Mostrar mensagens com a etiqueta Molly. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Molly. Mostrar todas as mensagens

08/11/2025

A minha casa está cheia de saudades

Andam pelas paredes, arrastam-se no chão e no tecto, uivam quando abro uma janela, e quando a fecho, transbordam por qualquer frincha que haja, por baixo da porta da rua, rodopiando de tristeza no quarto dele, dando murros no lugar dele à mesa, estão os mesmos lençóis na cama, não me atrevo a tirá-los de lá, a argola do guardanapo abandonada e vazia, o cheiro dele nas almofadas, o abraço dele em lado nenhum, anda a gata aos gritos pela casa, “Gonçalo! Gonçalo!”, vê uma mala de viagem e fica de sentinela, depois a mala desaparece, como desapareceram as dele há um mês, e não arreda do local onde a mala esteve, até que desiste e vai miar-lhe o nome para a cama, adormece comprimida de desilusão e falta, eu engulo um rio de lágrimas, que as saudades não me deixam em paz.
(Outro dia, arranhou-me os braços, nunca tinha sido assim atacada por um animal, há de pensar que lho escondi, quem me dera ter sido isso, pelo menos as saudades já não abarrotavam a minha casa. Mas ele também não estaria tão feliz e tenho que lidar com isso, foi para o que o preparei, despreparando-me.)
Vemo-nos no Natal. Isso é daqui a quantos meses?

11/10/2021

Os animais falam connosco

Molly, registada Pequena Molly num momento de clara incapacidade de antevisão — pois veio a tornar-se um animal enorme —, iniciou um ritual mictório nos lavatórios das casas de banho, dando uso à caixa de areia apenas para a defecação, valha-nos isso. Assim, disse-me ela: “Olha para mim, estou doente.” Pela frequência e quantidades mínimas, rapidamente percebi que se tratava de algo parecido com (ou no mau caminho para) uma infecção urinária. Não precisa de me dizer que é inútil tentar metê-la na gateira para a levar ao vet, a menos que não me importe de ser mordida e arranhada a ponto de ficar sem as veias dos braços e, vá, um olho, com a garantia porém de que, ainda assim, não vou conseguir enfiá-la lá dentro. Compreendo, porque eu própria não o permitiria: aquilo é claustrofóbico e aterrorizador, além do que, o que se segue é uma (curta, é certo) viagem de carro, que ela detesta, e um ambiente estranho com gente igualmente estranha a mexer-lhe no corpo e a fazer-lhe “maldades” — tirar sangue, recolher urina, dar-lhe injecções, quando não — cúmulo dos cúmulos — cortar-lhe as unhas. Da última vez que lá esteve, após épico enclausuramento na caixa de transporte, em que saíram pessoas magoadas (ensanguentadas!) daquela relação, teve que ser metida na jaula das feras (don’t ask). Isto, apenas para ser vacinada.

Posto isto, dirigi-me à clínica, sem gata, expus o problema e trouxe para o lar um anti-inflamatório para senhora dona Molly tomar durante cinco dias, e ainda a marcação de uma consulta para análises e exames para amanhã, terça-feira, às 11:00 horas da madrugada. Já lá vamos.

Diz-me a gata, através de gesto e modo, que não toma medicamento algum, seja em cápsulas (mesmo que abertas e misturadas, nem que seja com filet mignon), em comprimidos desfeitos, ou em líquido. É óbvio que me grita, “Estás louca, queres envenenar-me?”. E então, por pesquisas nos meus já escassos e desgastados neurónios, cheguei à conclusão de que a única “guloseima” à qual ela não resiste de todo, é azeite. Portanto, agora toma todo e qualquer medicamento, desde que desfeito numas gotinhas desse ouro alimentar. Um dos amores da minha vida é, em suma, azeiteira.

A veterinária deu-me uma cápsula de calmante para dar à gata uma hora e meia antes de a levar à consulta. Resta-me apenas a dúvida se efectivamente lha dou, ou se a tomo eu. Melhor, talvez, será abri-la, misturá-la em azeite, e vai metade para cada uma. A minha parte também pode levar vinagre e orégãos, so help me God.


18/09/2020

Milu, a escrava do silêncio

Nunca tinha tido - ou sequer ouvido falar de - uma gata que não mia. Em quatro meses de vida, jamais o fez, donde se conclui que é muda. Comunicada esta espécie de preocupação - que, na verdade, constitui uma doce tranquilidade, uma casa onde o animal de estimação não emite qualquer som - à veterinária, recebi de volta um encolher de ombros, e a resposta "Normalmente, são as mães que ensinam os gatinhos a miar". Ora, esta mãe não ensinou a sua filha a miar, a abandónica. O máximo de sons que lhe ouvimos até hoje foi "iiiii" e "aaaa", muito baixinho. Não imagino como serão os cios desta m(i)udinha.

