08/11/2025
A minha casa está cheia de saudades
11/10/2021
Os animais falam connosco
Molly, registada Pequena Molly num momento de clara incapacidade de antevisão — pois veio a tornar-se um animal enorme —, iniciou um ritual mictório nos lavatórios das casas de banho, dando uso à caixa de areia apenas para a defecação, valha-nos isso. Assim, disse-me ela: “Olha para mim, estou doente.” Pela frequência e quantidades mínimas, rapidamente percebi que se tratava de algo parecido com (ou no mau caminho para) uma infecção urinária. Não precisa de me dizer que é inútil tentar metê-la na gateira para a levar ao vet, a menos que não me importe de ser mordida e arranhada a ponto de ficar sem as veias dos braços e, vá, um olho, com a garantia porém de que, ainda assim, não vou conseguir enfiá-la lá dentro. Compreendo, porque eu própria não o permitiria: aquilo é claustrofóbico e aterrorizador, além do que, o que se segue é uma (curta, é certo) viagem de carro, que ela detesta, e um ambiente estranho com gente igualmente estranha a mexer-lhe no corpo e a fazer-lhe “maldades” — tirar sangue, recolher urina, dar-lhe injecções, quando não — cúmulo dos cúmulos — cortar-lhe as unhas. Da última vez que lá esteve, após épico enclausuramento na caixa de transporte, em que saíram pessoas magoadas (ensanguentadas!) daquela relação, teve que ser metida na jaula das feras (don’t ask). Isto, apenas para ser vacinada.
Posto isto, dirigi-me à clínica, sem gata, expus o problema e trouxe para o lar um anti-inflamatório para senhora dona Molly tomar durante cinco dias, e ainda a marcação de uma consulta para análises e exames para amanhã, terça-feira, às 11:00 horas da madrugada. Já lá vamos.
Diz-me a gata, através de gesto e modo, que não toma medicamento algum, seja em cápsulas (mesmo que abertas e misturadas, nem que seja com filet mignon), em comprimidos desfeitos, ou em líquido. É óbvio que me grita, “Estás louca, queres envenenar-me?”. E então, por pesquisas nos meus já escassos e desgastados neurónios, cheguei à conclusão de que a única “guloseima” à qual ela não resiste de todo, é azeite. Portanto, agora toma todo e qualquer medicamento, desde que desfeito numas gotinhas desse ouro alimentar. Um dos amores da minha vida é, em suma, azeiteira.
A veterinária deu-me uma cápsula de calmante para dar à gata uma hora e meia antes de a levar à consulta. Resta-me apenas a dúvida se efectivamente lha dou, ou se a tomo eu. Melhor, talvez, será abri-la, misturá-la em azeite, e vai metade para cada uma. A minha parte também pode levar vinagre e orégãos, so help me God.
18/09/2020
Milu, a escrava do silêncio
Nunca tinha tido - ou sequer ouvido falar de - uma gata que não mia. Em quatro meses de vida, jamais o fez, donde se conclui que é muda. Comunicada esta espécie de preocupação - que, na verdade, constitui uma doce tranquilidade, uma casa onde o animal de estimação não emite qualquer som - à veterinária, recebi de volta um encolher de ombros, e a resposta "Normalmente, são as mães que ensinam os gatinhos a miar". Ora, esta mãe não ensinou a sua filha a miar, a abandónica. O máximo de sons que lhe ouvimos até hoje foi "iiiii" e "aaaa", muito baixinho. Não imagino como serão os cios desta m(i)udinha.
Por outro lado, aquela mãe desnaturada também não deve ter amamentado como deve ser a sua cria, pois, para além de nos ter chegado muito magrinha, come tudo o que vê à frente (ração da Molly incluída, que é para gato adulto esterilizado): todo e qualquer alimento humano lhe serve de refeição, desde sopa a frango, passando por carne picada, legumes cozidos (beterraba incluída!), massas, todo e qualquer peixe - ou não fosse um gato (?) -, fruta, queijo, fiambre, e o top-mais-que-tudo de todos, o meu iogurte, que é só a coisa mais amarga de sempre (embora eu seja considerada, cá no lar, "a pessoa sem paladar e que não distingue as cores", portanto, eu posso). Quanto a Milu, tem que ser fechada numa divisão da casa (que não seja a cozinha) à hora das nossas refeições, pois, caso contrário, salta para a mesa e agride-nos os pratos, recusando a própria comida - que é própria, passe o pleonasmo -, com aquele ar de Maria de Lurdes, "Estes querem que eu coma comida de gato porquê? Comam-na eles!". Vá que não nos agride a nós (se calhar, por enquanto).
Tem com a Molly a mais surpreendente e quase pacífica relação que algum dia pudéssemos imaginar que teria. Meteu na cabeça que a cauda da outra é um brinquedo/ presa/ companhia, algo que urge conquistar, pelo que dedica horas a segui-la, a espreitar, a escolher o melhor ângulo, a saltar na direcção do seu objectivo, felizmente para as duas até hoje por atingir. Gradualmente, a Molly tem vindo a desistir de lhe rosnar e nunca a perseguiu para a agredir. O máximo que fez foi dar-lhe uma sacudidela com uma pata, mas isso, convenhamos, só lhe faz bem, visto que, efectivamente, a mãe não lhe deu a educação mais básica, como vimos acima.
