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16/12/2016

E o que responder ao cosmos

quando ele nos agracia com uma bela gripe no primeiro de três dias de férias que acabámos de nos dar, após três semanas de intenso trabalho, que até a porcaria dos feriados e dos fins-de-semana nos levaram, como o vento da outra? Hã?
Eu sei a resposta certa: as melhoras, pá!
Adorei acordar com tudo a doer. Completamente tudo. Dói pestanejar; dói virar a cabeça para um lado; também dói virar a cabeça para o outro lado; dói o cabelo, quando o ajeito (cerca de 7892 vezes por dia — nunca está alinhado); dói existir.
Porém, havia que rechear a árvore, tal e qual um peru de Natal, pois, com isto tudo, vai-se a ver e não tinha adquirido uma única prenda (excepção feita a uma para mim, que, tal como o ano passado, foi a primeira e, durante muitos dias, a única que comprei, e também, tal como nesse outrora, trata-se de um livro do meu querido Mário Zambujal, que eu amo forever end ever).
Isto como uma desgraça nunca vem só, nove graus centígrados em Lisboa, uma chuva de água fria que não se percebe, mas vai de enfrentar o shopping, logo assim pela fresca. 
Eu sou uma pessoa muito corajosa e ninguém me dá o meu devido valor. Devia enfiar-me na cama, a gemer e a solicitar que me levassem caldinhos à cabeceira, à gajo. Ao invés, fui fazer as vezes de Mãe Natal, toda a ranger e a latejar, mas quem me viu não diria que me dói tanto tudo que nem me sinto. 
Nem sei por que é que iniciei este post. Já devo ter fritado o neurónio sobrevivo. Acho que vinha cá só contar que entrei na FNAC e cheirava intensamente a comida. Então, para meu pequeno espanto, verifiquei que, a meio da sala, se encontrava uma senhora a cozinhar qualquer coisa cheia de alho. Eu já sabia que a FNAC é aquela livraria com secção de papelaria que, ah, afinal também vende gadgets, ah, espera, também lá há computadores, e televisões, e cabos e fios, e jogos electrónicos e jogos de tabuleiro, e puzzles e gomas e bonecas e t-shirts e canecas. Hoje fiquei a saber que a livraria FNAC também vende robots de cozinha. O meu reino por ver a livraria FNAC começar a vender máquinas de café. Oh, wait, fiquei sem reino. Quero o meu cavalo.

04/12/2016

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 46

Ponham-se no meu lugar.
Estava eu na fila para pagar, num desses supermercados da vida. Era uma caixa de pagamento rápido, e a vez seguinte era a minha. Imediatamente antes, encontrava-se um senhor a proceder ao pagamento de inúmeros géneros, tantos que encheu um daqueles sacos que se inventaram para levar tudo junto — desde o bacalhau ao champô, passando pelo enlatado e o atoalhado —, e ainda lhe sobraram coisas (ou faltou espaço no saco). Era, manifestamente, alguém que não percebeu parte da expressão pagamento rápido.
Exasperada, lembro-me vagamente de lhe ter desejado um pequeno mal, qualquer coisa que o fizesse mancar-se do transtorno que estava a provocar a tanta gente por se ter metido na caixa errada. E eis senão quando, qual cereja no topo não sei de quê, lhe cai das mãos uma caixa de tomate cherry. Foi vê-los rebolarem pelo chão de toda a área das caixas de pagamento rápido, pareciam mesmo azevinho, e pode ter sido por isso que até se me deu um interior momento musical, já que a minha jukebox mental tauteou Ai, que magia tens Natal | Que minha aldeia vens lembrar | Um pinheiro a jorrar de neve | A brilhar, Natal | Branco e sempre igual. Devo ter, por esse motivo, ficado imbuída do espírito, pois que equacionei a possibilidade de me meter na apanha do tomate para ajudar o senhor, mas vá que me lembrei a tempo de que estava de saias e então não me pareceu lá grande ideia. Mas, para me provar exactamente que eu não sou única no mundo, ao contrário do que às vezes penso, surgiram do nada duas voluntárias — ambas de calças —, que começaram a apanhar tomatinhos cherry, tão chéries, e a entregar a seu dono. No final da jorna, há uma que, com dois tomatinhos na mão, no momento em que os foi entregar ao senhor, senhores, lhe disse assim: 
- Depois tem que os lavar.
...