Por outro lado, aquela mãe desnaturada também não deve ter amamentado como deve ser a sua cria, pois, para além de nos ter chegado muito magrinha, come tudo o que vê à frente (ração da Molly incluída, que é para gato adulto esterilizado): todo e qualquer alimento humano lhe serve de refeição, desde sopa a frango, passando por carne picada, legumes cozidos (beterraba incluída!), massas, todo e qualquer peixe - ou não fosse um gato (?) -, fruta, queijo, fiambre, e o top-mais-que-tudo de todos, o meu iogurte, que é só a coisa mais amarga de sempre (embora eu seja considerada, cá no lar, "a pessoa sem paladar e que não distingue as cores", portanto, eu posso). Quanto a Milu, tem que ser fechada numa divisão da casa (que não seja a cozinha) à hora das nossas refeições, pois, caso contrário, salta para a mesa e agride-nos os pratos, recusando a própria comida - que é própria, passe o pleonasmo -, com aquele ar de Maria de Lurdes, "Estes querem que eu coma comida de gato porquê? Comam-na eles!". Vá que não nos agride a nós (se calhar, por enquanto). 

Tem com a Molly a mais surpreendente e quase pacífica relação que algum dia pudéssemos imaginar que teria. Meteu na cabeça que a cauda da outra é um brinquedo/ presa/ companhia, algo que urge conquistar, pelo que dedica horas a segui-la, a espreitar, a escolher o melhor ângulo, a saltar na direcção do seu objectivo, felizmente para as duas até hoje por atingir. Gradualmente, a Molly tem vindo a desistir de lhe rosnar e nunca a perseguiu para a agredir. O máximo que fez foi dar-lhe uma sacudidela com uma pata, mas isso, convenhamos, só lhe faz bem, visto que, efectivamente, a mãe não lhe deu a educação mais básica, como vimos acima.


Ainda acabam ´migas gatas. (Hah, piada alentejana!)


De resto, Miluzinha foi a melhor coisa que nos aconteceu em 2020, logo a seguir ao voo que trouxe uma das minhas crianças de um Erasmus que não chegou a ser - mas que ainda durou quatro meses -, numa altura em que não havia aviões no ar, de todo. (Houve aquele, apanhado a muitos quilómetros do ponto de partida, após escalas de três comboios. Aleluia, irmãos!)

Não tenho muito mais para dizer, a não ser que apareci na televisão outro dia, mas é assunto que guardo para quando for seguro falar nele. Posso apenas adiantar que, como é óbvio, foi um momento de grande intelectualidade e beleza. 

Para qualquer dia, uma lição de Português bonito, que há muito não forneço aqui. Mas andam-se-me a trocar as órbitas com coisas que vejo publicadas un peut partout, designadamente ao nível da pontuação dentro e fora dos parêntesis e das aspas, numa arbitrariedade a raiar o chavascal, que já não se aguenta sem ter uma apoplexia ou, em alternativa mais saudável, partir a loiça toda. 

Pronto, adeus. E miau.


09/07/2020

Milu

Milu chegou às nossas vidas há quatro dias, e já no-las revolucionou de alto a baixo e de ponta a ponta. Na verdade, chegou no dia em que nasceu, pois da casa onde se deu o grande evento que foi a pequena coisa ver a luz, recebemos notícias e reportagem fotográfica com a frequência provável com que se processam todas as adopções felizes. Assim, veio da Figueira da Foz, sob um calor abrasador, e recebi-a com os meus enormes braços, que creio ainda terem crescido em comprimento naquele momento, tamanha é a pequenez da figurinha. Tem basicamente o comprimento de uma embalagem de champô. O nome já lhe foi posto algumas horas depois de se ter tornado residente cá do lar, mas até calhou bem começar por M, como são os de todas as fêmeas desta barraca, felídeas incluídas. (Lembro que, e por ordem cronológica, Mia - minha saudade querida -, Mel - ainda hoje dói de tanto que falta -, Molly, meu terror, minha boneca.) Ainda alvitrei Chica (Maria Francisca nas horas de mau comportamento), Benta (porque tem uma risca ao meio à Paulo Bento), Belém (por ter um olho à Belenenses), mas isto parece que é uma democracia musculada em que eu basicamente não mando nada, e Milu venceu, o que dá um jeito atroz para quando tiver que lhe ralhar, faço um nico de catarse e tudo, vai de Maria de Lurdes, que era o nome da minha professora primária, da qual, ao contrário de todos os (ex) meninos que conheço, que adoraram de paixão a sua primeira professora, o que também acontecia com os outros meninos da turma, eu sinceramente desgostava da senhora, que Deus tenha lá em descanso por muitos anos e bons, sem mim e sem os meus. Mas olhem, eu devia ser torta, ainda passei o primeiro período quase todo com cinco anos, a megera era uma anciã com voz tabaqueira e sinais pretos na cara, deve ter-me dado o medo (por na época ainda acreditar em bruxas, sei lá), ainda hoje me arrepio de me lembrar, mesmo agora, ao escrever estas linhas, toda eu sou fremências e tremeliques, o que é certo é que quando pulei para o liceu ela nunca mais me viu nem os dentes nem sequer a cor dos olhos nem nada. Fui, Marilu. (Ela também não gostava de mim, demasiado pequena, demasiado tímida, demasiado etérea lá para os vagares das dinâmicas do movimento da Escola Moderna.)
Mas pronto, venho hoje aqui apresentar Dona Milu, Maria de Lurdes nas horas de tropelia. 


