Antes de fazermos uma breve passagem pelo fogacho que foi a igualmente breve estadia daquele "casal" que saiu em primeiro lugar do programa - Lídia e Francisco - e outra por este outro que acabou de entrar, vamos só dar uma vista de olhos ao par rapariga nervosa e surfista, que atendem pelos nomes de Eliana e Dave.
Dave, o ópá
O Dave tá-se bem. Por alguma razão inalcançável para os meus parâmetros, assim que viu a Eliana a chegar ao "altar", ficou fascinado. A única explicação que encontro para o facto foi o facto de Dave ter ido apanhar umas ondas minutos antes daquele momento, e ainda estar com a adrenalina e a pica em alta [hahaha, adorei esta expressão, um bocado atrevidota], aloha, poha, que gaja tão boha. É que o cascaense e a caldense têm níveis subaquáticos a ver um com o outro, daí que a relação esteja a dar uma caldeirada cheia de cascas. [Pumba, detonei.]
Carácter: Dave não entrou no esquema dos casórios para ficar. Ele foi apenas lá ver como é que paravam as modas, arranjar uma companhia porreira, curtir uma muita nice por um coche, fazer bué skills, e depois, ópá, logo se via, meu, tás a ver? Mas ela não, ela não permite que a relação evolua, parece que está sempre a querer receber antes de dar, e eu estou a ficar farto, pá.
Físico: Cabelo. Só cabelo. Crista, portanto, como nas ondas. Uma pessoa olha para o Dave - enorme, louro, giro, bons dentes, bem falante, apesar da fábrica de pás - e só vê cabelo. Há qualquer coisa de muito perturbado e perturbador naquele cabelo. Muita onda, muito wax, muita cor aberta pela conjugação da cera com o sol. No cômputo, o Dave é demasiado boa onda e areia a mais para a praia do oeste que é a sombria Eliana.
Eliana, a abstinente
A pobre Eliana está permanentemente em abstinência por um cigarro. É uma aflição assistir às crises e conflitos que arranja, só porque não a deixam dar umas passas. Implica porque o homem está a sorrir, implica porque, ao acordar, o homem está demasiado acordado, implica porque o homem existe. Quando presta aquelas declarações para o espectador, está sentadinha, vidrada no teleponto, de respiração suspensa, exactamente como se tivesse acabado de dar uma passa e não quisesse que o fumo lhe saísse pelos dentes e pelas narinas. Apelo à produção e ao homem: metam-lhe lá a chucha na boca, que a mulher vai fazer uma birra em 4, 3, 2...
Carácter: Uns nervos. A Eliana é, assumidamente, nervosa e não se vai tratar. A solução que arranjou para os seus problemas de relacionamentos, foi, precisamente, e como boa neurótica, arranjar mais um problema, através de mais um relacionamento. É claro que, derivados àqueles nervos todos, o arranjinho com o Dave vai estourar pelos alinhavos, ópá.
Físico: Magra demais, uma cara sem pinta nenhuma (olhos em tensão, nariz em tensão, boca em tensão), um cabelo que podia ser, mas não é (qual é a cena de pentear aquilo tudo para trás, pá?). Tonificada. Aliás, tonificadíssima, quase a níveis profissionais. Imagino que será o resultado de estar sempre tão tensa: os músculos, simplesmente, são o reflexo de tanta ansiedade. Talvez um relaxante lhe fizesse bem. Não confundir com laxante, senão a rapariga desaparece. (Também não se perdia grande coisa.) (Por ser pequena, era nesse sentido.)