O que é que vocês fariam no meu lugar?
Fica o desafio.

26/12/2015

Vamos lá, que já é dia 26, e a sorna acabou

Vocês, não sei, mas eu, por mim (e um nico por vós), vou para o ginásio. Começa hoje, oficialmente, a Operação de Combate ao Biquíni Flácido.
Preciso de queimar a rabanada.
E os muitos sonhos.


25/12/2015

A desilusão retumbante, ribombante e ressonante deste Natal

Ao contrário dos trinta anteriores, este ano não se ouviu, por todos os lados e mais algum, o mega hit Last Christmas, nem na voz do George, nem em nenhuma outra. E, parecendo que não, fez falta. Eu senti.
Estou aqui para colmatar essa falha, a todos os níveis. Para tanto, deixo a minha versão favorita, à laia de prenda no stiletto. Cá beijinho e votos de um dia feliz.

24/12/2015

Só me resta desejar-vos

uma consoada consolada.
Sem espinhas.
(Tits.)
Eu, por mim, estou presa num elevador, ao nível de um quinto andar. Podia ser pior (podia ser um décimo).

As fadas do Natal

Em passeio pelos natais alheios, mais uma vez me apercebo de que nem o estereótipo da avó como figura dominante do Natal da infância tive. Nos meus natais havia duas tias, trezentos quilómetros separadas uma da outra, ambas irmãs, uma materna e outra paterna. 
Nasci já só com uma avó, portuense por usucapião do casamento, mas barcelense das costelas todas. Era no Porto que o Natal acontecia, o que me levou, até ser mulher, à ilusão de que o resto do país não comemorava o Natal. Quando chegávamos, a casa da minha avó cheirava a rezina e canela, à madeira que ardia na lareira da sala, aos móveis acabados de passar a óleo de cedro, a açúcar em ponto de rebuçado, à couve e ao bacalhau, à lã das camisolas grossas e dos cobertores de papa que era preciso agasalhar por aqueles dias. Esta alquimia era processada pelas mãos de fada da minha tia, que instalava e alimentava treze pessoas em casa, e só não à mesa porque a minha avó, supersticiosa, se sentava apenas quando a décima-segunda pessoa se levantava — o que não a impediu de ser a primeira a morrer, de todas as treze que lhe habitavam os natais. 
A minha tia comemorava o Natal amarrada a um fogão e presa a panelas maiores do que ela, metaforicamente falando. Nessa época, como agora, não havia mil criadas para tudo. Isto, porque havia novecentas e noventa e nove que não existiam, e uma que, pelo insondável motivo de ter igualmente família e não pertencer a nenhuma religião alternativa, folgava também por esses dias, quem sabe soldada de e a outro fogão, comandando o ritual de fuzilamento e assadura de um condenado peru. 
[Gabriela, cheiro de cravo, cor de canela.]
Ao contrário, a minha tia tinha um avental de algodão cheiroso, que concentrava o cheiro da canela, e eram da cor do cravo as mãos dela, quando saía da cozinha, e se sentava à mesa, para tomar a refeição. Tem graça que, agora que penso nisso, não me lembro de a ver comer. Lembro-me só dos olhos, muito pretos, cheios de água pelo brilho do calor do fogão — ou seria da felicidade?
Os homens conversavam à mesa e fumavam charutos especiais, porque eram dias de festa. 
(Ninguém se lembra que os homens não se moviam, a não ser para levar o garfo ou o charuto à boca.)
Mais tarde, quando os natais se transportaram para Lisboa, trouxeram com eles também a figura da tia ao fogão, no corpo de outra tia, tão minha quanto a do Porto. Usava igualmente um avental cheiroso de canela, colocava travessas de rabanadas na mesa, e as mãos, da cor do cravo, tem graça, agora que penso nisso, não me lembro de lhas ver pegar em talheres para tomar a refeição. Lembro-me só dos olhos, quase verdes, cheios de água pelo brilho da felicidade — ou seria do calor do fogão?

