de pipocas têm uma espécie de fundo falso, que se desmancha se tentardes fazer do paralelepípedo um cilindro. (Sei isto, porque já tentei, e correu extremamente mal.) Não dá para brincar às formas geométricas com aquilo enquanto cheio, sob pena de despejardes todo o conteúdo rumo aos vossos próprios pés. Solução? Andar sempre com uma pá e uma vassoura na mala. Eu, pessoalmente, não ando, mas o pincel do blush também dá.
Estou farta de escrever, desculpem lá a extensão desta prelecção.
19/02/2018
15:17 Destino Paris(se acharem que é spoiler, é não lerem # 6)
2. Mães solteiras não são menos capazes do que mães casadas. Só envelhecem mais cedo;
3. A carreira militar ainda faz dos homens, homens;
9. Viajar, hoje em dia, é perigoso — Isto, no sentido estrito, de efectuar uma viagem, aquela deslocação do ponto A ao ponto B. Nunca sabemos quando nos tocará. Não devemos, ainda assim, deixar de viajar, tal como não podemos fechar-nos em casa para evitar sermos atropelados só porque lá não passam carros;
10. Quero ir a Roma, ainda este ano. È bellissima, já disse?
15/02/2018
€uros meus, má fortuna, amor desardente
Fica a questão, premente.
12/02/2018
The Post(se acharem que é spoiler, é não lerem # 5)
05/02/2018
Call me by your name(se acharem que é spoiler, é não lerem # 4)
23/01/2018
Três cartazes à beira da estrada(se acharem que é spoiler, é não lerem # 3)
Isto não é um conselho, é uma ordem: ide ver.
06/01/2018
Na senda de "Sou só eu?" # 11
Eu tenho medo.
[Por acaso, esta versão que encontrei no youtube ainda acrescenta "I'll be back!". Vá que nunca me apercebi disto ao vivo, lá na sala. Pois, porque ainda não estava bem clara a ameaça exterminatória].
Depois sai um helicóptero (militar?) a voar, o homem grita-me "Bom filme!", e eu fico capaz de começar a chorar alto, a chamar pela minha mãe, "Mamã, tenho medo, quero ir para casa!", mas incapaz de prestar atenção aos primeiros cinco minutos do filme, tal é a aceleração que me leva o músculo. A sério.
29/12/2017
(O meu problema, no fundo, é que sabia que, um dia, ia esquecer-me de pôr título num post)(hoje foi o dia)
Hercule Poirot, in Um crime no Expresso do Oriente.
(As palavras não foram rigorosamente estas, mas sinto que se trata de um mal do qual eu também sofro amiúde.)
04/12/2017
Coco (se acharem que é spoiler, é não lerem # 2)
Afinal, não. Parece que existe uma morte após a morte, para além de nos encontrarmos todos — em esqueleto, com peruca e roupa, pois que há-de ser importante aquecer os ossos (sem corrente sanguínea, atente-se) e esconder as partes pudendas, que, em rigor, já não existem — num lugar entre o sinistro e o festivaleiro, com a idade com que fenecemos, ou seja, onde é possível encontrarem-se um pai jovem e uma filha muito velha. Se já a ideia de ir para o Céu me aterroriza levemente, esta de ir parar a um lugar onde todos somos só ossos, sem chicha nem peles [o mal que hão-de ficar os meus cabelos em cima deste esqueleto lindíssimo] [eh, pá, 'pera lá, pára tudo! Nunca mais terei que me preocupar com o que como? Hummm...], mas também onde desaparecerei (dolorosamente, diga-se) ao fim de algum tempo, assim que cá na Terrinha se esqueçam de mim — o que poderá demorar o tempo de um fósforo —, também não sei se me agrada. O melhor é continuar a ser como sempre fui, pode ser que a sorte me faça a vontade, e o Hades também há-des.
(De qualquer forma, vale muito a pena. Lá quanto a tratar-se de um filme de Natal, maiores dúvidas se me agigantam, mas isso também posso ser eu, cartesiana duvidosa.)
