11/06/2017

Esforço mental

Naquela passadeira está uma grávida, a caminhar. Vai ter uma menina. 
[Tenho sempre a mania que é uma menina que está dentro das barrigas. No meu caso, só falhei uma vez em quatro.]
Como é que ela aguenta a peruca no ginásio? Aquilo quase nem dá para fazer rabo-de-cavalo...
[É um fenómeno no qual tenho vindo a reparar: as mulheres negras usam perucas de cabelo liso — geralmente, preto —, que hão-de ser suportáveis em muitas ocasiões, mas, no ginásio, a fazer esforços, e com o calor que tem estado...?]
O médico mandou estas duas exercitarem-se, e elas vêm juntas, já exaustas antes de começarem, para não desistirem antes da primeira vez. 
[O "mal" nem está tanto na postura com que chegam. O semblante de quem já atravessou o corredor da morte é assim qualquer coisa de tirar o fôlego a quem já o está a perder de cansaço.]
Socorro, vai rebentar a variz àquele senhor!
[Se já me custa perceber que as mulheres aguentem as pernas com varizes — mas o espírito de sacrifício, próprio do género, pode explicar alguma coisa —, num homem não entendo de todo. Pois, se eles gemem à mínima dor, que se torna insuportável e excruciante em menos de um pum, que direi de varizes? Ah, o medo da operação, é verdade. Podem morrer da anestesia, e cenas.]
Olha que miúda tão gira, e corre tão bem. Não sendo magra, tem um corpo tão bonito. 
[Miúda mesmo, uns vinte anos de idade. (Conforme sabeis, eu não chamo miúda a mulheres dos trinta para cima. Cá preconceitos.) Haja exemplos de pessoas que, não tendo o esqueleto todo à vista, são bonitas, harmoniosas e manifestamente saudáveis.]
Aquele musculado-depilado-bronzeado não pára de olhar em volta, porque precisa de ser visto.
[Este tipo de prototipo deixa-me nervosa. E falam alto, e fazem a comunidade saber que ontem não foram à praia, e hoje também ainda não, dando a entender que estão em síndrome de abstinência da manutenção do seu ar plástico.]
Coitado do jovem, tem a t-shirt tão suada e ainda agora começou. Terá problemas de sudação? Serão as hormonas? Digo-lhe daquilo do botox? 
[Claro que não digo nada. São as hormonas. E eu não sou mãe dele.]
Olha, aquela deu em chicotear o chão com um par de cordas pesadíssimas. Não pode com uma corda pelo rabo, quanto mais içá-las. Sou tão má. 
[Às vezes, os PTs arranjam exercícios tão inúteis quanto parvos. A mim ninguém me põe de gatas nem a dar pulinhos ridículos, quanto mais a agarrar duas cordas da grossura de uma jibóia e sovar com elas o pavimento. Mas isto, cada uma sabe de si.]

Imagino o que pensam de mim, em compensação. 
O que é aquilo?

6 comentários:

  1. é tão estranho ler o teu post, linda... há dias escrevi algo do género, depois de observar os outros, terminava perguntando-me o que observariam os outros em mim (ou se lhes seria invisível). às tantas, embrulhei-me de tal forma que eliminei tudo (já lá vai o tempo em que guardava todos os rascunhos ;)

    um beijo

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    1. Foi pena, flor, porque não vejo possibilidade de algum dia escreveres qualquer coisa que não seja publicável, mesmo que um "embrulho".
      Mas olha que eu penso muitas vezes nisso: sou invisível? Sou estranha? Sou o quê?

      Um beijo para ti, querida

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  2. Parei na parte em que falam alto e toda a vizinhança sabe o que fizeram ontem, no mês passado, há dois anos... Baixem o volume, bolas, é fácil!

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    1. Esse espécime ruidoso está um pouco por todo o lado. Valha-nos uma leve surdez selectiva...

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  3. E quero imaginarno q pensam os outros de mim...já eu faço tantoa filmes sobre os outros. Tenho tantas teorias jasus...

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    1. Eu não quero imaginar, Me. Metia-me na cama a ansiolíticos no próprio dia! :D

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