Ainda acabam ´migas gatas. (Hah, piada alentejana!)
De resto, Miluzinha foi a melhor coisa que nos aconteceu em 2020, logo a seguir ao voo que trouxe uma das minhas crianças de um Erasmus que não chegou a ser - mas que ainda durou quatro meses -, numa altura em que não havia aviões no ar, de todo. (Houve aquele, apanhado a muitos quilómetros do ponto de partida, após escalas de três comboios. Aleluia, irmãos!)
Não tenho muito mais para dizer, a não ser que apareci na televisão outro dia, mas é assunto que guardo para quando for seguro falar nele. Posso apenas adiantar que, como é óbvio, foi um momento de grande intelectualidade e beleza.
Para qualquer dia, uma lição de Português bonito, que há muito não forneço aqui. Mas andam-se-me a trocar as órbitas com coisas que vejo publicadas un peut partout, designadamente ao nível da pontuação dentro e fora dos parêntesis e das aspas, numa arbitrariedade a raiar o chavascal, que já não se aguenta sem ter uma apoplexia ou, em alternativa mais saudável, partir a loiça toda.
Pronto, adeus. E miau.
09/07/2020
Milu
24/06/2020
As minhas [quase invisíveis] pegadas
29/01/2019
Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 18
06/09/2018
Outra vez os excrementos
(Sonhei que me morria a gata que é doida. A que é mais doida das duas. Morria bebé, esmagada como um pombo que vi ontem no asfalto, parecia que pertencia ao alcatrão. Depois toquei-lhe com as pontas dos dedos no coração e ela insuflou e mexeu-se. Mas eu tinha um passarinho ao colo, embrulhado num lenço de pano para não ter frio, e ele morreu asfixiado.)
Eu sou uma pessoa que nunca se assoa e raramente se constipa. Quando sim, só me constipo de uma narina, sofro de constipações unilaterais, ou assimétricas. Pode ser por isso que fabrico moncos em quantidades subaproveitadas, mais valia montar uma fábrica de isqueiros, que pedra não faltaria.
Ou então, podia montar um atelier de bijutaria alternativa. Colares com três voltas ao pescoço, e cenas.
Ontem, ao deitar, extraí um deles. Já me enroscava no sono, não me apeteceu levantar-me, pousei-o na mesa de cabeceira e a minha cabeça na almofada. (Vá que não troquei.)
Hoje de manhã, a que fala tanto pegou no pequeno rochedo, pousou-o delicadamente na palma da mão e perguntou: "O que é isto?".
E eu, qual criança mentirosa, estremunhada com a recente confusão com os meus bichos mortos, vou de responder: "É uma pedra. Tinha-a no sapato, não quis metê-la na louça do pequeno-almoço porque depois ia para os canos, e então pu-la aí, para me desfazer dela quando fosse para a rua."
Adorei a cara dela, hoje.
05/06/2018
Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 17
03/07/2017
Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 16
02/05/2017
Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 15
Por outro lado, neste momento não está muito limpa — mas também não muito suja, uma vez que é um gato de casa —, sobretudo na zona do focinho, que está cheia daquele doce horrível do remédio. Os bigodes estão uma lástima de pegajosos e parece querer a todo o momento transformar-se numa rastacat, em tudo menos na atitude. Mas também não lhe vou mandar fazer o buço, já bem bastou a depilação total da barriga. O abat-jour é preso ao pescoço com uma fita de gaze, que ela ontem, de tanto rodopiá-lo, conseguiu desfazer (e tem as unhas cortadas, imagine-se se não) e, pasme-se, arrancá-lo. Vi-me então na contingência de ter que lhe pôr uma fita que encontrei na caixa da costura, very fashionerer, mas ela achou zero piada e ainda ficou mais amuada com o Mundo. Mas que parece Miss Scarlett, isso ninguém se atreva a negar.
28/04/2017
Numa escala de zero a dez, quão estranha é a tua relação com o teu gato?
Irremediavelmente, dona Pequena Molly foi a esterilizar.
Fui encontrá-la com um vestido cor-de-laranja, baralhada e furiosa, e, por baixo, uma fralda. Pedi à veterinária que lha tirasse (péssima experiência quando foi da Mel), e ela entendeu tirar-lhe também o vestido, por lhe estar largo (muito fit, a minha gata). Teve que ser amarrada com uma toalha, foi necessária a força de duas pessoas. Mesmo meio anestesiada, a minha fera não se deu por vencida. Mas os gritos, que passaram largamente a definição de rosnados, não me saem da cabeça até agora.
05/04/2017
Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 14
24/01/2017
Numa escala de zero a dez, quão estranho é o teu gato? # 13
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| Gravura da criação (inspiração) de uma das minhas crias, em parceria com outra menina igualmente habilidosa (elaboração), e Gráfica |







