04/05/2016

Aquele momento em que alguém, não sabendo como te chamar, por desconhecer o teu nome, te chama...

Ó fininha!
E depois repete aquilo que parece música para os teus ouvidos:
Ó fininha!

Estacionei meu boi lá num recanto do parque de estacionamento, entre um muro e outro carro. Para a frente, uma rampa tipo abismo, um penhasco que meu boi não desce nem que o chibate, que ele vinga-se e rebenta-me um pneu. 
Não dei moeda ao meu amigo apedrejador porque ele não estava quando cheguei, nem eu tinha moeda nenhuma nos fundilhos dos bolsos que não tenho.
(A sério: quando mandava fazer blazers à medida, pedia sempre para que mos fizessem sem bolsos. E, quando os compro feitos, não descoso aquela linha que os fecha — não só não deformo os casacos com a mania que tenho de enfiar entulho das obras lá para dentro, como também não meto as mãos nos bolsos a toda a hora, que é tão sinal de frete.)
Pode ter sido por isso que ele permitiu que outro carro estacionasse atrás do meu, de maneira que, para o tirar, tive que fazer uma manobra quase contra o muro e literalmente contra o mercedolas merdolas de 1970, que havia de ser de algum amigo dele. Mas convenhamos: o pára-choques tem essa designação por alguma razão não muito oculta: é para ser usado na sua verdadeira acepção.
Mas vá que não consegui enervar-me muito com ele, pois foi no momento em que, ao ver-me surgir em direcção ao carro — e, se calhar, para justificar ou desculpar-se de me ter arranjado aquela situação —, veio a correr atrás de mim, aos gritos de
(Eu sei que já disse. Chiu.)
Ó fininha! Ó fininha!
E só porque à mulher de César não basta ser séria é que não parei a marcha e não perguntei candidamente: Siiiiim?
Por ofensa, ou por falta de melhor adjectivo, não me interessa: entre esta e qualquer outra pedra que ele tenha para me atirar, ele que atire esta, que está de bom tamanho.

(Pergunto-me o que chamará ele a uma mulher verdadeiramente magra.)
(Heh, quero lá saber.)
(Ó badocha!?)
(Hahaha.) 

6 comentários:

  1. Respostas
    1. tanta coisa que podia ter-me chamado, logo havia de se lembrar de fininha :)

      Eliminar
  2. Sabes que fininha também pode ser interpretado como esperta, viva...

    ...e o gajo, se calhar, teve um pai como o meu que usava esse tipo de expressões que caíram em desuso.
    E uma que o meu pai usava muito para se referir a uma rapariga esperta era "fininha como a prata"
    Portanto pode muito bem ter sido um mega elogio, páh!



    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Admira-te que ele se lembre de me ter ameaçado com uma pedra, e da forma como eu me escapei nesse dia...
      No outro sentido, "fininha", não me chamavam desde para aí a adolescência :)

      Eliminar