Já uma vez me queixei aqui do facto de as minhas coisinhas serem "descontinuadas". Ele foi o perfume de toda uma vida, ele é um creme que a marca funde noutro, ele foi o rimel. Neste caso, foi mesmo a marca que deslizou para fora do país, acho que porque não atingia objectivos mínimos de vendas. Acho eu, ninguém me disse, mas eu também posso criar as minhas próprias teorias.
O sexy black - pronto, caraças, agora não me ocorre o resto do nome, e não me apetece levantar daqui para ir ver, mas vai numa continuação de hard cores ao estilo "long lash queen" qualquer coisa, porque isto de pôr rimel só uma gaja de bordel (não, a sério, atentem nos nomes dos rimeis e depois falamos) - dizia eu, o sexy black é o único que me põe as pestanas a bater nas sobrancelhas sem ficar a parecer uma drag, mas a assemelhar-me o mais possível à Scarlet O'Hara, só que em bom. Ora, uma pessoa que não vai para nova enche-se de taras, manias e teimosias, e foi assim que, ao sabê-lo "descontinuado", dei largas ao meu sentido prático e encomendei-o pela net. Se até em Espanha, que é já aqui ao lado, o sexy black existe, quem sou eu para andar a pôr outro qualquer no lugar dele se o posso alcançar com dois cliques?
Tive o cuidado de escolher um site com a extensão pt, reparem. O meu objectivo, nestas aventuras, é sempre acertar na União Europeia. Já sou demasiado conhecida na alfândega e não é nenhuma alegria lá ir. Então, mandei vir da Fragrâncias e Cosméticos, portuguesa em tudo menos no português, que é tão mau que me devia ter logo saltado a pulga da orelha. Mas a vontade de ter o sexy comigo e a consciência de que se escreve tão mal por essa net fora, levaram-me ao duplo clique. Passados cerca de 20 dias, o que é demasiado para qualquer encomenda que venha do próprio país, recebo a cartinha da alfândega para ir levantar o rimel. Proveniência: Suécia. Eu a puxar dos parcos conhecimentos CEE que ainda me sobram de outras vidas (em que a Europa era a Europa dos seis, dos nove, dos doze) e a afirmar-me "Porras, mas a Suécia faz parte da UE!". E com este pensamento me dirijo à alfândega. E do pensamento faço palavras (sem o porra) e das palavras nasce a luz, sob a forma de resposta: "A Fragrâncias e Cosméticos está sediada na Suécia, mas manda vir tudo de Hong Kong. E quem paga as taxas alfandegárias não é o intermediário, e sim o consumidor final. A senhora tem sorte [olá se tenho, migue] porque não atinge 41 euros. Tudo o que seja para lá de 41 euros paga direitos".
Pá, mas tive que me deslocar à alfândega, fazer figura de candongueira, traidora da grande pátria que é a União, tia desocupada que vai levantar um rimel, fora a chatice de ir lá para os Olivais e não existir, de todo, lugar para estacionar. Olha agora, e se, em vez de um, tivesse encomendado dois rimeis? É que atingia os 41 euros! Os suecos e os chinas levavam comigo que até se consolavam. Isto não se faz. A sorte deles é que ando feliz com as minhas mega-pestanas e já me farto de ser a maluquinha de serviço que escreve nos livros de reclamações todos do mundo, on line ou on caderno, mesmo.