22/12/2016

De uma peculiar capacidade para esquecer o que mais convém

Peguei no camião, andei com ele cerca de quinhentos metros e, numa inversão de marcha à esquerda, atirei com ele para cima de um muro passeio com cerca de vinte centímetros de altura (daqueles mesmo para evitar que alguém lhes estacione em cima, mas não que alguém se esmerde contra eles), e estoirei os dois pneus da esquerda. 
[Por falar nisso, outro dia aprendi que a palavra pneu mais não é do que a abreviatura de pneumático. Nada que agradecer, eu sou este poço de moça.]
Entrei em varas verdes, fiz as minhas calls, pedi socorro, chamei o técnico ACP*, que veio, desmontou o pneu que estava pior, pôs o sobressalente, diagnosticou as bolhas no outro pneu, a jante torcida (sim, que eu, quando as faço, faço-as em grande. Chiu), tudo rápido, tudo a demorar pouco menos de uma hora. Deu para acalmar das varas, então adeus, fui dali directa tomar uma bica. Diz-me o senhor do balcão assim para mim:
- Tudo bem com a senhora?
- Tudo excelente. Fora coisinhas próprias da época — respondi, com o anasalado dos adenóides que já não possuo —, tudo azul.
Naquele momento e nos demais que se lhe seguiram, pelo menos enquanto durou a chávena, nem me lembrei que tinha acabado de dar um prejuízo tão grande ao orçamento familiar. 
Está a ser bom, envelhecer assim. 


* NMPPI, mas ❤❤❤, 5 estrelas.

6 comentários:

  1. Linda, custa, mas enquanto for só chapa e muros! P:

    Bom dia

    :)

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    1. E pneus, neste caso... :)

      Bom dia, Moonchild

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  2. Vou pedir ao Pai Natal que te mande um trenó e o Rodolfo para dirigir as manobras.
    Nem vou dizer que é só borracha, eu sei bem o que esses rombos nos arrombam no orçamento.

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    1. E que me traga Ferrero Rocher e me deixe chamar-lhe Ambrósio :)
      É verdade. Ficava mais barato se tivesse partido os dentes, mas era muito pior...

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  3. :)
    feliz Natal, Linda Blue!

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