24/06/2020

As minhas [quase invisíveis] pegadas

Parece que, afinal, Street é uma fêmea. Já desconfiávamos, devido ao tamanho do corpito, à delicadeza de gesto e modo, ao susto por qualquer movimento por perto quando vinha saciar a fome na taça diária que lhe deixamos, faz agora um ano. Provavelmente, Juliana será um macho, apesar de ser também um animal pequeno: muito mais atrevida, muito menos dependente da ração diária, umas vezes aparece, outras, quase todas, não. A novidade é agora isso mesmo: Street faz-se acompanhar por um gatinho aí com oito semanas de vida. Comem da mesma malga, serão com certeza parentes. Não me apercebi de a ter visto prenhe, eu que a vejo todas as noites, para confirmar que se alimenta. Não falhou um só dia a taça, desconheço se pariu algures e veio, mesmo assim, alimentar-se no pós-parto, para poder amamentar a sua cria com alguma qualidade. E também não é muito vulgar uma gata dar à luz apenas um gatinho. Prefiro pensar que o adoptou, ou que o resto da ninhada encontrou outro poiso, ou então que ainda é demasiado frágil para se aventurar a percorrer as ruas com a mãe, à noite, até onde sabem que encontram alimento. É uma cria toda preta, apetece-me chamar-lhe Night, para manter uma certa coesão anglo-saxónica nos nomes familiares, e também alguma assexualidade facilmente adaptável a ambos os géneros.
- Eu bem vos avisei [que vocês iam acabar a alimentar uma família de gatos]. - Diz-nos ele, com aqueles olhos cheios de verdade e amor, depois de ter visto o gatinho pela primeira vez. 
Tenho que pensar numa solução para o tipo de ração que lhes passo a deixar: a mãe não pode comer comida de bebé, a cria não pode comer comida de adulto. De resto, temos igualmente um pombo a alimentar-se da taça, todos os dias o mesmo, que baptizámos de Anastácio. Faz a sua vida de pombo durante todo o dia, mas espera com manifesta impaciência pela refeição quando a tarde se aproxima do fim (provavelmente, as minhocas estão em dieta), e, por isso, é sempre o primeiro a inaugurar a taça. É estranho pensar que um pombo come comida de gato, que, por sua vez, se alimenta de aves, atum, salmão, frango, e todos os eteceteras escritos na embalagem. Depois de debicar uns quantos croquetes de ração felina, volta a ser pombo até ao dia seguinte.
Entretanto, Dona Molly vigia todas estas démarches, derramada no parapeito da janela, curiosa e sobranceira, exigindo, no final, ração nova da sua, ainda que tenha a taça cheia. Ou há democracia ou... E ela prefere a segunda hipótese.
Ontem tinha um besouro na casa-de-banho, preso por encandeio numa das lâmpadas do tecto. Fomos buscar um banco para lá chegar, um copo e um papel, recolhemos o bicho para dentro do copo, o papel a fazer de tampa até à janela, onde lhe devolvemos a liberdade. 
Talvez a incapacidade crescente para tirar uma vida, acompanhada da necessidade de criar mais vida correspondam à justa medida em que a minha própria estimativa perde dimensão. Seja qual for a explicação para o fazer, a verdade é que me dá um gozo imenso pensar que contribuí para que um curso natural não tenha sido interrompido. 
Como quando vou correr, que tenho o máximo cuidado para não pisar as formigas que atravessam, indiferentes, inocentes, inconscientes, a pista.


