16/04/2018

Dúvidas que me assaltam à mão armada com alguma frequência # 5

Gostaria atrozmente que alguém me explicasse esta nova moda de andar na rua com o telefoninho deitadinho na palma da mão, e a falar na direcção da ponta de cá, que é aquela que fica mais próxima do pulso. 
Em tudo me lembra aquilo um reclame que dava no televisor quando eu era garotita (já não me lembro a o quê, mas não me chocaria se fosse a conservas enlatadas), que era o do beijo nos quatro dedos, depois estendidos para a frente, e, por fim, soprados nas pontas. Ouvia-se então uma vozinha cantada, que trinava "sex appeal!". 
Depois as coisas evoluíram, todas adquiriram um nome técnico, e a isto passou a chamar-se blowing kiss.


Assim anda actualmente o povo, com seus aparelhos em pose de sex appeal, ou, se preferirdes, blowing kiss. É porquê? Têm medo do cancro no cérebro (?), e acham que assim o evitam, preferindo não encostar o telemóvel à orelha? Falam para a mão, na verdadeira acepção da expressão? E como é que ouvem quem está do lado de lá da "linha"? Com auriculares? E não têm medo que o cancro no (tal) cérebro lhes entre pelo fio? Ou põem o interlocutor em alta voz? E nós, que estamos literalmente de fora, temos que ouvir o que se passa nestas vidas? Porquê? Não é precisa toda uma estratégia, cada vez que vão falar, ou alguém lhes liga, para ligar o fio, colocar o telemóvel naquela posição de equilíbrio precário, a ocupar uma das mãos (elas não são só duas?), e, assim, estabelecer uma conversação? De que é que falam? Quando a chamada termina, sopram o telemóvel? E ele cai? Isto um dia vai chamar-se blowing mobile phone? Qual é a cena?
Não consigo dormir.

6 comentários:

  1. Quanto a essa questão Hamletica, é para o lado que durmo melhor
    Mas posso dizer que são tendências, e tendo a dizer que há gente com tendência para o pouco tino!

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    1. Pois eu, ando para perder o sono (nunca o tino!) por tão pouco.
      Só queria perceber "a cena"...

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  2. Anónimo16/4/18

    Porque sim! As cenas não se explicam. Vivem-se. É a cena. Já parávamos de inquirir toda a vida e a sociedade em particular, não?
    Pah, é uma cena. Credo!
    M.Lopes

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    1. Era, pah. Credo!
      E fosga-se, Lopes.

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  3. É um fenómeno que também me intriga. Há aqueles que, não tendo auriculares, encostam ao ouvido para ouvirem, (naturalmente), tiram do ouvido, colocam na mão e falam para a mão.
    Acho muito complicado toda esta movimentação para falar ao telefone.

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    1. Exacto, Ana. Um destes dias pergunto a alguma dessas pessoas. Tenho que perceber a onda.
      No meu caso, seria a morte do telemóvel, e a minha fractura femural, com alguma dose de certeza!

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