23/12/2015

Os meus presépios

Gosto muito de presépios. Devia ter uma colecção, mas, como tal não é possível, vou guardando imagens, que vou buscar ao Google. 
Gosto particularmente do meu presépio. É uma só peça, em que a figura do S. José é predominante e protectora. Não sendo lindo, representa exactamente a forma como eu vejo e entendo a história de um homem e de uma mulher pobres, em cujo percurso de uma longa e penosa viagem ocorreu o nascimento de uma criança, num estábulo — que é, afinal, o significado etimológico da palavra presépio


Não há Natal que venha, que não me traga à memória a descrição do presépio, feita pelas três meninas mais amadas da minha vida, assim que começaram a articular frases, por volta dos dois anos de idade. 

Tinha a mais velha 27 meses, quando assim o descreveu:
O hóme [S. José], a Banca Véve [Branca de Neve = Maria] e o miúdo.

A segunda tinha 26 meses no Natal, e foi assim:
O tio, a tia e o bebé.

A mais nova, com 22 meses, descreveu o presépio da seguinte maneira:
O Zuzu [Jesus], aquele de pau [S. José], aquela de joêio [de joelhos = Maria], aquela de asas [anjo].

Estes foram e serão sempre os meus melhores presépios, de todas as colecções fotográficas, reais ou mentais que algum dia eu tenha feito, ou venha a fazer.

22/12/2015

Flutuações

Soube hoje, de uma forma muito serena e agradável, que aqueles olhos me levariam até ao inferno, caso quisessem, pois foi o que aconteceu, e foi serena e agradável a nossa passagem, juntos, por lá. 
Mesmo à gajo, deixou as compras de Natal para hoje e pediu-me que o levasse ao Colombo, e por isso eu fui — mesmo à mãe, incapaz de um não tão fora de mão. 
Já no parque de estacionamento, que alcançámos após luta corpo a corpo com milhares de outros carros, tenho um contratempo com um condutor que me fica com o lugar, também ele conseguido através do recurso ao pente fino. Saio do carro, peço explicações para a atitude do homem, ele responde-me com uma frase cheia de "você" para cá e "você" para lá, decido que não vou entabular conversações com o porta-estandarte da bandeira da zona J, mas isso deixa-me à beira de um ataque de nervos. Volto para o carro, onde desabo como um baralho de cartas. Sossega-me instantaneamente a voz dele, que me diz, com precisão delicadamente cirúrgica, o que me ouviu a mim, em tantas circunstâncias das nossas vidas: Aquele homem não vale as tuas lágrimas. 
Metemo-nos na multidão, passamos a fazer parte dela e, no entanto, não nos misturamos com ela. Somos iguais um ao outro, e diferentes de toda a gente. Falamos sobre os mesmos assuntos, reparamos nas mesmas coisas, rimo-nos das mesmas situações. Pergunto-me e pergunto-lhe o que seria se houvesse uma emergência com o centro cheio daquela maneira, e se o plano de emergência funcionaria, ou sequer estaria actualizado. Ele tem quinze anos e ainda não despiu completamente a capa de super-herói. Deve ser por isso que me responde que trepava às paredes mais altas e ficava lá em cima, à espera que o perigo passasse. Ele não sabe nem sonha que, acontecesse o que acontecesse, eu nunca o deixaria para trás, e, assim como entrámos juntos naquela massa, sairíamos dela juntos, com toda a certeza absolutíssima. Tal como das duas vezes que o resgatei do mar, vestida eu de super-heroína. 
- Mulher, falta-me a tua prenda! — confessa-me, às tantas, e aos tantos milhares de passos. 
Entramos juntos na Calzedonia*, ele quer oferecer-me os collants da Julia Roberts
- Esta collant tem uma tripla função — anuncia a funcionária, como se ainda estivéssemos indecisos acerca da compra — modela a anca, reduz a barriga e descansa a perna. 
- É mesmo disto que tu precisas — diz ele, glorioso, satisfeito com a sua compra três-em-um, apesar de ainda não efectuada.
- Só da parte de descansar as pernas, só dessa... — respondo-lhe, toda risos, enquanto penso que bom seria que existissem collants de descanso da alma.
Haja o que houver, sei que estes serão os collants da minha vida — pelo menos, até que haja mais Natal.

