27/04/2015

A pouco e pouco, a vida volta ao normal e a gosma fenece

Até já fui ao ginásio. 
Ainda tenho o olfacto a meio-gás. Mas, por favor, nem me falem em gás.
É que, pese embora, fui agraciada com gás metano - uma coisa perfeitamente cósmica -, provindo do rabo maior que se encontrava naquela sala (ou talvez no mundo inteiro). Estive eu à espera, pacientemente, que ela acabasse o exercício - aquilo há-de ter um nome, tipo push and pull down, ou outra porra do género -, para fazer o meu, vai ela, desalicerça-se dali, e bumba.
Ninguém me dá o meu devido valor. Se eu persisto na insistência, devo-o à minha determinação e tenacidade para manter os meus mínimos olímpicos de beleza e tonificação.

Desculpem-me estar a começar assim uma semana, à queima-roupa, mas eu preciso de desabafar, e que melhor local do que este meu, para o fazer?
(Só me lê quem quer. Estais incomodadas? Turn around, pá)
Um confessionário? E há lá padres com guts - estômago, se quiserem - para mim e meus desabafamentos? Um ombro amigo? Qual ombro? Alguém atura uma senhora de idade, gira que dói, a babar-se-lhe e a ranhar-se-lhe nos enchumaços, que não seja a troco de (sei lá) tempo e intensidade nos dislates e desconchavos? E eu agora não tenho tempo, e falha-me a paciência para os desânimos dos outros, caguei que me chamem egoísta, olhem, eu não sou a mãe do mundo e a vida já me deu o que me chegue para me entreter. A caixa dos gritos? Ainda não arranjei uma de jeito, só me oferecem caixas de bombons em forma de coração. O espelho? O mesmo que me diz, todos os dias, És tu, minha rainha, que nem me deixa falar, mal abro a boca para lhe revelar Hoje preciso de conversar, tu escuta-me, animal, ele começa logo com aquele relambório Tão gira, como é que é possível, com essa idade, e ao fim de tantos filhos? Calar-me e remoer, prejudicando, assim, este doce, porém frágil, coração? Era o que faltava, ainda me dá uma travadinha, à conta de não poder desafogar na minha santa paz, que eu conto é comigo, não com Senhor nenhum. Eu, não. Já sabem que só continua aqui quem aguentar. Também não me vou alongar mais. Digo eu, agora que vou lançada.

Nos últimos dias, senti-me povina: sabem quando o povo diz "Já fui a uma data de médicos e nenhum acerta com o que eu tenho, quando eu sei que o meu mal está todo na cabeça"? Assim era eu, com toda a porcaria que transportava em redor do cerebelo. O povo diz muito estas duas coisas, para justificar que não trabalha. Infelizmente, a mim, em havendo o que fazer, ninguém me dá essa abébia.

Hoje afirmo, de peito aberto, que atiro, finalmente, com a gosma para trás das costas. Porém, não o faço literalmente, pois não aguentaria nelas o peso das litradas que produzi e expeli nos últimos treze dias, a escorrerem em direcção nem quero pensar do quê. Semelhante quantidade, já daria para encher um jerrican. 

Até já teria a quem oferecê-lo.
Mas a vida não é justa, pois não?

4 comentários:

  1. não, LP, a vida não é justa, nem no que a gosma diz respeito.
    boa semana.
    Mia

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    1. Nada justa, Mia. Não dá para perceber o critério de quem a distribui.
      Boa semana também, obrigada.

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  2. LP,
    Ia tudo tão bem !
    Agora esse final com " jerrican " ... partiste-me todo !
    ;)

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    1. Como assim?
      Era uma dedicatoriazinha...
      ;)

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