02/01/2017

Ano novo, boi novo

Ando em vias de ter boi novo.
Queria um Audi A1 (cor indiferente, mas podia ser branco, à manicure, ou à futebolista), ou um Mini Cooper encarnado (é claro que só podia ser encarnado, Benfica, sangue Rh -, a discrição, tudo a ver comigo), mas isto é coisa que não escolho sozinha, quase um cavalo dado, daqueles a que não se olha o dente, e este há-de trazer muitos cavalos, logo, muitos dentes, para os quais não pretendo olhar, e, portanto, recebo-o de braços abertos e as duas manitas no volante. E há-de ser azul, porque o mar é azul e é de azul que eu gosto.
Meu boi pede-me a reforma de há um ano para cá. Não pára de me arranjar motivos para o meter no estaleiro. Ora são as portas, quando as tranco por dentro, que já só abrem pelo comando da chave; ora é o depósito da gasolina que já não abre, a não ser que abra a mala e use das minhas parcas forças para, carregando na alavanca, abrir a tampa; ora é o forro do tejadilho que se descola; ora foi outro dia ter-me parecido que chovia lá dentro. Convenhamos: eu aguento tudo, as manchas de tinta que o cigano lhe tatuou e tudo, agora ficar com o cabelo à Choné só por causa da falta de isolamento de um automóvel, é que me parece demais. E aquilo não é um cabrio (embora pareça, sobretudo no ponto de embraiagem, méééééé).
No entanto, meu boi é-me tão caro, literal e metaforicamente falando. Está velho, mas, quem sabe se devido a uma característica genuinamente feminina, afeiçoei-me a ele, já não digo que como a um filho, porque a anormalidade tão vai lá tão longe, nem como a um animal, porque idem. Mas anda a custar-me a ideia de o abandonar como se ele fosse uma lata velha (errr). Por isso, já lhe arranjei melhor destino do que o do ferro velho (até porque ele é todo em alumínio, quanto muito iria parar ao alumínio velho): vai passar a ser o carro da malta, o que significa que, daqui a máximo dois anos, terá não uma, mas sim quatro condutores a puxar por ele — aos seus dezoito anos de vida, ou seja, quando atingir a idade maior. E, nos entrementes, terei para sempre comigo a miniatura do meu boi querido que, derivados do seu tamanho, cabe inteirinho no meu infinito, por elástico, coração.

  

4 comentários:

  1. venho só desejar um feliz 2017. é possível que já haja espaço aberto para este comentário, noutra data. é possível que ande atrasada em tudo quanto é votos de "tudo de bom". espero, mesmo assim, que o ano que ora entrou seja bom de viver e recordar.
    beijinhos, Linda.

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    1. Nada atrasada, Mia, acho mesmo que vieste, mas noutro post :)
      Eu é que estou em falta, que ainda não fui lá ao teu lançar foguetes :)
      Bom ano, querida.
      Beijinhos

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  2. Quem muda o novo "boi" ajuda!!! E se for dado...ó ó!
    que te traga sorte o novo ser de 4 rodas

    bom ano Linda

    :)

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    1. Obrigada, Moonchild.
      Tenho aquela coisa com carros cuja cor se possa confundir com o asfalto, mas o azul escuro é lindo, e já vem equipado com aquilo de os faróis se ligarem mal se liga o motor, por isso, se alguém não me vir, leva uma apitadela que acorda logo :)

      Bom ano!

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