* sem patrocínio

20/12/2015

Check with no list

Neste momento, acho que comprei as prendas todas. 
No entanto, tenho a certeza que fiz o que faço todos os anos: esqueci-me que tinha comprado para A e comprei duas. Ou para B, tanto faz. Só nunca me esqueço de alguém, mas lá comprar a dobrar, é mais do que frequente. Listas? Até faço, mas perco-as, ou não risco um nome, ou acho a prenda péssima (a mesma que era óptima quando a comprei) e "reforço-a". Ou então, destino qualquer coisa para uma pessoa, depois acho melhor para outra, e acabo baralhando tudo.
Também uso o sistema da prenda-vezes-várias: há sempre qualquer coisa que compro a multiplicar por seis, que dá para as amigas todas. Vai tudo corrido à mesma. Este ano são umas luzes de Natal da Primark, que devem durar uma noite e ó-ó. Mas o que vale é a intenção.
E uso ainda um outro sistema, que é o da prenda passa-a-outro-e-não-ao-mesmo: qualquer coisa que sei, de antemão, que a pessoa pode dar a outra, caso não goste do que eu lhe ofereci. Por isso, é raro pedir talões de troca. Não gostas? Dá à vizinha.
Enfim. Agora, espero que não me apareça cá o amigo secreto, o amigo-surpresa, o amigo imaginário, o amigo da onça, que a pessoa humana já está de pés enfiados na lareira que não tem, e ainda tem que se ir despencar para os centros comerciais à custa dos da última hora. 
Caneco. E o meu vizinho de baixo? E os do 4.º andar?
Só um momento, já volto.

Homem rico, homem pobre

É nesta altura do ano, e, em particular, nos centros comerciais, que o inferno se materializa, cimenta, ergue, qual Adamastor.
Fileiras de gente, igualmente infernais, comandadas agora pela regra da fila única mais altifalante, inventada pela Primark e adoptada pela FNAC, caixa 2, por favor!, caixa 5 por favor!, e assim segue a carneirada. yes sir, mééé, eu só quero sair daqui.
Vem uma mãe, pequena, despenteada, desgastada, magra, daquele magro de tanta falha, e ralha para o filho, uns sete anos, loiro, nariz a gritar "opera-me já aos adenóides", magro das mesmas falhas, Não me chateies!, ele choraminga, Mas eu não te estou a chatear..., e ela obriga-o a ficar ali ao pé, quieto — tolhido de vergonha, perante uma plateia indiferente.
Uns metros adiante, está um pai, não sei se feliz, mas vejo que contente, que traz um rapaz da mesma idade do da mulher magra, cabelo escuro, mas que anda à solta pela loja, ora mexendo num expositor, ora observando outro, enquanto o pai, que julgo contente, desata a cantar "Let it snow". O miúdo olha para ele, continua a saltitar entre corredores de revistas e gomas, e o homem repete "let it snow", e dá um discreto pezinho de dança de cada vez que canta. O filho esconde-se mais um pouco, a cada "let it snow" do pai, cada vez mais sonoros — tolhido de indiferença, perante uma plateia embaraçada.
O rapaz loiro está ali, ao pé da mãe, como ordenado, de olhos cravados no rapaz moreno, que ora se esconde, ora reaparece. 
Com toda a probabilidade, nunca se irão conhecer.
Por algum motivo, lembrei-me de uma série que deu, há muitos anos, Homem rico, homem pobre. Dois irmãos, um rico e um pobre.
Por algum motivo, pus-me a pensar: se tivesse que escolher, será que escolhia ser o filho da mãe magra e desgastada, ou o filho do pai contente e despropositado?
Por algum motivo, decidi-me pela mãe.


18/12/2015

Fwd: FW: Boas Festas!

Já começam as sarnas do mail, que mais valia entalarem as pontinhas dos dedos nos refegos do teclado, electrocutarem a unha na rodinha erótica do rato, ou, simplesmente, estarem quietas. 

