06/05/2014

O meu bilhete de identidade vai expirar e não há nada que eu possa fazer contra isso

Preciso de renovar o cartão de cidadão. Ou melhor, vou deixar de ter bilhete de identidade e passar a ter CC. Sei, por ouvir dizer, que as filas são de horas e dias à espera. Que passam as grávidas, as portadoras de crianças ao colo, os deficientes e os velhos, deixando os desgrávidos, sem petiz, intactos e ainda não velhos ainda mais para trás da vez que alcançaram madrugando naquele dia. Não admira que toda a gente fique mal na fotografia, literalmente.

(No meu tempo, toda a gente ficava mal na fotografia porque as máquinas eram Fotomaton [olha, googlem. Eu não sou vossa mãe, estou farta de fazer tudo nesta casa], aquele infalível método que passava toda a moça serrana e corada das faces para tons de amarelo e castanho. Depois vieram as fotos "tipo passe" a cores, em que toda a gente passou a ficar mal porque... eu não me vou dar ao trabalho de explicar por que é que há pessoas que ficam mal em todas as fotografias. E calem-se com essa merda da fotogenia, que isso só serve para sossegar os coirões).

Então, dizia eu: já que o meu cc dura e dura, como uma pilha Duracel (ninguém me paga para isto), entendi por bem que só vou lá quando estiver com o cabelo giro. Não vou andar dez anos, ou sei lá se vitaliciamente, com uma fotografia minha, gira, e de cabelo de merda. Também não quero ir para a Loja do Cidadão, ou para outro recinto qualquer onde me façam o cc, passar uma temporada. Até porque, com os nervos, o meu cabelo, que pode estar no seu melhor dia do ano, esmerda-se todo. Então, pensei em marcar a data, através do número 707 20 11 22 (que tem uma assustadora aproximação com uma parte da minha data de nascimento) para um dia qualquer em que, previsivelmente, o meu cabelo estivesse giro. E tem que ser até ao dia 16, que é quando expira o meu BI. Consultado o boletim meteorológico (não estar a chover nem estar vento é condição sine qua non, já bem basta o que aconteceu com a foto do BI actual, tirada após sprint em saltos altos na avenida Almirante Reis), feitas as contas aos dias de lavagem capilar, equacionadas todas as possibilidades de estar mais ou menos bem dormida (até com essa porra o meu cabelo se ressente), promessa feita de ir com o ar condicionado desligado (a minha fibra ressente-se, tá?), assentei cerca de dois dias e vai de ligar para o 707 a dar as datas. 

Diz a gravação que o tempo de espera é superior a quinze minutos e aconselha-me a ligar mais tarde. Tempo de espera para ser atendida pelo telefone. 

O melhor é ir falar com a vizinha do lado. Vou à Loja do Cidadão no dia em que o meu cabelo estiver giro. Ela que me alugue a gritona da filha

2 comentários:

  1. Levar a gritona parece-me um bom plano!

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    1. É o único, nem sequer é o plano B. É A, mesmo!

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