25/11/2016

Segura a vela com a cabeça

Vocês não sei, mas eu preciso muito dos meus ouvidos para trabalhar. 
Já para o resto, nem tanto, tanto assim que tenho vindo a apurar o dom do ouvido selectivo, uma das muitas características que admirava e amava no meu pai. Confesso que ainda não o desenvolvi a ponto de só ouvir mesmo o que me agrada, dá jeito ou é útil, mas acho que vou no bom caminho. Digo isto, apesar de que outro dia estava no ginásio, atrás de mim formara-se uma concentração de musculados mais PT em profunda algazarra futebolística, que conseguia suplantar, em volume de som, as vozes, as máquinas, a música ambiente e o meu cérebro a fritar numa polme, e um deles largou um fod@-§e tão sonoro, que prontos, lá está: lamentei não ser surda ou, pelo menos, não ter ainda o meu ouvido treinado para seleccionar e eliminar determinados momentos da minha vida. Também não os posso silenciar, em sentido estrito, amandando-lhes com a Camorra.
A verdade é que me fazem falta os ouvidos todos, quer o direito, quer o esquerdo, quer o interno, quer o externo. 
Ora, se há característica que herdei de alguém, é a da fabricação de cera, que eu palavra que já estive para me fazer de oferecida para uma fábrica de velas. No entanto, e uma vez reconhecida a necessidade do sentido da audição, para o bem e para o mal, há que manter os ouvidos limpos. Só que os métodos de limpeza do ouvido são chatos e nem sempre eficazes. Há pouco tomei conhecimento de um, assaz peculiar, todavia amplamente eficaz, e isto sei-o porque já o experimentei na primeira pessoa do singular: o da vela que se enterra orelhas adentro, se acende com um fósforo e depois cada um faz o que quer. (Canta os parabéns à pessoa que tem a vela a arder na tola, simula o som da explosão de uma bomba, vai buscar a taça das pipocas, convencendo o desgraçado que a dele fritou mesmo, etecetera.)
Mas a sério: isto 

é o método mais infalível e poderoso de limpeza do ouvido, é absolutamente seguro e higiénico, compra-se no Celeiro* e custa para aí 7 euros. Cada caixa traz duas velas, para o caso de terem duas orelhas. 

* NMPPI


14 comentários:

  1. Isso é a gozar... certo?

    O que é NMPPI?

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    1. Não, é muito sério!

      É uma espécie de selo que eu ponho, de cada vez que refiro uma marca: "Ninguém me paga para isto", para que não restem dúvidas de que não estou a ser paga para as referir.
      Também uso o NMPPMC, que é "Ninguém me paga para me calar" (quando estou a dizer mal).

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  2. Oh Meu Deus!!! É mesmo a sério!!!
    Fui ao meu amigo Google, existe mesmo!!!
    Tu enfiaste uma vela na orelha????????????

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    1. Sim. Duas velas, nas duas orelhas...

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  3. Anónimo25/11/16

    Ahaha! Eu sei, é estranho e a primeira vez que vi essas velas até me arrepiei, mas conheço quem as use há anos com resultados eficazes (e não duvido, de todo).
    Quanto ao ouvido selectivo, também me dava jeito, mas então...ainda não consegui.
    Bom fim de semana
    Paula

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    1. Aquilo é excelente. Fica o ouvido limpo, passamos a ouvir o que não queremos, e a vela fica lá com o cerume todo.
      Eu também ainda não, mas já me faço de mula para muita coisa que não "tô nem aí"...
      Obrigada, Paula. Para ti também.

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  4. Eu sofro deste problema e tenho-o resolvido indo ao otorrino.
    Mas hei-de experimentar as velas :P

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    1. Fica mais barato, podes fazer mais vezes sem ter que esperar pela consulta, e sai-te a rolha na mesma :P

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    2. Mas o que é que a vela faz afinal? E como é que a rolha é puxada para fora?

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    3. A vela, na verdade, é um cone de um papel que não arde rapidamente, tipo papiro. Arde até ao anel de segurança e depois, quando se desembrulha a parte que não arde, está lá dentro o bocado de cera que o ouvido tinha antes.

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    4. Uaaaaaaaaa....it's.....it's......magic :P

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    5. It's Christmas time! :P

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  5. Tomei conhecimento dessa invenção da mesma maneira que tu. Esperei pacientemente e arregalei os olhos de surpresa perante a magnífica bola de cera que saiu do ouvido da tua mai' velha. Nojento mas fascinante.

    Repeti a experiência com a minha progenitora, que andava moca que nem uma porta. Lá lhe arranquei 2 bolitas de nhaca (não se comparam com as da M.) e a senhora já ouve tv em volume normal. Precisava agora de fazer isso na minha pessoa, mas a minha mãe diz que tem mão incerta e que receia pegar-me fogo à crina. Pelo sim, pelo não, fico-me pelas cotonetes (cotovós, como lhes chamo. Coto-netas....coto-avós... esquece, não jogo com o baralho todo)

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    1. Hahaha! Cotovós? :D

      Pede à M., que ela te faz isso, tem umas mãozinhas de fadinha. Foi ela que me fez, e eu, nos pânicos de queimar o cabelo e tereréu, correu tudo às mil maravilhas.
      As cotonetes, às vezes, empurram mais a cera para o tímpano. Aquilo, não, como viste: ssssshhhhh- suga!

      (A mim faltam-me sempre os jokers!)

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