Estes mails forwardeds, são os mesmos que já recebo desde 2003, que foi quando percebi, finalmente, que a nettinha existia. Com o passar do tempo, têm-me merecido tratamentos diversificados, a saber: 
- No primeiro ano em que os recebi, fiquei maravilhada, comovida, alucinada, incapaz de me conter (tipo incontinente) e vai de responder, um a um, com palavras doces e agradecidas. Apesar de ter ficado triste, só e abandonada como o gelado, por ter visto decrescer exponencialmente os postais de papel, por outro lado, senti-me super-moderna e a acompanhar uma new trend qualquer. Era tão totó.
- Nos anos seguintes, por talvez ter desconfiado que aquilo seguia para uma imensidão de gente, despersonalizado e frio, já fiz uma triagem, o que me fez sentir extremamente inteligente, perspicaz e esclarecida. 
- Depois, vieram os anos em que abria os mails de forwarded Boas Festas, ficava a olhar para eles sem saber muito bem o que pensar — note-se que recebia postais animados, daqueles da internet, com famílias inteiras vestidas de duende do Pai Natal, postais lá da firma, postais que eram uma autêntica caricatura ao Carnaval, que nem made in China seriam tão purpurinosos —, muito menos o que fazer. Por isso, não fazia nada. Fechava-os, guardava-os para desmemória futura, e esperava, pacientemente, que viesse o Carnaval e a Páscoa seguintes.

Quem nunca recebeu esta desgraça, com as caras de pessoas com as quais tinha intimidade zero, ponha o dedo no ar
- Mais à frente, vieram os anos da semi-libertação, em que abria os mails da boa festa, os meus olhos percorriam a espécie de texto na vertical, e zás, lixo.
- Neste momento, aparecem-me mails fwd Boas Festas na caixa a receber, já não os abro, e delete-delete-delete, directo para a caixa do caixotinho. 
- Para o ano, quem sabe não terei atingido a perfeição da indiferença aos mails da indiferença, e não terei uma caixa de spam tão perfeita, que mos sugue directamente, antes que me suguem eles a paciência a mim?

14/12/2015

É tão blogger da minha parte # 4

Pese embora não tenha nenhum Pai Natal gordo e generoso a quem possa choramingar um item, venho a esta casa em desabafo, mas também, e essencialmente, para mostrar que também sou capaz de fazer uma uichlist.
Vamos partir de um pressuposto, que é para haver já uma base de entendimento: eu detesto portáteis. O teclado irrita-me, o rato da placa enerva-me, a luminosidade do monitor desgasta-me, ter que o transportar (para justificar o adjectivo) é uma cruz.
Mas, por questões que para aqui não interessam, como quase todas as minhas, e ainda mais as que se me levantam, suspeita-me seriamente que vou necessitar de transportar para fora da torre, de modo mais eficaz do que apenas em chico-smart, toda a minha capacidade informática, e ó que não é assim tão pouca. E o meu PC é um CPU, se é que me entendem.
Então, hoje acordei a pensar neste bebé, tão lindo e maneirinho, mas do qual não sei nada, a não ser que, dentro do género, é o que mais depressa adoptaria como meu. Porque é azul (deve ser menino).

(Quanto às outras, não sei, mas este que utilizei, é também um critério fundamental e determinante para a escolha das grandes coisas da minha vida — um carro, por exemplo. Quais marca, quais carroçaria, quais motor, quais performance, quais consumos: a cor dele, é o mais importante nele.)

