31/05/2013

Eu agora fazia um post enigmático, daqueles que deixam a pessoa em agonia de curiosidade e a pensar que eu sou um poço de mistério. Ponto. No título e tudo.

Às vezes apetece-me mesmo gritar para dentro de uma caixa. Tenho que arranjar uma com esta imagem:


É que há coisas tão más, mas tão más, que os nossos olhos são obrigados a ver (a leitura inclui-se na visão, pode ser?) ou que os nossos ouvidos são obrigados a ouvir, que mais valia ir à casa-de-banho da senzala, como há bocado me aconteceu, cheirar-me à diarreia alheia como me cheirou, e snifar aquilo com gosto durante um bom bocado que, ainda assim, esta agressão cerebral, via olfacto, não seria tão corrosiva como algumas coisas que vejo, leio ou oiço. 

29/05/2013

Ando a deitar pérolas a porcos

Cá na senzala as mulas entenderam que já não estamos em época de beber chá. Textualmente, isto. Como se houvesse época para beber chá. Explicasse-lhes eu a metáfora com o chá que ainda precisam de beber e logo se punham a caminho da máquina, com o respeitinho que ela merece. OK, não bebem vocês, bebo eu, faço dose individual em vez de colectiva. Até que achei chato estar a gastar do chá da senzala e vai daí trouxe do meu casebre, já que era para mim e não fossem reafirmar a ideia de que já não estamos em época de beber chá, vulgo tu gastas o chá todo, vulgo dás prejuízo ao estaminé. Mas o tempo não melhorou e eu achei, armada em ingénua, que as mulas haviam de querer chá à força. Hoje avisei-as que ia fazer chá para todas, tudo abanou as fronhas que sim, e assim disse, assim fiz. Lá abordei a máquina nova pela primeira vez, qual forcado, meti-me nos cornos da coisa e correu bem. Pelo menos, não lhe rebentei com o jarro, nem lhe fritei os miolos. A seguir a servir-me, vão as mulas e deitam o chá DA RITUALS, que eu paguei com a miséria que aufiro, todo fora PORQUE QUERIAM FAZER CAFÉ. Olha, não gostei e protestei. Ouvi logo a porta-voz a cagar a seguinte posta:

Ó [título que não vos interessa] Linda Porca [that's not my name], não lhe disse já que já não estamos em época de beber chá?

Maria dos canos serrados

Nunca ninguém será capaz de verbalizar tão bem a raiva de uma mulher rejeitada quanto este génio, de seu nome Ricardo Adolfo:

E deixa-nos dizer-te que se não estás à nossa porta amanhã de manhã, ou seja, antes do meio-dia, assim que te pusermos as unhas em cima arrancamos-te os colhões pela língua e enforcamos-te no poste da luz com o intestino grosso.






Maria dos Canos Serrados é a história de uma moça de má rês que se torna pior ainda. Arredores de Lisboa. Maria, vinte e muitos, adora a igualdade de liberdades, o seu namorado gigolô, as noites intoxicadas com as amigas e a ideia de vir a ser directora. Mas, de um dia para o outro, vê-se desamada, despedida e falida. E, entre resignar-se ou virar a mesa, Maria decide acertar contas de arma em punho. Contada de rajada na primeira pessoa, Maria dos Canos Serrados é uma história desbocada, nascida da Grande Crise. Uma reflexão sobre a nova mulher, que não precisa de um Clyde para ser Bonnie.