29/01/2019

Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 18

Imagina que se dá o momento em que metes a chave na fechadura, ela dá duas voltas lá dentro - e, com isso, te apercebes de que não está ninguém em casa -, entreabres só um bocadinho - porque sabes que as gatas têm aquela mania de ir passear para o patamar das escadas (serão só as minhas que manifestam este fremente desejo de fugir do lar?) e depois é um sarilho grande para convencê-las a voltar - e sai-te a jacto, ligeira e silenciosa - na verdade, com um "prrr" - a Molly, logo escadas acima. Nem pousas a mala, nem despes o casaco, corres atrás dela, mas oh, engano!, ela sobe mais uns quantos degraus, por isso mais vale ficares cá em baixo a praticar psicologia felina, "Anda cá, vamos para casa, Molly!", mas o bicho nada, nem desce nem sobe mais (vá lá...), olha-te apenas por cima do ombro com aquela desconfiança e soberba, do alto dos seus olhos azuis de gelo, como quem diz "Vai tu, daqui não saio, I've got stuff to do upstairs", ainda tentas a solução radical, que é fechares a porta de casa, como se faz às crianças teimosas, "Olha, ficas aí, que eu vou para casa. Adeus", mas depois lembras-te do dia em que ela ficou mesmo e, passadas duas horas (cálculos muito por alto), o vizinho de cima veio perguntar-te se o gatinho que tinha lá à porta a miar, e ao qual já havia dado leite e pão aos pedaços (e a lontra devorou como iguaria sem igual) não seria teu, e, aflita com a repetição do episódio (se bem que ela talvez não, vai-se a ver e curtiu da refeição alternativa), voltas a abrir a porta e sai a Mia, não a jacto, mas igualmente ligeira, e efectivamente silenciosa, sem "prrr".
E ficas sozinha no patamar, tu e as tuas gatas que, por acaso, se detestam. Não se odeiam, mas não se dão, o que equivale quase ao mesmo.
A Mia dirige-se para a escada que sobe, encara com a Molly, e os dois rabos fazem-se num comovente e lustroso pompom. Uma das duas, ou as duas, assanha-se para a outra, e tu pensas que é capaz de ser melhor saíres da jaula, e os leões que se entendam, pois, se for para ficares sem cara, mais vale ires para o lar e esqueceres o dia em que quiseste adoptar gatos. Já não te bastavam quatro filhos nascidos no espaço de seis anos, para ainda te ires meter noutros trabalhos quase semelhantes.
Mas depois, gostas delas. Uma é parva, a outra está doente, porém gostas das duas na mesma medida. E então, raciocinas. Com a Mia, tudo é mais fácil, quanto mais não seja porque pesa metade do que pesa a outra fat, que é agressivíssima e só a ideia de lhe pegares já te arrefece o sangue-frio. Pegas nela por baixo, com cuidado para não lhe magoar a barriga, e carrega-la para dentro de casa, sob protesto (a assanhar-se, aqueles "rugidos" dos gatos), feita manifestante activista e rebelde sem causa. A repetição da fuga para fora de portas é bastante rara, por isso podes descansar de uma.
Dona parva continua estática, sem vontade ou iniciativa de sair do degrau onde se instalou a mirar a paisagem. Não é por acaso que os suricatas se chamam assim. Ponderas o truque do papel amachucado em forma de bola, o truque do boneco dela (um pinguim vestido de Pai Natal, don't ask) atirado para dentro de casa, mas sabes que, cada vez menos, se deixa enganar, e isso pode ser uma perda de tempo que a fará subir mais degraus. Então, lembras-te do truque dos gatinhos a miar, sabes que é um golpe baixo, mas que resulta em pleno: "Gatinhos a miar" no Google, Ai-fostes com o som no máximo, e esperar. 
Lá veio ela, percorrendo todos os cantos à casa até eu desligar aquilo, sei lá se para brincar, ou então para se assanhar também para os gatinhos que procurava e não estavam em lado nenhum.



LB's challenge rumo aos 3000 chouriços em 6 anos
#jasofaltam35

06/09/2018

Outra vez os excrementos

Esta noite tive pesadelos — o que me acontece com uma frequência assustadora [buuuuu!], embora sofra da felicidade de praticamente nunca me lembrar do que sonho, daí que não viva assustada, e que o meu coração vá aguentando, melhor ou pior —, por isso posso falar sobre o que me apetecer, designadamente acerca de moncos. Ou melhor, a bela história de um monco meu.
(Sonhei que me morria a gata que é doida. A que é mais doida das duas. Morria bebé, esmagada como um pombo que vi ontem no asfalto, parecia que pertencia ao alcatrão. Depois toquei-lhe com as pontas dos dedos no coração e ela insuflou e mexeu-se. Mas eu tinha um passarinho ao colo, embrulhado num lenço de pano para não ter frio, e ele morreu asfixiado.)
(Freud talvez não soubesse, os manuais de interpretação ainda menos, mas eu sei muito bem o que quer dizer cada troço do meu pesadelo.)
Eu sou uma pessoa que nunca se assoa e raramente se constipa. Quando sim, só me constipo de uma narina, sofro de constipações unilaterais, ou assimétricas. Pode ser por isso que fabrico moncos em quantidades subaproveitadas, mais valia montar uma fábrica de isqueiros, que pedra não faltaria.
Ou então, podia montar um atelier de bijutaria alternativa. Colares com três voltas ao pescoço, e cenas.
Ontem, ao deitar, extraí um deles. Já me enroscava no sono, não me apeteceu levantar-me, pousei-o na mesa de cabeceira e a minha cabeça na almofada. (Vá que não troquei.)
Hoje de manhã, a que fala tanto pegou no pequeno rochedo, pousou-o delicadamente na palma da mão e perguntou: "O que é isto?".
E eu, qual criança mentirosa, estremunhada com a recente confusão com os meus bichos mortos, vou de responder: "É uma pedra. Tinha-a no sapato, não quis metê-la na louça do pequeno-almoço porque depois ia para os canos, e então pu-la aí, para me desfazer dela quando fosse para a rua."
Adorei a cara dela, hoje.


