09/08/2016

Até quando o cheiro é mau, cheira bem — em Lisboa

O raiar do dia foi azul-cinza, assemelhando-se a nebuloso. E, no entanto, ou talvez por isso, esta pode ter sido a noite mais quente do ano. Ultrapassei-a numa luta entre a garrafa de água e o elástico que me amarrou o cabelo, empapado que já ia costas abaixo, almofada afora. Pratiquei uma alvorada mais escura do que ultimamente, era mais escassa a luz que me invadia o quarto, nariz e garganta a denunciarem fumo no ar, ar queimado de eucaliptos. Não preciso de ir ver as notícias para saber que, algures para os lados de Sintra, ardem árvores de boa saúde e bom cheiro. 

Lisboa tem cheiro de flores e de mar.

4 comentários:

  1. ardem...ardem...ardem, este cenário dantesco já não cabe mais nos meus olhos. tenho a certeza qu era possível evitá-lo, ou pelo menos, menorizá-lo, mas não vejo um diálogo concertado entre os diferentes organismos. sera que os bombeiros/ a proteção civil/ os ambientalistas/ não terão uma palavra a dizer sobre isto? e já a disseram, porq ue razão a ignoram?
    bom dia, Linda.
    beijinhos

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    1. sabes que é obrigatório por lei limpar as matas; sabes que limpar as matas fica muito caro e nem sempre os donos delas têm meios, nem financeiros nem humanos; sabes que o próprio Estado não manda limpar as suas; juntando estes factores todos, não é preciso uma tocha, um cigarro mal apagado, um fósforo. Basta um bocadinho de vidro...
      bom dia, Mia.
      beijinhos

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  2. Eu que vim ontem da região centro para baixo senti esse odor pelo caminho todo. :(

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    1. Não quero acreditar que haja tantas mãos crimonosas que ponham o país a arder de uma ponta à outra. Não pode ser "só" isso... :/

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