30/11/2015

Este ano, comecei a árvore pela base

Ainda não montei a árvore de Natal, mas já a comecei. Comprei a primeira prenda, ontem à noite — para mim. Na minha casa, as prendas põem-se na base da árvore, que é um tripé de plástico bastante mal enjorcado, e que convém tapar rapidamente (na verdade, ninguém se importa, mas eu sim). Aquele tripé chateia-me porque não me cheira a resina. E o Natal não me cheira a resina desde que tenho uma árvore artificial, a imitar um abeto. 
Nós fazíamos a árvore num pinheiro, altamente negociado com os vendedores ambulantes sazonais, e transportado rua acima, uma a agarrar o topo, a queixar-se que a caruma picava, a outra a agarrar no tronco, a queixar-se que tinha as mãos (ou as luvas de lã, porque estava sempre frio — dantes, em Lisboa, fazia frio em Dezembro) cheias de cola, mal sabendo que é, precisamente, com a resina que se fazem as colas. Depois roubávamos pedras da calçada portuguesa, metíamo-las dentro de um vaso grande e espetávamos lá o pinheiro, a cheirar a Natal durante um mês. Como devolvíamos as pedras à calçada depois do Ano Novo, talvez não fosse bem um roubo, mas sim um furto com reposição natural da situação, ou um empréstimo forçado (por uma boa causa).
Nem umas nem outra das árvores da minha vida foram de bases muito sólidas. Mesmo com as pedras todas, era comum o pinheiro tombar, normalmente durante a noite — porque, conforme se sabe, o Pai Natal faz incursões uns dias antes do 24, e, como é desastrado e gordo, desarruma tudo. Principalmente, se se tratar de apartamentos, como forma de vingança, por não ter uma chaminé por onde descer. 
Nem umas nem outra das árvores da minha vida foram de raízes profundas: na verdade, os pinheiros eram ramos de pinheiro adulto, por imposição legal para evitar a selvajaria do desarboramento. E esta árvore artificial que tenho agora, não cria raízes, nem que eu a deixe todo o ano plantada no chão da minha casa. 
A copa das árvores parece simbolizar o topo, numa escala hierárquica. 
No topo de uma árvore genealógica, encontram-se as pessoas que deram origem a todos os ramos que a compõem. 
Na vida, e principalmente na vida de uma árvore, a origem está na base, a importância está nas raízes — sem as quais todo o resto da árvore não existiria: qualquer daqueles ramos, até ao topo, teria a sua vida comprometida, ou inexistente, sem a existência, o vigor — a vitalidade — da raiz da árvore a que está agarrado, por dela fazer parte.
Por isso, este ano, comecei a árvore de Natal por baixo — mesmo antes de ela "nascer", alimentei o seu ponto mais importante: a raiz — eu.

É esta, a minha prenda para mim.
(imagem tirada da net, que a minha prenda está embrulhada a preceito)

10/11/2015

1.º post nataleiro 2015

Aos quinze anos, a coisa funciona assim. Têm-se uns rasgos. Tendo também irmãs, elas chamam-lhes (ternamente?) "ataques de Miss Universo".
- Já sei o que é que quero pedir para o Natal, este ano. — disse ele. 
A pessoa, atenta, porém expectante — nunca se sabe o que pode de lá vir e, à cautela, o melhor é ir buscar a máscara anti-bomba e o martelo pilão para partir o porco —, pergunta, já com voz de falsete, à nora (e à sogra, à cunhada, a todas as afins possíveis do catálogo):
- O que é, filho?
- Este ano, quero paz para o mundo.
[Ah, ok, eu também já tive quinze anos. É verdade, era isso, era não ter borbulhas em dia de festa e que eleaquele... — gostasse de mim.]
A pessoa, imbuída de um bocadinho do espírito, lembra-se, então, de proferir um desejo também, já agora:
- Eu também já sei o que é que quero para o Natal, este ano: que tu conserves esse teu desejo e não me peças mais nada. 
Vá, a minha história agora acabava e até estava perfeitinha. Tinha alguma piada, ao nível das anedotas das Selecções do RD, mas era a possível, drivados da hora descafeinada a que a relato. Só que a vida real é muito mais crua e dura, como aquelas carnes corridas em arena da praça. E diz-me ele assim para mim, naturalmente reconsiderado que estava do seu "ataque de miss":
- Também quero uns óculos especiais para jogar Playstation, para não me doerem os olhos. 
[E um pau de marmeleiro no Papá Natal que te traga isso, e depois é vê-lo sair de pernas entre o rabo, os pés lá dentro e tudo, uma coisa assim muito gráfica, para iniciar as hostes nataleiras. — foi o que a pessoa humana pensou, porque o Pai Natal me acirra o instinto. Mas agora já passou. Daqui a menos de um mês há mais.]


14/01/2015

E aquele momento natalício, em Janeiro

em que um estranho te liga para o telemóvel, te diz:

- Senhora dona Maria [e o teu apelido], daqui fala José [exactamente o mesmo apelido], da [nome da relojoaria] para a avisar de que o seu relógio já está pronto.

E tu respondes:

- Jesus [e vá lá que não lhe deste O apelido]!

27/12/2014

Felizmente, as festas estão a acabar

Já só falta uma, que eu espero não seja muito dolorosa. Estou seriamente a pensar em ir para o Terreiro do Paço assistir ao concerto do José Cid (que já foi Zé Cid, mas deve ter crescido), embora tema que ele se esqueça de levar a placa e cante aquele mega hit "Louco amor" exactamente como acontece no site que detém. Ora prestem lá atenção e garantam-me que ele tem a placa posta:

http://www.josecid.com/

Também tenho medo que ele se apresente em palco com o disco em cima das partes pudendas. E mais nada. 