05/06/2018

Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 17

A nossa casa entrou em obras e, para tanto, tivemos que mudar para outra enquanto durar a intervenção, para além de ter sido necessário despejá-la completamente de móveis e tarecos e lixo. Não faço uma descrição do que foram os meus últimos dez, quinze, vinte dias, porque vos escrevo através de Ai-fostes (até o computa mudou de lar) e postar uma posta é muito mais lento e custoso e, lá está, NMPPI. No entanto, tudo isto me faz sentir a genuína blogger, a obrar a casa (e não na casa, calma, embora também, a seu tempo, pois que a pessoa é humana, ou animal, ou lá o que é). Só não estou a ver bem o que será o regresso, a remudança, o reinstalar. Mas quem viver, verá.
Vai daí, dali e daqui, transportámos as duas gatas connosco, apesar de ter chegado a desejar que os homens da mudança as encaixotassem também ou os da obra as aguentassem lá com eles, mas ambas as soluções me pareceram inviáveis, uma vez que, sendo ambas ferozes e territoriais, iriam destruir tudo à sua volta, em qualquer das hipóteses.
O grande problema é que elas se odeiam, ou, pelo menos, parece. Quando a Molly foi adoptada, tinha cinco semanas e a Mia já tinha sete anos e era, digamos, animosa e pouco receptiva à novidade de um gatinho hiperactivo. Assim, viveram separadas todo este tempo, porque a minha casa tem uma porta que divide o espaço em dois, metade da casa para cada uma e fez-se a coisa irmãmente, num feliz e mais ou menos pacato muro de Berlim. 
Sucede porém que a casa de recurso não tem essa valência, pelo que se deu a queda do muro em menos de nada: as gatas estão juntas, partilhando o mesmo espaço, e, ou porque lhes é estranho a ambas, ou porque efectivamente não se odeiam, ainda não brigaram uma única vez. A mais nova, agora com dois anos, bufa para a mais velha, de nove, cada vez que se encaram frente a frente. Isto, apesar da soberana indiferença da Mia, que só falta fazer rolling eyes. Mas dormem tranquilas no mesmo sofá, comem da mesma malga, aliviam-se na mesma areia. No fundo, cada macaco no seu galho, ou cada uma conhece bem o seu lugar.
Quando voltarmos os oito para casa, a porta de intersecção (separação) estará definitivamente escancarada. 

03/07/2017

Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 16

A parva meteu-se dentro de um saco de plástico, que foi roubar ao esquecimento de alguém que usou o último rolo de papel higiénico. Parecia que estava dentro de uma bolha. Por mais que remirasse o saco, não vi por onde entrava o ar, embora ela permanecesse tranquila lá dentro. Aparentemente, a zona da abertura havia ficado toda debaixo do corpo da bicha. Depois percebi que havia um pequeno buraco na parte superior do saco, por onde ela veio a enfiar a cabeça. Pareceu-me que não conseguia sair sem ajuda, pelo que dei um puxãozinho na ponta do saco, e ela saiu como se de um parto natural se tratasse (ela, o nascituro em ritual de passagem para recém-nascido; o saco, a mãe dela; eu, a parteira. Calham-me sempre os papeis chatos, ainda bem que não fui para teatro, era capaz de ter que fazer de Quasimodo). Pôs-se, então, em posição de sentinela ao saco, seu novo território sagrado e inviolável. Mas, em vez de me agradecer esta oitava vida que lhe proporcionei, ronronando-me, roçando-se-me, ou sendo um gato normal (ignorando-me), brindou-me com uma unhada na perna, pois há-de ter pensado (?) que eu lho ia roubar. [Queres ver que para me meter lá dentro também?]

Embora ninguém me pague para isto, urge uma explicação acerca do papel higiénico acima ilustrado. Trata-se de Pampilar Compact, a última das maravilhas inventada para o efeito, pois cada rolo consegue a gigantesca proeza de durar umas valentes vinte e quatro horas numa casa de seis pessoas com intestinos e bexigas normais.


