Sabem? Aqueles assuntos que
destravam a língua nas situações em que não pode existir um espaço de silêncio, ou uma falta de assunto tal que — assim como me acomete no blog, amiúde e cada vez mais frequentemente —, se torne embaraçoso/incomportável/trágico para os presentes?
A mim acontece-me, mas ao contrário, e também cada vez mais frequentemente e com maior intensidade. Ou porque estou a ficar mais frágil, a cada acometida. São momentos de grande tensão cerebral, aqueles que sofro, e que talvez expliquem por que é que estou a perder qualidades, estéticas incluídas.
Nos últimos tempos, por contingências cá minhas, tenho vindo a lidar com pessoas. Essas pessoas primam, genericamente, por soltar frases ou modalidades (olímpicas) de dizer as coisas que me deixam KO ao primeiro round. E depois fico ali, a tentar recuperar do choque, desatenta a tudo o resto que tentam transmitir, porque lá está: bloqueei. Parou-me a boneca.
Vai de exemplos, senão ainda passo por exagerada, ou, pináculo, mentirosa:
Isso ia ser conectado como uma falta de educação — conotado, conotado, conotado, conotado... fsssh, um choque.
Na actual conjectura económica — conjuntura, conjuntura, conjuntura, conjuntura... fsssh, outro choque.
Se eu manter — manter? Já de volta para o primeiro ano do ensino básico. Fsssh.
As pessoas têm a fobia de ganhar muito dinheiro facilmente — talvez euforia, fsssh.
E depois descoram os pormenores — ficam... sem cor. Fsssh...
O facto de vermos para aqui dizer que... — verbo vir. Não o temeis, ele é pelo bem. Fsssh!
Temos que despejarmo-nos de preconceitos — e de roupa, não? E de tralha? E de lixo? Fsssh.
Isso despulta uma situação — através do recurso a uma catapulta? Fsssh.
Trata-se do revés negativo da medalha — é como os pólos da pilha (de nervos em que uma pessoa fica, fsssh!)
Criamos-vos as condições — ou talvez criamo-vos uma (des)carga de nervos com este linguajar vernáculo.
Fsssh.