Mas valerá a pena arriscar tudo isso, porque a seguir há Xutos. Pumba-pumba-pumba, Xutos e Pontapés.

É que já não se aguenta mais festividades. Eu falo por mim.

Hoje adornei almoço de família. Enverguei o mais improvável dos vestidos: vermelho, ampulheta. Eu sou assim, adoro surpreender. Só não parecia a mãe Natal porque a imagino sempre baixinha e anafada. Poderia vagamente sugerir uma sexy Santa Mom, se fosse muda. No entanto, não sou.

Sit 1 - Servem Martini a LP. 
Circunstancialmente, LP regozija o dono da casa: 
- Eu adoro Martini. E, para mim, são todos iguais. Tanto gosto do Rosso, como do Bianco, como do Rosato.
- Sim, mas sabes que isto é vinho carrascão com açúcar?
- Ah. Olha... então, devo ser muito carrascona.

(ninguém merece. A minha visita podia ter ficado por aqui. Inventava uma diarreia e vinha para casa. Mas não. Murphy tem sempre mais coisas guardadas para mim)

Sit 2 - Põem uma salada de alface com nozes, pinhões, maçãs e um molho de iogurte na mesa. A salada, deliciosa, só sabe a banana.
Circunstancialmente, LP agracia a dona da casa:
- Que delícia de salada. O molho é iogurte de banana?
- Não, a banana está dentro da salada.
- Ah. Não vejo nenhuma. Só vejo maçã. Vou à pesca da banana.

(este era o momento em que alguém podia ter feito a caridade de me pegar ao colo e levar-me para casa. Não era? Não. Eu nunca estou rodeada de gente caridosa. Estou sempre rodeada de gente que A) Está habituada a isto em mim; B) Adora divertir-se)

Sit 3 - Os convivas, dezasseis, se contarmos comigo (quinze, se não contarmos) resolvem tirar fotografias ao grupo. Apercebo-me que o decote do vestido me vai pôr numa situação piriclitante, tipo centro de Natal, onde só falta a vela. 
Podia ficar calada e puxar discretamente o decote para cima, não podia? Podia.
Mas não era a mesma coisa.
- Pareço a sogra da Catarina.
Como não havia ali nenhuma Catarina, nem nas relações próximas de nenhuma daquelas pessoas, houve que explicar que há coisa de dois anos assisti a um casamento em que a sogra da noiva, minha amiga, se foi pôr ao lado dos noivos, enquanto decorria a cerimónia, de mamas à mostra. Até me documentei, não fosse mais tarde alguém duvidar. Tipo agora.




Sit 4 - Sentei-me à mesa numa cadeira forrada de almofadas, tipo poltrona. A primeira vez que me levantei do lugar, e depois voltei, já tinha a minha cadeira fofa ocupada. E restava-me sentar numa, ao lado, sem almofadas.
- Sentaste-te na minha cadeira.
- Sentei. Senta-te nessa.
- Mas esta é dura.
- E então?
- Já estava com o rabo tão satisfeito...

O que é que permitiu que não chegássemos à Sit 5? (que eu desse por isso...)
Hah, adivinharam.
A tarde acabou.

Eu só queria saber se sou a única pessoa que acha que a posição deste Pai Natal da minha árvore não é lá assim muito normal


24/12/2014

Feliz Natal, meus

Não se esqueçam de comer muita fruta, seus alarves do genital.

Lembram-se das Ronettes?
Não?
Nem eu. Parecendo que não, não sou desse tempo.
(Sou anterior. Muito anterior. Paleolítico)
Pá, Be my baby...



E a letra disto?
Tão picantinha. 
Eu sei que, com toda a probabilidade, só eu vejo maldade numa música quase infantil feita em 1952. Mas é o que se arranja.

I saw Mommy kissing Santa Claus

Underneath the mistletoe last night.
She didn't see me creep
down the stairs to have a peep;
She thought that I was tucked
up in my bedroom fast asleep.

Then, I saw Mommy tickle Santa Claus
Underneath his beard so snowy white;
Oh, what a laugh it would have been
If Daddy had only seen
Mommy kissing Santa Claus last night