02/05/2017

Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 15

Notícias da minha gata:
Está a odiar aquilo a que a vet chama "o cone". Na verdade, trata-se de um abat-jour, que, efectivamente, lui abat son jour: a criatura anda deprimida e revoltada nas horas, com os dias. Passa grande parte do tempo a lavar aquilo, fazendo com que ele rode a toda a volta da cabeça, continuando a lamber, num processo muito semelhante ao de uma máquina de lavar roupa. Em compensação, não consegue lavar mais nenhuma parte do corpo, a não ser o fundilho da barriga, quase no entrepernasatas, que foi depilada ao estilo Hollywood. Na verdade, é bastante útil que não consiga alcançar com a língua mais nada, a não ser o interior do abat-jour, uma vez que, cada vez que lhe dou o antibiótico e ela cospe uma parte, essa cuspidela fica ali alojada, e lá se repete o esquema de "ligar a máquina", e, assim, o antibiótico fica tomado até à última gota. Teimosa sou eu, que insisto em dar-lho à boca, quando podia perfeitamente dispará-lo para a aba, e depois ela tomava-o voluntariamente, no tal esquema de fazer andar a roda com a língua.
Por outro lado, neste momento não está muito limpa — mas também não muito suja, uma vez que é um gato de casa —, sobretudo na zona do focinho, que está cheia daquele doce horrível do remédio. Os bigodes estão uma lástima de pegajosos e parece querer a todo o momento transformar-se numa rastacat, em tudo menos na atitude. Mas também não lhe vou mandar fazer o buço, já bem bastou a depilação total da barriga. O abat-jour é preso ao pescoço com uma fita de gaze, que ela ontem, de tanto rodopiá-lo, conseguiu desfazer (e tem as unhas cortadas, imagine-se se não) e, pasme-se, arrancá-lo. Vi-me então na contingência de ter que lhe pôr uma fita que encontrei na caixa da costura, very fashionerer, mas ela achou zero piada e ainda ficou mais amuada com o Mundo. Mas que parece Miss Scarlett, isso ninguém se atreva a negar.


Cada vez que vai à veterinária para mudar o penso, rosna desalmadamente, no que parece um rugido feroz. É o que me lembra que tenho em casa um parente de leão, cuja única diferença será mesmo só essa: não ruge. (E é isso que faz dela um felino felídeo.) Mas é capaz de pôr o staff todo a dar uma ajudinha para que não se dê ali uma tragédia, em que a única sobrevivente seja, precisamente, a fulana. 
À conclusão:
1. Ela já me odiava qb;
2. Sou eu que lhe dou o antibiótico;
3. Sou eu que lhe dou o anti-inflamatório;
4. Sou eu que lhe ponho o laço a segurar o chapéu;
5. Fizeram-lhe a depilação, as unhas e o buço está nojento (segundo os parâmetros dela, que por mim está óptimo), o que ela atribui a mim (sinto-o no olhar dela).
Odeia-me sem qb, e para todo o sempre.

28/04/2017

Numa escala de zero a dez, quão estranha é a tua relação com o teu gato?

Veio para casa com cinco semanas, cresceu e passou a ter cios, como qualquer gata adulta.
Já não se aguentavam os miares, os gritos, os roçanços num candeeiro que caía constantemente (e era sempre aquele, que até tem outro igual, mas era aquele e só aquele), os encarranchamentos, e ultimamente, uma ou outra marcações de território. Além da agressividade, que talvez até fosse piorar com o passar do tempo, além dos desassossegos a aumentar de frequência: os cios, que vieram tão tarde (a dias de fazer um ano), passaram a uma cadência de semana sim, semana não.
Irremediavelmente, dona Pequena Molly foi a esterilizar. 
Foi estranho enquanto durou a ausência dela em casa: abrir a porta e não me sair a jacto o bicho, sentar-me ao computador e não a ter a morder-me a mão esquerda (a do rato), o próprio rato, a tentar apanhar o cursor com a pata, a deitar-se em cima do teclado. Foi estranho poder abrir o roupeiro, uma gaveta, a minha mala, sem que ela surgisse do ar e se enfiasse lá dentro. Foi estranho não tê-la a atormentar-me os passos, a esconder-se para me apanhar na curva, a pregar-me sustos por tudo, a não me deixar estar sem ser em permanente estado de alerta. Podia ter sido um dia de alívio, mas não foi.
Depois fui buscá-la.
Fui encontrá-la com um vestido cor-de-laranja, baralhada e furiosa, e, por baixo, uma fralda. Pedi à veterinária que lha tirasse (péssima experiência quando foi da Mel), e ela entendeu tirar-lhe também o vestido, por lhe estar largo (muito fit, a minha gata). Teve que ser amarrada com uma toalha, foi necessária a força de duas pessoas. Mesmo meio anestesiada, a minha fera não se deu por vencida. Mas os gritos, que passaram largamente a definição de rosnados, não me saem da cabeça até agora. 
Veio para casa com um funil, e agora tenho-a aqui, prostrada e infeliz. Parece um objecto. 
E estou cheia de pena dela, e desejando que volte a trepar à minha mesa e que venha embirrar comigo outra vez. Já não sei viver sem ser em permanente estado de alerta.
No fundo, desejo que a operação não lhe modifique muito o feitio. 


