04/08/2016

Na senda de "Sou só eu?"

Sou só eu que faço apostas absurdas comigo mesma, e promessas a mim própria?
(Eu, e a Maria do "Música no coração", que prometeu/apostou/perguntou a Deus se estava de acordo com o casamento com o Trapp se ele pintasse a casa de amarelo.)
Por exemplo, vou retirar uma palhinha do dispensador, fecho os olhos para tirar ao calhas, aposto "se me sair a azul, é porque ela vai recuperar depressa" (tudo assim, muito inconsistente, depressa é tão vago que fico na mesma  mas defendida, para o caso de "falhar": se não for depressa, que seja devagar, mas que recupere), depois sai-me a palhinha azul e faço um yes mental. E bebo o néctar toda contentinha.

Renascer

Cada um tem o seu jardim secreto  maior, mais luminoso, materializado num recanto do Planeta ou apenas materializável na imaginação , há um espaço que nos pertence, que sai das fronteiras do perímetro mínimo de sobrevivência que ocupa o nosso corpo.
O hospital tem um jardim, onde é preciso, de vez em quando, estar.
Ouço os eucaliptos, silenciosos, bebo-lhes o cheiro, inebriante, mas é debaixo do enorme pinheiro manso que sinto a mansidão apaziguadora do regresso da paz. Aquela árvore é uma mulher enorme, de braços gordos e abertos, que, não podendo pegar-me ao colo, me recolhe na sua sombra maternal e me recobre de forças novas.
Do sítio onde me encontro abrigada, vejo a janela do quarto dela, sei-a a dormir como naquele berço de há tão poucos anos, e deixo-me ficar mais um pouco, a sentir o cheiro a bebé novo que nunca mais me sairá dos sentidos. Ainda assim, não quero ter saudades desse tempo, por não desejar que ele regresse. Carrego em mim, não todos os sonhos do mundo, mas umas olheiras muito carregadas. Não quero chorar de alívio, por saber que, se o fizer, todo o pânico e toda a angústia dos últimos dias virão em cascata por mim afora. 
A hora da vontade de voltar a subir chega de repente, há um sobressalto que me avisa e ordena, desordenada que estou. Ainda não consigo passar a portaria e dizer "mãe da Maria", sem que o coração me dispare em todos os sentidos, como um bandido encurralado e aflito. 
Renascemos, ambas. E esse parto, como todos, é doloroso, mas necessário e inevitável.

A sério, pessoas?

Deste lado da barricada, só me apetece dizer o que se diz quando há um acidente de automóvel em que o carro vai para a sucata e ninguém se magoa.
É só chapa!
(Ah, e ganhem mas é juízo!)



03/08/2016

Nunca mais vou dizer mal dos telemóveis e seus malefícios sociais e porras

Imagine-se um adolescente numa situação extrema, que o coloca entre a vida e a morte.
Imagine-se o momento em que o telemóvel lhe é entregue, e, com ele, lhe é devolvido o acesso ao bando, isto é, ao Mundo.
Imagine-se a correspondência às melhoras de saúde que isso significa.
Alguém tem coragem de tirar a chucha a um bebé doente?