Já comprei a prenda. Por acaso, comprei uma coisa que dá uma trabalheira do genital a quem a recebe, que é uma daquelas caixas com escapadinhas românticas e aventuras várias. Aquilo, só para conseguir marcar, é uma cegada que quase leva o povo a desistir, e não será por acaso que tem uma validade de dois anos. Ainda andei indecisa entre o salto de pára-quedas, a aula de surf em grupo ou outra coisa qualquer ainda mais erótica, mas meti-me um chip com um máximo para gastar e deu um jantar a dois, que será romântico se eles quiserem, e eu desejo fervorosamente que sim.
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| Arranquei o preço porque sou uma pessoa que recebeu uma educação extremamente diferenciada e sei das coisas |
Entretanto, ligou-me uma excitada daquelas cuja vida social se resume a casamentos e baptizados, e que um aniversário não infantil é a coisa mais divertida em que vai participar nos próximos três anos, dando-me conta de que vai haver uma desgarrada. Já aqui a parva de serviço perguntou assim: "Mas vão soltar alguma vaca?", pois que confundiu, assim muito de repente, desgarrada com garraiada, e já estava a ver-se metida em trabalhos e a não poder calçar salto alto para a ocasião, ó-pernas. Após breve esclarecimento, comunicou-me a outra que devo preparar uma quadra que encaixe na métrica de "Ó rama, ó que linda rama", uma vez que os felizes contemplados (palavras dela, no pico da excitação) — e eu fui-o (claro...) — com tal tarefa vão cantar, aí sim, à desgarrada. E lá vou eu.
Falha-me a imaginação, escasseia-me a vontade de pensar em qualquer coisa que não envolva a sigla NIB, ou então a expressão número de identificação bancária, pelo que me pus a ensaiar o que me veio à cabeça, e é isto que levo.