05/04/2017

Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 14

Ou tu?
Onze da noite, tocam-me à campainha e vou atender. Do outro lado da porta, visiono, através do óculo, a vizinha de cima, aflitinha. 
(Por cima mora um casal sem filhos, com idades próximas da minha. Ele é um desportista ferrenho, joga ténis e tem muita vaidade na sua aparência. [No entanto, enche-me a varanda de beatas.] Quando vem de jogar, raquete na mão e calções curtos e vincados, todo ele é salamaleques e meneios, primorosamente educado, dando passagem, partilhando o elevador, desejando boa tarde com precisão cirúrgica. Sempre que o vejo passar naquele preparo, atraso o passo e, subitamente, interesso-me pelas árvores, pelos cães, por qualquer coisa no tablier. Ela é uma figura apagada, há-de ter sido bonita, de olhos claros, magra e grisalha, descuidada e triste. Uma vez por outra, ouvem-se gritos lá em cima. Só ele grita. Também se ouvem saltos altos a bater no soalho, mas ela não usa saltos. Há qualquer coisa de Norman Bates dentro da minha cabeça — ou em cima? — que me inquieta um niquinho.)
Abro a porta e diz-me ela que tem um gatinho à porta de casa, que não sabe de quem é, que já lhe deu de comer, mas ele não se cala e andam, ela e o marido, desesperados a bater a todas as portas do prédio (que são nada menos do que trinta e sete), a ver se encontram o dono. 
Eu só olho para trás, chamo Molly!, a tonta não me aparece e lá vou escadas acima, O gato é uma gata. É branca?; Sim, branquinha; Mas tem malhas castanhas?; Sim, manchinhas. [Tudo em inhos, pequenininhos, tanto sufixinho para uma gorda daquelas que parece uma leoa atravessada de pantera branca. Vá, eu não disse isto.]
E lá vou dar com a fugitiva, que me foge casa adentro do Norman vizinho, e eu atrás dela, Bates Motel adentro. Aparentemente, ele já tem montada uma comissão de inquérito com staff e comités de investigação: está ao telemóvel, ouço-o dizer Ah, bom, parece que encontrámos o dono [mas esta gente tem algum problema com os géneros?] do gato [aloha!], vou desligar para poder falar com o dono [hey, man, subsiste alguma dúvida para além da minha saia?], já te ligo. 
Pego na fugitiva, entre o envergonhada quando ouço Ela está aqui há, pelo menos, meia-hora (e faço mentalmente as contas para hora e meia), o aliviada por ela estar bem, o ciumenta por ela estar tão bem e o frustrada porque ela é uma peste e bem podia ir viver para outro lar, que isto de ter arranhões novos todas as semanas (e já foi todos os dias) também enfraquece o sistema imunitário (e o amor). Era a brincar, esta última. Nós odiamo-nos, mas eu encho-a de beijos de cada vez que ela não está a ferrar-me o dente. 


24/01/2017

Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 13

Gravura da criação (inspiração) de uma das minhas crias,
em parceria com outra menina igualmente habilidosa (elaboração), e Gráfica

Deitada junto ao retrato das três gatas da casa, tapando com o corpo a imagem das outras duas. 

18/12/2016

Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 12

E a escassos seis dias de completar um ano de idade, eis que dona Pequena Molly tem o seu primeiro cio. [Sim, este diabo da Tasmânia é um bebé-Natal. Ou bebé-pré-Natal, já que é de 23.] Levou, por isso, o dobro do tempo das outras gatas a perceber como é que aquilo se fazia. Chegámos a pensar que nossA Molly, afinal, era um Molly, mas também não lhe encontrávamos vestígios de cio de macho (pese embora não os conheçamos), nem de mais nada que nos indicasse haver ali macheza. Depois pensámos que a pobrezinha teria vindo ao mundo sem útero, o que, passe o egoísmo, seria uma grande poupança para todos, ela incluída. Pelo contrário, há poucos dias começou a largar daqueles miados mais longos, que gritam "Gaaaaaato!", fomos-lhe dando uns toques no lombo, para a ensinar a escarranchar-se, "Estás a ver, Molly? É assim que tens que fazer", e ela, ao fim de uma semana de treinos, lá percebeu o método.

