16/01/2017

Ela fala tanto # 11

O namoro começou há menos de duas semanas e já se deu o casamento. Ou o divórcio, conforme a posição em que as pessoas se queiram colocar, pois que, no fundo, vai dar ao mesmo. 
Disse-me, num belo dia de sol deste Inverno azul, que "A minha secadora morreu para a vida" (sic). Não liguei a importância que o tema de conversa poderia vir a ter nas nossas vidas, já que ela encadeia os assuntos uns nos outros, e pula, como de nenúfar em nenúfar, até atingir a margem, que é quando eu, exausta, viro costas e sigo (calada, que é para não dar azo). Chega mesmo a começar um assunto novo com a frase "Por falar nisso". (Antes essa que o conclusivo "portanto", que tanto de bengala serve a tantos.) (Mas continuando.) (Ela é faladora, eu sou prolixa.) (Também sói dizer-se pró-lixa, em vos aprouvendo.) 
No dia seguinte, mal assim encarou comigo, repetiu "A minha secadora morreu para a vida". Respondi-lhe, candida e funestamente, que já me anunciara a morte da máquina no dia anterior, porque eu sou parva, mas nem tanto, e percebi à primeira que era de olho na minha secadora que ela andava. Digamos que se deu conta que eu não a uso vai para dois anos, por detestar o cheiro com que a roupa de lá sai, tão-só. Mas eu sou ou não sou livre de ter a minha cozinha atravancada com um mono inútil, se for essa a minha vontade? (Até podia querer fazer daquilo armário de sapatos ou casota para as gatas, ou não?) Pelos vistos, não. 
Acontece que na minha casa se comem iogurtes a um ritmo que nem um bebé ao biberon, e, por esse motivo, nós fabricamo-los cá no lar. Sentimos, por isso, a necessidade de uma segunda iogurteira, já que aquela que temos não estava a dar vazão ao consumo dos ditos. 
(Estão a acompanhar, ou já se perderam? É que eu já.)
Bom.
Também acontece que ela frequenta um hipermercado que eu não frequento, por motivos geográficos, ou lá o que é, que tinha a iogurteira que as pessoas queriam. Então, pedi-lhe que me comprasse por lá uma e, por acasíssimo no mesmo dia, disse-lhe que lhe dava a máquina secadora de roupa. 
Veio buscá-la ontem, e trouxe hoje a iogurteira. Fiz-lhe a pergunta retórica (pensei eu), "Quanto é que custou a iogurteira?".
...
...
...
E ouvi a resposta intrincada...
...
...
...
"Tenho ali o papelinho, já lhe digo".


4 comentários:

  1. que histerismo, credo mulher, tenha lá calma, que a menina Blue, para além de se proclamar prolixa, acaba de se livrar de um real mono, que a senhora, pelos vistos cobiçava e foi, digamos, inteligente na abordagem, sem que, de todo, escapasse a ser caçada no subterfúgio. iogurtes? paletes? resmas? não há quem aguente. duas máquinas gémeas, agora, na laboração, imagino o susto que há de ter a Danone e congéneres.
    beijinhos, Blue. (prolixa) :)))

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    1. Eu só queria que a pessoa me oferecesse a máquina dos iogurtes, mas acho que não vai acontecer. Agora, por uns dias, não lha pago. Será esta a minha indirecta, a ver se ela ma cobra. Depois pago-lha e suspiro de saudades da minha secadora, no mesmo momento.
      Beijinhos, Mia :)

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  2. Acho que ao contrário da secadora , essa iogurteira te irá fazer rebentar o quadro eléctrico ...
    Não pagues ! Eu não pagava !

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    1. Ainda não paguei.
      O meu quadro aguenta tudo, acho que até carregaria um carro eléctrico com as máquinas e os computadores todos ligados. Excepção feita à torradeira que, de vez em quando, o estoira.

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