29/04/2014
28/04/2014
Ó tempo não voltes pra trás
Agora faz de conta que são 16:33 da tarde, que eu não sou parva e não abro o blog no local de trabalho. Sob hipótese alguma.
Sabem aquelas situações de stress no trabalho, em que têm apenas quatro horas para cumprir uma tarefa que, em condições normais, demoraria dois dias? As variáveis podem variar, ou não fossem elas variáveis. Às vezes também nos distribuem uma coisa para fazermos em meia-hora que nunca levaria menos que duas. Pronto, perceberam a ideia.
Eu estou assim, mas ao contrário. Estou a inventar o que fazer e, cada coisa que invento, leva-me, na melhor das hipóteses, meia-hora a fazer. E... tenho... que... demorar... duas... horas. Há bocado pus-me a ler um PDF que já não sei como nem por quê guardei, chamado "Modelos de demonstrações financeiras - Observações e ligação às NCRF". Quer dizer, devo ter guardado fazendo "salvar uma cópia". Lá para quê, quero esquecer.
Ora, isto causa-me stress invertido. Saio daqui quase morta de cansaço. Hélio na cabeça. Nem sei mesmo como é que ainda não comecei a falar fininho.
Outro dia, uma disse-me: "Olhe, não trabalhe tão depressa". Podia-me ter dito "Olhe, não trabalhe tão bem". Assim fiquei sem saber. Será que me queria dizer que "Depressa e bem não faz ninguém"?
Grande verdade, mas mais vale depressa e mal do que não fazer nada, como é o caso daquela pessoa. Embora eu ache que sou uma profissa de mão cheia.
Entretanto, fizeram-se 16:40 (com todas as pausas que fiz a escrever este post zzz zzz zzz), o que me enche de esperança que os próximos 110 minutos passem depressa.
O maravilhoso mundo feminino
Vamos supor que uma mulher vai ao supermercado Pingo Doce comprar abastecimentos para a periodagem, na medida em que está longe de casa e já torrou todo o abastecimento que levou consigo para o local de trabalho, derivado da circunstância de haver meses mais diluviais que outros. Esta é, digamos, a forma menos menstrual de colocar o problema.
Agora vamos supor que a mesma mulher tem dinheiro à conta no porta-moedas para pagar uma embalagem de pensos (Super-máxi-alas-plus-e-se-fosse-uma-canoa-também-podia-ser) e outra de tampões (Super, e não superplus por não haver no Pingo Doce. Caro Soares dos Santos, escuta: há dias em que nem de fraldinhas. Põe lá os superplus à venda, que aquilo não desflora ninguém).
Continuando nas suposições, imaginemos que a mesma mulher não quer ir levantar dinheiro, por uma questão de princípio, seja lá qual for ele. Vai, corajosa, direita à estante das intimidades, escolhe o que lhe parece mais consentâneo com a desgraça uterina em curso e pondera. Qualquer mulher, nessas circunstâncias, pondera ir buscar um rabanete, um nabo, um pepino... não, um pepino, é melhor não, por nada, apenas porque não, mas uns iogurtes, para disfarçar a higiene íntima, ali exposta aos olhos de toda a gente, homens de todas as idades, credos e feitios (as outras mulheres estão nem aí, estão nem aí...). Mas esta estava com o dinheiro à risca.
É quando se dá o momento de colocar as coisinhas no tapete rolante da caixa. Olha para a frente e um homem está a pagar três garrafas de água de 1,5 litros e um cacho de bananas. Uma compra com vários significados. O homem bebe água. Come bananas. O homem vai lavar os dentes. Tem um macaquinho. O homem vai meter água nos depósitos do limpa pára-brisas. Tem cãibras. O homem é diabético. Precisa de potássio.
A compra da mulher apenas grita ao mundo: SANGRE!
Uns crominhos da minha colecção
Existe um romântico no meu bairro. Não sei se a menina é a mesma e tem uma frota, se o romântico é o mesmo e tem duas meninas, ou se são dois românticos e duas meninas. Mas a prova fotográfica está aqui.
Uma pastilha elástica esmagada a meus pés num dia de chuva.
Um lenço de papel esmagado a meus pés num dia seco.
Isto não explico o que é. É um coração cheio de vértices.
Idem, mas sem vértices.
Eu moro aqui.
Parque de estacionamento dos Restauradores.
A meus pés. Again. Devo andar sempre de nariz no chão.
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