Também me questiono quão estranha é a dona de um gato, assim numa escala de zero a dez, que, cada vez que a bicha tem um ataque de miares, passa por ela e pergunta:

02/11/2016

Numa escala de zero a dez, qu\ao estranho ]e o teu gato_ / 11

Ou tu_

Foi numa bela manh\a de trabalho intenso, em que, depois de fazer uma breve pausa para respirar daquela apneia, e ao regressar [as teclas, verifiquei que meu bom teclado desobedecia aos comandos de minha dedilha;\ao, qual mula birrenta sem d]o nem piedade de meu fervor laboral. 
No Word, tudo bem, no mail e no blog tudo mal. Caracteres e s]imbolos, acentos e tra;os, tudo trocado. 
Vi?me e desejei?me ardentemente, recorri a ajuda, e ent\ao percebi )sozinha n\ao chegava l]a( que havia mudado o teclado para estrangeiro da Am]erica. Coisas que s]o o diab]olico daquele candidato poderia explicar, mas que n\ao lhe quis perguntar, n\ao fosse acusar?me de ass]edio. Havia, segundo explica;\ao encontrada, carregado em duas teclas )control?shift( ao mesmo tempo, o que me condicionava toda a pouca literacia com que fui dotada [a nascen;a. 

Dona Molly, com apenas uma patinha, fez-me uma alteração no teclado, que encontrou solução aqui

22/08/2016

A doce liberdade

De abrir a porta de casa e não sair uma gata disparada escada abaixo, escada acima.
De poder ter janelas abertas sem medo de que uma das bichas saia em voo picado.
De poder andar às arrecuas sem olhar, com a certeza de que não se vai pisar uma cauda e, como brinde, quem sabe, receber uma dentada. (Sim, também utilizo a marcha-atrás sem retrovisor.)
De deixar o fio do carregador ligado à ficha, sem ter a preocupação de que uma felina vai roer a ponta onde passa, precisamente, a corrente. (Sim, sou tão incivilizada quanto isto, e sim, pago balúrdios de luz.)
De deixar a casa às escuras quando se sai à noite, sem achar que as coitadinhas vão andar a marrar com as paredes.
De não ser relevante se faz sol ou se vai chover, porque não vai uma chanfrada desatar a subir às paredes.
De poder usar o secador do cabelo sem que surja um animal assustado com o barulho, porém doido para lutar contra o fio.
De deixar o ferro a arrefecer no chão, sem receio de que haja um focinho/bigodes queimados no minuto seguinte.
De meter a roupa na máquina e poder ir buscar uma peça esquecida, deixando a porta da máquina aberta.
De abrir armários e gavetas à vontade e mantê-los abertos pelo tempo que for preciso, sabendo que não vai aparecer do nada um bicho que se instala num canto e já não sai de lá até acabar a sesta, umas dez horas depois. 
De deixar a sanita com o tampo aberto, sem pensar que, três segundos depois, uma gata se enfia inteira lá dentro. (Sim, a minha casa possui sanita.)

O amargo que foi a primeira viagem sem a Mel, que viajava fora da gateira, à janela, a ver a paisagem, ou a dormir num colo. 
O amargo que ainda é ter toda esta doce liberdade.

29/06/2016

Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 7

Não é um gato escaldado. Mas não tem medo de água fria. 
Deita-se no bidé, tapa o ralo com o rabo e a cauda, e fica a refrescar-se, às vezes até ter um terço do corpo molhado. Depois bebe água, directamente da torneira, e sai em derrapagem e slalom (contra tudo). 

(E sim, temos bidé, aquela invenção française do plus chic que há, et honi soit qui mal y pense.)

05/06/2016

Ainda tenho arranhões

Veio outra gata cá para casa há quatro meses, mas os meus arranhões já contam seis. Neste momento, tenho um, extenso e profundo, no braço direito, e outro nas costas da mão direita. Parecem ferimentos de autodefesa, aqueles com que fica quem é atacado à faca, e pode ser que sejam. Ela não suporta ver-me fazer a cama, ou arrumar roupa. Detesta unhas encarnadas, e ataca-me as mãos e os braços. Cada arranhão que me desfere, crava-me a sangue na memória a falta da Mel, faz-me uma risca vermelha, a eito, em cujo rasgão se lê a palavra saudade. De alguma maneira, este animal adivinha-me a incapacidade para esquecer e arrumar o assunto do outro, vingando-se, com raiva e incompreensão, pelo afecto ainda incumprido, ainda inconstruído. 
Passaram seis meses, metade de um ano, e eu ainda tenho o coração todo arranhado.

28/04/2016

Treinando a gata para blogger

Este meu blog preocupa-me de veras. [E não, não é um erro ortográfico, que é lá isso? É um neologismo dos meus.]
Precisa urgentemente de fofices. Por conseguinte, cá vai uma injecção. 
Estava estacionada no teu, Isa. Pode ter sido isso que pôs a gata naqueles nervos. You rock.