13/05/2016

Raciocínios esdrúxulos que eu faço, e depois não sei se me arrependo

1. Na terça-feira, o Euromilhões saiu em Fátima;
2. Fátima fica em Portugal;
3. Eu sou portuguesa;
4. Era um jackpot;
5. Hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima;
6. Nossa Senhora de Fátima é portuguesa;
7. Hoje é sexta-feira-13;
8. O 13 é o número da sorte no Totobola;
9. Não percebo nada de futebol;
10. Isto pode ser um sinal para eu ir jogar no Euromilhões.

[Jogo.]

1. Isto foi um sinal para mim e mais dez milhões; 
2. Não, talvez não — 9.999.999, tendo em conta que o outro gajo lá de Fátima não deve ter jogado hoje;
3. Menos um para baixar as hipóteses.

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 40



Primeiro, foram os pyrexes, depois os descontos, agora os Angry Birds. Titio não se cansa de fazer de seus fregueses uns coleccionadores de cromos, uns grandes cromos. 
Por cada 20 euros de compras, arriscamo-nos a receber agora um selo que, juntamente com mais outros 20 e ainda a módica quantia de € 2,99 (como me irritam os preços psicológicos...), dá direito a nada menos do que um peluche dos pássaros zangados! Muito rapidamente, no final de uma acumulação de despesa de 400 + 2,99, teremos um pássaro estúpido em casa! Não é bom? O melhor de tudo ainda é o facto de serem logo dez, pelo que, se quisermos usufruir da colecção toda, desembolsamos € 4.029,90 na casa do Tio, e zás, é a passarada zangada toda cá em casa. 
E perguntam vocês, nada incrédulos: 
- Mas olha lá, tem lá calma: isso é boneco interactivo, certo? Fala connosco, canta melodias, dança o french cancan, faz chichi, pede óó, verte lágrimas, é cosido a ouro...?
Não, maravilhas, nada disso. É um peluche. Do tamanho de uma melancia. Cheio de fibra de vidro lá dentro. Nem para almofada de praia o mono dá. Ainda por cima, está sempre zangado. 



Dúvida: invisto todas as minhas sinergias para ter um dos porcos, ou prefiro uma das passarinhas?
Blue escolhe o azul, LP um porco?

12/05/2016

Desbloqueadores de conversas

Sabem? Aqueles assuntos que destravam a língua nas situações em que não pode existir um espaço de silêncio, ou uma falta de assunto tal que — assim como me acomete no blog, amiúde e cada vez mais frequentemente —, se torne embaraçoso/incomportável/trágico para os presentes? 

A mim acontece-me, mas ao contrário, e também cada vez mais frequentemente e com maior intensidade. Ou porque estou a ficar mais frágil, a cada acometida. São momentos de grande tensão cerebral, aqueles que sofro, e que talvez expliquem por que é que estou a perder qualidades, estéticas incluídas. 
Nos últimos tempos, por contingências cá minhas, tenho vindo a lidar com pessoas. Essas pessoas primam, genericamente, por soltar frases ou modalidades (olímpicas) de dizer as coisas que me deixam KO ao primeiro round. E depois fico ali, a tentar recuperar do choque, desatenta a tudo o resto que tentam transmitir, porque lá está: bloqueei. Parou-me a boneca. 
Vai de exemplos, senão ainda passo por exagerada, ou, pináculo, mentirosa:

Isso ia ser conectado como uma falta de educação — conotado, conotado, conotado, conotado... fsssh, um choque.

Na actual conjectura económica — conjuntura, conjuntura, conjuntura, conjuntura... fsssh, outro choque.

Se eu manter — manter? Já de volta para o primeiro ano do ensino básico. Fsssh.

As pessoas têm a fobia de ganhar muito dinheiro facilmente — talvez euforia, fsssh.

E depois descoram os pormenores — ficam... sem cor. Fsssh...

O facto de vermos para aqui dizer que... — verbo vir. Não o temeis, ele é pelo bem. Fsssh!

Temos que despejarmo-nos de preconceitos — e de roupa, não? E de tralha? E de lixo? Fsssh.

Isso despulta uma situação — através do recurso a uma catapulta? Fsssh.

Trata-se do revés negativo da medalha — é como os pólos da pilha (de nervos em que uma pessoa fica, fsssh!)

Criamos-vos as condições — ou talvez criamo-vos uma (des)carga de nervos com este linguajar vernáculo.

Fsssh.

11/05/2016

And that awkward moment # 12

Em que estacionas o teu carro, na rua onde moras, num lugar improvisado — conceito que os moradores e, em geral, todos os automobilistas da cidade de Lisboa conhecem de sobra —, e está uma pessoa a observar a tua manobra e a descontra com que sais do carro. Então, abana a cabecita negativamente, em sinal de reprovação, quase a ouves fazer tssc-tssc,
...
...
...
...
enquanto o cão dela defeca no relvado que até pertence à paisagem do teu prédio, da tua rua, da tua cidade, do teu mundo.